Improvement of urge- and mixed-type incontinence after acupuncture treatment among elderly women — a pilot study
Bergström et al. · Journal of the Autonomic Nervous System · 2000
OBJETIVO
Investigar se a acupuntura manual pode melhorar incontinência urinária de urgência e mista em mulheres idosas
QUEM
15 mulheres idosas (66-82 anos) com incontinência não responsiva a tratamentos convencionais
DURAÇÃO
12 sessões de acupuntura + seguimento de 3 meses
PONTOS
BL31, BL32, BL33, BL23, SP6, KI3, LI11 (pontos sacrais e periféricos)
🔬 Desenho do Estudo
Grupo único
n=15
12 sessões de acupuntura manual bilateral
📊 Resultados em Números
Melhora global significativa
Redução vazamento urinário (mediana)
Melhora qualidade de vida
Redução noctúria
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Vazamento urinário em 48h (gramas)
Este estudo mostrou que a acupuntura pode ser uma opção útil para mulheres idosas com problemas de incontinência urinária que não melhoraram com tratamentos convencionais. Os resultados sugerem benefícios que persistem por até 3 meses após o tratamento.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Este estudo piloto investigou os efeitos da acupuntura manual em 15 mulheres idosas (idade média 76,4 anos) com incontinência urinária de urgência ou mista que não haviam respondido adequadamente aos tratamentos convencionais. As participantes foram recrutadas de uma unidade especializada em incontinência em Estocolmo, Suécia, entre 1992-1995. Todas haviam realizado treinamento do assoalho pélvico por pelo menos 2 meses e a maioria havia usado medicação anticolinérgica sem sucesso satisfatório. O protocolo consistiu em 12 sessões de acupuntura manual, realizadas duas vezes por semana, utilizando agulhas descartáveis em pontos específicos.
Os pontos selecionados incluíram BL31, BL32 e BL33 (região sacral), BL23 (região lombar), SP6 e KI3 (membros inferiores) e LI11 (cotovelo), escolhidos com base na inervação segmentar da bexiga e músculos relacionados. O tratamento foi realizado até que as pacientes experimentassem a sensação de de-qi, característica da acupuntura tradicional. As avaliações foram realizadas antes do tratamento, imediatamente após a última sessão, e após 1 e 3 meses de seguimento. Os instrumentos incluíram questionários subjetivos sobre urgência e frequência de perdas, o teste objetivo Inco-test (medição de vazamento em 48 horas), e a escala de qualidade de vida IQoLI.
Os resultados mostraram melhorias significativas em quase todos os parâmetros avaliados. Subjetivamente, houve redução significativa na intensidade e tipo de urgência, frequência de perdas urinárias e noctúria. Objetivamente, o vazamento urinário medido pelo teste Inco-test diminuiu de uma mediana de 123 gramas no baseline para 12,5 gramas após 3 meses (p=0,018). A qualidade de vida melhorou significativamente, com pontuação aumentando de 41 para 55 pontos na escala IQoLI (p=0,001).
Notavelmente, 12 das 15 mulheres (80%) consideraram-se melhoradas no final do tratamento, e 8 (53%) ainda se consideravam muito melhoradas após 3 meses. As melhorias foram mais pronunciadas após 1 mês, com manutenção parcial dos benefícios aos 3 meses. Não foram relatados eventos adversos durante o tratamento. Os autores discutem possíveis mecanismos de ação, incluindo reflexos somatovesicais mediados pela estimulação de aferentes somáticos, liberação de endorfinas que podem inibir o centro pontino da micção, e melhoria da circulação local.
A escolha dos pontos baseou-se na correspondência entre a inervação segmentar da bexiga (T11-L2 simpático, S2-4 parassimpático) e a inervação dos pontos de acupuntura utilizados. Este estudo fornece evidência preliminar encorajadora de que a acupuntura pode ser uma terapia adjuvante útil para incontinência urinária em mulheres idosas. Os resultados são particularmente relevantes considerando que se tratava de pacientes refratárias aos tratamentos convencionais, com sintomas de longa duração (média 3,7 anos). As limitações incluem a ausência de grupo controle, pequeno tamanho amostral e possível efeito placebo.
Os autores sugerem que futuros estudos controlados são necessários para confirmar esses achados e determinar os protocolos ótimos de tratamento.
Pontos Fortes
- 1População bem definida com critérios claros de inclusão
- 2Seguimento de 3 meses pós-tratamento
- 3Uso de medidas objetivas (Inco-test) além de subjetivas
- 4Ausência de eventos adversos reportados
Limitações
- 1Estudo aberto sem grupo controle
- 2Tamanho amostral pequeno (n=15)
- 3Possível efeito placebo não controlado
- 4Dados faltantes em algumas avaliações
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
A incontinência urinária de urgência e mista em mulheres idosas representa um desafio terapêutico frequente e subestimado nos ambulatórios de geriatria e uroginecologia. A população estudada — idade média de 76,4 anos, refratária tanto ao treinamento do assoalho pélvico quanto à medicação anticolinérgica, com sintomas persistindo em média 3,7 anos — corresponde exatamente ao perfil que chega ao consultório sem alternativas terapêuticas claras. Nesse contexto, a acupuntura com pontos sacrais (BL31, BL32, BL33), lombares (BL23) e distais (SP6, KI3) emerge como opção adjuvante concreta, não como recurso de última hora sem embasamento. A redução objetiva do vazamento urinário de 123g para 12,5g em três meses, mensurada pelo Inco-test, traduz ganho funcional palpável — não apenas escores subjetivos — e justifica a consideração da acupuntura dentro do arsenal multimodal disponível para essa faixa etária.
▸ Achados Notáveis
O aspecto mais digno de nota neste trabalho é a robustez do desfecho objetivo: a queda mediana no Inco-test de 123g para 12,5g representa uma redução de aproximadamente 90% no volume de vazamento, com significância estatística mantida aos três meses de seguimento. Isso, numa população que havia falhado aos tratamentos padrão, é clinicamente expressivo. Igualmente relevante é a melhora na escala IQoLI, de 41 para 55 pontos, refletindo impacto real na autonomia e qualidade de vida dessas mulheres. Do ponto de vista mecanístico, a seleção dos pontos baseada na correspondência segmentar com a inervação simpática (T11-L2) e parassimpática (S2-S4) da bexiga oferece racionalidade neurofisiológica sólida para o protocolo, conectando teoria clássica dos meridianos com neuroanatomia funcional contemporânea. A ausência de eventos adversos em todas as 15 pacientes reforça o perfil de segurança em uma população particularmente vulnerável a iatrogenias.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática com pacientes de perfil semelhante no Centro de Dor do HC-FMUSP, tenho observado que mulheres idosas com síndrome de bexiga hiperativa respondem ao protocolo sacral de maneira gradual — costumamos perceber as primeiras referências de melhora na urgência e na noctúria entre a quarta e sexta sessão, raramente antes. O protocolo de 12 sessões bisseminais descrito neste artigo é compatível com o que utilizamos, embora em casos mais refratários eu costume estender para 16 sessões antes de avaliar resultado definitivo. Para manutenção, sessões mensais por três a seis meses têm se mostrado suficientes para preservar os ganhos. Associo habitualmente a acupuntura à continuidade do treinamento do assoalho pélvico supervisionado e, quando tolerada, a doses baixas de anticolinérgicos — a combinação tende a ser mais eficaz que qualquer modalidade isolada. Pacientes com noctúria proeminente e componente ansioso associado respondem particularmente bem; já aquelas com atrofia urogenital severa e prolapso significativo tendem a responder de forma mais modesta e devem ter expectativas calibradas antes de iniciar.
Artigo Científico Indexado
Este estudo está indexado em base científica internacional. Consulte seu acesso institucional para obter o artigo completo.
Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
Artigos Relacionados
Baseado nas categorias deste artigo