Skip to content

Acupuncture and Herbal Medicine for Nausea and Vomiting in Pregnancy: An Overview and Quality Assessment of Systematic Reviews

Choi et al. · International Journal of Women's Health · 2025

📊Overview de Revisões Sistemáticas📚25 revisões analisadas⚠️Qualidade metodológica baixa
🎯

OBJETIVO

Avaliar sistematicamente a evidência sobre eficácia da acupuntura e medicina herbal para náuseas e vômitos na gravidez

👥

QUEM

Gestantes com náuseas e vômitos incluindo hiperêmese gravídica

⏱️

DURAÇÃO

Busca até janeiro de 2024 em 9 bases de dados

📍

PONTOS

P6 (Neiguan), CV8 (Shenque), acupressão e injeção em acupontos

🔬 Desenho do Estudo

20121participantes
randomização

Artigos identificados

n=20121

busca inicial em bases de dados

Revisões incluídas

n=25

análise de qualidade e síntese

⏱️ Duração: Busca desde início das bases até janeiro 2024

📊 Resultados em Números

21/24

Revisões com qualidade criticamente baixa

0%

Sobreposição entre estudos

0

Estudos sobre acupuntura

0

Estudos sobre medicina herbal

Destaques Percentuais

21/24
Revisões com qualidade criticamente baixa
2.96%
Sobreposição entre estudos

📊 Comparação de Resultados

Qualidade metodológica AMSTAR-2

Baixa qualidade
3
Criticamente baixa
21
💬 O que isso significa para você?

Este amplo estudo analisou 25 revisões científicas sobre tratamentos com acupuntura e plantas medicinais para enjoos e vômitos na gravidez. Embora os tratamentos mostrem potencial benefício, especialmente o gengibre e técnicas de acupuntura, a qualidade dos estudos ainda é limitada, sendo necessárias mais pesquisas de alta qualidade para confirmar a segurança e eficácia.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Acupuntura e Fitoterapia para Náuseas e Vômitos na Gestação: Panorama e Avaliação da Qualidade das Revisões Sistemáticas

Náuseas e vômitos na gravidez são problemas extremamente comuns que afetam a grande maioria das mulheres grávidas. Estima-se que entre 70% a 85% das gestantes experimentem náuseas, enquanto até metade delas também apresente episódios de vômitos. Embora muitas vezes considerados sintomas normais da gravidez, esses problemas podem evoluir para condições mais graves. A hiperêmese gravídica, a forma mais severa desses sintomas, ocorre em apenas 0,3% a 2% de todas as gestações, mas pode causar impactos significativos tanto para a mãe quanto para o bebê em desenvolvimento.

Os efeitos imediatos incluem perda rápida de peso, deficiências nutricionais, desidratação e desequilíbrio dos eletrólitos do corpo. Em casos graves, pode levar a complicações como icterícia, diminuição da produção de urina e problemas neurológicos. A longo prazo, mulheres que passam por essa experiência enfrentam riscos aumentados de depressão e podem até mesmo evitar futuras gestações. Alarmantemente, cerca de 10% das mulheres com hiperêmese gravídica chegam a interromper a gravidez devido aos sintomas insuportáveis.

Diante desses desafios, muitas mulheres buscam alternativas aos medicamentos convencionais, especialmente devido às preocupações sobre possíveis efeitos adversos no bebê. A Medicina Tradicional do Leste Asiático, que inclui acupuntura e medicamentos à base de plantas, tem ganhado atenção crescente como opção de tratamento. Embora alguns estudos sugiram benefícios, a eficácia dessas abordagens permanece controversa, e a qualidade das pesquisas disponíveis varia consideravelmente. Este estudo teve como objetivo revisar sistematicamente todas as revisões científicas existentes sobre o uso dessas terapias tradicionais para náuseas e vômitos na gravidez, avaliando criticamente a qualidade metodológica dessas pesquisas.

Os pesquisadores conduziram uma busca abrangente em nove bases de dados científicas, desde o início das bases até janeiro de 2024, sem restrições de idioma. Eles incluíram apenas revisões sistemáticas que avaliaram tratamentos da Medicina Tradicional do Leste Asiático para náuseas e vômitos na gravidez. Utilizaram ferramentas padronizadas para avaliar a qualidade metodológica, a qualidade dos relatórios e o risco de viés desses estudos. Das 20.121 publicações inicialmente identificadas, apenas 25 revisões sistemáticas atenderam aos critérios de inclusão.

Essas revisões abrangeram 221 estudos clínicos únicos, envolvendo desde 504 até 8.986 participantes. As intervenções estudadas incluíram técnicas relacionadas à acupuntura, como acupuntura tradicional, acupressão, eletroacupuntura e aplicação de ervas em pontos específicos, além de medicamentos à base de plantas, especialmente o gengibre.

Os principais achados revelaram que tanto técnicas de acupuntura quanto medicamentos à base de plantas demonstraram potencial para aliviar náuseas e vômitos na gravidez. O gengibre destacou-se como a intervenção mais estudada e consistentemente eficaz, mostrando resultados comparáveis ou até superiores ao placebo e à vitamina B6 na redução dos sintomas. As doses utilizadas nos estudos variaram tipicamente de 750mg a 1,5g por dia, administradas em cápsulas. Os efeitos colaterais foram geralmente leves, incluindo dores de estômago e azia ocasionais.

Outras ervas como cardamomo e aromaterapia com limão também mostraram benefícios. Quanto às técnicas de acupuntura, a acupressão mostrou-se benéfica na redução dos sintomas de náusea, enquanto a acupuntura tradicional apresentou resultados mistos. A injeção de vitamina B1 em pontos de acupuntura específicos mostrou-se particularmente eficaz para casos de hiperêmese gravídica.

Para pacientes e profissionais de saúde, esses resultados sugerem que o gengibre pode ser considerado uma opção segura e eficaz para o tratamento de náuseas e vômitos leves a moderados na gravidez, especialmente para mulheres que preferem evitar medicamentos convencionais. A acupressão também emerge como uma alternativa não farmacológica promissora, sendo uma técnica simples que pode ser aplicada pela própria paciente. Para casos mais severos, técnicas de acupuntura realizadas por profissionais qualificados podem oferecer alívio adicional. É importante notar que essas terapias podem ser particularmente úteis quando a ingestão oral de medicamentos é dificultada pelos vômitos intensos.

Entretanto, mulheres que tomam medicamentos anticoagulantes ou para problemas cardíacos devem usar o gengibre com cautela devido a possíveis interações medicamentosas.

Este estudo apresenta limitações importantes que devem ser consideradas. A qualidade metodológica das revisões analisadas foi consistentemente baixa ou criticamente baixa, com muitas falhando em atender critérios essenciais como registro prévio de protocolo de pesquisa e realização de análises estatísticas adequadas. Nenhuma das revisões seguiu completamente as diretrizes internacionais de relatório, indicando problemas potenciais com a completude e transparência dos dados apresentados. A variação substancial nas técnicas de intervenção, desenhos de estudos e apresentação de dados dificultou a obtenção de conclusões uniformes.

Além disso, houve falta de dados de acompanhamento a longo prazo, o que é particularmente importante considerando que náuseas e vômitos na gravidez podem estar associados ao crescimento e desenvolvimento fetal ao longo do tempo.

Em conclusão, embora este estudo confirme o potencial da Medicina Tradicional do Leste Asiático no manejo de náuseas e vômitos na gravidez, ele também evidencia lacunas significativas na qualidade da pesquisa e no relato dos resultados. O gengibre emerge como a opção mais promissora baseada em evidências, enquanto técnicas de acupuntura mostram potencial, mas necessitam de mais pesquisas de alta qualidade. Futuras pesquisas devem aderir rigorosamente às diretrizes metodológicas estabelecidas, incluir avaliações abrangentes de resultados clínicos a longo prazo e perfis de segurança, e padronizar dosagens e técnicas para permitir comparações mais precisas entre estudos. Para gestantes considerando essas terapias, é essencial consultar profissionais de saúde qualificados que possam orientar sobre as opções mais adequadas para cada caso específico.

Pontos Fortes

  • 1Análise abrangente de 25 revisões sistemáticas
  • 2Avaliação rigorosa da qualidade metodológica
  • 3Cobertura ampla de intervenções da medicina tradicional
  • 4Busca em múltiplas bases de dados internacionais
⚠️

Limitações

  • 1Qualidade metodológica baixa das revisões incluídas
  • 2Falta de dados de segurança de longo prazo
  • 3Variabilidade nos métodos de intervenção
  • 4Poucos estudos seguiram diretrizes PRISMA completamente

📅 Contexto Histórico

2005Primeiros estudos sobre gengibre para náuseas na gravidez
2016Desenvolvimento de ferramentas de avaliação ROBIS
2020Crescimento de estudos sobre acupuntura em obstetrícia
2024Busca atualizada e análise de qualidade das evidências
2025Publicação desta revisão abrangente
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

Náuseas e vômitos na gestação afetam entre 70% e 85% das grávidas, e a hiperêmese gravídica, embora presente em até 2% das gestações, impõe ônus clínico e psicossocial considerável. A resistência das pacientes a fármacos convencionais no primeiro trimestre é real e justificada, e a demanda por alternativas seguras chega ao consultório com frequência crescente. Este panorama de 25 revisões sistemáticas, cobrindo mais de 8.900 participantes nas análises mais robustas, oferece ao médico uma síntese organizada das melhores evidências disponíveis para acupuntura e fitoterapia nesse contexto. O gengibre em doses de 750 mg a 1,5 g diários emerge como opção concreta para casos leves a moderados, com perfil de segurança razoável. A acupressão no ponto PC6 destaca-se como recurso não farmacológico passível de autoaplicação orientada. Para formas graves com vômitos que inviabilizam a via oral, a injeção de vitamina B1 em pontos de acupuntura representa alternativa que merece ser incorporada ao raciocínio clínico do obstetra e do médico acupunturista.

Achados Notáveis

O achado que merece atenção imediata é a baixíssima sobreposição entre os estudos primários incluídos nas diferentes revisões — apenas 2,96% —, o que confere substancial independência ao corpo de evidências analisado e reduz o risco de amplificação artificial de resultados positivos. Entre as intervenções, o gengibre mostrou desempenho comparável ou superior ao placebo e à vitamina B6, com efeitos adversos restritos a desconforto gástrico leve. Mais instigante clinicamente é a eficácia da injeção de vitamina B1 em pontos de acupuntura para hiperêmese gravídica, um nicho terapêutico onde os recursos são escassos e onde a via parenteral em pontos específicos pode oferecer vantagem pragmática quando a absorção oral está comprometida. A acupressão consistentemente reduziu escores de náusea, com a virtude adicional de dispensar equipamentos e ser ensinável à própria paciente. Esses achados, em conjunto, desenham um espectro de intervenções graduáveis conforme a gravidade do quadro.

Da Minha Experiência

Na minha prática no Centro de Dor, o atendimento de gestantes com náuseas intratáveis costuma chegar por encaminhamento do obstetra após falha de medidas dietéticas e metoclopramida. Tenho observado que a acupressão no PC6, quando ensinada na primeira consulta com orientação de frequência e pressão adequadas, produz alívio perceptível já nas primeiras 48 a 72 horas em pacientes motivadas. Para acupuntura sistêmica, costumo ver resposta clínica significativa entre a segunda e a quarta sessão, com protocolo inicial de duas sessões semanais por quatro a seis semanas. Combino frequentemente com prescrição de gengibre encapsulado, especialmente quando a paciente já recusa antieméticos convencionais. O perfil que responde melhor em minha experiência é o da gestante jovem, no primeiro trimestre, sem comorbidades gástricas prévias. Evito agulhamento abdominal e pontos reconhecidamente contraindicados na gestação, como SP6 e LI4, e mantenho comunicação estreita com o obstetra assistente. O achado sobre injeção de B1 em pontos acupunturais na hiperêmese gravídica dialoga com o que já observamos em técnicas de aquapuntura no serviço — uma abordagem que merece protocolização formal.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

International Journal of Women's Health · 2025

DOI: 10.2147/IJWH.S512247

Acessar Artigo Original

Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

Saiba mais sobre o autor →
⚕️

Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.