Clinical effect of auricular acupuncture in anxiety levels of students prior to the exams: A randomized controlled trial
Vieira et al. · European Journal of Integrative Medicine · 2018
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Avaliar o efeito da auriculoterapia nos níveis de ansiedade de estudantes universitários antes dos exames
QUEM
69 estudantes universitários (49 mulheres, 20 homens) sem experiência prévia com acupuntura
DURAÇÃO
Agulhas mantidas por 48 horas, avaliações até 48h após aplicação
PONTOS
Diazepam, parênquima pulmonar, ansiedade, psicossomático e alegria
🔬 Desenho do Estudo
Experimental
n=25
Auriculoterapia com agulhas semipermanentes nos pontos específicos
Placebo
n=22
Auriculoterapia em pontos sem efeito para ansiedade
Controle
n=22
Sem tratamento
📊 Resultados em Números
Redução na escala STAI-Y1
Redução na escala VAS de ansiedade
Melhora na avaliação SN-TCM
Estudantes com ansiedade moderada a severa
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Redução nos níveis de ansiedade (STAI-Y1)
Este estudo mostrou que a auriculoterapia pode ajudar significativamente a reduzir a ansiedade de estudantes antes dos exames. O tratamento foi aplicado com pequenas agulhas na orelha que ficaram por 48 horas, sendo seguro e eficaz para diminuir os sintomas de ansiedade.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Efeito Clínico da Acupuntura Auricular nos Níveis de Ansiedade de Estudantes antes de Provas: Ensaio Clínico Randomizado Controlado
A ansiedade é um problema muito comum entre estudantes universitários, especialmente durante os períodos de provas e exames. Esta condição não se limita apenas ao desconforto emocional, mas pode afetar significativamente a saúde física dos jovens, comprometendo o sistema imunológico e causando mudanças hormonais que podem levar ao desenvolvimento de diversos problemas de saúde. Tradicionalmente, o tratamento da ansiedade na medicina ocidental baseia-se em medicamentos como benzodiazepínicos, antidepressivos e barbitúricos. No entanto, esses tratamentos nem sempre são eficazes para todos os pacientes, e aproximadamente um terço das pessoas com transtornos de ansiedade não respondem adequadamente aos medicamentos convencionais, além de enfrentarem riscos de efeitos colaterais e dependência.
Diante dessa realidade, cresce o interesse em terapias alternativas e complementares, como a acupuntura auricular, que pode oferecer uma abordagem mais segura e natural para o manejo da ansiedade.
Este estudo teve como objetivo avaliar a eficácia da acupuntura auricular (aplicada na orelha) no tratamento da ansiedade em estudantes universitários durante o período que antecede os exames. Para isso, os pesquisadores portugueses conduziram um experimento rigorosamente controlado, prospectivo, randomizado e cego, características que garantem a confiabilidade científica dos resultados. Participaram da pesquisa 69 estudantes universitários, sendo 49 mulheres e 20 homens, com idade média de aproximadamente 21 anos. Todos os participantes eram inexperientes em acupuntura, não utilizavam medicamentos psicotrópicos e não possuíam distúrbios psiquiátricos ou da tireoide conhecidos.
Os estudantes foram divididos em três grupos: um grupo experimental que recebeu acupuntura auricular verdadeira com agulhas semi-permanentes em pontos específicos relacionados ao tratamento da ansiedade, um grupo placebo que recebeu agulhas em pontos sem efeito terapêutico para ansiedade, e um grupo controle que não recebeu qualquer tratamento. O tratamento foi aplicado uma semana antes do período de exames, com as agulhas permanecendo no lugar por 48 horas.
Os resultados demonstraram claramente a eficácia da acupuntura auricular no tratamento da ansiedade estudantil. Os pesquisadores utilizaram três métodos diferentes para avaliar os níveis de ansiedade: o Inventário de Ansiedade-Estado (STAI), uma escala visual analógica para ansiedade (VAS) e uma avaliação do estado neurovegetativo baseada na análise da língua segundo os princípios da Medicina Tradicional Chinesa. Apenas o grupo que recebeu a acupuntura auricular verdadeira apresentou redução estatisticamente significativa nos níveis de ansiedade. Esta melhora foi observada em todos os três métodos de avaliação utilizados, o que reforça a validade dos achados.
Interessantemente, o estudo revelou que 15,5% dos estudantes apresentavam ansiedade de moderada a severa, e 12% mostravam algum traço de ansiedade, mesmo sendo avaliados duas semanas antes do início dos exames, demonstrando que a ansiedade acadêmica é realmente um problema prevalente entre universitários.
Para pacientes e profissionais de saúde, esses resultados representam uma importante contribuição para o arsenal terapêutico disponível no tratamento da ansiedade. A acupuntura auricular mostrou-se uma técnica segura, com poucos efeitos adversos, raras contraindicações e custo teoricamente reduzido em comparação com tratamentos farmacológicos convencionais. Esta modalidade terapêutica pode ser especialmente valiosa para estudantes que preferem evitar medicamentos ou que não responderam adequadamente aos tratamentos convencionais. Além disso, o fato de utilizar agulhas semi-permanentes que permanecem no local por até 48 horas representa uma vantagem prática, pois prolonga o efeito terapêutico sem necessidade de sessões diárias.
A técnica baseia-se no princípio de que a estimulação de pontos reflexos na orelha pode aliviar sintomas em outras partes do corpo através da ativação de respostas no sistema nervoso autônomo, incluindo os nervos vago, trigêmeo e plexo cervical.
Apesar dos resultados promissores, o estudo apresenta algumas limitações importantes que devem ser consideradas. A amostra incluiu significativamente mais mulheres do que homens, o que impediu uma análise estatística adequada das diferenças de gênero na resposta ao tratamento - um aspecto que pesquisas recentes sugerem ser relevante na eficácia da acupuntura. Outra limitação foi a não inclusão de medidas psicofisiológicas do "qi" ou "deqi" (sensação específica que ocorre durante a estimulação com acupuntura e que é considerada essencial para a eficácia clínica segundo a Medicina Tradicional Chinesa). Além disso, o estudo avaliou apenas os efeitos a curto prazo, sendo necessárias pesquisas futuras para determinar se os benefícios se mantêm por períodos mais longos.
Os pesquisadores reconhecem que seria valioso conduzir estudos adicionais com amostras maiores e mais equilibradas entre os gêneros, incluindo medidas de "deqi" e avaliações de longo prazo para consolidar ainda mais a evidência científica sobre esta promissora modalidade terapêutica complementar para o manejo da ansiedade em contextos acadêmicos.
Pontos Fortes
- 1Estudo controlado randomizado bem desenhado
- 2Uso de múltiplas escalas de avaliação da ansiedade
- 3Aplicação da medicina tradicional chinesa validada
- 4População específica e bem definida
Limitações
- 1Amostra relativamente pequena
- 2Diferença no número de homens e mulheres
- 3Seguimento de apenas 48 horas
- 4Ausência de avaliação da sensação de 'deqi'
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
A ansiedade situacional em estudantes universitários é uma demanda clínica real e subestimada nos ambulatórios de medicina integrativa. Quando um jovem chega ao consultório em período pré-provas com queixas somáticas — insônia, taquicardia, tensão muscular — e recusa ou não tolera benzodiazepínicos, a auriculoterapia entra como opção concreta e não apenas adjuvante. Este ensaio randomizado controlado com três braços documenta redução significativa da ansiedade-estado pelo STAI-Y1 e pela escala VAS em apenas 48 horas, com uma única aplicação de agulhas semipermanentes. Para o clínico, isso traduz uma janela terapêutica altamente conveniente: aplicar o procedimento uma semana antes dos exames, com o estudante retornando ao seu ambiente imediatamente. O achado de que 15,5% dos universitários já apresentavam ansiedade moderada a severa duas semanas antes dos exames reforça a necessidade de rastreamento proativo nessa população, ampliando o escopo de indicação para a técnica.
▸ Achados Notáveis
O dado mais expressivo é a convergência de três instrumentos distintos — STAI-Y1, VAS de ansiedade e avaliação neurovegetativa pela semiologia da língua segundo a Medicina Tradicional Chinesa — apontando na mesma direção exclusivamente no grupo experimental, com significâncias que variam de p=0,031 a p<0,001. Essa coerência entre uma escala psicométrica validada internacionalmente, uma medida subjetiva analógica e um parâmetro clínico da MTC é incomum e metodologicamente elegante. O grupo placebo — que recebeu agulhas em pontos sem indicação para ansiedade — não apresentou melhora significativa, o que fortalece a especificidade dos pontos utilizados e afasta parte do efeito meramente contextual. A melhora na avaliação neurovegetativa pelo exame da língua com p<0,001 sinaliza que a intervenção alcançou repercussão autonômica mensurável, conectando o efeito clínico a um substrato fisiológico plausível mediado pelo nervo vago e pelo plexo cervical.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, tenho tratado estudantes de medicina e residentes em crise de ansiedade pré-prova há muitos anos, e a auriculoterapia com agulhas semipermanentes é hoje um dos recursos que mais utilizo justamente por essa janela de 48 a 72 horas de ação continuada. Costumo observar que a resposta subjetiva começa nas primeiras horas após a aplicação — o paciente relata sensação de calma já naquela tarde. Em estudantes sem ansiedade de base estruturada, uma única sessão bem aplicada frequentemente é suficiente para o episódio agudo; naqueles com traço ansioso mais consolidado, prefiro três a quatro sessões semanais e associo técnicas de regulação autonômica como respiração diafragmática orientada. O perfil que responde melhor, em minha experiência, é o jovem sem uso prévio de psicotrópicos, com ansiedade reativa e claramente situacional. Quando há comorbidade depressiva ou transtorno de ansiedade generalizada estabelecido, a auriculoterapia permanece útil, mas como suporte ao tratamento farmacológico e psicoterápico, nunca como substituta.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
European Journal of Integrative Medicine · 2018
DOI: 10.1016/j.eujim.2018.05.012
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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