Treatment of Frequent or Chronic Primary Headaches in Children and Adolescents: Focus on Acupuncture
Bonemazzi et al. · Children · 2023
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Revisar estudos sobre eficácia e tolerabilidade da acupuntura no tratamento de cefaleias primárias frequentes ou crônicas em crianças e adolescentes
QUEM
Crianças e adolescentes (0-18 anos) com enxaqueca e cefaleia tensional, principalmente meninas (58-89%)
DURAÇÃO
Protocolos variados: 4-10 semanas, com sessões semanais de 15-30 minutos
PONTOS
Pontos corporais e auriculares individualizados conforme medicina tradicional chinesa
🔬 Desenho do Estudo
Estudos incluídos
n=8
Revisão de estudos sobre acupuntura em cefaleias pediátricas
Pacientes totais
n=455
Diferentes modalidades de acupuntura
📊 Resultados em Números
Benefício percebido pelos pacientes
Resolução completa da enxaqueca
Redução na intensidade da dor
Experiência positiva (pacientes/pais)
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Frequência de cefaleias mensais
Esta revisão mostra que a acupuntura pode ser uma opção segura e eficaz para crianças com dores de cabeça frequentes, reduzindo tanto a intensidade quanto a frequência das crises. O tratamento é bem tolerado pelas crianças, com poucos efeitos colaterais relatados.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Tratamento das Cefaleias Primárias Frequentes ou Crônicas em Crianças e Adolescentes: Foco na Acupuntura
**Acupuntura no Tratamento de Dores de Cabeça em Crianças e Adolescentes: Uma Revisão Científica**
As dores de cabeça são extremamente comuns na infância e adolescência, afetando entre 5,9% e 58,4% dos jovens com menos de 20 anos. A enxaqueca e a cefaleia do tipo tensional são os tipos mais frequentes de dores de cabeça primárias nessa faixa etária. Essas condições podem ter um impacto significativo na qualidade de vida das crianças, frequentemente persistindo até a idade adulta e, em muitos casos, evoluindo para condições crônicas. Crianças com dores de cabeça crônicas constituem o subgrupo mais debilitado da população com cefaleia, exigindo cuidados especializados.
Os tratamentos convencionais para pacientes com dores de cabeça crônicas podem ser caros, frequentemente requerendo acesso intravenoso e hospitalização. Além disso, estudos indicam que a resposta ao tratamento tende a diminuir em crianças com transtornos crônicos de cefaleia, e recorrências são comuns após tratamentos intravenosos agudos.
Este estudo teve como objetivo coletar e analisar todas as pesquisas relevantes sobre o uso, eficácia e tolerabilidade da acupuntura no tratamento de dores de cabeça primárias em crianças e adolescentes. Os pesquisadores realizaram uma revisão narrativa baseada em oito estudos selecionados de 135 artigos que incluíam casos pediátricos tratados com acupuntura para dor de cabeça. A busca foi realizada nas bases de dados PubMed, Cochrane e Mendeley, utilizando termos como "acupuntura dor de cabeça" e "medicina complementar e alternativa dor de cabeça". Foram incluídos apenas estudos com crianças e adolescentes de 0 a 18 anos de idade.
A metodologia dos estudos analisados variou, incluindo estudos retrospectivos, prospectivos e estudos caso-controle, alguns com grupos placebo.
A população estudada foi composta principalmente por pacientes pediátricos e adolescentes, sendo a maioria do sexo feminino (58% a 89%). Os principais diagnósticos foram enxaqueca (50-82% dos casos) e cefaleia do tipo tensional (18-50%), frequentemente em formas crônicas. A duração do histórico de dor de cabeça variou de 1 a 9 anos. Os estudos utilizaram diferentes técnicas de acupuntura, incluindo acupuntura tradicional com agulhas, eletroacupuntura, acupuntura auricular, acupuntura a laser e moxibustão.
Os pontos de aplicação foram escolhidos de acordo com critérios da medicina tradicional chinesa, sendo individualizados para cada paciente. O número médio de sessões variou entre os estudos, com protocolos que incluíam desde 4 até 10 sessões semanais.
Os resultados demonstraram que a acupuntura teve um efeito positivo tanto na frequência quanto na intensidade das dores de cabeça. Em um estudo controlado, 63,7% dos pacientes tiveram resolução completa da enxaqueca após a colocação das agulhas auriculares. Outro estudo mostrou redução estatisticamente significativa na frequência (de 9,3 para 1,4 episódios por mês) e intensidade (de 8,7 para 3,3 em uma escala de dor) das enxaquecas antes e depois do tratamento. A acupuntura a laser também mostrou resultados promissores, com diminuição significativa no número de dias com dor de cabeça em comparação com o grupo placebo.
Os estudos também revelaram que a acupuntura pode ter efeitos benéficos além da redução da dor, incluindo melhora no sono, apetite e redução da ansiedade. As crianças e seus pais relataram experiências positivas com o tratamento, com 67% dos pacientes e 60% dos pais descrevendo a experiência como benéfica.
As implicações clínicas deste estudo são significativas para pacientes e profissionais de saúde. A acupuntura se apresenta como uma alternativa de tratamento eficiente para crianças com dores de cabeça frequentes ou crônicas, oferecendo uma abordagem não farmacológica que pode evitar os efeitos colaterais dos medicamentos convencionais. Para os pacientes, isso significa uma opção de tratamento que é bem tolerada, com poucos efeitos adversos relatados nos estudos analisados. A acupuntura pode ser particularmente valiosa como terapia preventiva, ajudando a reduzir a necessidade de hospitalizações e tratamentos intravenosos caros.
Para os profissionais de saúde, estes achados sugerem que a acupuntura deve ser considerada como parte de uma abordagem integrada no tratamento de dores de cabeça pediátricas, especialmente em casos onde os tratamentos convencionais não foram eficazes ou causaram efeitos colaterais indesejados.
No entanto, é importante reconhecer as limitações significativas desta revisão e dos estudos analisados. A maioria dos estudos incluídos eram retrospectivos, com tamanhos de amostra relativamente pequenos, variando de 7 a 174 pacientes. Houve considerável variação nos métodos de acupuntura utilizados, pontos de aplicação e protocolos de tratamento, tornando difícil estabelecer diretrizes padronizadas. Além disso, nem todos os estudos tinham grupos controle adequados, e os métodos para avaliar a eficácia variaram entre os estudos.
Uma limitação particularmente importante é a falta de dados sobre a eficácia a longo prazo da acupuntura, já que a maioria dos estudos não acompanhou os pacientes por períodos prolongados após o tratamento. Alguns estudos também incluíram pacientes com diferentes tipos de dor crônica, não apenas dores de cabeça, sem diferenciar os resultados.
Em conclusão, embora os estudos disponíveis mostrem resultados encorajadores para o uso da acupuntura no tratamento de dores de cabeça em crianças e adolescentes, são necessárias pesquisas adicionais com metodologia mais rigorosa. Futuros estudos devem incluir amostras maiores, protocolos padronizados, grupos controle adequados e acompanhamento a longo prazo para estabelecer melhor a eficácia, segurança e durabilidade dos efeitos da acupuntura. Apesar das limitações, a evidência atual sugere que a acupuntura é uma opção de tratamento segura e promissora que merece consideração no manejo de dores de cabeça pediátricas, especialmente em um contexto de medicina integrativa que combine abordagens convencionais e complementares.
Pontos Fortes
- 1Tratamento não farmacológico
- 2Bem tolerado por crianças
- 3Sem efeitos colaterais graves
- 4Redução significativa da dor
Limitações
- 1Poucos estudos controlados
- 2Protocolos não padronizados
- 3Amostras pequenas
- 4Falta de dados de longo prazo
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
Cefaleia crônica pediátrica é um problema clínico que desafia qualquer serviço de dor ou neurologia infantil. A prevalência de até 58% em menores de 20 anos, combinada com a tendência de cronificação e refratariedade ao arsenal farmacológico convencional, cria uma demanda real por alternativas não medicamentosas. Esta revisão de Bonemazzi et al. consolida o corpo de evidências sobre acupuntura em 455 pacientes pediátricos e aponta para um cenário terapêutico que merece atenção. O perfil da população estudada — predominantemente feminino, com diagnóstico de enxaqueca ou cefaleia tensional crônica e histórico de dor de um a nove anos — é exatamente o que chega aos ambulatórios de reabilitação e dor. A acupuntura se posiciona aqui não como substituta da farmacoterapia, mas como componente de um protocolo multimodal, especialmente quando há intolerância medicamentosa, falha de profilaxia oral ou necessidade de reduzir hospitalizações e acessos venosos recorrentes.
▸ Achados Notáveis
O dado mais expressivo da revisão é a taxa de resolução completa de enxaqueca de 63,7% com acupuntura auricular em estudo controlado — um desfecho que poucos fármacos profiláticos pediátricos conseguem emplacar de forma consistente. Igualmente relevante é a redução da frequência de crises de 9,3 para 1,4 episódios mensais, com queda de 8,7 para 3,3 pontos na escala de intensidade, representando uma transformação funcional concreta na vida desses pacientes. O achado sobre efeitos além da analgesia — melhora de sono, apetite e redução de ansiedade — dialoga diretamente com o que a neurociência moderna descreve sobre a modulação do eixo hipotálamo-hipofisário e do sistema nervoso autônomo pelo estímulo acupuntural. A acupuntura a laser apresentou superioridade sobre placebo na redução de dias de dor, o que tem implicação prática clara para pacientes com aversão a agulhas, grupo não desprezível na faixa etária pediátrica. A experiência positiva reportada por 67% dos pacientes e 60% dos pais também é um desfecho clínico: adesão terapêutica em crônico é metade do tratamento.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no ambulatório de dor crônica, crianças e adolescentes com cefaleia refratária chegam frequentemente já com dois ou três profiláticos testados sem sucesso. Tenho observado que a acupuntura entra bem nesse fluxo como segunda ou terceira linha, em associação com manejo comportamental e, quando indicado, ajuste da farmacoterapia. A resposta costuma aparecer entre a terceira e a quinta sessão — percebida primeiro como redução da intensidade das crises, depois da frequência. Um protocolo de oito a dez sessões semanais cobre bem a fase aguda; após isso, passamos para manutenção mensal ou bimensal a depender da estabilização. O perfil que melhor responde, na minha experiência, é o adolescente com enxaqueca episódica de alta frequência, componente ansioso associado e sono fragmentado — exatamente o padrão descrito nesta revisão. Para os casos com aversão severa a agulhas, a acupuntura a laser é uma entrada viável que preserva o vínculo terapêutico e permite evolução posterior para agulhamento convencional. Não indicamos como monoterapia em crises de enxaqueca instalada nem em quadros com componente orgânico não excluído.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Children · 2023
DOI: 10.3390/children10101626
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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