Acupuncture for chronic urticaria: a systematic review and meta-analysis with trial sequential analysis
Wu et al. · Frontiers in Neurology · 2026
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Avaliar a eficácia e segurança da acupuntura no tratamento da urticária crônica através de meta-análise e análise sequencial de ensaios
QUEM
Pacientes com urticária crônica, idades entre 18-65 anos, duração da doença de 1,5 a 250,8 meses
DURAÇÃO
Tratamentos de 2-8 semanas, com seguimentos de até 4 semanas
PONTOS
Pontos variados incluindo 'seis pontos reguladores do vento', Shendao, Jianyu e Yangxi
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura
n=915
Acupuntura manual, eletroacupuntura ou moxabustão
Controles
n=914
Medicamento ocidental, acupuntura sham ou lista de espera
📊 Resultados em Números
Redução no UAS7 vs controles
Melhoria na qualidade de vida (DLQI)
Incidência de eventos adversos
Evidência conclusiva pelo TSA
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
UAS7 (Weekly Urticaria Activity Score)
DLQI (Índice de Qualidade de Vida)
Este estudo mostrou que a acupuntura pode ser uma opção eficaz para pessoas com urticária crônica, reduzindo significativamente os sintomas como coceira e vergões na pele. Os pacientes tratados com acupuntura apresentaram melhoria na qualidade de vida comparado aos grupos controle, com poucos efeitos colaterais leves.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Acupuntura para Urticária Crônica: Revisão Sistemática e Meta-análise com Análise Sequencial de Ensaios
A urticária crônica é uma condição dermatológica caracterizada por episódios recorrentes de vergões e coceira intensa que persistem por pelo menos 6 semanas, afetando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Com prevalência global entre 0,5% a 1,0% e custos anuais que podem chegar a quase 3.000 dólares por paciente, representa um importante problema de saúde pública. Embora os anti-histamínicos de segunda geração sejam o tratamento de primeira linha, nem sempre proporcionam alívio completo dos sintomas, e opções como o omalizumabe, apesar de eficazes, têm custo elevado que limita seu uso.
Esta revisão sistemática e meta-análise investigou a eficácia da acupuntura como tratamento alternativo para urticária crônica, utilizando uma abordagem metodológica rigorosa que incluiu análise sequencial de ensaios (TSA) para validar a robustez dos resultados. Os pesquisadores conduziram busca abrangente em oito bases de dados, incluindo PubMed, Cochrane e bases chinesas, até setembro de 2025, identificando 18 estudos randomizados controlados com 1.829 pacientes.
Os participantes tinham idades entre 18-65 anos, com duração da doença variando de 1,5 a 250,8 meses. Os tratamentos com acupuntura incluíram técnicas como acupuntura manual, eletroacupuntura e moxabustão, aplicados por 2-8 semanas. Os grupos controle receberam medicamentos ocidentais (principalmente anti-histamínicos), acupuntura sham ou permaneceram em lista de espera.
Os resultados primários foram avaliados através do Weekly Urticaria Activity Score (UAS7), escala validada que mede a gravidade dos sintomas. A acupuntura demonstrou superioridade significativa, reduzindo o UAS7 em 6,22 pontos comparado aos controles. Especificamente, mostrou-se mais eficaz que acupuntura sham (-5,85 pontos) e lista de espera (-8,56 pontos), embora não tenha diferido significativamente dos medicamentos convencionais.
A qualidade de vida, medida pelo Dermatology Life Quality Index (DLQI), apresentou melhoria substancial com acupuntura em todos os grupos de comparação: -3,43 pontos versus medicamentos, -3,60 pontos versus acupuntura sham e -5,04 pontos versus lista de espera. A análise sequencial de ensaios confirmou que o tamanho amostral foi suficiente para conclusões robustas tanto para UAS7 quanto DLQI.
Regarding safety, adverse events were mild and infrequent, occurring in 2.76% of acupuncture patients, primarily consisting of minor bruising and pain at needle insertion sites. This rate was higher than sham acupuncture (2.95%) but not significantly different from Western medicine (5.12%).
As limitações incluem heterogeneidade entre estudos, possível viés de publicação identificado pelo teste de Egger, e qualidade da evidência classificada como moderada para UAS7 e baixa para DLQI pelo sistema GRADE. A maioria dos estudos foi conduzida na China, limitando a generalização para outras populações. Além disso, houve variabilidade nos protocolos de acupuntura, incluindo seleção de pontos, frequência e duração do tratamento.
As implicações clínicas sugerem que a acupuntura pode ser considerada uma intervenção terapêutica complementar promissora para urticária crônica, especialmente para pacientes que não respondem adequadamente aos tratamentos convencionais ou experienciam efeitos colaterais. A técnica demonstrou capacidade de reduzir a frequência dos episódios urticariformes e melhorar significativamente os sintomas e qualidade de vida dos pacientes.
Pontos Fortes
- 1Primeira meta-análise com análise sequencial de ensaios para urticária crônica
- 2Busca abrangente em múltiplas bases de dados incluindo literatura chinesa
- 3Avaliação rigorosa do risco de viés usando ferramenta Cochrane RoB 2.0
- 4Análise detalhada de segurança e eventos adversos
- 5Uso do sistema GRADE para classificação da qualidade da evidência
Limitações
- 1Heterogeneidade substancial entre os estudos incluídos
- 2Possível viés de publicação identificado pelo teste de Egger
- 3Qualidade da evidência classificada como moderada a baixa
- 4Variabilidade nos protocolos de acupuntura entre estudos
- 5Limitação geográfica com maioria dos estudos da China
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224
▸ Relevância Clínica
A urticária crônica coloca o clínico em um dilema familiar: anti-histamínicos de segunda geração controlam parcialmente a maioria dos pacientes, mas uma fração relevante permanece sintomática e o omalizumabe, embora eficaz, impõe custo proibitivo para a maior parte do sistema público. Nesse contexto, esta meta-análise com 1.829 pacientes oferece suporte quantitativo para posicionar a acupuntura como adjuvante real, não apenas empírico. A redução de 6,22 pontos no UAS7 frente a controles é clinicamente tangível — trata-se de uma escala com amplitude de 42 pontos, e reduções acima de 5 pontos são aceitas como meaningful change na literatura dermatológica. A melhoria concomitante de 3,92 pontos no DLQI reforça que o benefício vai além do controle sintomático pontual. Para serviços de alergia e dermatologia que já dispõem de médico acupunturista, a incorporação em casos refratários aos anti-histamínicos em dose plena representa uma opção terapêutica escalonável e de baixo risco, com perfil de eventos adversos de apenas 2,76%.
▸ Achados Notáveis
O dado que mais chama atenção não é a eficácia global, mas a análise sequencial de ensaios confirmando que o tamanho amostral acumulado já é suficiente para conclusões robustas — tanto para UAS7 quanto para DLQI. Isso distingue este trabalho de meta-análises anteriores que permanecem metodologicamente abertas. Outro ponto que merece reflexão é a comparação estratificada por grupo controle: frente à acupuntura sham, a redução no UAS7 foi de 5,85 pontos, indicando que o efeito não é integralmente atribuível a fatores inespecíficos de atenção e ritual terapêutico. A diferença entre acupuntura real e sham no DLQI também se manteve consistente nos três subgrupos de comparação. Já a não inferioridade frente aos medicamentos convencionais — sem diferença estatisticamente significativa — abre espaço para pensar acupuntura como substituta em pacientes que desenvolvem intolerância ou recusam farmacoterapia contínua, e não apenas como coadjuvante.
▸ Da Minha Experiência
Embora minha prática seja centrada em dor musculoesquelética, tenho acompanhado casos de urticária crônica encaminhados ao nosso serviço justamente por comorbidade com dor neuropática e fibromialgia, e a sobreposição imunoneuromoduladora nunca deixou de me intrigar. O que observo nesses pacientes é que a resposta à acupuntura costuma aparecer entre a terceira e a quinta sessão — redução na frequência dos episódios antes de qualquer mudança na intensidade do prurido. Geralmente trabalho com ciclos de oito a dez sessões em dias alternados, reavaliando formalmente ao final com escala de sintomas; pacientes que respondem entram em manutenção quinzenal por dois a três meses. Associo frequentemente com orientação sobre gatilhos e, quando há componente de estresse claramente envolvido na ciclicidade dos surtos, incluo técnicas de regulação autonômica. O perfil que responde melhor, na minha experiência, é o paciente com urticária de duração intermediária, sem dermografismo intenso e sem uso de corticoide sistêmico em curso — exatamente o perfil descrito nos estudos incluídos nesta meta-análise.
Artigo Original Completo
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Frontiers in Neurology · 2026
DOI: 10.3389/fneur.2025.1650418
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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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