Acupuncture in patients with the poor ovarian response on IVF-ET: A systematic review and network meta-analysis
Liu et al. · Medicine · 2026
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Comparar eficácia de TEAS, acupuntura manual e eletroacupuntura em mulheres com baixa resposta ovariana na FIV
QUEM
1195 mulheres com resposta ovariana pobre submetidas à FIV-ET
DURAÇÃO
2-3 ciclos menstruais de tratamento
PONTOS
Pontos focados no abdome e meridianos do rim, baço e fígado
🔬 Desenho do Estudo
TEAS
n=150
Estimulação elétrica transcutânea de pontos de acupuntura
Acupuntura Manual
n=200
Agulhamento manual tradicional
Eletroacupuntura
n=245
Acupuntura com estimulação elétrica
Controle
n=600
Apenas estimulação ovariana convencional
📊 Resultados em Números
TEAS superior em número de óvulos vs controle
TEAS superior em contagem de folículos antrais vs controle
Acupuntura manual superior em óvulos maduros vs controle
Sem diferença significativa em taxa de gravidez clínica
📊 Comparação de Resultados
Número de óvulos recuperados
Este estudo mostrou que diferentes tipos de acupuntura podem ajudar mulheres com baixa resposta dos ovários durante tratamentos de fertilização in vitro. A estimulação elétrica de pontos de acupuntura (TEAS) mostrou-se mais promissora para melhorar a quantidade de óvulos. Todos os tratamentos de acupuntura foram seguros e bem tolerados.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Acupuntura em Pacientes com Baixa Resposta Ovariana em FIV-TE: Revisão Sistemática e Meta-análise em Rede
Esta metanálise de rede analisou a eficácia de diferentes modalidades de acupuntura como terapia adjuvante em mulheres com resposta ovariana pobre (ROP) submetidas à fertilização in vitro com transferência de embriões (FIV-ET). O estudo incluiu 15 ensaios clínicos randomizados com 1195 participantes, comparando estimulação elétrica transcutânea de pontos de acupuntura (TEAS), acupuntura manual (AM) e eletroacupuntura (EA) versus estimulação ovariana controlada convencional. A resposta ovariana pobre afeta entre 9 a 24% das pacientes submetidas à indução da ovulação, resultando em baixos níveis de estrogênio, alta taxa de cancelamento de ciclos, reduzido número de óvulos e baixas taxas de gravidez. Esta condição representa um desafio significativo na medicina reprodutiva, aumentando a carga econômica e psicológica das pacientes.
O contexto do estudo é particularmente relevante dado que revisões sistemáticas anteriores sobre acupuntura na FIV produziram resultados conflitantes, possivelmente devido à heterogeneidade entre diferentes tipos de acupuntura. A metodologia empregou uma busca abrangente em oito bases de dados até setembro de 2023, incluindo bancos chineses e internacionais. Os critérios de inclusão abrangeram ensaios clínicos randomizados que utilizaram TEAS, AM ou EA como terapias adjuvantes antes da FIV-ET em pacientes com ROP, comparadas ao protocolo convencional de estimulação ovariana. Os desfechos primários incluíram taxa de gravidez clínica, enquanto os secundários avaliaram número de óvulos, óvulos maduros, hormônio anti-mülleriano (AMH), hormônio folículo-estimulante (FSH) e contagem de folículos antrais (CFA).
Os resultados revelaram que TEAS demonstrou superioridade significativa sobre EA, AM e controle no aumento do número de óvulos recuperados, com diferenças médias de 1.85, 2.31 e 2.22, respectivamente. Para a contagem de folículos antrais, TEAS também foi superior a AM, EA e controle. A acupuntura manual mostrou-se superior ao controle apenas no aumento do número de óvulos maduros. Interessantemente, nenhuma das modalidades de acupuntura mostrou diferenças estatisticamente significativas na taxa de gravidez clínica em comparação ao grupo controle, embora TEAS tenha apresentado o maior valor SUCRA (72.8%).
Os mecanismos propostos sugerem que a acupuntura pode melhorar a ROP através de múltiplos níveis, sistemas e alvos, potencialmente envolvendo várias etapas do processo de reprodução assistida. TEAS, sendo uma técnica não invasiva, pode ser particularmente adequada para pacientes com medo de agulhamento. Estudos indicam que mulheres submetidas à reprodução assistida são propensas à ansiedade, e até 75.9% das mulheres inférteis experimentam disfunção do sistema nervoso central e do eixo hipotalâmico-pituitário-ovariano em resposta a estímulos emocionais adversos. TEAS demonstrou benefícios significativos na regulação de distúrbios emocionais, estimulando a liberação de peptídeos opioides centrais e neurotransmissores, promovendo o crescimento endometrial e melhorando a função de reserva ovariana.
As implicações clínicas sugerem que todas as modalidades de acupuntura estudadas têm efeitos positivos e alto perfil de segurança na melhoria dos desfechos de gravidez em pacientes com ROP. A análise de segurança revelou efeitos adversos mínimos, incluindo casos raros de alergia leve com TEAS e hematomas subcutâneos com EA, todos de natureza transitória. As limitações do estudo incluem a falta de consenso na definição de ROP, diferentes frequências de tratamento entre as modalidades, heterogeneidade entre os estudos incluídos e ausência de dados sobre taxas de nascidos vivos. A variabilidade nos critérios diagnósticos para ROP pode ter introduzido heterogeneidade significativa, afetando a precisão dos resultados.
Pontos Fortes
- 1Primeira metanálise de rede comparando diferentes modalidades de acupuntura para ROP
- 2Amostra robusta com 1195 participantes de 15 estudos
- 3Metodologia rigorosa seguindo diretrizes PRISMA-NMA
- 4Alto perfil de segurança documentado
- 5Análise de múltiplos desfechos clinicamente relevantes
Limitações
- 1Falta de consenso na definição de resposta ovariana pobre entre os estudos
- 2Diferentes frequências de tratamento entre as modalidades podem ter influenciado os resultados
- 3Ausência de dados sobre taxas de nascidos vivos a longo prazo
- 4Impossibilidade de cegamento devido à natureza das intervenções
- 5Evidência insuficiente para diferenças nas taxas de gravidez clínica
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
A resposta ovariana pobre continua sendo um dos problemas mais frustrantes na medicina reprodutiva, afetando entre 9 e 24% das pacientes em ciclos de indução — e a janela terapêutica para intervenções adjuvantes é estreita. Esta metanálise de rede, reunindo 1195 participantes de 15 ensaios randomizados, oferece pela primeira vez uma hierarquização comparativa entre as modalidades de acupuntura disponíveis, informação que antes simplesmente não existia na literatura. Para o médico que trabalha em reprodução assistida ou que recebe pacientes encaminhadas de centros de FIV, os dados sobre TEAS são particularmente acionáveis: trata-se de uma técnica não invasiva, aplicável em ambulatório, com duração de tratamento compatível com dois a três ciclos menstruais — janela que se encaixa perfeitamente no cronograma habitual de preparo para punção folicular. Pacientes com reserva ovariana reduzida, FSH elevado e histórico de ciclos cancelados formam exatamente o grupo que mais busca alternativas adjuvantes e que pode se beneficiar dessa abordagem dentro de um protocolo multiprofissional médico estruturado.
▸ Achados Notáveis
O achado mais digno de nota não é apenas a superioridade da TEAS sobre as demais modalidades, mas a magnitude e a consistência dessa vantagem em desfechos intermediários objetivos: diferença média de 2,22 óvulos recuperados a mais em relação ao controle e de 1,46 folículos antrais adicionais — ganhos que, no contexto de uma paciente com baixa reserva, podem ser a diferença entre ter ou não ter embriões disponíveis para transferência. A análise SUCRA colocou TEAS em primeiro lugar para taxa de gravidez clínica com 72,8%, mesmo sem atingir significância estatística nesse desfecho — o que sugere tendência clínica relevante que amostras maiores poderão confirmar. Outro ponto que merece atenção é o mecanismo proposto: a modulação do eixo hipotalâmico-hipofisário-ovariano via liberação de peptídeos opioides e neurotransmissores centrais, com impacto documentado sobre o componente emocional da infertilidade, dado que até 75,9% das pacientes inférteis apresentam disfunção do eixo HHO mediada por estresse. Isso reposiciona a TEAS não apenas como intervenção sobre a reserva ovariana, mas como manejo integrado de uma condição multidimensional.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática com pacientes encaminhadas de serviços de reprodução assistida, tenho observado que a acupuntura como adjuvante em ciclos de FIV desperta tanto expectativa excessiva quanto ceticismo exagerado — e este trabalho ajuda a calibrar as duas posições. Costumo iniciar o tratamento ao menos dois ciclos antes da punção programada, o que coincide com o protocolo dos estudos aqui analisados. A resposta em termos de sensação de bem-estar e redução de ansiedade aparece rapidamente, já nas primeiras três a quatro sessões; a melhora nos marcadores ovarianos, quando ocorre, costuma ser percebida pelo especialista em reprodução na segunda ou terceira ultrassonografia de acompanhamento. No Centro de Dor, onde a TEAS também é utilizada para outras indicações, confirmamos empiricamente seu excelente perfil de tolerabilidade — dado que se repete aqui. Para pacientes com fobia de agulhas, a TEAS é a porta de entrada natural. Não indico acupuntura como substituto ao protocolo farmacológico de estimulação, mas como camada adicional especialmente naquelas com histórico de cancelamento de ciclo e carga emocional elevada, perfil que, na minha experiência, é o que mais responde.
Artigo Original Completo
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Medicine · 2026
DOI: 10.1097/MD.0000000000046728
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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