O que é Vertigem?

Vertigem é a ilusão de movimento — geralmente rotacional — do próprio corpo ou do ambiente. Não é sinônimo de tontura, que é um termo mais amplo englobando desequilíbrio, sensação de flutuação e pré-síncope. A vertigem indica especificamente uma disfunção do sistema vestibular, periférico ou central.

O sistema vestibular é responsável por detectar movimentos da cabeça e posição no espaço, integrando essas informações com sinais visuais e proprioceptivos para manter o equilíbrio e estabilizar o olhar. Quando há assimetria na atividade vestibular — por lesão unilateral ou disfunção — o cérebro interpreta essa assimetria como movimento, gerando a sensação de vertigem.

A vertigem é um sintoma extremamente comum, representando uma das causas mais frequentes de consultas em serviços de emergência e pronto-atendimento. A causa mais comum é a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), responsável por aproximadamente 25-30% dos casos.

01

Ilusão de Movimento

Vertigem é a percepção falsa de que o corpo ou o ambiente estão em rotação. É diferente de tontura inespecífica ou instabilidade.

02

Periférica vs. Central

A diferênciação entre causa periférica (ouvido interno) e central (tronco encefálico/cerebelo) é crucial para o manejo.

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Altamente Tratável

Muitas causas periféricas de vertigem respondem bem ao tratamento. Na VPPB, por exemplo, manobras de reposicionamento (Epley, Semont) frequentemente aliviam os sintomas já em uma ou poucas sessões — embora possa haver recorrências.

Fisiopatologia

O equilíbrio depende da integração de três sistemas sensoriais: vestibular (ouvido interno), visual e proprioceptivo (receptores em articulações, músculos e pés). Essas informações convergem nos núcleos vestibulares do tronco encefálico, que as processam e geram respostas motoras para manter postura e estabilização do olhar.

O aparelho vestibular periférico possui dois componentes: os canais semicirculares (anterior, posterior e horizontal), que detectam aceleração angular (rotações da cabeça), e os órgãos otolíticos (utrículo e sáculo), que detectam aceleração linear e posição em relação à gravidade.

Anatomia do sistema vestibular periférico: canais semicirculares (anterior, posterior, horizontal), utrículo, sáculo, nervo vestibular. Vias centrais: núcleos vestibulares → cerebelo, córtex vestibular, núcleos oculomotores
Anatomia do sistema vestibular periférico: canais semicirculares (anterior, posterior, horizontal), utrículo, sáculo, nervo vestibular. Vias centrais: núcleos vestibulares → cerebelo, córtex vestibular, núcleos oculomotores
Anatomia do sistema vestibular periférico: canais semicirculares (anterior, posterior, horizontal), utrículo, sáculo, nervo vestibular. Vias centrais: núcleos vestibulares → cerebelo, córtex vestibular, núcleos oculomotores

Em condições normais, os dois labirintos enviam sinais simétricos aos núcleos vestibulares. Uma lesão unilateral cria assimetria: o lado afetado envia menos sinais, e o cérebro interpreta essa diferença como se houvesse rotação da cabeça para o lado saudável. O resultado é vertigem rotatória e nistagmo (movimento involuntário dos olhos) com fase rápida para o lado saudável.

Tipos e Causas

A distinção entre vertigem periférica e central é fundamental porque as causas centrais podem representar emergências neurológicas (AVC de fossa posterior, por exemplo). A anamnese, o exame do nistagmo e testes vestibulares específicos orientam essa diferênciação.

VERTIGEM PERIFÉRICA VS. CENTRAL

CARACTERÍSTICAPERIFÉRICACENTRAL
InícioSúbito, episódicoGradual ou súbito
IntensidadeIntensa, rotatóriaModerada, menos definida
DuraçãoSegundos a horasDias a semanas, ou contínua
NistagmoHorizontal/rotatório, inibido pela fixaçãoVertical, multidirecional, não inibido pela fixação
Náusea/vômitoIntensaVariável
Perda auditivaPode estar presente (Ménière)Geralmente ausente
Sinais neurológicosAusentesDiplopia, disfagia, disartria, paresias
Causas principaisVPPB, neurite vestibular, MénièreAVC, esclerose múltipla, tumor, enxaqueca vestibular

PRINCIPAIS CAUSAS DE VERTIGEM

CAUSAMECANISMODURAÇÃO DOS EPISÓDIOS
VPPBOtocônias deslocadas nos canais semicircularesSegundos (< 1 minuto)
Neurite vestibularInflamação do nervo vestibular (pós-viral)Dias (crise única, melhora gradual)
Doença de MénièreHidropisia endolinfática20 minutos a horas
Enxaqueca vestibularDisfunção vestibular central associada à enxaquecaMinutos a 72 horas
AVC de fossa posteriorIsquemia do cerebelo/tronco encefálicoContínua, aguda
Schwannoma vestibularTumor no nervo vestibulococlearDesequilíbrio progressivo
25-30%
DOS CASOS SÃO VPPB
10-15%
NEURITE VESTIBULAR
10%
DOENÇA DE MÉNIÈRE
10-15%
ENXAQUECA VESTIBULAR

Sintomas

Os sintomas variam conforme a causa, mas a vertigem verdadeira é sempre acompanhada por nistagmo e frequentemente por sintomas autonômicos como náusea e vômito. A intensidade não necessariamente correlaciona-se com a gravidade da causa — a VPPB causa vertigem muito intensa, mas é benigna.

Critérios clínicos
06 itens

Sintomas Comuns na Vertigem

  1. 01

    Sensação de rotação

    O paciente sente que o ambiente gira ao seu redor ou que ele próprio está girando. É o sintoma cardinal da vertigem.

  2. 02

    Nistagmo

    Movimento involuntário e rítmico dos olhos. Sua direção e características ajudam a localizar a causa.

  3. 03

    Náusea e vômito

    Resposta autonômica à assimetria vestibular. Pode ser intensa na VPPB e neurite vestibular.

  4. 04

    Desequilíbrio

    Tendência a cair para o lado da lesão. Dificuldade de manter a postura ereta.

  5. 05

    Oscilopsia

    Sensação de que o ambiente está "balançando" ou "tremendo" durante movimentos da cabeça.

  6. 06

    Sintomas auditivos

    Zumbido, perda auditiva e plenitude auricular quando a causa envolve o ouvido interno (Ménière).

Diagnóstico

O diagnóstico da vertigem é predominantemente clínico, baseado na história (duração, fatores desencadeantes, sintomas associados) e no exame otoneurológico. A caracterização temporal dos episódios é uma das ferramentas diagnósticas mais importantes.

Testes vestibulares específicos incluem a manobra de Dix-Hallpike (diagnóstico de VPPB do canal posterior), o teste de impulso cefálico (avalia o reflexo vestíbulo-ocular) e o teste de Romberg (avalia integração sensorial para equilíbrio).

🏥Abordagem Diagnóstica da Vertigem

Fonte: Barany Society — Critérios diagnósticos internacionais

Anamnese Direcionada
  • 1.Duração de cada episódio: segundos (VPPB), horas (Ménière), dias (neurite)
  • 2.Fatores desencadeantes: mudança de posição (VPPB), espontâneo (Ménière, neurite)
  • 3.Sintomas auditivos associados: zumbido, perda auditiva, plenitude auricular
  • 4.Cefaleia: presente na enxaqueca vestibular
  • 5.Sintomas neurológicos: diplopia, disfagia, fraqueza (causa central)
Exame Otoneurológico
  • 1.Manobra de Dix-Hallpike: VPPB do canal posterior
  • 2.Roll test (supine): VPPB do canal horizontal
  • 3.Teste de impulso cefálico (HIT): reflexo vestíbulo-ocular
  • 4.Avaliação do nistagmo espontâneo e provocado
  • 5.Teste de acuidade visual dinâmica
  • 6.Exame neurológico focado (pares cranianos, cerebelo)
Exames Complementares
  • 1.Audiometria: se sintomas auditivos
  • 2.Videonistagmografia (VNG): avaliação vestibular objetiva
  • 3.vHIT (video Head Impulse Test): função dos canais semicirculares
  • 4.RM de encéfalo: se suspeita de causa central ou schwannoma

Diagnóstico Diferencial

A vertigem pode ter causas muito diversas com prognósticos e tratamentos distintos. A diferênciação clínica é fundamental para evitar tanto o subtratamento quanto a investigação desnecessária.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Diagnóstico Diferencial

Doença de Ménière

Leia mais →
  • Episódios recorrentes
  • Perda auditiva flutuante
  • Zumbido e plenitude auricular

Testes Diagnósticos

  • Audiometria
  • Eletrocochleografia

Vertigem Postural Paroxística Benigna (VPPB)

  • Desencadeada por mudança de posição da cabeça
  • Dura segundos
  • Dix-Hallpike positivo

Testes Diagnósticos

  • Manobra de Dix-Hallpike

Neurite Vestibular

  • Vertigem contínua dias sem perda auditiva
  • Após infecção viral
  • Sem sintomas autonômicos ipsilaterais

Testes Diagnósticos

  • Teste do impulso cefálico
  • VNG

AVC de Fossa Posterior

  • Início súbito, sem náusea prodrômica
  • Outros sinais cerebelares
  • Fatores de risco cardiovascular
Sinais de Alerta
  • AVC cerebelar = emergência neurológica

Testes Diagnósticos

  • TC/RNM urgente

Esclerose Múltipla

Leia mais →
  • Adultos jovens
  • Múltiplos episódios neurológicos
  • Lesões em RNM

Testes Diagnósticos

  • RNM crânio/coluna

Vertigem Periférica vs. Central: A Distinção Essencial

A distinção mais crítica na avaliação da vertigem é entre causa periférica (ouvido interno/nervo vestibular) e central (tronco encefálico/cerebelo). As causas centrais, especialmente AVC de fossa posterior, podem colocar a vida em risco. O exame HINTS (Head Impulse, Nystagmus, Test of Skew) têm sensibilidade superior à TC nas primeiras 24-48 horas para detectar AVC cerebelar em pacientes com síndrome vestibular aguda (vertigem contínua com nistagmo espontâneo). Não se aplica de rotina a vertigens episódicas como VPPB. Nistagmo vertical, multidirecional ou não inibido pela fixação visual são sinais de alerta para causa central.

A VPPB e a neurite vestibular são as causas periféricas mais comuns e frequentemente confundidas. Na VPPB, a vertigem dura segundos e é desencadeada por posição — o Dix-Hallpike confirma o diagnóstico e permite tratamento imediato com manobra de Epley. Na neurite vestibular, a vertigem é contínua por dias, sem perda auditiva, com teste de impulso cefálico (HIT) positivo ipsilateral à lesão. O tratamento da neurite é sintomático na fase aguda e a reabilitação vestibular acelera a compensação central.

Doença de Ménière e Enxaqueca Vestibular: Diagnóstico por Padrão Temporal

A doença de Ménière e a enxaqueca vestibular são causas recorrentes de vertigem que exigem critérios diagnósticos específicos. Na Ménière, os episódios duram 20 minutos a 12 horas com flutuação auditiva, zumbido e plenitude auricular associados. Na enxaqueca vestibular, os episódios podem durar minutos a 72 horas, frequentemente com histórico de cefaleia migrânea ou fenômenos visuais. A audiometria é fundamental para documentar perda auditiva nas frequências graves da Ménière, enquanto a resposta à profilaxia migranosa apoia o diagnóstico de enxaqueca vestibular.

A esclerose múltipla pode causar vertigem por placas desmielinizantes no tronco encefálico ou cerebelo. Deve ser considerada em adultos jovens com episódios neurológicos recorrentes em diferentes localizações. A RNM com gadolínio é indispensável para diagnóstico e deve ser solicitada quando a vertigem ocorre em contexto atípico para as causas periféricas habituais.

Papel da Acupuntura no Diagnóstico Diferencial

O médico acupunturista que avalia pacientes com vertigem deve ter domínio do diagnóstico diferencial otoneurológico antes de planejar o tratamento. A acupuntura é mais eficaz como adjuvante em vertigem cervicogênica, residual pós-compensação e em componentes autonômicos da Ménière. A VPPB requer manobras de reposicionamento como tratamento primário — a acupuntura não substitui a manobra de Epley, mas pode complementar o cuidado para sintomas residuais.

Pacientes com AVC de fossa posterior ou esclerose múltipla precisam de tratamento neurológico especializado imediato. A acupuntura pode integrar o plano de reabilitação neurológica dessas condições, mas o encaminhamento urgente é obrigatório quando há sinais centrais.

Tratamento

O tratamento da vertigem depende da causa. A VPPB é tratada com manobras de reposicionamento (Epley, Semont). A taxa de sucesso por sessão é tipicamente de 50-80% para VPPB do canal posterior, com melhora cumulativa em 1-2 sessões. A neurite vestibular requer tratamento sintomático na fase aguda e reabilitação vestibular na fase crônica.

Fase Aguda
Primeiras 24-72 horas

Medicamentos supressores vestibulares (meclizina, dimenidrinato, ondansetrona) para controle de náusea e vertigem intensa. Devem ser usados pelo menor tempo possível, pois retardam a compensação central.

Manobras de Reposicionamento
VPPB — sessão única

Manobra de Epley para canal posterior, Lempert (roll maneuver) para canal horizontal. Taxa de sucesso >80% em uma sessão. Pode ser repetida se necessário.

Reabilitação Vestibular
4-12 semanas

Exercícios específicos que promovem a compensação central. Incluem habituação, estabilização do olhar e exercícios de equilíbrio. Evidência forte para vertigem crônica.

Tratamento Específico
Conforme diagnóstico

Ménière: dieta hipossódica, betaístina, diuréticos. Enxaqueca vestibular: profilaxia migranosa. Schwannoma: observação, radiocirurgia ou cirurgia.

Acupuntura como Tratamento

A acupuntura é utilizada como terapia complementar para vertigem, com mecanismos propostos — ainda em investigação — que incluem possível influência sobre núcleos vestibulares, efeitos sobre o fluxo sanguíneo do ouvido interno e modulação autonômica que poderia atenuar componentes simpáticos dos sintomas.

Estudos pré-clínicos em modelos animais sugerem que a eletroacupuntura em pontos como PC6, GB20 e GB43 pode influenciar a atividade neural em núcleos vestibulares e reduzir marcadores de ativação (c-Fos). A extrapolação direta desses achados experimentais para o contexto clínico humano, porém, requer cautela e confirmação em ensaios controlados.

Na prática clínica, a acupuntura pode ser útil como complemento à reabilitação vestibular, especialmente em pacientes com sintomas residuais persistentes, vertigem cervicogênica e náusea associada. É importante ressaltar que a VPPB deve ser tratada primariamente com manobras de reposicionamento.

Prognóstico

O prognóstico da vertigem é geralmente favorável, dependendo da causa. A VPPB têm excelente prognóstico com manobras de reposicionamento, embora possa recorrer em 15-30% dos casos no primeiro ano. A neurite vestibular evolui bem com compensação central, mas pode levar semanas a meses.

A reabilitação vestibular é fundamental para otimizar a recuperação em todas as causas. O repouso prolongado e o uso excessivo de supressores vestibulares retardam a compensação central e devem ser evitados.

Mitos e Fatos

Mito vs. Fato

MITO

Vertigem é causada por 'labirintite'.

FATO

O termo 'labirintite' é frequentemente usado incorretamente para qualquer tontura. A labirintite verdadeira (inflamação do labirinto) é rara. As causas mais comuns são VPPB, neurite vestibular e enxaqueca vestibular.

Mito vs. Fato

MITO

Ficar parado e evitar movimentos é o melhor para quem têm vertigem.

FATO

O repouso prolongado retarda a compensação central. A reabilitação vestibular — com exercícios progressivos de movimentação da cabeça e equilíbrio — é o tratamento mais eficaz para recuperação a longo prazo.

Mito vs. Fato

MITO

Toda tontura é vertigem.

FATO

Vertigem é um tipo específico de tontura — a sensação de rotação. Outros tipos incluem pré-síncope (sensação de desmaio, causa cardiovascular), desequilíbrio (instabilidade postural) e tontura inespecífica (causa psicogênica ou multifatorial).

Quando Procurar Ajuda

Perguntas Frequentes

PERGUNTAS FREQUENTES · 10

Perguntas Frequentes

Não. Vertigem é a sensação específica de rotação — o ambiente gira ou o próprio corpo gira. Tontura é um termo mais amplo que inclui pré-síncope (sensação de desmaio), desequilíbrio e tontura inespecífica. A vertigem indica disfunção vestibular periférica ou central, enquanto as outras formas de tontura têm causas diferentes. A distinção é fundamental para o diagnóstico correto.

O termo "labirintite" é frequentemente usado de forma incorreta para qualquer vertigem. A labirintite verdadeira — inflamação bacteriana ou viral do labirinto — é rara. As causas mais comuns de vertigem são VPPB (30%), neurite vestibular (10-15%) e doença de Ménière (10%). O diagnóstico preciso é importante porque os tratamentos são completamente diferentes.

A manobra de Epley (reposicionamento de otocônias para VPPB do canal posterior) pode ser aprendida e realizada em casa após diagnóstico confirmado e orientação médica adequada. No entanto, é importante que o diagnóstico de VPPB seja confirmado por profissional treinado com manobra de Dix-Hallpike, pois outros tipos de VPPB (canal horizontal, canal anterior) requerem manobras diferentes. A automedicação sem diagnóstico pode ser ineficaz ou inadequada.

Se a vertigem piora especificamente ao mudar de posição da cabeça — virar na cama, olhar para cima ou abaixar a cabeça — a causa mais provável é VPPB (Vertigem Postural Paroxística Benigna). Nessa condição, cristais de carbonato de cálcio (otocônias) se deslocam para dentro dos canais semicirculares. Qualquer movimento que movimente esses cristais provoca vertigem intensa mas breve (segundos). É a causa mais comum e mais tratável de vertigem.

Sim. Vertigem de início súbito, especialmente associada a dificuldade para falar, engolir, visão dupla, fraqueza em um lado do corpo, cefaleia intensa ou incapacidade de caminhar, pode indicar AVC de fossa posterior (cerebelo ou tronco encefálico). Esses sinais exigem atendimento de emergência imediato. A vertigem isolada de AVC é menos comum, mas possível — daí a importância do exame neurológico cuidadoso em todo paciente com vertigem de início agudo.

Repouso na fase aguda intensa é compreensível, mas repouso prolongado atrasa a recuperação. O sistema nervoso central recupera-se de lesões vestibulares unilaterais através de um processo chamado "compensação central", que depende de exposição a estímulos de movimento. A reabilitação vestibular — com exercícios progressivos de movimentação da cabeça e equilíbrio — acelera significativamente essa compensação. O uso excessivo de supressores vestibulares (meclizina, dimenidrinato) por mais de 2-3 dias também retarda a recuperação.

A acupuntura pode ser utilizada como terapia complementar em alguns quadros de vertigem. Os mecanismos propostos — com base principalmente em estudos pré-clínicos e modelos animais — incluem possível influência sobre núcleos vestibulares, microcirculação do ouvido interno e modulação autonômica, mas a extrapolação clínica ainda requer mais evidências. Na prática, pode ser considerada como adjuvante em vertigem cervicogênica, sintomas residuais após VPPB tratada e doença de Ménière. Não substitui manobras de reposicionamento (Epley) na VPPB nem o tratamento neurológico de causas centrais. O médico acupunturista avalia cada caso individualmente.

Sim. A taxa de recorrência da VPPB é de 15-30% no primeiro ano e pode chegar a 50% em 5 anos. Fatores que aumentam o risco de recorrência incluem: idade avançada, osteoporose, traumatismo craniano prévio, diabetes e hipovitaminose D. A suplementação de vitamina D demonstrou reduzir as recorrências em estudos clínicos. A manobra pode ser repetida quantas vezes for necessário — cada episódio geralmente responde bem ao reposicionamento.

A reabilitação vestibular é um programa de exercícios específicos que promovem a adaptação e compensação central após disfunção vestibular. Inclui exercícios de habituação (exposição progressiva a movimentos que provocam tontura), estabilização do olhar e exercícios de equilíbrio. É indicada para vertigem crônica residual, pós-neurite vestibular, vertigem em idosos e após qualquer lesão vestibular unilateral. Estudos demonstram melhora significativa no equilíbrio, função e qualidade de vida.

Procure emergência imediatamente se a vertigem for acompanhada de: dificuldade para falar ou engolir, visão dupla, fraqueza ou dormência em um lado do corpo, cefaleia intensa e súbita ("a pior dor de cabeça da vida"), incapacidade de caminhar ou ficar em pé, perda de consciência, ou surgimento em paciente com fatores de risco cardiovascular (hipertensão, diabetes, tabagismo, fibrilação atrial). Esses sinais indicam possível AVC de fossa posterior, que é emergência neurológica.