Efficacy of acupuncture for endometriosis-associated pain: a multicenter randomized single-blind placebo-controlled trial

Li et al. · Fertility and Sterility · 2023

🔬ECA Simples-Cego👥n=106 mulheresAlto Impacto

Nível de Evidência

FORTE
82/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
4/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

avaliar a eficácia e segurança da acupuntura no tratamento da dor associada à endometriose

👥

QUEM

mulheres 20-40 anos com endometriose e dor pélvica

⏱️

DURAÇÃO

12 semanas tratamento + 12 semanas seguimento

📍

PONTOS

CV4, SP6, LR3, KI6, ST30 (bilaterais)

🔬 Desenho do Estudo

106participantes
randomização

Acupuntura

n=53

agulhamento em pontos tradicionais, 3x/semana

Sham

n=53

agulhamento superficial em não-pontos no ombro

⏱️ Duração: 24 semanas (12 tratamento + 12 seguimento)

📊 Resultados em Números

-3.9 vs -1.0 pontos

redução dismenorreia na semana 12

13.8 vs 19.2 horas

duração da dor na semana 12

-27.8 vs -8.9 pontos

melhora qualidade de vida (EHP)

3.9% vs 1.9%

eventos adversos

Destaques Percentuais

3.9% vs 1.9%
eventos adversos

📊 Comparação de Resultados

Escala de dismenorreia (VAS 0-10)

Acupuntura
3.91
Sham
6.73

Duração da dor (horas/mês)

Acupuntura
13.82
Sham
19.16
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que a acupuntura pode ser uma opção eficaz e segura para reduzir a dor menstrual causada pela endometriose. Mulheres que receberam acupuntura real tiveram menos dor e melhor qualidade de vida durante o tratamento, embora os benefícios diminuam após parar as sessões.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Eficácia da Acupuntura na Dor Associada à Endometriose: Ensaio Clínico Multicêntrico Randomizado Simples-Cego Controlado por Placebo

Este ensaio clínico multicêntrico randomizado e controlado por placebo investigou a eficácia da acupuntura tradicional chinesa no tratamento da dor associada à endometriose, uma condição ginecológica que afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva. A endometriose é caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial fora da cavidade uterina, causando dor crônica, infertilidade e massas pélvicas, sendo que 70-90% das mulheres com esta condição experimentam dor crônica que afeta significativamente sua qualidade de vida. O estudo foi conduzido em quatro hospitais terciários nas províncias de Jiangxi e Hainan, China, entre março de 2018 e novembro de 2021. Das 566 mulheres avaliadas, 106 foram randomizadas para receber acupuntura verdadeira ou sham (placebo).

Os critérios de inclusão incluíam idade entre 20-40 anos, ciclos menstruais regulares, diagnóstico confirmado de endometriose e histórico de dor máxima ≥4 pontos na escala visual analógica (VAS). O protocolo de tratamento consistiu em sessões de 30 minutos, uma vez ao dia, três vezes por semana durante 12 semanas, iniciando uma semana antes da menstruação esperada. O grupo de acupuntura recebeu agulhamento em pontos específicos incluindo Guanyuan (CV4) e pontos bilaterais Sanyinjiao (SP6), Taichong (LR3), Zhaohai (KI6) e Qichong (ST30), totalizando 9 agulhas inseridas entre 15-35mm de profundidade com estimulação manual para obter De Qi. O grupo controle recebeu agulhamento superficial (<5mm) em não-pontos no ombro e braço sem estimulação.

Os resultados primários mostraram que a acupuntura reduziu significativamente a dismenorreia na semana 12, com o grupo de acupuntura apresentando redução de 3.9 pontos na escala VAS comparado a 1.0 ponto no grupo sham (diferença de -2.9 pontos, p<0.0001). A duração total da dor pélvica também foi significativamente menor no grupo de acupuntura (13.8 vs 19.2 horas, p=0.003). Adicionalmente, o grupo de acupuntura mostrou melhorias significativas em todas as medidas secundárias na semana 12, incluindo função física (MPI), estado emocional (BDI e POMS) e qualidade de vida (EHP). No entanto, os benefícios não persistiram na avaliação de seguimento da semana 24, sugerindo que os efeitos da acupuntura são temporários e requerem tratamento contínuo.

Não foram observadas diferenças significativas na dor pélvica não-menstrual ou dispareunia entre os grupos, possivelmente devido aos baixos escores basais para estes sintomas. O perfil de segurança foi excelente, com apenas três eventos adversos menores (hemorragia subcutânea no local da agulha) que não necessitaram intervenção médica. O estudo possui várias fortalezas metodológicas, incluindo design multicêntrico, randomização adequada, cegamento dos participantes e avaliadores, e análise por intenção de tratar. As limitações incluem a impossibilidade de cegar os acupunturistas, o foco principal em dismenorreia moderada a severa, e possível redução da generalização devido a critérios rigorosos de inclusão.

Pontos Fortes

  • 1Estudo multicêntrico com randomização adequada e controle placebo
  • 2Protocolo bem definido baseado na teoria da MTC
  • 3Seguimento de 24 semanas avaliando sustentação dos efeitos
  • 4Múltiplas medidas de desfecho incluindo qualidade de vida
⚠️

Limitações

  • 1Acupunturistas não puderam ser cegados devido à natureza da intervenção
  • 2Efeitos não persistem após descontinuação do tratamento
  • 3Critérios restritivos podem limitar generalização dos resultados
  • 4Escores basais baixos para dor não-menstrual e dispareunia

📅 Contexto Histórico

2008Primeiro RCT de acupuntura para endometriose em amostra pequena (n=14)
2017Meta-análises mostram evidência limitada mas promissora
2018Início do presente estudo multicêntrico
2023Publicação demonstrando eficácia da acupuntura para dismenorreia
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

A endometriose acomete cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva e representa um dos maiores desafios analgésicos da ginecologia contemporânea. O arsenal convencional — AINEs, progestágenos, análogos de GnRH, intervenções cirúrgicas — frequentemente esbarra em intolerância, contraindicações ou recidiva sintomática precoce. Este ensaio, publicado no Fertility and Sterility, oferece ao médico dados robustos para integrar a acupuntura ao plano terapêutico multimodal dessas pacientes. A redução de 3,9 pontos na VAS de dismenorreia no grupo ativo, contra 1,0 ponto no sham, com diferença estatisticamente expressiva e clinicamente significativa, justifica sua indicação formal em mulheres entre 20 e 40 anos com diagnóstico confirmado e dor moderada a intensa. O benefício adicional sobre qualidade de vida — redução de 27,8 pontos no EHP frente a 8,9 no controle — reforça a pertinência clínica para além do controle exclusivo da dor.

Achados Notáveis

Dois achados merecem atenção particular. O primeiro é a redução da duração total da dor pélvica: 13,8 horas no grupo de acupuntura contra 19,2 horas no sham na semana 12. Essa métrica, muitas vezes negligenciada em ensaios de dismenorreia que priorizam intensidade, captura o impacto funcional real sobre a vida da paciente — dias de trabalho perdidos, capacidade de locomoção, demanda por medicação de resgate. O segundo é o comportamento temporal dos efeitos: os ganhos obtidos durante as 12 semanas de tratamento não se sustentaram na avaliação da semana 24, após descontinuação. Esse padrão, longe de ser uma fraqueza clínica, reorienta a estratégia terapêutica para modelos de manutenção periódica, análogos ao que se pratica com outras intervenções não farmacológicas em condições crónicas. O perfil de segurança excelente — apenas 3,9% de eventos adversos menores — referenda o uso em longo prazo sem preocupações relevantes.

Da Minha Experiência

Na minha prática, a endometriose é uma das condições em que mais valorizo a acupuntura como componente estrutural do tratamento, não como recurso de última linha. Costumo observar resposta clinicamente perceptível já após a terceira ou quarta sessão — predominantemente redução da intensidade da dismenorreia e melhora do sono na fase perimenstrual. O protocolo com Guanyuan (CV4), Sanyinjiao (SP6) e Taichong (LR3) que os autores utilizaram é próximo do que empregamos no Centro de Dor, com frequência de três sessões semanais no período pré-menstrual e redução gradual para manutenção mensal após estabilização. O dado sobre perda de benefício pós-descontinuação confirma o que vejo rotineiramente: pacientes que interrompem o tratamento por dois ou três ciclos retornam com recrudescimento da dor. Por isso, estruturo o plano desde o início com fase intensiva de 12 semanas seguida de sessões de manutenção a cada três a quatro semanas, associadas a exercício aeróbico regular e suporte psicológico quando há comorbidade emocional — elemento que o EHP deste estudo também capturou de forma favorável.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

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Fertility and Sterility · 2023

DOI: https://doi.org/10.1016/j.fertnstert.2023.01.034

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.