O que é Síndrome das Pernas Inquietas?

A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI), também conhecida como doença de Willis-Ekbom, é um distúrbio neurológico sensório-motor caracterizado por uma necessidade irresistível de mover as pernas, geralmente acompanhada por sensações desconfortáveis e desagradáveis nas extremidades inferiores.

Os sintomas apresentam um padrão circadiano marcante: surgem ou pioram durante o repouso e inatividade, especialmente no final do dia e à noite, e são aliviados pelo movimento. Esse padrão leva a significativa perturbação do sono, sendo a SPI uma das causas mais comuns de insônia crônica.

A SPI é classificada como primária (idiopática), com forte componente genético, ou secundária, associada a condições como deficiência de ferro, insuficiência renal, gravidez, neuropatia periférica e uso de certos medicamentos. A forma primária é responsável pela maioria dos casos.

01

Padrão Circadiano

Sintomas pioram à noite e durante o repouso. Esse padrão é tão consistente que é critério diagnóstico obrigatório.

02

Disfunção Dopaminérgica

O mecanismo central envolve disfunção do sistema dopaminérgico e do metabolismo do ferro no sistema nervoso central.

03

Impacto no Sono

A SPI é uma das causas mais frequentes de insônia. Mais de 80% dos pacientes apresentam movimentos periódicos dos membros durante o sono.

Epidemiologia

A SPI afeta 5-10% da população adulta em países ocidentais, sendo menos prevalente em populações asiáticas (1-3%). É mais comum em mulheres e sua prevalência aumenta com a idade. Apesar de ser comum, a SPI é frequentemente subdiagnosticada — muitos pacientes não mencionam os sintomas ao médico ou recebem diagnósticos incorretos.

5-10%
DA POPULAÇÃO ADULTA OCIDENTAL
2-3%
APRESENTAM FORMA MODERADA A GRAVE
2:1
RAZÃO MULHERES:HOMENS
60%
TÊM HISTÓRIA FAMILIAR POSITIVA

Fisiopatologia

Dois mecanismos centrais convergem na fisiopatologia da SPI: disfunção dopaminérgica e deficiência de ferro no sistema nervoso central. Esses dois fatores estão intimamente relacionados, pois o ferro é cofator essencial da enzima tirosina hidroxilase, necessária para a síntese de dopamina.

Estudos de neuroimagem demonstram redução do ferro na substância negra e núcleo rubro de pacientes com SPI, mesmo quando os níveis séricos de ferro e ferritina são normais. A deficiência de ferro cerebral compromete a produção de dopamina e a função dos receptores dopaminérgicos D2.

Mecanismo fisiopatológico da SPI: deficiência de ferro no SNC → redução da síntese de dopamina → disfunção dos circuitos dopaminérgicos A11 (hipotálamo-espinhal) → desinibição das vias sensoriais e motoras da medula espinhal → sintomas da SPI
Mecanismo fisiopatológico da SPI: deficiência de ferro no SNC → redução da síntese de dopamina → disfunção dos circuitos dopaminérgicos A11 (hipotálamo-espinhal) → desinibição das vias sensoriais e motoras da medula espinhal → sintomas da SPI
Mecanismo fisiopatológico da SPI: deficiência de ferro no SNC → redução da síntese de dopamina → disfunção dos circuitos dopaminérgicos A11 (hipotálamo-espinhal) → desinibição das vias sensoriais e motoras da medula espinhal → sintomas da SPI

O sistema dopaminérgico A11 (projeções diencéfalo-espinhais) é particularmente relevante. Esses neurônios dopaminérgicos do hipotálamo posterior modulam a excitabilidade de vias sensoriais e motoras na medula espinhal. Sua disfunção leva à desinibição dessas vias, causando as sensações anormais e a necessidade de movimento. O padrão circadiano dos sintomas correlaciona-se com a variação circadiana natural da dopamina, que atinge seus menores níveis à noite.

CAUSAS SECUNDÁRIAS DE SPI

CONDIÇÃOMECANISMOPREVALÊNCIA DE SPI
Deficiência de ferroRedução da síntese de dopaminaProporcional ao grau de deficiência
Insuficiência renal crônicaAcúmulo de toxinas urêmicas + deficiência de ferro20-60% dos pacientes em diálise
GravidezDeficiência relativa de ferro + alterações hormonais10-25%, especialmente no 3º trimestre
Neuropatia periféricaLesão de fibras finas sensoriais5-20% dos pacientes com neuropatia
Medicamentos (antidepressivos, antipsicóticos)Bloqueio de receptores dopaminérgicosVariável conforme medicamento

Sintomas

Os sintomas da SPI são frequentemente difíceis de descrever. Pacientes usam termos variados: formigamento, comichão, queimação, sensação de "insetos andando", "inquietação profunda" ou "desconforto indefinido" nas pernas. A característica central é a urgência irresistível de mover as pernas.

Critérios clínicos
06 itens

Sintomas Característicos da SPI

  1. 01

    Necessidade irresistível de mover as pernas

    O sintoma cardinal. Frequentemente acompanhado de sensações desconfortáveis, mas pode ocorrer como urgência motora isolada.

  2. 02

    Piora durante repouso e inatividade

    Sintomas surgem ao deitar, sentar ou ficar parado. Aulas, cinemas, viagens de avião e repouso na cama são situações típicas de piora.

  3. 03

    Alívio com o movimento

    Caminhar, esticar, massagear ou mover as pernas alivia temporariamente os sintomas. O alívio é imediato mas transitório.

  4. 04

    Piora à noite

    Padrão circadiano consistente. Sintomas são mais intensos entre 22h e 4h. Pode ser mínimo ou ausente de manhã.

  5. 05

    Movimentos periódicos dos membros (PLMS)

    Movimentos repetitivos de flexão do tornozelo, joelho e quadril durante o sono, ocorrem em >80% dos pacientes com SPI. Fragmentam o sono.

  6. 06

    Insônia

    Dificuldade para iniciar o sono é a queixa mais frequente. Fadiga diurna, irritabilidade e comprometimento cognitivo são consequências.

Diagnóstico

O diagnóstico da SPI é exclusivamente clínico, baseado nos critérios da International Restless Legs Syndrome Study Group (IRLSSG). Não existe exame laboratorial ou de imagem que confirme o diagnóstico. Exames complementares são utilizados para identificar causas secundárias e excluir diagnósticos diferenciais.

🏥Critérios Diagnósticos IRLSSG (Revisados 2014)

Fonte: Allen et al., 2014 — International Restless Legs Syndrome Study Group

Cinco Critérios Essenciais (Todos Obrigatórios)
Todos os cinco critérios devem ser preenchidos
  • 1.1. Necessidade irresistível de mover as pernas, geralmente acompanhada de sensações desconfortáveis
  • 2.2. Sintomas iniciam ou pioram durante períodos de repouso ou inatividade
  • 3.3. Sintomas são parcial ou totalmente aliviados pelo movimento
  • 4.4. Sintomas ocorrem exclusivamente ou pioram ao anoitecer ou à noite
  • 5.5. Os sintomas acima não são melhor explicados por outra condição médica ou comportamental
Exames Complementares Recomendados
  • 1.Ferritina sérica e saturação de transferrina (ferritina < 75 ng/mL sugere deficiência de ferro contribuindo para SPI)
  • 2.Hemograma completo (excluir anemia)
  • 3.Função renal (excluir insuficiência renal)
  • 4.Glicemia/HbA1c (neuropatia diabética)
  • 5.TSH (distúrbios tireoidianos)
  • 6.Polissonografia (se dúvida diagnóstica ou suspeita de apneia do sono associada)

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

CONDIÇÃOCOMO DIFERENCIAR DA SPI
Cãibras noturnasContração muscular dolorosa e visível; não alivia com movimento contínuo
Neuropatia periféricaSintomas constantes, não circadianos; déficit sensitivo ao exame
Acatisia por medicamentosInquietação generalizada (não só pernas); relação temporal com medicamento
Insuficiência venosaPeso e edema vespertino; piora em ortostatismo, melhora com elevação
Claudicação vascularDor ao caminhar, alivia com repouso (oposto da SPI)
AnsiedadeInquietação generalizada; sem padrão circadiano; sem sensações desconfortáveis localizadas

Diagnóstico Diferencial

A SPI é frequentemente subdiagnosticada ou confundida com outras condições que causam desconforto noturno nas pernas. O diagnóstico diferencial é essencial pois o tratamento difere substancialmente entre as condições.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Diagnóstico Diferencial

Neuropatia Periférica

  • Parestesias em queimação
  • Não há necessidade irresistível de mover
  • Déficit sensitivo ao exame

Testes Diagnósticos

  • EMG
  • Glicemia

Câimbras Noturnas

Leia mais →
  • Contração muscular dolorosa
  • Alivia com massagem
  • Sem compulsão de movimento

Testes Diagnósticos

  • Exame clínico

Deficiência de Ferro/Ferritina Baixa

  • Ferritina abaixo de 50 ng/mL piora a SPI
  • Fadiga, anemia

Testes Diagnósticos

  • Ferritina sérica
  • Hemograma

Doença Arterial Periférica

  • Claudicação ao caminhar (não repouso)
  • Pulsos diminuídos
  • Fatores cardiovasculares

Testes Diagnósticos

  • Índice tornozelo-braço
  • Doppler

Akathisia por Medicamentos

  • Inquietação motora por antipsicóticos/metoclopramida
  • Não têm ritmo circadiano
  • Melhora ao reduzir a dose

Testes Diagnósticos

  • Revisão de medicamentos
  • Melhora após suspensão

SPI vs. Neuropatia Periférica e Câimbras

A neuropatia periférica pode causar parestesias noturnas nas pernas que se confundem com SPI, mas há diferenças importantes. Na neuropatia, as sensações são geralmente constantes ou presentes durante o dia também, sem o ritmo circadiano marcante da SPI (pior à noite). Não há a compulsão irresistível de mover as pernas — os sintomas da neuropatia não melhoram com o movimento, ao contrário da SPI. O exame neurológico revela déficit sensitivo e o EMG confirma a neuropatia. Frequentemente as duas condições coexistem, pois a neuropatia periférica é uma das causas secundárias de SPI.

As câimbras noturnas são contrações musculares involuntárias, dolorosas e visíveis que ocorrem durante o sono — diferem da SPI pela presença de contração muscular palpável e visível, pela dor intensa localizada (não a sensação difusa de inquietação da SPI), pelo alívio com massagem e extensão do músculo (não com movimento contínuo) e pela ausência de compulsão de mover as pernas antes de adormecer.

Akathisia e Deficiência de Ferro: Causas Tratáveis

A akathisia induzida por medicamentos é um diagnóstico frequentemente esquecido. Antipsicóticos (haloperidol, risperidona), metoclopramida e outros bloqueadores dopaminérgicos podem causar inquietação motora generalizada. Diferentemente da SPI, a akathisia não têm ritmo circadiano — acomete durante todo o dia, afeta também os braços e o tronco, e melhora com a redução ou suspensão do medicamento causador. A revisão cuidadosa dos medicamentos em uso é obrigatória em todo paciente com suspeita de SPI.

A deficiência de ferro não é apenas uma causa secundária de SPI — é um fator agravante mesmo em pacientes com SPI primária. Ferritina abaixo de 50-75 ng/mL compromete a síntese de dopamina no SNC e piora os sintomas. A suplementação de ferro é indicada quando a ferritina está abaixo de 75 ng/mL e/ou a saturação de transferrina é inferior a 45%, com alvo de ferritina superior a 100 ng/mL (Allen 2018; Silber 2021), mesmo que o hemograma não mostre anemia. Esse é o primeiro passo terapêutico e pode contribuir para melhora em casos anteriormente considerados refratários.

Doença Vascular Periférica: O Oposto da SPI

A doença arterial periférica causa claudicação — dor nas pernas ao caminhar que alivia com repouso. Esse padrão é exatamente oposto ao da SPI, onde os sintomas surgem em repouso e aliviam com o movimento. A distinção clínica é geralmente simples pela anamnese. No entanto, em pacientes idosos com múltiplas comorbidades, ambas as condições podem coexistir. A presença de pulsos periféricos diminuídos, fatores de risco cardiovascular e o índice tornozelo-braço confirmam a doença arterial periférica.

A acupuntura pode complementar o tratamento da SPI por mecanismos dopaminérgicos e de modulação da excitabilidade espinhal. O médico acupunturista deve investigar ferritina e medicamentos em uso antes de iniciar o tratamento, pois a correção de fatores modificáveis pode resolver o quadro sem necessidade de terapias adicionais.

Tratamento

A abordagem terapêutica inicia com a correção de fatores contribuintes (deficiência de ferro, medicamentos desencadeantes) e medidas não farmacológicas. O tratamento farmacológico é reservado para casos moderados a graves que impactam significativamente o sono e a qualidade de vida.

Correção de Fatores
Primeira etapa obrigatória

Suplementação de ferro se ferritina < 75 ng/mL (alvo > 100 ng/mL). Revisão de medicamentos que pioram SPI: antidepressivos (especialmente ISRS/ISRSN), anti-histamínicos, antieméticos (metoclopramida). Redução de caféína e álcool.

Medidas Não Farmacológicas
Contínuas

Higiene do sono, exercício físico moderado (evitar exercício intenso próximo ao horário de dormir), massagem nas pernas, compressão pneumática, banho quente ou frio antes de dormir. Atividades mentais estimulantes durante períodos de inatividade.

Ligantes alfa-2-delta
Primeira linha farmacológica (diretrizes atuais)

Gabapentina ou pregabalina (gabapentina enacarbil, listada em diretrizes internacionais, não está disponível no Brasil). Passaram a ser preferidos como primeira linha em diretrizes recentes por não causarem augmentation. Úteis para sintomas sensitivos e dor associada. Efeito colateral comum: sonolência (pode ser benéfico à noite). A escolha do farmaco deve ser individualizada pelo médico.

Agonistas Dopaminérgicos
Segunda linha (baixas doses)

Pramipexol, rotigotina (adesivo). Eficazes, mas risco de augmentation (piora paradoxal com uso prolongado) em até 50% dos pacientes em 10 anos. Usar sempre na menor dose eficaz.

Acupuntura como Tratamento

A acupuntura é investigada como terapia complementar para SPI, com mecanismos propostos que incluem modulação da neurotransmissão dopaminérgica, redução da excitabilidade da medula espinhal e melhora da qualidade do sono através da regulação do sistema nervoso autônomo.

Estudos em modelos animais de SPI demonstraram que a eletroacupuntura pode aumentar a expressão de receptores dopaminérgicos D2 na medula espinhal e modular a via A11 (hipotálamo-espinhal). A estimulação de pontos nos membros inferiores pode influenciar os circuitos sensoriais espinhais que são hiperexcitáveis na SPI.

Na prática clínica, a acupuntura pode ser considerada como opção complementar, especialmente em pacientes com formas leves a moderadas, intolerância medicamentosa ou em combinação com o tratamento convencional. Relatos clínicos sugerem benefícios na qualidade do sono e na redução da frequência dos sintomas.

Prognóstico

A SPI primária é uma condição crônica, mas o curso pode ser variável. Alguns pacientes apresentam sintomas intermitentes com períodos de remissão, enquanto outros têm progressão gradual. A SPI secundária (deficiência de ferro, gravidez) frequentemente melhora ou resolve com o tratamento da causa.

Com tratamento adequado — incluindo correção da deficiência de ferro, escolha criteriosa de medicamentos e medidas comportamentais — a maioria dos pacientes alcança controle satisfatório dos sintomas e melhora significativa da qualidade do sono.

Mitos e Fatos

Mito vs. Fato

MITO

Síndrome das pernas inquietas é ansiedade ou nervosismo.

FATO

A SPI é um distúrbio neurológico com base dopaminérgica bem definida. Embora ansiedade possa coexistir e piorar os sintomas, a SPI têm mecanismos fisiopatológicos distintos e tratamento específico.

Mito vs. Fato

MITO

É só problema de circulação nas pernas.

FATO

A SPI é um distúrbio do sistema nervoso central, não um problema vascular periférico. A confusão ocorre porque sintomas de insuficiência venosa também pioram em repouso, mas o padrão circadiano e o alívio com o movimento diferenciam as condições.

Mito vs. Fato

MITO

Crianças não têm síndrome das pernas inquietas.

FATO

A SPI pode iniciar na infância e é frequentemente confundida com 'dores do crescimento', TDAH ou ansiedade. Estima-se que 2% das crianças em idade escolar tenham SPI. A história familiar positiva é ainda mais prevalente nas formas de início precoce.

Quando Procurar Ajuda

Perguntas Frequentes

PERGUNTAS FREQUENTES · 10

Perguntas Frequentes

Sim, a SPI têm tratamento eficaz. O primeiro passo é identificar e corrigir causas secundárias — especialmente deficiência de ferro (ferritina abaixo de 75 ng/mL) e medicamentos que pioram a condição. Para formas moderadas a graves, existem medicamentos eficazes como ligantes alfa-2-delta (gabapentina, pregabalina) e agonistas dopaminérgicos. Muitos pacientes alcançam controle satisfatório com tratamento adequado.

O padrão circadiano é uma das características definidoras da SPI. Os sintomas pioram à noite porque a dopamina no sistema nervoso central atinge seus níveis mais baixos entre as 23h e as 4h. Como a SPI envolve disfunção dopaminérgica, essa variação natural cria uma janela de vulnerabilidade noturna. É por isso que os medicamentos para SPI são frequentemente administrados no período da tarde ou início da noite.

Sim, definitivamente. A ferritina baixa é uma das causas mais comuns e tratáveis de SPI. O ferro é cofator essencial para a enzima tirosina hidroxilase, necessária para a síntese de dopamina no cérebro. Mesmo sem anemia, ferritina abaixo de 50-75 ng/mL pode comprometer a produção de dopamina no SNC. A suplementação de ferro com alvo de ferritina acima de 100 ng/mL pode levar a melhora substancial dos sintomas em parte dos pacientes, por vezes reduzindo a necessidade de outros medicamentos — a resposta é individual e deve ser avaliada pelo médico.

Augmentation é uma complicação paradoxal do uso prolongado de agonistas dopaminérgicos para SPI: os sintomas passam a ocorrer mais cedo no dia, espalham-se para os braços e tornam-se mais intensos — uma piora paradoxal causada pelo próprio tratamento. Ocorre em até 50% dos pacientes após 10 anos de uso. Para evitá-la: usar sempre a menor dose eficaz, preferir gabapentina/pregabalina como primeira linha (que não causam augmentation), e monitorar regularmente.

Sim. A SPI pode iniciar na infância e é frequentemente confundida com "dores do crescimento", TDAH ou ansiedade. Estima-se que 2% das crianças em idade escolar tenham SPI. A história familiar positiva é ainda mais prevalente nas formas de início precoce. Nas crianças, o diagnóstico é mais desafiador pois elas têm dificuldade de descrever as sensações. O impacto no sono e no desempenho escolar pode ser significativo.

Exercício físico moderado e regular pode ajudar na SPI ao melhorar o sono, reduzir o estresse e potencialmente influenciar o metabolismo dopaminérgico. No entanto, exercício intenso próximo ao horário de dormir pode piorar os sintomas naquela noite específica. A recomendação é exercício aeróbico moderado pela manhã ou no início da tarde. Exercícios de alongamento e ioga antes de dormir podem ser úteis para alguns pacientes.

A acupuntura é investigada como opção complementar para SPI, com estudos preliminares mostrando benefícios nos escores de gravidade (IRLS) e na qualidade do sono. Os mecanismos propostos incluem modulação da neurotransmissão dopaminérgica, redução da excitabilidade espinhal e melhora do sono. O médico acupunturista pode considerar a acupuntura como complemento, especialmente em formas leves a moderadas ou em pacientes com intolerância a medicamentos.

Existe uma relação entre SPI e o sistema dopaminérgico — ambas envolvem disfunção dopaminérgica. Estudos mostram que pacientes com SPI têm risco levemente maior de desenvolver doença de Parkinson em comparação à população geral, embora a maioria jamais desenvolva. A SPI não é um precursor necessário ou obrigatório do Parkinson. Além disso, agonistas dopaminérgicos são usados em ambas as condições, mas com mecanismos e indicações diferentes.

Sim. A SPI ocorre em 10-25% das grávidas, especialmente no terceiro trimestre. Os mecanismos envolvem deficiência relativa de ferro (demanda aumentada na gestação), alterações hormonais (estrogênio e progesterona) e alterações no metabolismo dopaminérgico. Na maioria dos casos, a SPI gestacional resolve após o parto. O manejo na gestação prioriza a suplementação de ferro e medidas não farmacológicas, pois os medicamentos convencionais têm limitações na gravidez.

Diversas medidas não farmacológicas podem reduzir os sintomas: higiene do sono rigorosa (horários regulares, quarto escuro e frio), eliminação de caféína (especialmente após o almoço), redução do álcool, exercício regular, massagem nas pernas antes de dormir, banho quente ou frio (dependendo da resposta individual), compressão pneumática intermitente e atividades mentalmente estimulantes durante períodos de inatividade (leitura, jogos) para distrair dos sintomas.