O que e Enxaqueca?

A enxaqueca (migrânea) e uma doença neurológica crônica caracterizada por crises recorrentes de cefaleia moderada a intensa, geralmente unilateral e pulsatil, acompanhada de nauseas, vomitos e hipersensibilidade a luz e sons. Não se trata de uma simples dor de cabeça — e uma condição neurovascular complexa com base genética.

A Organização Mundial da Saúde classifica a enxaqueca como a segunda causa de incapacidade global entre todas as doenças neurológicas. Afeta cerca de 15% da população mundial, sendo tres vezes mais prevalente em mulheres do que em homens, o que sugere forte influência hormonal.

As crises de enxaqueca podem durar de 4 a 72 horas e frequentemente são debilitantes, impedindo atividades rotineiras. Cerca de um terco dos pacientes experimenta aura — sintomas neurológicos transitórios que precedem ou acompanham a dor, como disturbios visuais, sensoriais ou de linguagem.

01

Doença Neurológica

A enxaqueca e uma doença do cerebro, não apenas uma dor de cabeça. Envolve disfunção neurovascular, sensibilização central e predisposição genética.

02

Aura Migranoide

Cerca de 30% dos pacientes experimentam fenomenos neurológicos transitórios (visuais, sensoriais ou de linguagem) antes ou durante a crise.

03

Alta Prevalência

Afeta aproximadamente 1 bilhao de pessoas globalmente, sendo a segunda maior causa de incapacidade entre doenças neurológicas.

Fisiopatologia

A compreensao da enxaqueca evoluiu significativamente nas últimas decadas. A teoria puramente vascular (dilatação de vasos sanguíneos) foi substituida por um modelo neurovascular que reconhece a enxaqueca como uma doença primariamente cerebral.

O processo começa com a ativação do sistema trigeminovascular — neuronios do nervo trigemeo que inervam as meninges e os vasos cerebrais. Quando ativados, esses neuronios liberam neuropeptideos como o CGRP (peptideo relacionado ao gene da calcitonina), substância P e neurocinina A, que causam inflamação neurogênica e vasodilatação meningea.

Mecanismos da enxaqueca: ativação trigeminovascular, depressão alastrante cortical, papel do CGRP e sensibilização central e periférica
Mecanismos da enxaqueca: ativação trigeminovascular, depressão alastrante cortical, papel do CGRP e sensibilização central e periférica
Mecanismos da enxaqueca: ativação trigeminovascular, depressão alastrante cortical, papel do CGRP e sensibilização central e periférica

Depressão Alastrante Cortical

A depressão alastrante cortical (CSD) e uma onda de despolarização neuronal seguida de supressão da atividade elétrica que se propaga lentamente pelo córtex cerebral. E o mecanismo responsável pela aura migranoide — a onda de despolarização visual percebida como escotomas cintilantes ou linhas em ziguezague.

A CSD ativa as fibras trigeminais nas meninges, estabelecendo a conexão entre a aura e a cefaleia. Mesmo em pacientes sem aura clínica, formas subliminares de CSD podem estar envolvidas na geração da dor.

Fenômenos visuais da aura migranoide: escotoma cintilante, linhas em ziguezague (espectro de fortificação), progressão típica ao longo de 5 a 60 minutos
Fenômenos visuais da aura migranoide: escotoma cintilante, linhas em ziguezague (espectro de fortificação), progressão típica ao longo de 5 a 60 minutos
Fenômenos visuais da aura migranoide: escotoma cintilante, linhas em ziguezague (espectro de fortificação), progressão típica ao longo de 5 a 60 minutos

Sensibilização e Cronificação

Durante uma crise, ocorre sensibilização periférica dos nociceptores meningeos (dor pulsatil que piora com movimentos da cabeça) seguida de sensibilização central no núcleo caudal do trigemeo e tálamo (alodinia cutânea — dor ao toque no couro cabeludo).

Crises frequentes podem levar a alterações estruturais e funcionais no cerebro, facilitando a transição para enxaqueca crônica (15 ou mais dias de cefaleia por mes). O uso excessivo de analgésicos e um dos principais fatores de cronificação.

Sintomas

Uma crise de enxaqueca típica evolui em fases distintas, embora nem todos os pacientes experimentem todas as fases. Compreender essa progressão ajuda no tratamento precoce e adequado.

Fases da crise de enxaqueca: pródromo, aura, cefaleia e pósdromo, com os sintomas típicos e a duração de cada fase
Fases da crise de enxaqueca: pródromo, aura, cefaleia e pósdromo, com os sintomas típicos e a duração de cada fase
Fases da crise de enxaqueca: pródromo, aura, cefaleia e pósdromo, com os sintomas típicos e a duração de cada fase
Fase Prodromica (horas a dias antes)

Alterações de humor, bocejos excessivos, desejos alimentares, retenção hidrica, rigidez cervical e fadiga. Presente em até 77% dos pacientes.

Aura (5-60 minutos)

Fenomenos visuais (escotomas cintilantes, linhas em ziguezague), sensoriais (formigamento unilateral) ou de linguagem (disfasia). Presente em 30% dos pacientes.

Cefaleia (4-72 horas)

Dor unilateral, pulsatil, moderada a intensa, agravada por atividade física. Acompanhada de nausea, fotofobia e fonofobia.

Fase Posdromica (até 48 horas)

Fadiga, dificuldade de concentração, sensação de "ressaca". Frequentemente subestimada mas pode ser tao incapacitante quanto a dor.

Critérios clínicos
08 itens

Sintomas da Crise de Enxaqueca

  1. 01

    Cefaleia unilateral pulsatil

    Dor predominante em um lado da cabeça com carater latejante, podendo alternar de lado entre as crises.

  2. 02

    Nauseas e vomitos

    Presentes em até 80% dos pacientes. Os vomitos podem ser tao intensos que impedem a ingestao de medicamentos orais.

  3. 03

    Fotofobia e fonofobia

    Hipersensibilidade a luz e sons, levando o paciente a buscar ambientes escuros e silenciosos.

  4. 04

    Piora com atividade física

    Movimentos da cabeça, subir escadas ou qualquer esforço intensificam a dor.

  5. 05

    Alodinia cutânea

    Dor ao toque leve no couro cabeludo, face ou pescoco — indica sensibilização central.

  6. 06

    Osmofobia

    Hipersensibilidade a odores, presente em até 40% dos pacientes — relativamente específica da enxaqueca.

  7. 07

    Disturbios visuais (aura)

    Pontos luminosos, linhas em ziguezague, escotomas — duram 5-60 minutos e precedem a dor.

  8. 08

    Sintomas autonomicos

    Lacrimejamento, congestao nasal e ptose unilateral podem ocorrer, especialmente em formas unilaterais intensas.

Diagnóstico

O diagnóstico de enxaqueca e essencialmente clínico, baseado na historia detalhada das crises. Não existe exame laboratorial ou de imagem que confirme o diagnóstico. Os criterios da International Headache Society (ICHD-3) são o padrão-ouro.

Exames de neuroimagem (tomografia ou ressonância) são indicados quando há sinais de alarme ("red flags") que sugiram cefaleia secundária, mas não são necessários para o diagnóstico de enxaqueca típica.

🏥Criterios ICHD-3 para Enxaqueca sem Aura

  • 1.Pelo menos 5 crises preenchendo os criterios abaixo
  • 2.Cefaleia durando 4-72 horas (sem tratamento)
  • 3.Pelo menos 2 de: unilateral, pulsatil, intensidade moderada/intensa, piora com atividade física
  • 4.Pelo menos 1 de: nausea e/ou vomitos, fotofobia e fonofobia
  • 5.Não atribuida a outra condição
50%
DOS PACIENTES COM ENXAQUECA NÃO SÃO DIAGNOSTICADOS
4-72h
DURAÇÃO TÍPICA DE UMA CRISE SEM TRATAMENTO
30%
DOS PACIENTES APRESENTAM AURA
2-3%
DA POPULAÇÃO TÊM ENXAQUECA CRÔNICA

Diagnóstico Diferencial

O diagnóstico de enxaqueca e clínico, mas diversas outras condições podem mimetizar suas crises. O médico acupunturista deve estar atento aos sinais de alarme que indicam causas secundarias e aos criterios que distinguem a enxaqueca de outros tipos de cefaleia primária.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Diagnóstico Diferencial

Cefaleia Tensional

Leia mais →
  • Dor bilateral em faixa/pressão
  • Sem nauseas, fotofobia leve no máximo
  • Não piora com atividade física

Testes Diagnósticos

  • Criterios ICHD-3
  • Diario de cefaleia

Cefaleia em Salvas

Leia mais →
  • Unilateral periorbital
  • Duração 15-180 min
  • Sintomas autonomicos ipsilaterais
Sinais de Alerta
  • Salvas com >3 episódios/dia = avaliação neurológica

Testes Diagnósticos

  • Criterios ICHD-3
  • Diario de cefaleia

Hemorragia Subaracnoide

  • "Pior cefaleia da vida"
  • Início subito em segundos
  • Pode ter rigidez nucal
Sinais de Alerta
  • Cefaleia em trovoada = TC urgente

Testes Diagnósticos

  • TC crânio sem contraste
  • Punção lombar

Cefaleia por Hipertensão Intracraniana

  • Piora ao deitar
  • Nauseas matinais
  • Edema de papila
Sinais de Alerta
  • Edema de papila = neuroimagem urgente

Testes Diagnósticos

  • Fundoscopia
  • RNM/TC

Arterite de Células Gigantes

  • Pacientes >50 anos
  • Dor na arteria temporal
  • VHS muito elevado
Sinais de Alerta
  • Risco de cegueira por isquemia da arteria oftalmica

Testes Diagnósticos

  • VHS
  • PCR
  • Biopsia da arteria temporal

Enxaqueca vs Cefaleia Tensional: A Distincao Mais Frequente

A diferênciação entre enxaqueca e cefaleia tensional e o desafio diagnóstico mais comum na prática clínica. A enxaqueca apresenta dor tipicamente unilateral e pulsatil, com nauseas e piora pelo movimento — criterios que a cefaleia tensional não preenche. O diario de cefaleia e a ferramenta mais valiosa para essa distincao, pois documenta as características de cada crise ao longo do tempo.

E importante lembrar que os dois tipos de cefaleia podem coexistir no mesmo paciente. Nesse caso, cada crise deve ser classificada separadamente de acordo com seus proprios criterios. O médico acupunturista deve orientar o paciente a registrar as características de cada episódio para guiar o tratamento individualizado.

Sinais de Alarme que Exigem Investigação Urgente

Determinados padrões de cefaleia exigem investigação imediata para excluir causas secundarias graves. A chamada "cefaleia em trovoada" — dor de máxima intensidade que atinge o pico em segundos — deve ser investigada como hemorragia subaracnoide até prova em contrário, mesmo que o paciente já tenha histórico de enxaqueca. Qualquer mudança abrupta no padrão habitual das cefaleias também merece investigação.

A presença de febre, rigidez de nuca, déficit neurológico focal, papiledema ou início após os 50 anos são outros sinais de alarme classicos. Na dúvida, o médico deve sempre priorizar a exclusão de causas secundarias antes de confirmar um diagnóstico de cefaleia primária. Essa conduta protege o paciente e e a base de uma prática médica responsável.

Enxaqueca com Aura vs Causas Vasculares

A aura migranoide — especialmente os fenomenos visuais — deve ser diferenciada de isquemia cerebral transitória (AIT). A aura típica se espalha lentamente (marcha em 20-30 minutos), enquanto os sintomas vasculares costumam ser de início mais abrupto. Além disso, a aura visual da enxaqueca e tipicamente positiva (luzes, ziguezague), enquanto o AIT frequentemente causa perda de função (escotoma escuro, apagamento de campo visual).

Pacientes com enxaqueca com aura, especialmente mulheres que usam contraceptivos orais combinados ou que fumam, apresentam risco levemente aumentado de AVC isquêmico. Nesses casos, a escolha do tratamento preventivo e do método contraceptivo deve ser discutida com o médico. A avaliação de fatores de risco cardiovascular e parte indissociavel do manejo adequado da enxaqueca.

Tratamento

O manejo da enxaqueca envolve tres pilares: tratamento agudo (abortivo das crises), tratamento preventivo (redução da frequência e intensidade) e modificações do estilo de vida. A escolha terapêutica depende da frequência, intensidade e impacto funcional das crises.

TRATAMENTO AGUDO VS PREVENTIVO

CARACTERÍSTICATRATAMENTO AGUDOTRATAMENTO PREVENTIVO
ObjetivoAliviar a crise atualReduzir frequência e intensidade das crises
Quando usarNo início da criseDiariamente (uso continuo)
MedicamentosTriptanos, AINEs, gepantesBetabloqueadores, anticonvulsivantes, anti-CGRP
IndicaçãoTodo paciente com enxaquecaFrequência >= 4 crises/mes ou crises incapacitantes
Início de açãoMinutos a horasSemanas a meses
CuidadosEvitar uso > 10 dias/mesManter por mínimo de 3-6 meses

Tratamento Agudo

Triptanos (sumatriptano, rizatriptano, zolmitriptano) são agonistas dos receptores 5-HT1B/1D e representam o tratamento de primeira linha para crises moderadas a intensas. Atuam revertendo a vasodilatação meningea e inibindo a liberação de CGRP. Devem ser tomados precocemente na crise para máxima eficacia.

Anti-inflamatorios não esteroidais (AINEs) como ibuprofeno, naproxeno e ácido acetilsalicilico são eficazes para crises leves a moderadas. A combinação de triptano + AINE e mais eficaz do que qualquer um isoladamente.

Gepantes (rimegepant, ubrogepant) são antagonistas do receptor de CGRP de uso oral, uma opção mais recente para pacientes que não toleram triptanos ou têm contraindicações cardiovasculares.

Tratamento Preventivo

Indicado quando o paciente têm 4 ou mais crises por mes, crises muito incapacitantes, falha no tratamento agudo ou risco de cefaleia por uso excessivo de analgésicos. As opções incluem betabloqueadores (propranolol), anticonvulsivantes (topiramato, ácido valproico), antidepressivos (amitriptilina, venlafaxina) e toxina botulinica tipo A (para enxaqueca crônica).

Anticorpos monoclonais anti-CGRP (erenumabe, fremanezumabe, galcanezumabe) representam a primeira terapia desenvolvida especificamente para enxaqueca. Administrados por injecao subcutânea mensal, reduzem a frequência de crises em 50% ou mais em cerca de 50% dos pacientes, com perfil de efeitos colaterais muito favorável.

Mecanismo de ação dos anticorpos monoclonais anti-CGRP: bloqueio do peptídeo CGRP ou de seu receptor na prevenção da enxaqueca
Mecanismo de ação dos anticorpos monoclonais anti-CGRP: bloqueio do peptídeo CGRP ou de seu receptor na prevenção da enxaqueca
Mecanismo de ação dos anticorpos monoclonais anti-CGRP: bloqueio do peptídeo CGRP ou de seu receptor na prevenção da enxaqueca

Acupuntura como Tratamento

A acupuntura e reconhecida como uma opção terapêutica complementar na prevenção da enxaqueca. A revisão Cochrane de 2016 (Linde et al.), envolvendo mais de 4.900 pacientes, concluiu que a acupuntura pode reduzir a frequência de crises em comparação ao placebo ou ao cuidado usual, com efeito semelhante ao do tratamento farmacológico preventivo — embora com qualidade de evidência descrita como baixa a moderada.

Os mecanismos propostos incluem modulação das vias trigeminovasculares, redução dos níveis de CGRP, liberação de endorfinas e encefalinas, ativação das vias descendentes inibitórias da dor e modulação do sistema nervoso autônomo. Estudos de neuroimagem funcional demonstram que a acupuntura ativa áreas cerebrais envolvidas na regulação da dor e na função autônoma.

Um protocolo típico envolve sessões semanais por 8-12 semanas, com manutenção mensal subsequente. Os resultados geralmente se manifestam após 4-6 sessões. A acupuntura pode ser utilizada isoladamente em pacientes com contraindicações a medicamentos preventivos ou como adjuvante ao tratamento farmacológico.

Prognóstico

A enxaqueca e uma condição crônica com curso variável ao longo da vida. Em muitos pacientes, a frequência e intensidade das crises diminuem com a idade, especialmente após os 50-60 anos. Em mulheres, a melhora frequentemente ocorre após a menopausa.

Com tratamento adequado, a maioria dos pacientes consegue redução significativa na frequência e intensidade das crises. A identificação e evitação de gatilhos individuais, associada a tratamento preventivo quando indicado, pode melhorar substancialmente a qualidade de vida.

O principal risco a longo prazo e a cronificação — transição de enxaqueca episodica para crônica. Fatores que aumentam esse risco incluem alta frequência de crises, uso excessivo de analgésicos, obesidade, disturbios do sono, depressão e estresse crônico. A prevenção da cronificação e um objetivo central do tratamento.

50-70%
DE REDUÇÃO DE CRISES COM PREVENTIVO ADEQUADO
3%
RISCO ANUAL DE CRONIFICAÇÃO SEM TRATAMENTO
6 meses
DURAÇÃO MÍNIMA RECOMENDADA DO TRATAMENTO PREVENTIVO
30-40%
DOS PACIENTES COM ENXAQUECA CRÔNICA REVERTEM PARA EPISODICA COM TRATAMENTO

Mitos e Fatos

Mito vs. Fato

MITO

Enxaqueca e apenas uma dor de cabeça forte

FATO

Enxaqueca e uma doença neurológica complexa com base genética, envolvendo disfunção neurovascular, inflamação neurogênica e sensibilização central. A dor de cabeça e apenas um dos sintomas.

MITO

Enxaqueca e causada por estresse — e "problema emocional"

FATO

Embora o estresse possa desencadear crises, a enxaqueca têm base neurobiologica e forte componente genético bem documentados. Estudos de neuroimagem descrevem alterações estruturais e funcionais cerebrais objetivas associadas à condição.

MITO

Chocolate e queijo sempre desencadeiam crises

FATO

Os gatilhos são individuais e variáveis. Muitos alimentos considerados gatilhos podem na verdade ser desejos da fase prodromica, confundindo causa com sintoma.

MITO

Tomar analgésico sempre que têm dor e a melhor abordagem

FATO

O uso frequente de analgésicos (mais de 10-15 dias/mes) pode causar cefaleia rebote e cronificar a enxaqueca. Tratamento preventivo e fundamental para pacientes com crises frequentes.

MITO

Enxaqueca só afeta mulheres

FATO

Embora mais prevalente em mulheres (3:1), a enxaqueca também afeta significativamente homens. Antes da puberdade, a prevalência e semelhante entre os sexos.

Quando Procurar Ajuda

Nem toda dor de cabeça precisa de avaliação médica urgente, mas algumas situações exigem atenção imediata. Procure um neurologista se suas crises são frequentes, incapacitantes ou não respondem ao tratamento habitual.

Perguntas Frequentes

PERGUNTAS FREQUENTES · 10

Perguntas Frequentes

A enxaqueca e uma doença neurológica com crise tipicamente unilateral, pulsatil, de intensidade moderada a intensa, acompanhada de nauseas, fotofobia e fonofobia, e que piora com atividade física. A cefaleia tensional comum e bilateral, em pressão, mais leve e sem esses sintomas associados. A enxaqueca também têm fases prodromica, de aura (em 30% dos casos) e posdromica, constituindo uma experiência mais complexa do que uma simples dor de cabeça.

A enxaqueca não têm cura definitiva, mas e altamente tratavel. Com o tratamento adequado — preventivo quando indicado, abortivo para as crises e modificações no estilo de vida — a maioria dos pacientes consegue redução de 50% ou mais na frequência e intensidade das crises. Em alguns pacientes, a enxaqueca melhora espontaneamente com a idade, especialmente após os 50-60 anos. Em mulheres, a menopausa frequentemente traz melhora.

As opções preventivas com maior evidência incluem betabloqueadores (propranolol, metoprolol), anticonvulsivantes (topiramato, valproato), antidepressivos (amitriptilina, venlafaxina) e toxina botulinica tipo A (para enxaqueca crônica). Os anticorpos monoclonais anti-CGRP (erenumabe, fremanezumabe, galcanezumabe) são os preventivos mais modernos, desenvolvidos especificamente para enxaqueca, com excelente eficacia e poucos efeitos colaterais. A escolha deve ser individualizada pelo médico.

Triptanos são indicados para crises de intensidade moderada a intensa, especialmente quando o paciente sabe que a crise será debilitante. Analgésicos simples (ibuprofeno, AAS, paracetamol) podem ser suficientes para crises leves. A combinação triptano + AINE e mais eficaz que qualquer um isolado. O ponto crucial e tomar a médicação o mais cedo possível na crise — a eficacia diminui significativamente se o tratamento for postergado. Mais de 10 dias/mes de abortivos eleva o risco de cefaleia rebote.

A acupuntura e uma opção terapêutica com evidência de eficacia comparável ao tratamento preventivo farmacológico na redução da frequência de crises de enxaqueca (revisão Cochrane, 2016). Em pacientes que não toleram os efeitos colaterais dos preventivos orais ou preferem reduzir a carga medicamentosa, a acupuntura pode ser utilizada como alternativa ou em combinação com farmacoterapia. A decisão deve ser tomada em conjunto com o médico acupunturista, avaliando as características individuais do paciente.

O protocolo típico para enxaqueca envolve 8-12 sessões semanais, seguidas de manutenção mensal. Os resultados costumam aparecer após 4-6 sessões, embora a avaliação de eficacia adequada recomende completar pelo menos 8 sessões. O benefício da acupuntura na enxaqueca tende a ser sustentado por pelo menos 6 meses após o termino do tratamento, o que e uma vantagem em relação aos farmacos, cujo efeito cessa com a interrupcao.

A enxaqueca têm base genética e neurobiologica — os gatilhos não causam a doença, mas podem desencadear crises em individuos predispostos. Gatilhos comuns incluem privação ou excesso de sono, jejum prolongado, estresse, variação hormonal (ciclo menstrual), alcool (especialmente vinho tinto), cafeina, luzes intensas e perfumes fortes. A identificação dos gatilhos individuais por meio de diario de cefaleia e fundamental — os gatilhos variam muito entre os pacientes.

Em casos raros, a aura migranoide — especialmente a aura motora (hemiplegia) — pode mimetizar sintomas de AVC. A diferênciação se baseia na progressão típica da aura (lenta, em 20-30 minutos), na reversibilidade completa e no histórico de crises semelhantes. A "cefaleia em trovoada" (dor de máxima intensidade em segundos) associada a rigidez nucal ou déficit neurológico novo deve ser investigada como hemorragia subaracnoide ou AVC — não deve ser atribuida a enxaqueca sem exclusão de causa vascular.

Sim. A enxaqueca pode iniciar na infância, e antes da puberdade a prevalência e semelhante entre meninos e meninas. Nas crianças, as crises costumam ser mais curtas (2-4 horas), bilaterais e com nauseas e vomitos proeminentes. Algumas crianças apresentam equivalentes migranoides como dor abdominal recorrente, vertigo paroxistico benigno ou torticolo paroxistico, que são reconhecidos como manifestações da enxaqueca pela classificação ICHD-3. O diagnóstico e tratamento adequado em crianças previne impacto acadêmico e social.

Enxaqueca crônica e definida como 15 ou mais dias de cefaleia por mes, sendo pelo menos 8 com características de enxaqueca, por mais de 3 meses. A principal causa de cronificação e o uso excessivo de analgésicos (mais de 10-15 dias/mes), que gera cefaleia rebote e manutenção do ciclo. Outros fatores incluem obesidade, apneia do sono, depressão, ansiedade e altos níveis de estresse crônico. O tratamento da enxaqueca crônica exige retirada dos analgésicos em excesso e introdução de preventivo adequado.