Thread-embedding acupuncture may improve symptom resolution in patients with gastroesophageal reflux disease: A randomized controlled trial
Trinh et al. · Integrative Medicine Research · 2023
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Avaliar a eficácia da acupuntura com fio (TEA) combinada com IBP comparada ao IBP isolado para DRGE
QUEM
66 pacientes com DRGE (18-60 anos, GerdQ ≥8)
DURAÇÃO
4 semanas de tratamento com seguimento
PONTOS
CV10, CV12, CV13, ST36, PC6, BL17, BL18, BL20 bilateralmente
🔬 Desenho do Estudo
TEA + IBP
n=33
2 sessões de acupuntura com fio + pantoprazol 40mg
IBP
n=33
Pantoprazol 40mg + antiácidos conforme necessário
📊 Resultados em Números
Redução no escore GerdQ
Resolução de azia e regurgitação
Redução no uso de antiácidos
Redução no escore FSSG
Eventos adversos leves
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Resolução de azia e regurgitação (%)
Redução escore GERD-HRQL
Este estudo mostra que a acupuntura com fio (onde pequenos fios absorvíveis são inseridos em pontos específicos) combinada com medicação pode ser mais eficaz que a medicação sozinha para tratar refluxo gastroesofágico. O tratamento mostrou-se seguro, com apenas efeitos colaterais leves e temporários.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Acupuntura com Implante de Fio para Resolução de Sintomas em Pacientes com Doença do Refluxo Gastroesofágico: Ensaio Clínico Randomizado Controlado
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) afeta aproximadamente 13% da população mundial e representa um desafio terapêutico significativo. Embora os inibidores da bomba de prótons (IBP) sejam o tratamento de primeira linha, até 50% dos pacientes ainda apresentam sintomas após quatro semanas de tratamento empírico, evidenciando a necessidade de abordagens terapêuticas complementares. Este ensaio clínico randomizado investigou a eficácia da acupuntura com inserção de fios (TEA - Thread-Embedding Acupuncture) combinada com IBP comparada ao tratamento padrão isolado. O estudo foi conduzido no Vietnã entre maio e julho de 2022, com 66 participantes diagnosticados com DRGE através do questionário GerdQ (pontuação ≥8) e presença de azia e/ou regurgitação pelo menos duas vezes por semana.
Os participantes foram randomizados em dois grupos: TEA + IBP (33 pacientes) recebendo duas sessões de acupuntura com fio mais pantoprazol 40mg diário, e grupo controle (33 pacientes) recebendo apenas pantoprazol. A técnica TEA envolveu a inserção de fios de categute cromado absorvíveis de 1cm (0,5cm no ponto Neiguan) em oito pontos de acupuntura bilateralmente: Xiawan (CV10), Zhongwan (CV12), Shangwan (CV13), Zusanli (ST36), Neiguan (PC6), Geshu (BL17), Ganshu (BL18) e Pishu (BL20). A seleção dos pontos seguiu princípios da medicina tradicional chinesa, focando na regulação do esfíncter esofágico inferior e tratamento de desordens do fígado, baço e estômago. Os resultados demonstraram superioridade significativa do grupo TEA + IBP em todos os desfechos avaliados.
O escore GerdQ reduziu significativamente mais no grupo combinado (diferença média -1,8 pontos, IC95% -2,4 a -1,1). A taxa de resolução de azia e regurgitação foi dramaticamente superior no grupo TEA + IBP (54,5% versus 9,1%), representando um risco relativo de 6,0 (IC95% 1,9-18,4) para resolução completa dos sintomas típicos. O consumo de antiácidos foi significativamente menor no grupo combinado, com redução média de 9,4 pacotes (IC95% -12,1 a -6,7). A qualidade de vida, medida pelo GERD-HRQL, mostrou melhora substancial no grupo TEA + IBP com redução média de 5,6 pontos (IC95% -7,7 a -3,5).
O perfil de segurança foi favorável, com apenas cinco pacientes apresentando eventos adversos leves, todos localizados no ponto Neiguan (PC6), incluindo hematoma local, dor, induração e prurido. Todos os eventos foram autolimitados, resolvendo-se completamente em uma semana sem tratamento específico. As implicações clínicas são significativas, sugerindo que a TEA pode representar uma opção terapêutica valiosa para pacientes com DRGE refratária ou parcialmente responsiva aos IBP. A vantagem da TEA sobre outras modalidades de acupuntura é a conveniência - apenas duas sessões em quatro semanas comparado ao tratamento diário tradicional.
O mecanismo de ação provavelmente envolve modulação do esfíncter esofágico inferior e regulação da motilidade gastroesofágica através da estimulação dos pontos de acupuntura selecionados. As limitações incluem o período de seguimento relativamente curto (quatro semanas), impossibilidade de cegamento dos pacientes, uso de critérios diagnósticos subjetivos e necessidade de validação em populações mais diversas. Estudos futuros com seguimento mais prolongado são necessários para estabelecer a durabilidade dos benefícios e o perfil de segurança a longo prazo.
Pontos Fortes
- 1Design randomizado controlado com avaliadores cegos
- 2Múltiplas medidas de desfecho validadas
- 3Boa adesão ao protocolo
- 4Perfil de segurança favorável documentado
Limitações
- 1Seguimento de curto prazo (4 semanas)
- 2Pacientes não cegos ao tratamento
- 3Critérios diagnósticos baseados em questionários subjetivos
- 4Tamanho amostral moderado
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
A DRGE representa um dos diagnósticos mais frequentes no ambulatório de gastroenterologia e, paradoxalmente, um dos mais frustrantes para médico e paciente. Quando até metade dos casos não alcança resolução sintomática com IBP em quatro semanas, a busca por abordagens adjuvantes torna-se clinicamente legítima, não opcional. Este ensaio abre uma perspectiva concreta: a acupuntura com implante de fio, aplicada em apenas duas sessões durante o mesmo período de tratamento farmacológico padrão, produziu taxa de resolução de azia e regurgitação seis vezes superior ao grupo IBP isolado — 54,5% versus 9,1%. O perfil de pacientes que mais se beneficia parece ser aquele com sintomas típicos persistentes apesar do IBP em dose padrão, categoria que encontramos diariamente. A redução concomitante de 9,4 pacotes no consumo de antiácidos de resgate reforça que o benefício é funcional e não apenas subjetivo, traduzindo-se em menor carga terapêutica para o paciente.
▸ Achados Notáveis
O achado mais digno de nota não é a melhora dos escores isolados, mas a combinação de duas variáveis: magnitude do efeito e economia de sessões. Um risco relativo de 6,0 para resolução completa dos sintomas típicos, obtido com apenas duas sessões de implante de fio ao longo de quatro semanas, coloca a TEA em categoria distinta das modalidades de acupuntura convencional que demandam séries extensas. A seleção dos pontos revela raciocínio clínico sofisticado — PC6 (Neiguan) para modulação vagal e motilidade esofagiana, ST36 (Zusanli) para tônus gástrico, CV12 (Zhongwan) como ponto-gatilho do estômago médio, e os pontos Shu dorsais BL17, BL18 e BL20 para regulação hepática e esplênica dentro do referencial da medicina tradicional chinesa. O perfil de segurança com eventos adversos restritos ao PC6, todos autolimitados em sete dias, é também um dado tranquilizador para incorporação clínica rotineira.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática com acupuntura para distúrbios funcionais do trato digestivo alto, a resposta ao tratamento convencional costuma aparecer entre a terceira e quinta sessão quando utilizamos agulhas filiformes. O que me chama atenção neste protocolo de implante de fio é a compressão desse cronograma: duas sessões com estimulação contínua pelo fio absorvível podem estar replicando biologicamente o efeito cumulativo de uma série mais longa. Tenho observado que pacientes com DRGE de componente funcional significativo — onde o pH-metria é pouco expressivo mas os sintomas são incapacitantes — respondem melhor à acupuntura do que aqueles com doença erosiva documentada em endoscopia. No Centro de Dor, quando tratamos a sobreposição de DRGE com síndrome de dor torácica não cardíaca, costumamos associar acupuntura ao tratamento farmacológico por pelo menos oito a doze sessões antes de avaliar manutenção. A TEA, se replicada com seguimentos mais longos, pode simplificar consideravelmente esse fluxo, tornando o tratamento mais aderente para pacientes que não conseguem comparecer semanalmente.
Artigo Original Completo
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Integrative Medicine Research · 2023
DOI: 10.1016/j.imr.2023.100971
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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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