Thread-embedding acupuncture may improve symptom resolution in patients with gastroesophageal reflux disease: A randomized controlled trial

Trinh et al. · Integrative Medicine Research · 2023

🎲ECR Assessor-Cego👥n=66 participantesAlto Impacto Clínico

Nível de Evidência

MODERADA
75/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
3/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

Avaliar a eficácia da acupuntura com fio (TEA) combinada com IBP comparada ao IBP isolado para DRGE

👥

QUEM

66 pacientes com DRGE (18-60 anos, GerdQ ≥8)

⏱️

DURAÇÃO

4 semanas de tratamento com seguimento

📍

PONTOS

CV10, CV12, CV13, ST36, PC6, BL17, BL18, BL20 bilateralmente

🔬 Desenho do Estudo

66participantes
randomização

TEA + IBP

n=33

2 sessões de acupuntura com fio + pantoprazol 40mg

IBP

n=33

Pantoprazol 40mg + antiácidos conforme necessário

⏱️ Duração: 4 semanas

📊 Resultados em Números

-1.8 pontos

Redução no escore GerdQ

54.5% vs 9.1%

Resolução de azia e regurgitação

-9.4 pacotes

Redução no uso de antiácidos

-9.4 pontos

Redução no escore FSSG

5 pacientes

Eventos adversos leves

Destaques Percentuais

54.5% vs 9.1%
Resolução de azia e regurgitação

📊 Comparação de Resultados

Resolução de azia e regurgitação (%)

TEA + IBP
54.5
IBP
9.1

Redução escore GERD-HRQL

TEA + IBP
5.6
IBP
0
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostra que a acupuntura com fio (onde pequenos fios absorvíveis são inseridos em pontos específicos) combinada com medicação pode ser mais eficaz que a medicação sozinha para tratar refluxo gastroesofágico. O tratamento mostrou-se seguro, com apenas efeitos colaterais leves e temporários.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Acupuntura com Implante de Fio para Resolução de Sintomas em Pacientes com Doença do Refluxo Gastroesofágico: Ensaio Clínico Randomizado Controlado

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) afeta aproximadamente 13% da população mundial e representa um desafio terapêutico significativo. Embora os inibidores da bomba de prótons (IBP) sejam o tratamento de primeira linha, até 50% dos pacientes ainda apresentam sintomas após quatro semanas de tratamento empírico, evidenciando a necessidade de abordagens terapêuticas complementares. Este ensaio clínico randomizado investigou a eficácia da acupuntura com inserção de fios (TEA - Thread-Embedding Acupuncture) combinada com IBP comparada ao tratamento padrão isolado. O estudo foi conduzido no Vietnã entre maio e julho de 2022, com 66 participantes diagnosticados com DRGE através do questionário GerdQ (pontuação ≥8) e presença de azia e/ou regurgitação pelo menos duas vezes por semana.

Os participantes foram randomizados em dois grupos: TEA + IBP (33 pacientes) recebendo duas sessões de acupuntura com fio mais pantoprazol 40mg diário, e grupo controle (33 pacientes) recebendo apenas pantoprazol. A técnica TEA envolveu a inserção de fios de categute cromado absorvíveis de 1cm (0,5cm no ponto Neiguan) em oito pontos de acupuntura bilateralmente: Xiawan (CV10), Zhongwan (CV12), Shangwan (CV13), Zusanli (ST36), Neiguan (PC6), Geshu (BL17), Ganshu (BL18) e Pishu (BL20). A seleção dos pontos seguiu princípios da medicina tradicional chinesa, focando na regulação do esfíncter esofágico inferior e tratamento de desordens do fígado, baço e estômago. Os resultados demonstraram superioridade significativa do grupo TEA + IBP em todos os desfechos avaliados.

O escore GerdQ reduziu significativamente mais no grupo combinado (diferença média -1,8 pontos, IC95% -2,4 a -1,1). A taxa de resolução de azia e regurgitação foi dramaticamente superior no grupo TEA + IBP (54,5% versus 9,1%), representando um risco relativo de 6,0 (IC95% 1,9-18,4) para resolução completa dos sintomas típicos. O consumo de antiácidos foi significativamente menor no grupo combinado, com redução média de 9,4 pacotes (IC95% -12,1 a -6,7). A qualidade de vida, medida pelo GERD-HRQL, mostrou melhora substancial no grupo TEA + IBP com redução média de 5,6 pontos (IC95% -7,7 a -3,5).

O perfil de segurança foi favorável, com apenas cinco pacientes apresentando eventos adversos leves, todos localizados no ponto Neiguan (PC6), incluindo hematoma local, dor, induração e prurido. Todos os eventos foram autolimitados, resolvendo-se completamente em uma semana sem tratamento específico. As implicações clínicas são significativas, sugerindo que a TEA pode representar uma opção terapêutica valiosa para pacientes com DRGE refratária ou parcialmente responsiva aos IBP. A vantagem da TEA sobre outras modalidades de acupuntura é a conveniência - apenas duas sessões em quatro semanas comparado ao tratamento diário tradicional.

O mecanismo de ação provavelmente envolve modulação do esfíncter esofágico inferior e regulação da motilidade gastroesofágica através da estimulação dos pontos de acupuntura selecionados. As limitações incluem o período de seguimento relativamente curto (quatro semanas), impossibilidade de cegamento dos pacientes, uso de critérios diagnósticos subjetivos e necessidade de validação em populações mais diversas. Estudos futuros com seguimento mais prolongado são necessários para estabelecer a durabilidade dos benefícios e o perfil de segurança a longo prazo.

Pontos Fortes

  • 1Design randomizado controlado com avaliadores cegos
  • 2Múltiplas medidas de desfecho validadas
  • 3Boa adesão ao protocolo
  • 4Perfil de segurança favorável documentado
⚠️

Limitações

  • 1Seguimento de curto prazo (4 semanas)
  • 2Pacientes não cegos ao tratamento
  • 3Critérios diagnósticos baseados em questionários subjetivos
  • 4Tamanho amostral moderado

📅 Contexto Histórico

2017Meta-análise demonstra eficácia da acupuntura para DRGE
2020Estudo piloto mostra superioridade da TEA sobre medicação ocidental
2022Ensaio atual confirma eficácia da TEA combinada com IBP
2023Publicação dos resultados em revista indexada
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

A DRGE representa um dos diagnósticos mais frequentes no ambulatório de gastroenterologia e, paradoxalmente, um dos mais frustrantes para médico e paciente. Quando até metade dos casos não alcança resolução sintomática com IBP em quatro semanas, a busca por abordagens adjuvantes torna-se clinicamente legítima, não opcional. Este ensaio abre uma perspectiva concreta: a acupuntura com implante de fio, aplicada em apenas duas sessões durante o mesmo período de tratamento farmacológico padrão, produziu taxa de resolução de azia e regurgitação seis vezes superior ao grupo IBP isolado — 54,5% versus 9,1%. O perfil de pacientes que mais se beneficia parece ser aquele com sintomas típicos persistentes apesar do IBP em dose padrão, categoria que encontramos diariamente. A redução concomitante de 9,4 pacotes no consumo de antiácidos de resgate reforça que o benefício é funcional e não apenas subjetivo, traduzindo-se em menor carga terapêutica para o paciente.

Achados Notáveis

O achado mais digno de nota não é a melhora dos escores isolados, mas a combinação de duas variáveis: magnitude do efeito e economia de sessões. Um risco relativo de 6,0 para resolução completa dos sintomas típicos, obtido com apenas duas sessões de implante de fio ao longo de quatro semanas, coloca a TEA em categoria distinta das modalidades de acupuntura convencional que demandam séries extensas. A seleção dos pontos revela raciocínio clínico sofisticado — PC6 (Neiguan) para modulação vagal e motilidade esofagiana, ST36 (Zusanli) para tônus gástrico, CV12 (Zhongwan) como ponto-gatilho do estômago médio, e os pontos Shu dorsais BL17, BL18 e BL20 para regulação hepática e esplênica dentro do referencial da medicina tradicional chinesa. O perfil de segurança com eventos adversos restritos ao PC6, todos autolimitados em sete dias, é também um dado tranquilizador para incorporação clínica rotineira.

Da Minha Experiência

Na minha prática com acupuntura para distúrbios funcionais do trato digestivo alto, a resposta ao tratamento convencional costuma aparecer entre a terceira e quinta sessão quando utilizamos agulhas filiformes. O que me chama atenção neste protocolo de implante de fio é a compressão desse cronograma: duas sessões com estimulação contínua pelo fio absorvível podem estar replicando biologicamente o efeito cumulativo de uma série mais longa. Tenho observado que pacientes com DRGE de componente funcional significativo — onde o pH-metria é pouco expressivo mas os sintomas são incapacitantes — respondem melhor à acupuntura do que aqueles com doença erosiva documentada em endoscopia. No Centro de Dor, quando tratamos a sobreposição de DRGE com síndrome de dor torácica não cardíaca, costumamos associar acupuntura ao tratamento farmacológico por pelo menos oito a doze sessões antes de avaliar manutenção. A TEA, se replicada com seguimentos mais longos, pode simplificar consideravelmente esse fluxo, tornando o tratamento mais aderente para pacientes que não conseguem comparecer semanalmente.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

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Integrative Medicine Research · 2023

DOI: 10.1016/j.imr.2023.100971

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.