Association between consultations with complementary/alternative medicine practitioners and menopause-related symptoms: a cross-sectional study
Peng et al. · Climacteric · 2015
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Examinar as associações entre consultas com diferentes tipos de terapeutas de medicina complementar e sintomas relacionados à menopausa
QUEM
10.011 mulheres australianas de 59-64 anos em diferentes tipos de menopausa
DURAÇÃO
Análise transversal dos dados coletados em 2010
PONTOS
Não especificados - estudo focou em tipos de terapeutas, não pontos específicos
🔬 Desenho do Estudo
Ooforectomia
n=1141
Mulheres com remoção cirúrgica dos ovários
Histerectomia
n=2260
Mulheres com remoção do útero apenas
Menopausa natural
n=6610
Mulheres com menopausa natural
📊 Resultados em Números
Massoterapeutas mais consultados
Quiropráticos/osteopatas consultados
Acupunturistas para dor lombar (ooforectomia)
Quiropráticos para dor lombar (todos os grupos)
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Consultas com massoterapeutas por tipo de menopausa
Odds ratio para consultas com acupunturistas (dor lombar)
Este grande estudo australiano mostrou que mulheres na menopausa procuram diferentes tipos de terapeutas complementares dependendo dos sintomas que sentem. Por exemplo, acupunturistas são mais procurados para dor nas costas e suores noturnos, enquanto massoterapeutas são preferidos para ansiedade e dor lombar. É importante que você converse com seu médico sobre qualquer terapia complementar que esteja considerando.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Este estudo transversal analisou dados de 10.011 mulheres australianas de 59-64 anos para examinar como diferentes sintomas da menopausa se associam com consultas a terapeutas de medicina complementar e alternativa. Os pesquisadores categorizaram as participantes em três grupos: mulheres com ooforectomia (remoção dos ovários), histerectomia (remoção do útero) e menopausa natural. A pesquisa investigou consultas com acupunturistas, massoterapeutas, naturopatas/fitoterápicos e quiropráticos/osteopatas, correlacionando-as com sintomas como ondas de calor, suores noturnos, dor lombar, ansiedade e depressão. Os resultados revelaram que massoterapeutas e quiropráticos/osteopatas foram os terapeutas complementares mais consultados, com 25-26% das mulheres procurando massoterapeutas e 18-19% procurando quiropráticos/osteopatas, independentemente do tipo de menopausa.
Padrões específicos emergiram para diferentes sintomas: mulheres com histerectomia que experimentavam suores noturnos eram mais propensas a consultar acupunturistas, mas curiosamente menos propensas a procurar acupunturistas para ondas de calor. Para dor lombar, que se mostrou o sintoma mais consistentemente associado à busca por terapias complementares, os quiropráticos/osteopatas foram procurados por mulheres de todos os tipos de menopausa. Acupunturistas também foram significativamente mais procurados para dor lombar, especialmente por mulheres com ooforectomia. A ansiedade mostrou associações interessantes: mulheres com histerectomia e menopausa natural com ansiedade eram mais propensas a procurar massoterapeutas e acupunturistas.
Naturopatas/fitoterápicos mostraram associações limitadas, sendo significativamente procurados apenas por mulheres com ooforectomia que experimentavam incontinência urinária. Os pesquisadores ajustaram seus modelos estatísticos para múltiplos fatores confundidores, incluindo características demográficas, uso de terapia hormonal, outras condições de saúde e utilização de serviços de saúde convencionais. Este rigoroso controle estatístico fortalece a confiabilidade dos achados. As implicações clínicas são significativas: o estudo sugere que profissionais de saúde convencionais devem estar cientes dos padrões de uso de terapias complementares por suas pacientes na menopausa.
A alta prevalência de consultas - especialmente para massagem e quiropraxia/osteopatia - indica que essas modalidades são parte integral do cuidado da menopausa para muitas mulheres. A diferenciação entre ondas de calor e suores noturnos é particularmente interessante, sugerindo que estes sintomas, embora relacionados, podem levar a diferentes escolhas terapêuticas. O estudo também destaca a importância da dor lombar como sintoma direcionador da busca por terapias complementares, possivelmente refletindo a eficácia percebida ou comprovada de modalidades como acupuntura e quiropraxia para dor musculoesquelética. As limitações incluem o design transversal, que impede inferências causais, e a dependência de dados auto-relatados.
Além disso, o estudo incluiu apenas quatro tipos de terapeutas complementares, possivelmente subestimando o uso geral de medicina complementar. A força principal reside na grande amostra nacionalmente representativa e no rigoroso controle estatístico.
Pontos Fortes
- 1Grande amostra nacionalmente representativa de 10.011 mulheres
- 2Rigoroso controle estatístico para múltiplos fatores confundidores
- 3Estratificação por diferentes tipos de menopausa (natural, cirúrgica)
- 4Análise detalhada de sintomas específicos e modalidades terapêuticas
Limitações
- 1Design transversal impede inferências causais
- 2Dados auto-relatados sujeitos a viés de memória
- 3Apenas quatro tipos de terapeutas incluídos
- 4Faixa etária restrita (59-64 anos) pode limitar generalização
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
Médicos que acompanham mulheres em período perimenopáusico e pós-menopáusico precisam saber que uma parcela expressiva de suas pacientes já chegará ao consultório tendo consultado ou pretendendo consultar terapeutas de medicina complementar. Este estudo australiano com mais de 10.000 mulheres entre 59 e 64 anos documenta, com rigor estatístico e amostra representativa nacional, que a busca por acupuntura não é aleatória: ela segue padrões sintomáticos identificáveis. A dor lombar emerge como o principal vetor que leva mulheres — sobretudo aquelas submetidas a ooforectomia — a procurar o acupunturista, com odds ratio de 3,11 nesse subgrupo. Suores noturnos em mulheres histerectomizadas também se associam à busca por acupuntura de forma estatisticamente robusta. Esse mapeamento permite ao médico antecipar o comportamento de busca da paciente, abrir o diálogo sobre as terapias que ela já utiliza e integrar, de forma racional, a acupuntura ao plano terapêutico, especialmente quando sintomas musculoesqueléticos e vasomotores coexistem.
▸ Achados Notáveis
O achado que mais merece atenção é a dissociação entre ondas de calor e suores noturnos na associação com consultas a acupunturistas: mulheres histerectomizadas com suores noturnos buscaram acupuntura em proporção significativamente maior, enquanto aquelas com ondas de calor apresentaram associação inversa. Isso sugere que, na percepção das próprias pacientes, esses dois fenômenos vasomotores — frequentemente tratados como equivalentes na literatura — têm qualidades subjetivas distintas que orientam escolhas terapêuticas diferentes. Do ponto de vista fisiopatológico, faz sentido: suores noturnos têm componente autonômico noturno possivelmente mais responsivo a estratégias neuromoduladoras. Outro dado de relevo é o OR de 3,11 para consultas a acupunturistas por dor lombar no grupo ooforectomizado, o mais elevado de toda a análise, indicando que a privação estrogênica cirúrgica — com suas repercussões na densidade óssea, musculatura paravertebral e sensibilização central — cria um perfil álgico que as pacientes associam fortemente à acupuntura como recurso de alívio.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, esse padrão descrito no estudo ressoa de forma bastante concreta. Mulheres em menopausa cirúrgica com dor lombar crônica formam um subgrupo que costumo tratar com acupuntura sistêmica associada a eletroacupuntura paravertebral, geralmente observando resposta funcional a partir da terceira ou quarta sessão. Para esses casos, trabalho habitualmente com ciclos de oito a dez sessões, seguidos de manutenção mensal. A associação com exercício resistido é indispensável — sem ele, a resposta à acupuntura tende a ser mais curta. Quanto aos suores noturnos, tenho observado que pacientes que já experimentaram tratamento hormonal e optaram por descontinuá-lo respondem bem à acupuntura em pontos como VC4, R6 e C7, com melhora perceptível em quatro a seis sessões. O perfil que responde melhor é o da mulher motivada, sem síndrome depressiva grave não tratada e que mantém sono razoável — a privação severa de sono parece atenuar a resposta. Não indico acupuntura isolada quando há fratura vertebral osteoporótica aguda ou quando a dor lombar tem componente radicular compressivo importante não investigado.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Climacteric · 2015
DOI: 10.3109/13697137.2014.989828
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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