Does Acupuncture Hurt? A Retrospective Study on Pain and Satisfaction during Pediatric Acupuncture

Gold et al. · Children · 2023

📊Estudo Retrospectivo de Coorte👥n=230 pacientesAlto Impacto Clínico

Nível de Evidência

MODERADA
72/ 100
Qualidade
3/5
Amostra
4/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

Avaliar se a acupuntura causa dor durante o agulhamento e medir a satisfação dos pacientes pediátricos

👥

QUEM

230 pacientes pediátricos de 8 a 21 anos com dor crônica

⏱️

DURAÇÃO

5 anos de coleta (2009-2013), 1 a 71 sessões por paciente

📍

PONTOS

Estilo Kiiko Matsumoto com pontos individualizados baseados em reflexos ativos

🔬 Desenho do Estudo

230participantes
randomização

1 sessão

n=66

Acupuntura estilo Kiiko Matsumoto

2-3 sessões

n=69

Acupuntura estilo Kiiko Matsumoto

4-6 sessões

n=42

Acupuntura estilo Kiiko Matsumoto

7+ sessões

n=53

Acupuntura estilo Kiiko Matsumoto

⏱️ Duração: Mediana de 3 sessões por paciente

📊 Resultados em Números

1,3/10

Dor durante agulhamento

57,7%

Pacientes sem dor

8,4/10

Satisfação geral

8,2/10

Relaxamento

7,7/10

Redução da ansiedade

Destaques Percentuais

57,7%
Pacientes sem dor

📊 Comparação de Resultados

Satisfação Geral por Número de Sessões

1 sessão
8.04
2-3 sessões
8.22
4-6 sessões
9.04
7+ sessões
9.37

Dor do Agulhamento por Número de Sessões

1 sessão
1.33
2-3 sessões
1.55
4-6 sessões
1.41
7+ sessões
1.24
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que a acupuntura praticamente não dói em crianças e adolescentes - mais da metade dos pacientes não sentiram dor alguma durante o tratamento. Os jovens ficaram muito satisfeitos com a acupuntura e se sentiram mais relaxados e menos ansiosos. Quanto mais sessões fizeram, mais satisfeitos ficaram, mas a dor continuou mínima.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

A Acupuntura Dói? Estudo Retrospectivo sobre Dor e Satisfação durante Acupuntura Pediátrica

A dor é uma das principais preocupações que afastam crianças e adolescentes da acupuntura, mesmo quando essa terapia poderia oferecer benefícios significativos para o tratamento de condições dolorosas crônicas. Muitos pais, pacientes e até mesmo profissionais de saúde evitam considerar a acupuntura pediátrica devido ao receio de que as agulhas causem desconforto adicional às crianças que já sofrem com dor. Embora existam estudos comprovando a segurança e eficácia da acupuntura em crianças para diversos tipos de dor, incluindo dor crônica, enxaquecas e dor relacionada à anemia falciforme, poucos trabalhos investigaram especificamente o quanto a aplicação das agulhas realmente incomoda os jovens pacientes durante o procedimento.

Este estudo teve como objetivo principal investigar a experiência real de crianças e adolescentes durante sessões de acupuntura, com foco especial na dor causada pela inserção das agulhas, além de avaliar os níveis de satisfação, relaxamento e redução da ansiedade. Os pesquisadores também quiseram entender se o número de sessões de acupuntura influenciava essas percepções ao longo do tempo. Para isso, analisaram retrospectivamente os dados de 230 pacientes únicos (com idades entre 8 e 21 anos) que participaram de um total de 1.380 sessões de acupuntura em uma clínica de dor pediátrica entre 2009 e 2013. Todos os pacientes foram tratados com o estilo Kiiko Matsumoto de acupuntura japonesa, conhecido por ser uma técnica mais suave que utiliza agulhas muito finas inseridas superficialmente.

Após cada sessão, os pacientes preenchiam questionários padronizados avaliando a dor da aplicação das agulhas através da Escala de Faces de Dor Revisada, além de questões sobre satisfação geral, relaxamento e redução da ansiedade em escalas de 1 a 10 pontos.

Os resultados foram surpreendentemente positivos e tranquilizadores. A dor média relacionada à inserção das agulhas foi de apenas 1,3 em uma escala de 0 a 10, sendo que 57,7% dos pacientes relataram não sentir absolutamente nenhuma dor durante sua primeira sessão de acupuntura. Outros 28% reportaram apenas dor leve (pontuação 2 de 10). Isso significa que aproximadamente 87% dos jovens pacientes experimentaram dor mínima ou nenhuma dor durante o procedimento.

Além disso, os pacientes demonstraram alta satisfação com o tratamento, com pontuação média de 8,4 de 10, sentiram-se relaxados (média de 8,2 de 10) e experimentaram redução significativa da ansiedade (média de 7,7 de 10). Cerca de 68% dos pacientes relataram que a acupuntura ajudou a diminuir sua dor existente, enquanto apenas 3,1% reportaram não ter havido redução da dor.

Para pacientes e profissionais de saúde, estes achados têm implicações práticas muito importantes. Primeiro, eles desmentem o mito de que a acupuntura é dolorosa para crianças, fornecendo evidências concretas de que a grande maioria dos jovens pacientes não sente dor significativa durante o tratamento. Isso pode encorajar mais famílias a considerar a acupuntura como parte de um plano de tratamento integrado para dor crônica pediátrica. O estudo também revelou que pacientes que realizaram mais sessões (quatro ou mais) relataram níveis ainda maiores de satisfação, relaxamento e redução da ansiedade, sugerindo que os benefícios da acupuntura podem aumentar com o tempo.

Importante notar que a dor relacionada às agulhas permaneceu consistentemente baixa, independentemente do número de sessões, e apenas um evento adverso leve foi registrado em todo o período do estudo. Para profissionais de saúde, estes dados oferecem confiança para recomendar acupuntura como uma opção terapêutica segura e bem tolerada, especialmente considerando a crescente necessidade de alternativas não farmacológicas para o manejo da dor em crianças.

O estudo apresenta algumas limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. Por se tratar de uma análise retrospectiva de dados clínicos, existe a possibilidade de viés de seleção, já que pacientes insatisfeitos com as primeiras sessões provavelmente não retornariam para tratamentos adicionais. Além disso, os resultados se aplicam especificamente ao estilo Kiiko Matsumoto de acupuntura japonesa, que utiliza técnicas mais suaves, e podem não se generalizar para todos os tipos de acupuntura. O estudo também incluiu apenas crianças a partir de 8 anos de idade, pois esta é a idade mínima para auto-relato confiável da dor.

Apesar dessas limitações, os achados são consistentes e baseados em uma amostra grande e diversificada de pacientes com diferentes tipos de dor crônica. Os pesquisadores sugerem que estudos futuros incluam ensaios clínicos randomizados com grupos controle e comparações com outras terapias integrativas. Em conclusão, este estudo fornece evidências robustas de que a acupuntura pediátrica é uma intervenção bem tolerada, praticamente indolor e altamente satisfatória para crianças e adolescentes, podendo ser uma ferramenta valiosa no manejo multidisciplinar da dor crônica pediátrica.

Pontos Fortes

  • 1Grande amostra de 230 pacientes pediátricos
  • 2Múltiplas sessões analisadas (1.380 no total)
  • 3Uso de escalas validadas para dor
  • 4População diversa etnicamente
  • 5Técnica suave de acupuntura japonesa
⚠️

Limitações

  • 1Estudo retrospectivo sem grupo controle
  • 2Possível viés de seleção - pacientes insatisfeitos podem ter abandonado
  • 3Apenas uma técnica de acupuntura testada
  • 4Limitado a crianças acima de 8 anos
  • 5Ausência de dados de dor basal

📅 Contexto Histórico

2000Kemper et al. - primeiro estudo sobre experiência pediátrica com acupuntura
2009Início do programa de acupuntura pediátrica no hospital
2011Adams et al. - revisão sistemática sobre segurança em acupuntura pediátrica
2015Yang et al. - overview de revisões sobre eficácia e segurança
2023Gold et al. - maior estudo sobre dor do agulhamento em pediatria
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

A barreira do medo da agulha é, na prática, o principal obstáculo para indicar acupuntura em pacientes pediátricos com dor crônica. Esses dados de Gold et al. oferecem ao médico um argumento objetivo e concreto para a conversa com pais e pacientes: dor média de 1,3/10 e ausência completa de dor em mais de metade das primeiras sessões são números que mudam a dinâmica do consultório. Populações que se beneficiam diretamente incluem adolescentes com cefaleia crônica, dor musculoesquelética funcional e síndrome de dor regional complexa — perfis frequentes em ambulatórios de dor pediátrica onde as alternativas farmacológicas são limitadas pela toxicidade e pelos efeitos colaterais. A integração com programas multidisciplinares de dor crônica pediátrica é a aplicação mais imediata: a acupuntura passa a ser oferecida como componente não farmacológico sem o ônus de acrescentar sofrimento a pacientes já vulneráveis.

Achados Notáveis

O dado mais robusto do estudo é a consistência da baixa dor ao longo de 1.380 sessões analisadas — não apenas na primeira experiência, mas de forma sustentada independentemente do número de sessões realizadas. Isso sugere que não há fenômeno de sensibilização procedimental, o que seria biologicamente plausível em crianças com dor crônica central. O segundo achado que merece atenção é a trajetória ascendente da satisfação, do relaxamento e da redução da ansiedade conforme o paciente acumula mais sessões: quem completou quatro ou mais sessões apresentou escores progressivamente maiores nesses domínios. Esse padrão aponta para um componente de condicionamento positivo — a familiaridade com o procedimento amplifica a resposta autonômica de relaxamento. A pontuação de 8,4/10 em satisfação geral, em uma população pediátrica com dor crônica habitualmente refratária, é clinicamente expressiva e não deve ser subestimada.

Da Minha Experiência

Na minha prática com pacientes pediátricos no Centro de Dor do HC-FMUSP, o ritual de apresentação das agulhas antecede sempre o tratamento propriamente dito — mostramos o instrumento, explicamos a diferença para agulhas de coleta de sangue, e frequentemente realizamos uma inserção demonstrativa no próprio acompanhante. Essa preparação, associada a uma técnica de inserção suave como a de Matsumoto, praticamente elimina o comportamento de fuga já na segunda sessão. Costumo observar resposta analgésica inicial em três a quatro sessões nos adolescentes com cefaleia tensional crônica, e o ganho em relaxamento e regulação do humor costuma aparecer antes mesmo da melhora da dor, o que por si só já sustenta a adesão. Para manutenção, trabalho geralmente com ciclos de oito a dez sessões seguidos de espaçamento progressivo. Não indico acupuntura isolada quando há componente de alarme não investigado ou quadro depressivo maior não tratado — nesses casos, o tratamento psiquiátrico precede ou é simultâneo. O perfil que responde melhor, em minha experiência, é o adolescente com dor funcional, alto grau de ansiedade somática e disposição para engajamento ativo no tratamento.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

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Children · 2023

DOI: 10.3390/children10111774

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Páginas de patologia e artigos clínicos que citam está evidência como base das suas recomendações.

Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.