Effect of acupuncture on menopausal depressive disorder and serum hormone levels: a systematic review and meta-analysis
He et al. · Frontiers in Psychiatry · 2025
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Avaliar a eficácia e segurança da acupuntura no tratamento da depressão da menopausa e seus efeitos nos níveis hormonais
QUEM
Mulheres de 42-60 anos com depressão menopausal diagnosticada
DURAÇÃO
4 a 12 semanas de tratamento
PONTOS
Baihui (DU20), Guanyuan (RN4), Sanyinjiao (SP6), Yintang (EX-HN3), entre outros
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura
n=647
Acupuntura manual ou eletroacupuntura
Controle
n=646
Medicação ou acupuntura sham
📊 Resultados em Números
Taxa de eficácia clínica
Melhora em HAMD-17
Melhora em qualidade de vida
Eventos adversos
📊 Comparação de Resultados
Escala de Depressão de Hamilton (HAMD-17)
Qualidade de vida (MENQOL)
Esta pesquisa mostra que a acupuntura é uma opção segura e eficaz para tratar a depressão que pode acompanhar a menopausa. O tratamento com agulhas demonstrou reduzir significativamente os sintomas depressivos e melhorar a qualidade de vida das mulheres, oferecendo uma alternativa natural aos medicamentos tradicionais.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Esta revisão sistemática e meta-análise avaliou a eficácia da acupuntura no tratamento da depressão da menopausa, analisando dados de 13 estudos controlados randomizados que incluíram 1.293 mulheres entre 42 e 60 anos. A pesquisa foi conduzida seguindo as diretrizes PRISMA, com busca em múltiplas bases de dados internacionais e chinesas até abril de 2025.
A depressão da menopausa afeta aproximadamente 33-36% das mulheres durante a transição menopausal, resultado de interações complexas entre fatores psicossociais e alterações hormonais. Os tratamentos convencionais incluem terapia hormonal e antidepressivos, mas estes podem apresentar riscos a longo prazo, como aumento do risco de câncer de mama e doenças cardiovasculares.
Os estudos analisados utilizaram diferentes modalidades de acupuntura, incluindo acupuntura manual e eletroacupuntura, com pontos comumente utilizados como Baihui (DU20), Guanyuan (RN4), Sanyinjiao (SP6) e Yintang (EX-HN3). O período de tratamento variou de 4 a 12 semanas, com sessões realizadas de 2 a 5 vezes por semana.
Os resultados demonstraram que a acupuntura foi significativamente superior aos tratamentos controle em múltiplas medidas. A taxa de eficácia clínica foi 2,7 vezes maior no grupo da acupuntura (OR=2,70, IC 95% [1,63-4,48]). Na Escala de Depressão de Hamilton (HAMD-17), houve melhora significativa dos sintomas depressivos (SMD=-0,28, p<0,0001). A qualidade de vida, medida pela escala MENQOL, também apresentou melhora estatisticamente significante (SMD=-0,25, p=0,003).
Interessantemente, embora a acupuntura tenha demonstrado eficácia clínica clara, não foram observadas mudanças significativas nos níveis de hormônios sexuais (FSH, LH, E2) entre os grupos (p>0,05). Isso sugere que os benefícios terapêuticos da acupuntura podem ser mediados por mecanismos não hormonais, como regulação de neurotransmissores (serotonina, noradrenalina) e modulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.
O perfil de segurança foi favorável, com eventos adversos comparáveis entre os grupos (OR=0,16, p=0,05). A análise de sensibilidade revelou redução significativa de eventos adversos no grupo da acupuntura após exclusão de estudos discrepantes (OR=0,49, p=0,03), sugerindo que a acupuntura pode ser mais segura que os tratamentos convencionais.
As análises de subgrupos mostraram que tanto a acupuntura manual quanto a eletroacupuntura foram eficazes, embora com perfis de efeitos adversos ligeiramente diferentes. A acupuntura manual apresentou menos reações adversas, possivelmente devido à maior adaptabilidade do estímulo comparado aos parâmetros fixos da eletroacupuntura.
As limitações incluem o número relativamente pequeno de estudos (13), heterogeneidade nas intervenções (protocolos de acupuntura, pontos utilizados, duração), e variações nos grupos controle. Alguns estudos utilizaram acupuntura sham, enquanto outros empregaram medicamentos, dificultando a interpretação dos resultados pooled.
Esta evidência posiciona a acupuntura como uma intervenção não farmacológica promissora para a depressão da menopausa, oferecendo uma opção terapêutica com boa relação risco-benefício. Os mecanismos de ação parecem envolver regulação neurotransmissora e modulação de redes neuroendócrinas, independentemente de alterações hormonais diretas.
Estudos futuros devem priorizar ensaios clínicos maiores e padronizados, com protocolos de acupuntura uniformes, biomarcadores objetivos e seguimento de longo prazo para melhor compreender os mecanismos envolvidos e otimizar as práticas clínicas, oferecendo opções terapêuticas mais seguras e diversificadas para mulheres com depressão menopausal.
Pontos Fortes
- 1Busca ampla em bases de dados internacionais e chinesas até 2025
- 2Critérios rigorosos de qualidade usando escala JADAD
- 3Análises de sensibilidade e subgrupos detalhadas
- 4Avaliação de múltiplos desfechos incluindo hormônios e qualidade de vida
Limitações
- 1Número limitado de estudos incluídos (n=13)
- 2Heterogeneidade significativa nos protocolos de acupuntura
- 3Variação nos grupos controle (medicação vs acupuntura sham)
- 4Seguimento de curto prazo na maioria dos estudos
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
A depressão que acompanha a transição menopausal representa um dos cenários clínicos mais subdiagnosticados e subtratados que recebo no ambulatório. A prevalência de 33 a 36% nessa população torna a questão epidemiologicamente expressiva, e as restrições ao uso prolongado de terapia hormonal e antidepressivos — risco cardiovascular, oncológico, dependência — criam uma janela terapêutica que a acupuntura pode ocupar com legitimidade. Esta meta-análise, reunindo 1.293 mulheres entre 42 e 60 anos, confirma que a acupuntura produz melhora significativa nos escores da HAMD-17 e na qualidade de vida mensurada pela MENQOL, com taxa de eficácia clínica 2,7 vezes superior ao controle. Para a prática diária, isso significa que mulheres com contraindicação a antidepressivos ou que recusam terapia hormonal têm uma alternativa com base de evidência sólida, integrável ao plano de cuidado de forma segura e dentro de um horizonte de 4 a 12 semanas.
▸ Achados Notáveis
O achado mais instigante desta análise é a dissociação entre eficácia clínica e alteração hormonal: apesar da melhora consistente nos sintomas depressivos e na qualidade de vida, os níveis séricos de FSH, LH e estradiol não diferiram significativamente entre acupuntura e controle. Isso desloca o mecanismo de ação proposto do eixo gonadal para circuitos neurotransmissores — regulação serotoninérgica e noradrenérgica — e para a modulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Clinicamente, isso tem implicações diretas: a acupuntura não atua como um 'substituto hormonal', mas como um modulador neuroendócrino independente. O perfil de eventos adversos também merece atenção: OR de 0,16 em relação ao controle, reforçando a segurança da intervenção. Os pontos mais utilizados — DU20, RN4, SP6 e EX-HN3 — correspondem a uma seleção clássica para padrões deficiência de Rim e estagnação de Qi do Fígado, o que confere coerência entre a racionalidade da medicina clássica e os desfechos mensurados modernamente.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática, mulheres na perimenopausa com quadro depressivo leve a moderado costumam apresentar as primeiras respostas perceptíveis entre a terceira e a quinta sessão — especialmente em relação ao padrão de sono e à irritabilidade, que frequentemente antecedem a melhora do humor propriamente dita. Tenho utilizado protocolos centrados em DU20, EX-HN3, SP6 e PC6, com sessões duas vezes por semana nas primeiras quatro semanas, depois espaçadas para semanal. O ciclo habitual até estabilização gira em torno de dez a doze sessões, com manutenção mensal por três a seis meses dependendo da resposta individual. Combino regularmente com orientação sobre higiene do sono, atividade aeróbica e, quando indicado, fitoterápicos como o Hypericum. O perfil de paciente que responde melhor, na minha observação, é aquele com queixas mistas — fogachos, insônia e humor deprimido — onde a regulação autonômica parece ser o fio condutor. Casos com depressão maior estabelecida ou risco de suicídio seguem para psiquiatria, sem hesitação.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Frontiers in Psychiatry · 2025
DOI: 10.3389/fpsyt.2025.1591389
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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