A review of acupuncture for menopausal problems
Borud et al. · Maturitas · 2010
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Revisar a evidência científica da acupuntura para tratamento de ondas de calor na menopausa natural e induzida
QUEM
Mulheres pós-menopáusicas com ondas de calor, incluindo pacientes com câncer
DURAÇÃO
8 a 36 sessões, acompanhamento até 12 meses
PONTOS
Pontos individualizados por diagnóstico da Medicina Tradicional Chinesa
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura + autocuidado
n=134
10 sessões de acupuntura tradicional
Autocuidado apenas
n=133
Orientações sobre autocuidado
📊 Resultados em Números
Redução de ondas de calor vs controle
Significância estatística
Redução de intensidade
Mulheres com >50% redução
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Redução de ondas de calor (episodios/dia)
Esta revisão mostra que a acupuntura pode ser uma opção eficaz para reduzir as ondas de calor da menopausa. O tratamento demonstrou redução significativa tanto na frequência quanto na intensidade dos episodios, com melhora na qualidade de vida, sendo especialmente útil para mulheres que não podem usar hormônios.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Esta revisão abrangente examina a evidência científica sobre o uso da acupuntura para tratar ondas de calor em mulheres na menopausa, tanto natural quanto induzida por tratamentos médicos. Os autores analisaram estudos controlados que investigaram a eficácia da acupuntura comparada a cuidados usuais e controles placebo. O estudo principal, conhecido como ACUFLASH, foi um ensaio clínico randomizado multicêntrico que incluiu 267 mulheres pós-menopáusicas experimentando sete ou mais ondas de calor por dia. As participantes foram divididas em dois grupos: um recebeu 10 sessões de acupuntura tradicional chinesa individualizada mais orientações de autocuidado, enquanto o grupo controle recebeu apenas orientações de autocuidado.
Os resultados demonstraram que a acupuntura foi superior ao autocuidado isolado, com redução de 5,8 episodios de ondas de calor por dia no grupo acupuntura versus 3,7 no grupo controle, uma diferença estatisticamente significativa de 2,1 episodios (P<0,001). A intensidade dos sintomas também diminuiu significativamente mais no grupo acupuntura (3,2 pontos) comparado ao controle (1,8 pontos). Além disso, houve melhoras significativas na qualidade de vida relacionada à saúde, particularmente nos domínios vasomotor, sono e sintomas somáticos. A revisão também examinou cinco estudos menores que compararam acupuntura real com controles de agulhamento superficial em pontos não específicos.
Interessantemente, esses estudos não conseguiram demonstrar diferenças significativas entre acupuntura real e controle, sugerindo que o efeito pode não depender da localização específica dos pontos ou profundidade da inserção. Para menopausa induzida, particularmente em pacientes com câncer que não podem usar terapia hormonal, a evidência também é encorajadora. Estudos mostram que 79% das pacientes alcançaram redução de 50% na frequência das ondas de calor, com efeitos mantidos por até 12 meses após o tratamento. Os mecanismos propostos envolvem o conceito moderno da acupuntura como estimulação neurológica, afetando neurotransmissores como serotonina e beta-endorfinas no sistema nervoso central, influenciando assim o centro termorregulador no hipotálamo.
A teoria sugere que as mudanças hormonais da menopausa estreitam a zona termoneutra, fazendo com que pequenos aumentos na temperatura corporal desencadeiem ondas de calor. A acupuntura pode estabilizar esse sistema através da modulação de endorfinas endógenas e serotonina. A revisão conclui que a acupuntura oferece um efeito clinicamente útil para ondas de calor que vai além da remissão natural, sendo particularmente valiosa para mulheres que buscam alternativas à terapia hormonal ou aquelas com contraindicações ao seu uso.
Pontos Fortes
- 1Estudo principal com amostra robusta (n=267)
- 2Seguimento de longo prazo
- 3Melhora significativa na qualidade de vida
- 4Evidência consistente em menopausa induzida
Limitações
- 1Dificuldade em criar controle placebo verdadeiramente inerte
- 2Estudos menores não mostraram especificidade de pontos
- 3Variabilidade nos protocolos de tratamento
- 4Necessidade de mais estudos de longo prazo
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
A menopausa sintomática representa um dos cenários mais frequentes em que médicos recebem mulheres refratárias ou contraindicadas à terapia hormonal — sobreviventes de câncer de mama, pacientes com tromboembolismo prévio, hepatopatias e aquelas que simplesmente recusam a abordagem hormonal. Para esse contingente, o arsenal não hormonal disponível é limitado e frequentemente mal tolerado. O trabalho de Borud e colaboradores, centrado no ensaio ACUFLASH com 267 mulheres pós-menopáusicas, fornece base para integrar formalmente a acupuntura ao fluxo de tratamento dessas pacientes. A redução de 2,1 episodios diários de ondas de calor em relação ao grupo controle, acompanhada de melhora nos domínios vasomotor, sono e sintomas somáticos, traduz ganho clinicamente perceptível. O dado de que 79% das participantes alcançaram redução superior a 50% na frequência dos episodios é especialmente útil para o aconselhamento — permite ao médico apresentar probabilidades reais de resposta, tornando a tomada de decisão compartilhada mais concreta.
▸ Achados Notáveis
Dois achados merecem atenção particular. O primeiro é a dissociação entre os resultados do ACUFLASH, que demonstrou superioridade da acupuntura sobre o autocuidado isolado, e os estudos menores que compararam acupuntura real com agulhamento superficial em pontos não específicos, sem encontrar diferença significativa entre os grupos. Essa aparente contradição não invalida o benefício clínico; ao contrário, sugere que o mecanismo terapêutico pode operar de forma distribuída — pela modulação neuroendócrina via beta-endorfinas e serotonina hipotalâmica — e não depender exclusivamente da precisão pontual clássica. O segundo achado notável é a durabilidade dos efeitos em menopausa induzida: manutenção dos benefícios por até 12 meses após o encerramento do tratamento, dado relevante em oncologia, onde o controle prolongado dos fogachos pode determinar adesão à hormonioterapia adjuvante e qualidade de vida.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, o perfil que responde melhor ao tratamento acupuntural para fogachos é a mulher entre 50 e 60 anos, com sintomas vasomotores moderados a intensos, ansiosa quanto à exposição hormonal e que já tentou medidas comportamentais sem sucesso consistente. Costumo observar resposta perceptível entre a terceira e a quinta sessão — a paciente refere noturno menos fragmentado antes mesmo de quantificar a redução dos episodios diurnos. Em media, trabalho com um ciclo inicial de dez sessões, conforme o protocolo estudado, e reavaliação formal ao final. Para manutenção, sessões mensais ou bimestrais têm mostrado resultado satisfatório ao longo dos meses subsequentes. Associo frequentemente técnicas de relaxamento e orientação de higiene do sono, pois o componente autonômico da termorregulação responde bem a essa combinação. O perfil de paciente oncológica — impossibilitada de usar estrogênio — é onde sinto maior impacto clínico, e os dados desta revisão são consistentes com o que tenho observado ao longo da carreira.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Maturitas · 2010
DOI: 10.1016/j.maturitas.2009.12.010
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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