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Efficacy of cupping therapy on pain outcomes: an evidence-mapping study

Wang et al. · Frontiers in Neurology · 2023

🗺️Estudo de Mapeamento de Evidências📊14 meta-análises incluídas⚖️Evidência moderada disponível

Nível de Evidência

MODERADA
65/ 100
Qualidade
3/5
Amostra
4/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Mapear a evidência disponível sobre a eficácia da ventosaterapia no tratamento de condições relacionadas à dor

👥

QUEM

Pacientes com dores crônicas, lombalgia, cervicalgia, osteoartrite de joelho e herpes zoster

⏱️

DURAÇÃO

Análise de estudos publicados até abril de 2023

📍

PONTOS

Ventosas aplicadas em pontos específicos ou regiões da pele conforme cada condição

🔬 Desenho do Estudo

12588participantes
randomização

Ventosaterapia

n=6294

Ventosa seca, úmida ou móvel

Controles

n=6294

Cuidado padrão, medicação ou lista de espera

⏱️ Duração: Revisão sistemática de evidências acumuladas

📊 Resultados em Números

8 resultados

Evidência de qualidade moderada

6 resultados

Evidência de baixa qualidade

7 resultados

Evidência de qualidade muito baixa

0%

Meta-análises de alta qualidade metodológica

Destaques Percentuais

7%
Meta-análises de alta qualidade metodológica

📊 Comparação de Resultados

Qualidade da evidência (GRADE)

Moderada
8
Baixa
6
Muito baixa
7

Qualidade metodológica (AMSTAR-2)

Alta
1
Moderada
1
Baixa
7
Criticamente baixa
5
💬 O que isso significa para você?

Este estudo analisou toda a pesquisa científica disponível sobre ventosaterapia para dor e encontrou evidências promissoras, especialmente para dores no pescoço, lombar e osteoartrite de joelho. Embora a qualidade das evidências ainda precise melhorar, os resultados sugerem que a ventosaterapia pode ser uma opção segura e eficaz para o alívio da dor.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este estudo de mapeamento de evidências representa uma análise abrangente e sistemática da eficácia da ventosaterapia no tratamento de condições relacionadas à dor. Os pesquisadores conduziram uma revisão de 14 meta-análises que incluíram estudos sobre cinco tipos distintos de condições dolorosas, abrangendo um total de 12.588 participantes. A ventosaterapia, uma técnica milenar de cura que envolve a aplicação de ventosas na pele para criar pressão negativa, tem ganhado reconhecimento crescente como terapia complementar no manejo da dor crônica. O objetivo principal foi fornecer um panorama completo da evidência científica disponível sobre esta modalidade terapêutica, avaliando tanto sua eficácia quanto a qualidade dos estudos que a suportam.

A metodologia empregada seguiu padrões rigorosos de revisão sistemática, com busca em quatro principais bases de dados médicas: PubMed, Cochrane Library, Embase e Web of Science. Os critérios de inclusão focaram especificamente em meta-análises que investigaram a relação entre ventosaterapia e desfechos relacionados à dor, publicadas até abril de 2023. A qualidade metodológica das meta-análises incluídas foi avaliada utilizando a ferramenta AMSTAR-2, enquanto a qualidade da evidência foi classificada através do sistema GRADE. Os resultados revelaram um cenário complexo quanto à qualidade da evidência disponível.

Das 14 meta-análises analisadas, apenas uma foi classificada como de alta qualidade metodológica (7%) e uma como qualidade moderada (7%), enquanto cinco foram consideradas de qualidade criticamente baixa (36%) e sete de baixa qualidade (50%). Em termos de qualidade da evidência pelo sistema GRADE, nenhum estudo apresentou evidência de alta qualidade. No entanto, foram identificadas 8 evidências de qualidade moderada, 6 de baixa qualidade e 7 de qualidade muito baixa, totalizando 21 desfechos analisados. As condições que mostraram evidências mais robustas incluem cervicalgia, com duas evidências de qualidade moderada, quatro de baixa qualidade e duas de qualidade muito baixa.

Para lombalgia, foram encontradas duas evidências de qualidade moderada, uma de baixa qualidade e quatro de qualidade muito baixa. A osteoartrite de joelho apresentou três evidências de qualidade moderada, demonstrando ser a condição com melhor suporte científico para o uso da ventosaterapia. O mapeamento de evidências também revelou que a ventosaterapia mostrou eficácia no tratamento de dor crônica geral, com uma evidência de qualidade moderada, enquanto para dor lombar crônica e herpes zoster, apenas evidências de baixa e muito baixa qualidade, respectivamente, foram encontradas. Os mecanismos propostos para explicar os efeitos da ventosaterapia incluem teorias neurológicas, hematológicas e imunológicas.

Do ponto de vista neurológico, sugere-se que a ventosaterapia induz relaxamento sistêmico e aumenta a produção de opioides endógenos no cérebro, melhorando o controle da dor. A técnica também pode elevar os limiares de dor por pressão e regular a expressão de proteínas de choque térmico e β-endorfinas. Hematologicamente, a ventosaterapia pode aumentar o volume sanguíneo e a oxigenação tecidual no local tratado, além de afetar a dinâmica do fluxo sanguíneo e a disposição vascular dérmica. O aspecto imunológico envolve a regulação da imunomodulação local, onde a estimulação da superfície cutânea transforma sinais físicos em biológicos, ativando o sistema neuroendócrino-imune.

As implicações clínicas destes achados são significativas. Embora não tenha sido encontrada evidência de alta qualidade, as evidências de qualidade moderada sugerem que a ventosaterapia pode ser considerada uma opção terapêutica válida para o manejo de certas condições dolorosas, particularmente quando integrada a abordagens de tratamento multimodal. A segurança da técnica, com baixos índices de eventos adversos relatados, adiciona valor à sua aplicabilidade clínica. No entanto, o estudo também identificou limitações importantes.

A qualidade metodológica geral das meta-análises incluídas foi considerada baixa, principalmente devido à ausência de registro de protocolos, informações inadequadas sobre financiamento dos estudos originais e explicação insuficiente do risco de viés na discussão dos resultados. Além disso, a restrição a literatura em inglês pode ter resultado na exclusão de estudos relevantes, e o foco apenas em desfechos relacionados à dor pode ter negligenciado outros benefícios potenciais da ventosaterapia. O estudo conclui que, apesar das limitações na qualidade da evidência, a ventosaterapia representa uma modalidade terapêutica promissora, segura e eficaz para o manejo não farmacológico da dor. Os autores enfatizam a necessidade de pesquisas futuras de maior qualidade para validar e fortalecer as evidências atuais, bem como para elucidar melhor os mecanismos de ação da ventosaterapia.

Pontos Fortes

  • 1Primeira revisão abrangente de mapeamento de evidências para ventosaterapia em dor
  • 2Metodologia rigorosa com avaliação AMSTAR-2 e GRADE
  • 3Ampla busca em múltiplas bases de dados
  • 4Análise visual através de gráficos de bolhas facilitando interpretação
⚠️

Limitações

  • 1Qualidade metodológica baixa da maioria das meta-análises incluídas
  • 2Ausência de evidências de alta qualidade
  • 3Restrição à literatura em inglês
  • 4Foco apenas em desfechos de dor, excluindo outros benefícios potenciais

📅 Contexto Histórico

2010Primeiros estudos sistemáticos sobre ventosaterapia para herpes zoster
2015Expansão da pesquisa para dor cervical e lombar
2018Consolidação de evidências para osteoartrite de joelho
2020Desenvolvimento de diretrizes para dor musculoesquelética
2023Publicação do primeiro mapeamento abrangente de evidências
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

A ventosaterapia ocupa posição cada vez mais sólida no arsenal terapêutico multimodal para dor musculoesquelética, e este mapeamento de evidências com 12.588 participantes consolida o panorama atual com rigor metodológico que vai além das revisões tradicionais. Para o clínico que maneja cervicalgia, lombalgia e osteoartrite de joelho, os achados são diretamente aplicáveis: a osteoartrite de joelho reuniu três desfechos de qualidade moderada, tornando-se a condição com base científica mais robusta para a indicação. A cervicalgia e a lombalgia também acumulam evidências de qualidade moderada suficientes para embasar decisões terapêuticas informadas. A classificação GRADE dos 21 desfechos analisados permite ao médico comunicar com transparência o grau de incerteza ao paciente, o que é clinicamente valioso no processo de consentimento e adesão ao plano terapêutico.

Achados Notáveis

O aspecto mais relevante deste mapeamento não é a confirmação de eficácia em si, mas a hierarquização clínica das condições. A osteoartrite de joelho emergiu como o alvo mais bem documentado, com três evidências GRADE moderadas, superando lombalgia e cervicalgia neste quesito específico — dado contra-intuitivo para quem associa ventosaterapia primordialmente a síndromes lombares. Outro ponto que merece atenção é a plausibilidade dos mecanismos propostos: a indução de opioides endógenos, a elevação do limiar doloroso por pressão e a modulação neuroendócrino-imune pela estimulação cutânea criam uma narrativa mecanicista coerente com o que já se conhece sobre modulação descendente da dor. O baixo perfil de eventos adversos documentado nas meta-análises reforça a aplicabilidade segura da técnica, especialmente em populações que não toleram farmacoterapia prolongada, como idosos polimedicados.

Da Minha Experiência

Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, a ventosaterapia — sobretudo a ventosa deslizante — integra protocolos de forma rotineira em lombalgia crônica e cervicalgia tensional, frequentemente combinada com acupuntura sistêmica e, quando indicado, com programa de reabilitação física supervisionada. Tenho observado resposta clínica percebida pelo paciente já nas primeiras duas a três sessões, especialmente na modulação da rigidez matinal e da intensidade dolorosa imediata. O achado sobre osteoartrite de joelho dialoga bem com o que observamos empiricamente: pacientes com gonartrose moderada que não toleram anti-inflamatórios orais respondem de forma consistente à ventosa associada à eletroestimulação em pontos locais. Costumo planejar ciclos de seis a oito sessões com reavaliação formal, reservando a manutenção quinzenal para casos crônicos. Não indico ventosaterapia úmida em pacientes anticoagulados ou com fragilidade cutânea significativa. O perfil de melhor resposta, na minha experiência, é o do paciente com componente miofascial predominante e sem irradiação neuropática importante.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Frontiers in Neurology · 2023

DOI: 10.3389/fneur.2023.1266712

Acessar Artigo Original

Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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