Efficacy of cupping therapy on pain outcomes: an evidence-mapping study
Wang et al. · Frontiers in Neurology · 2023
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Mapear a evidência disponível sobre a eficácia da ventosaterapia no tratamento de condições relacionadas à dor
QUEM
Pacientes com dores crônicas, lombalgia, cervicalgia, osteoartrite de joelho e herpes zoster
DURAÇÃO
Análise de estudos publicados até abril de 2023
PONTOS
Ventosas aplicadas em pontos específicos ou regiões da pele conforme cada condição
🔬 Desenho do Estudo
Ventosaterapia
n=6294
Ventosa seca, úmida ou móvel
Controles
n=6294
Cuidado padrão, medicação ou lista de espera
📊 Resultados em Números
Evidência de qualidade moderada
Evidência de baixa qualidade
Evidência de qualidade muito baixa
Meta-análises de alta qualidade metodológica
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Qualidade da evidência (GRADE)
Qualidade metodológica (AMSTAR-2)
Este estudo analisou toda a pesquisa científica disponível sobre ventosaterapia para dor e encontrou evidências promissoras, especialmente para dores no pescoço, lombar e osteoartrite de joelho. Embora a qualidade das evidências ainda precise melhorar, os resultados sugerem que a ventosaterapia pode ser uma opção segura e eficaz para o alívio da dor.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Este estudo de mapeamento de evidências representa uma análise abrangente e sistemática da eficácia da ventosaterapia no tratamento de condições relacionadas à dor. Os pesquisadores conduziram uma revisão de 14 meta-análises que incluíram estudos sobre cinco tipos distintos de condições dolorosas, abrangendo um total de 12.588 participantes. A ventosaterapia, uma técnica milenar de cura que envolve a aplicação de ventosas na pele para criar pressão negativa, tem ganhado reconhecimento crescente como terapia complementar no manejo da dor crônica. O objetivo principal foi fornecer um panorama completo da evidência científica disponível sobre esta modalidade terapêutica, avaliando tanto sua eficácia quanto a qualidade dos estudos que a suportam.
A metodologia empregada seguiu padrões rigorosos de revisão sistemática, com busca em quatro principais bases de dados médicas: PubMed, Cochrane Library, Embase e Web of Science. Os critérios de inclusão focaram especificamente em meta-análises que investigaram a relação entre ventosaterapia e desfechos relacionados à dor, publicadas até abril de 2023. A qualidade metodológica das meta-análises incluídas foi avaliada utilizando a ferramenta AMSTAR-2, enquanto a qualidade da evidência foi classificada através do sistema GRADE. Os resultados revelaram um cenário complexo quanto à qualidade da evidência disponível.
Das 14 meta-análises analisadas, apenas uma foi classificada como de alta qualidade metodológica (7%) e uma como qualidade moderada (7%), enquanto cinco foram consideradas de qualidade criticamente baixa (36%) e sete de baixa qualidade (50%). Em termos de qualidade da evidência pelo sistema GRADE, nenhum estudo apresentou evidência de alta qualidade. No entanto, foram identificadas 8 evidências de qualidade moderada, 6 de baixa qualidade e 7 de qualidade muito baixa, totalizando 21 desfechos analisados. As condições que mostraram evidências mais robustas incluem cervicalgia, com duas evidências de qualidade moderada, quatro de baixa qualidade e duas de qualidade muito baixa.
Para lombalgia, foram encontradas duas evidências de qualidade moderada, uma de baixa qualidade e quatro de qualidade muito baixa. A osteoartrite de joelho apresentou três evidências de qualidade moderada, demonstrando ser a condição com melhor suporte científico para o uso da ventosaterapia. O mapeamento de evidências também revelou que a ventosaterapia mostrou eficácia no tratamento de dor crônica geral, com uma evidência de qualidade moderada, enquanto para dor lombar crônica e herpes zoster, apenas evidências de baixa e muito baixa qualidade, respectivamente, foram encontradas. Os mecanismos propostos para explicar os efeitos da ventosaterapia incluem teorias neurológicas, hematológicas e imunológicas.
Do ponto de vista neurológico, sugere-se que a ventosaterapia induz relaxamento sistêmico e aumenta a produção de opioides endógenos no cérebro, melhorando o controle da dor. A técnica também pode elevar os limiares de dor por pressão e regular a expressão de proteínas de choque térmico e β-endorfinas. Hematologicamente, a ventosaterapia pode aumentar o volume sanguíneo e a oxigenação tecidual no local tratado, além de afetar a dinâmica do fluxo sanguíneo e a disposição vascular dérmica. O aspecto imunológico envolve a regulação da imunomodulação local, onde a estimulação da superfície cutânea transforma sinais físicos em biológicos, ativando o sistema neuroendócrino-imune.
As implicações clínicas destes achados são significativas. Embora não tenha sido encontrada evidência de alta qualidade, as evidências de qualidade moderada sugerem que a ventosaterapia pode ser considerada uma opção terapêutica válida para o manejo de certas condições dolorosas, particularmente quando integrada a abordagens de tratamento multimodal. A segurança da técnica, com baixos índices de eventos adversos relatados, adiciona valor à sua aplicabilidade clínica. No entanto, o estudo também identificou limitações importantes.
A qualidade metodológica geral das meta-análises incluídas foi considerada baixa, principalmente devido à ausência de registro de protocolos, informações inadequadas sobre financiamento dos estudos originais e explicação insuficiente do risco de viés na discussão dos resultados. Além disso, a restrição a literatura em inglês pode ter resultado na exclusão de estudos relevantes, e o foco apenas em desfechos relacionados à dor pode ter negligenciado outros benefícios potenciais da ventosaterapia. O estudo conclui que, apesar das limitações na qualidade da evidência, a ventosaterapia representa uma modalidade terapêutica promissora, segura e eficaz para o manejo não farmacológico da dor. Os autores enfatizam a necessidade de pesquisas futuras de maior qualidade para validar e fortalecer as evidências atuais, bem como para elucidar melhor os mecanismos de ação da ventosaterapia.
Pontos Fortes
- 1Primeira revisão abrangente de mapeamento de evidências para ventosaterapia em dor
- 2Metodologia rigorosa com avaliação AMSTAR-2 e GRADE
- 3Ampla busca em múltiplas bases de dados
- 4Análise visual através de gráficos de bolhas facilitando interpretação
Limitações
- 1Qualidade metodológica baixa da maioria das meta-análises incluídas
- 2Ausência de evidências de alta qualidade
- 3Restrição à literatura em inglês
- 4Foco apenas em desfechos de dor, excluindo outros benefícios potenciais
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
A ventosaterapia ocupa posição cada vez mais sólida no arsenal terapêutico multimodal para dor musculoesquelética, e este mapeamento de evidências com 12.588 participantes consolida o panorama atual com rigor metodológico que vai além das revisões tradicionais. Para o clínico que maneja cervicalgia, lombalgia e osteoartrite de joelho, os achados são diretamente aplicáveis: a osteoartrite de joelho reuniu três desfechos de qualidade moderada, tornando-se a condição com base científica mais robusta para a indicação. A cervicalgia e a lombalgia também acumulam evidências de qualidade moderada suficientes para embasar decisões terapêuticas informadas. A classificação GRADE dos 21 desfechos analisados permite ao médico comunicar com transparência o grau de incerteza ao paciente, o que é clinicamente valioso no processo de consentimento e adesão ao plano terapêutico.
▸ Achados Notáveis
O aspecto mais relevante deste mapeamento não é a confirmação de eficácia em si, mas a hierarquização clínica das condições. A osteoartrite de joelho emergiu como o alvo mais bem documentado, com três evidências GRADE moderadas, superando lombalgia e cervicalgia neste quesito específico — dado contra-intuitivo para quem associa ventosaterapia primordialmente a síndromes lombares. Outro ponto que merece atenção é a plausibilidade dos mecanismos propostos: a indução de opioides endógenos, a elevação do limiar doloroso por pressão e a modulação neuroendócrino-imune pela estimulação cutânea criam uma narrativa mecanicista coerente com o que já se conhece sobre modulação descendente da dor. O baixo perfil de eventos adversos documentado nas meta-análises reforça a aplicabilidade segura da técnica, especialmente em populações que não toleram farmacoterapia prolongada, como idosos polimedicados.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, a ventosaterapia — sobretudo a ventosa deslizante — integra protocolos de forma rotineira em lombalgia crônica e cervicalgia tensional, frequentemente combinada com acupuntura sistêmica e, quando indicado, com programa de reabilitação física supervisionada. Tenho observado resposta clínica percebida pelo paciente já nas primeiras duas a três sessões, especialmente na modulação da rigidez matinal e da intensidade dolorosa imediata. O achado sobre osteoartrite de joelho dialoga bem com o que observamos empiricamente: pacientes com gonartrose moderada que não toleram anti-inflamatórios orais respondem de forma consistente à ventosa associada à eletroestimulação em pontos locais. Costumo planejar ciclos de seis a oito sessões com reavaliação formal, reservando a manutenção quinzenal para casos crônicos. Não indico ventosaterapia úmida em pacientes anticoagulados ou com fragilidade cutânea significativa. O perfil de melhor resposta, na minha experiência, é o do paciente com componente miofascial predominante e sem irradiação neuropática importante.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Frontiers in Neurology · 2023
DOI: 10.3389/fneur.2023.1266712
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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