Immediate and short-term effects of the combination of dry needling and percutaneous TENS on post-needling soreness in patients with chronic myofascial neck pain

León-Hernández et al. · Brazilian Journal of Physical Therapy · 2016

🔬ECR Simples-Cego👥n=62 participantesEvidência Forte

Nível de Evidência

MODERADA
78/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
4/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

Comparar os efeitos imediatos e de curto prazo da combinação de agulhamento seco e TENS percutâneo versus agulhamento seco isolado

👥

QUEM

62 pacientes com dor cervical miofascial crônica e pontos-gatilho no trapézio superior

⏱️

DURAÇÃO

Seguimento de 72 horas após tratamento único

📍

PONTOS

Pontos-gatilho ativos no músculo trapézio superior

🔬 Desenho do Estudo

62participantes
randomização

Agulhamento seco

n=31

Agulhamento seco profundo até obter duas respostas de contração local

Agulhamento + TENS

n=31

Agulhamento seco seguido de TENS percutâneo por 15 minutos

⏱️ Duração: 72 horas de seguimento

📊 Resultados em Números

50% menor no grupo combinado

Redução dor pós-agulhamento 24h

2.5 cm (vs 0 cm)

Redução dor cervical imediata

p<0.001

Diferença estatística dor pós-agulhamento

p=0.016

Diferença estatística dor cervical

Destaques Percentuais

50% menor no grupo combinado
Redução dor pós-agulhamento 24h

📊 Comparação de Resultados

Dor pós-agulhamento 24h (escala 0-10)

Agulhamento seco
5
Agulhamento + TENS
2.75

Dor cervical imediata (escala 0-10)

Agulhamento seco
5
Agulhamento + TENS
3
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostra que adicionar estimulação elétrica após o agulhamento seco reduz significativamente a dor que algumas pessoas sentem depois do procedimento. É uma descoberta importante porque muitos pacientes evitam continuar o tratamento devido a essa dor temporária.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este estudo investigou se a adição de estimulação elétrica nervosa transcutânea percutânea (TENS percutâneo) após o agulhamento seco poderia reduzir a dor pós-agulhamento e melhorar os resultados em pacientes com dor cervical miofascial crônica. Foi conduzido um ensaio clínico randomizado controlado simples-cego com 62 pacientes que apresentavam pontos-gatilho ativos no músculo trapézio superior. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu apenas agulhamento seco profundo até obter duas respostas de contração local, enquanto o outro recebeu agulhamento seco seguido de TENS percutâneo por 15 minutos usando a agulha como eletrodo negativo. Os pesquisadores avaliaram os participantes imediatamente após o tratamento e por 72 horas, medindo a intensidade da dor pós-agulhamento, dor cervical, incapacidade, limiar de dor à pressão e amplitude de movimento cervical.

Os resultados mostraram que a combinação de agulhamento seco com TENS percutâneo foi significativamente mais eficaz em reduzir a dor pós-agulhamento em todos os períodos de seguimento. Aos 24 horas após o tratamento, o grupo que recebeu apenas agulhamento seco relatou dor média de 5.0 numa escala de 0-10, enquanto o grupo combinado relatou apenas 2.75. Esta diferença manteve-se estatisticamente significativa por todo o período de 72 horas. Quanto à dor cervical, o grupo combinado mostrou redução imediata de 2.5 pontos na escala visual analógica, enquanto o grupo de agulhamento seco não apresentou melhora imediata.

Ambos os grupos mostraram melhorias na incapacidade cervical e na dor geral aos 72 horas, mas sem diferenças significativas entre eles. O limiar de dor à pressão melhorou significativamente apenas no grupo combinado, indicando redução da hipersensibilidade mecânica. A amplitude de movimento cervical não mostrou diferenças significativas entre os grupos. A dor pós-agulhamento é um dos principais efeitos colaterais que levam à insatisfação do paciente e ao abandono do tratamento.

Os resultados sugerem que a aplicação de TENS percutâneo imediatamente após o agulhamento seco pode ser uma estratégia eficaz para minimizar este problema. O mecanismo proposto envolve a ativação de diferentes vias de analgesia: enquanto o agulhamento seco atua principalmente através da estimulação do corno dorsal da medula espinhal, o TENS percutâneo ativa o controle de comporta da dor e estimula a liberação de opióides endógenos, proporcionando alívio mais rápido e eficaz. O estudo tem algumas limitações, incluindo o foco apenas no músculo trapézio superior, a ausência de um grupo placebo, e a duração relativamente curta do TENS (15 minutos). Estudos futuros poderiam investigar durações maiores de estimulação elétrica e incluir múltiplos músculos cervicais.

Pontos Fortes

  • 1Metodologia rigorosa com randomização e cegamento do avaliador
  • 2Comparação direta entre tratamentos clinicamente relevantes
  • 3Múltiplas medidas de desfecho e seguimento estruturado
  • 4Tamanho amostral adequado com baixa taxa de abandono
⚠️

Limitações

  • 1Estudo limitado a um único músculo (trapézio superior)
  • 2Ausência de grupo placebo para controlar efeitos inespecíficos
  • 3Seguimento de apenas 72 horas, não avaliando efeitos de longo prazo
  • 4Duração do TENS percutâneo de apenas 15 minutos pode não ser ótima

📅 Contexto Histórico

1994Hong demonstra importância das respostas de contração local no agulhamento seco
2003Estudos estabelecem mecanismos da analgesia por TENS em modelos animais
2012Lai demonstra redução da dor pós-agulhamento com ultrassom
2014Estudos mostram eficácia de técnicas adjuntas para reduzir dor pós-agulhamento
2016Este estudo demonstra superioridade da combinação agulhamento seco + TENS
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Relevância Clínica

A dor pós-agulhamento é um dos maiores obstáculos à adesão ao agulhamento seco em cervicalgia miofascial crônica — e este ensaio randomizado oferece uma solução direta e imediatamente aplicável. Pacientes com pontos-gatilho ativos no trapézio superior frequentemente relatam exacerbação dolorosa nas primeiras 24 a 48 horas, o que compromete o vínculo terapêutico e alimenta o abandono precoce do protocolo. A adição de TENS percutâneo por 15 minutos, usando a própria agulha como eletrodo negativo, reduziu em 50% a intensidade dessa dor a nas 24 horas, com diferença altamente significativa. Para o médico que incorpora agulhamento seco à prática de dor musculoesquelética, isso representa uma modificação técnica de custo mínimo e alto impacto na experiência do paciente. A melhora imediata de 2,5 cm na dor cervical no grupo combinado — frente a nenhuma melhora no grupo agulhamento isolado — também reforça o valor da combinação para pacientes com sintomatologia agudizada na apresentação.

Achados Notáveis

O dado mais expressivo é a redução do limiar de dor à pressão significativa apenas no grupo combinado, o que sugere modulação da sensibilização periférica além do simples efeito analgésico imediato — um achado que vai além do controle da dor pós-procedimento e aponta para mecanismo de ação com relevância clínica própria. A complementaridade mecanística é biologicamente plausível: enquanto o agulhamento seco promove disrupção mecânica dos nociceptores do ponto-gatilho e ativação de controles inibitórios descendentes via serotonina e noradrenalina, o TENS percutâneo acrescenta ativação do controle de comporta espinal e liberação de opioides endógenos, configurando estratégia de analgesia multimodal no próprio tecido-alvo. O fato de ambos os grupos convergirem em incapacidade cervical e dor geral aos 72 horas, sem diferença entre si, sugere que o benefício da combinação é especialmente relevante na janela crítica de tolerabilidade pós-procedimento, e não necessariamente na magnitude do efeito terapêutico de longo prazo.

Da Minha Experiência

Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, a dor pós-agulhamento no trapézio superior costuma ser o principal motivo de hesitação do paciente antes da segunda sessão. Tenho observado que pacientes com sensibilização central mais marcada — aqueles com cronificação acima de 12 meses e alta pontuação em questionários de catastrofização — são exatamente os que mais sofrem nessa janela de 24 a 48 horas e, paradoxalmente, os que mais se beneficiam do tratamento a longo prazo. A combinação com TENS percutâneo passou a integrar rotineiramente meu protocolo nesses perfis. Costumo observar melhora funcional perceptível a partir da terceira ou quarta sessão, com ciclos de oito a dez sessões até estabilização, seguidos de manutenção mensal. Associo habitualmente com cinesioterapia cervical supervisionada e, quando há componente de sensibilização central, com duloxetina em doses baixas. Não indico agulhamento sem TENS subsequente em pacientes com experiência prévia negativa de dor pós-procedimento — a retenção terapêutica melhora visivelmente com essa conduta, e este estudo fornece o respaldo técnico que eu já aplicava empiricamente.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Brazilian Journal of Physical Therapy · 2016

DOI: 10.1590/bjpt-rbf.2014.0176

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.