Acupuncture in the Prophylactic Treatment of Migraine Without Aura: A Comparison with Flunarizine

Allais et al. · Headache · 2002

🔬Ensaio Clínico Randomizado👥n=160 participantesEvidência Moderada

Nível de Evidência

MODERADA
72/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
4/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

Comparar a eficácia da acupuntura versus flunarizina na prevenção da enxaqueca sem aura

👥

QUEM

160 mulheres com enxaqueca, idade média 37,8 anos

⏱️

DURAÇÃO

6 meses de tratamento preventivo

📍

PONTOS

LR3, SP6, ST36, CV12, LI4, PC6, GB20, GB14, EX-HN5, GV20

🔬 Desenho do Estudo

160participantes
randomização

Acupuntura

n=80

Acupuntura semanal por 2 meses, depois mensal por 4 meses

Flunarizina

n=80

10mg diários por 2 meses, depois 20 dias/mês por 4 meses

⏱️ Duração: 6 meses

📊 Resultados em Números

2,95 ataques/mês

Redução na frequência de ataques (acupuntura aos 2 meses)

4,10 ataques/mês

Redução na frequência de ataques (flunarizina aos 2 meses)

12,9%

Pacientes livres de dor (acupuntura)

9,5%

Pacientes livres de dor (flunarizina)

p<0,007

Efeitos colaterais (acupuntura vs flunarizina)

Destaques Percentuais

12,9%
Pacientes livres de dor (acupuntura)
9,5%
Pacientes livres de dor (flunarizina)

📊 Comparação de Resultados

Frequência de ataques aos 2 meses

Acupuntura
2.95
Flunarizina
4.1

Uso de analgésicos aos 2 meses

Acupuntura
5.13
Flunarizina
6.7
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que tanto a acupuntura quanto o medicamento flunarizina são eficazes para prevenir crises de enxaqueca. A acupuntura foi mais eficaz nos primeiros meses de tratamento, reduziu melhor a intensidade da dor e causou menos efeitos colaterais que o medicamento. Ambos os tratamentos reduziram significativamente o número de crises e o uso de analgésicos.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Acupuntura no Tratamento Profilático da Enxaqueca sem Aura: Comparação com a Flunarizina

A enxaqueca afeta milhões de pessoas ao redor do mundo, sendo uma das principais causas de dor de cabeça crônica. Esta condição neurológica provoca episódios recorrentes de dor intensa, frequentemente acompanhada de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Para o controle preventivo da enxaqueca, tradicionalmente os médicos prescrevem medicamentos como a flunarizina, um bloqueador de canal de cálcio amplamente utilizado. No entanto, esses medicamentos podem causar efeitos colaterais indesejados como sonolência, ganho de peso e depressão.

Nesse contexto, a acupuntura tem emergido como uma alternativa terapêutica promissora, oferecendo uma abordagem não medicamentosa para a prevenção da enxaqueca. Apesar dos resultados encorajadores de estudos anteriores, havia necessidade de pesquisas mais rigorosas comparando diretamente a eficácia da acupuntura com medicamentos convencionais.

Este estudo controlado e randomizado foi conduzido ao longo de seis meses com o objetivo de avaliar se a acupuntura seria eficaz na prevenção da enxaqueca sem aura e comparar seus resultados com o tratamento medicamentoso com flunarizina. Os pesquisadores recrutaram 160 mulheres com diagnóstico de enxaqueca, com idades entre 18 e 59 anos, que apresentavam pelo menos duas crises por mês. As participantes foram divididas aleatoriamente em dois grupos: 80 receberam tratamento com acupuntura e 80 foram tratadas com flunarizina. No grupo da acupuntura, as sessões foram realizadas semanalmente nos primeiros dois meses e depois mensalmente por mais quatro meses.

Os pesquisadores utilizaram sempre os mesmos pontos de acupuntura em todas as pacientes, incluindo pontos nos pés, pernas, abdome, mãos, braços, pescoço e cabeça. As agulhas permaneciam inseridas por 20 minutos em cada sessão. No grupo da flunarizina, as pacientes tomaram 10 mg diariamente nos primeiros dois meses, seguidos de 20 dias por mês durante os quatro meses subsequentes. Durante todo o período, as participantes mantiveram diários detalhados registrando a frequência das crises, intensidade da dor e uso de medicamentos para alívio da dor.

Os resultados demonstraram que ambos os tratamentos foram eficazes na redução da frequência das crises de enxaqueca. Entretanto, a acupuntura mostrou-se superior à flunarizina em vários aspectos importantes. Nos primeiros quatro meses de tratamento, o grupo da acupuntura apresentou uma redução significativamente maior no número de ataques de enxaqueca em comparação com o grupo da flunarizina. Após dois meses de tratamento, as pacientes tratadas com acupuntura também utilizaram significativamente menos medicamentos para alívio da dor do que aquelas que receberam flunarizina.

Um achado particularmente relevante foi que apenas a acupuntura conseguiu reduzir significativamente a intensidade da dor, enquanto a flunarizina não mostrou este benefício. Ao final do tratamento, aproximadamente 13% das pacientes do grupo acupuntura ficaram completamente livres de dor de cabeça, comparado a cerca de 9% no grupo flunarizina. Além disso, 23% das pacientes tratadas com acupuntura pararam completamente de usar medicamentos para alívio da dor, em comparação com 15% no grupo flunarizina. Aos seis meses, as diferenças entre os grupos diminuíram, sugerindo que os benefícios da acupuntura são mais pronunciados nos estágios iniciais do tratamento.

Do ponto de vista clínico, estes resultados têm implicações importantes tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. A acupuntura demonstrou ser uma opção viável e eficaz para a prevenção da enxaqueca, oferecendo vantagens significativas em termos de tolerabilidade. Enquanto o grupo da flunarizina apresentou efeitos colaterais como sonolência, ganho de peso e depressão, o grupo da acupuntura relatou principalmente dor local leve e sedação temporária após o tratamento. O número total de pacientes com efeitos colaterais foi significativamente menor no grupo acupuntura.

Para pacientes que não toleram bem medicamentos preventivos ou preferem abordagens não farmacológicas, a acupuntura representa uma alternativa segura e eficaz. Os resultados também sugerem que a acupuntura pode ser especialmente benéfica nos primeiros meses de tratamento, período em que muitos pacientes abandonam tratamentos convencionais devido aos efeitos colaterais. A capacidade da acupuntura de reduzir tanto a frequência quanto a intensidade das crises, além de diminuir o uso de medicamentos para alívio da dor, oferece uma abordagem abrangente para o manejo da enxaqueca.

O estudo apresenta algumas limitações importantes que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. Os pesquisadores utilizaram uma abordagem padronizada de acupuntura, aplicando os mesmos pontos em todas as pacientes, o que difere da prática tradicional da medicina chinesa, onde o tratamento é individualizado conforme o padrão específico de cada paciente. Esta abordagem pode ter limitado o potencial terapêutico pleno da acupuntura. Além disso, o grupo da acupuntura recebeu naturalmente mais atenção e contato direto com os terapeutas, o que pode ter contribuído para um maior efeito placebo.

O número de sessões utilizadas também foi menor do que o idealmente recomendado na prática clínica tradicional. Apesar dessas limitações, a acupuntura demonstrou eficácia mesmo sob essas condições restritivas. Os pesquisadores concluem que a acupuntura deveria ser considerada mais frequentemente como tratamento de primeira linha para a prevenção da enxaqueca, especialmente considerando seu perfil de segurança superior e eficácia comparável ou superior aos medicamentos convencionais nos estágios iniciais do tratamento.

Pontos Fortes

  • 1Estudo randomizado controlado bem desenhado
  • 2Tamanho amostral adequado (160 participantes)
  • 3Comparação direta com medicamento estabelecido
  • 4Seguimento de 6 meses
  • 5Análise cega dos dados do diário
⚠️

Limitações

  • 1Apenas mulheres incluídas no estudo
  • 2Acupuntura padronizada (não individualizada conforme MTC)
  • 3Impossibilidade de cegamento dos pacientes para acupuntura
  • 4Perda de seguimento (10 pacientes)
  • 5Poder estatístico não calculado previamente

📅 Contexto Histórico

1980Primeiros estudos de acupuntura para enxaqueca
1988Critérios diagnósticos da International Headache Society
1995Estudos controlados demonstram eficácia da acupuntura
1999Primeira revisão sistemática sobre acupuntura na enxaqueca
2002Este estudo compara acupuntura com flunarizina
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224

Relevância Clínica

A profilaxia da enxaqueca sem aura é um dos cenários em que mais frequentemente indicamos acupuntura em serviço de dor multidisciplinar, e este ensaio de Allais et al. oferece uma das comparações diretas mais concretas disponíveis na literatura — acupuntura semanal inicial versus flunarizina 10mg diários, em 160 mulheres com pelo menos duas crises mensais, acompanhadas por seis meses. A vantagem do grupo acupuntura nos primeiros quatro meses, com menor consumo de analgésicos de resgate e redução significativa da intensidade das crises — benefício não observado com a flunarizina —, tem impacto direto na tomada de decisão clínica. Para a paciente que relata intolerância a bloqueadores de canal de cálcio, ou que já apresenta sobrepeso e sonolência como queixas de base, a acupuntura passa de alternativa de segunda linha para opção de abertura terapêutica. Esse reposicionamento na sequência prescritiva é o principal ganho prático deste trabalho.

Achados Notáveis

Dois achados merecem atenção especial. O primeiro é a diferença no desfecho de intensidade da dor: apenas o grupo acupuntura obteve redução estatisticamente significativa nesse parâmetro, enquanto a flunarizina não moveu esse marcador — o que sugere mecanismos analgésicos centrais da acupuntura que vão além da simples redução da frequência de crises, possivelmente via modulação do sistema trigeminal e dos circuitos descendentes de inibição da dor. O segundo achado relevante é o perfil de efeitos adversos: a diferença entre os grupos atingiu p<0,007, com sonolência, ganho de peso e depressão concentrados no grupo flunarizina. O dado de que 23% das pacientes do grupo acupuntura cessaram completamente o uso de medicamentos de resgate, contra 15% no grupo flunarizina, também merece destaque — pois reduzir a medicação aguda é um dos objetivos centrais da profilaxia, independentemente da via terapêutica escolhida.

Da Minha Experiência

Na minha prática no ambulatório de dor, costumo observar resposta às primeiras três ou quatro sessões de acupuntura em pacientes com enxaqueca episódica de alta frequência — habitualmente uma redução perceptível no número de crises ou na necessidade de triptano. Esse padrão de resposta precoce, que o artigo de Allais reflete nos dados dos primeiros dois meses, é justamente o que fortalece a adesão e diferencia a acupuntura de outras profiláticas, cujo platô costuma demorar oito a doze semanas. Trabalho rotineiramente com um ciclo inicial de oito a dez sessões, seguido de manutenção mensal por mais quatro a seis meses, estrutura próxima à usada neste ensaio. Associo com frequência acupuntura a técnicas de manejo do estresse e, quando há componente cervicogênico associado, acrescento agulhamento seco de ponto-gatilho em trapézio superior e suboccipitais — combinação que na minha experiência reduz o gatilho postural das crises. O perfil de paciente que responde melhor é aquele sem uso excessivo de analgésicos e com menos de quinze dias de dor mensal; quando há cronificação instalada, as expectativas precisam ser calibradas desde a primeira consulta.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Científico Indexado

Este estudo está indexado em base científica internacional. Consulte seu acesso institucional para obter o artigo completo.

Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

Saiba mais sobre o autor →
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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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