Randomized, double-blind study comparing percutaneous electrolysis and dry needling for the management of temporomandibular myofascial pain
Lopez-Martos et al. · Med Oral Patol Oral Cir Bucal · 2018
Nível de Evidência
FORTEOBJETIVO
Comparar eletrólise percutânea (PNE) e agulhamento seco (DDN) versus placebo para tratar dor miofascial do músculo pterigóideo lateral
QUEM
60 pacientes com síndrome de dor miofascial na articulação temporomandibular há pelo menos 6 meses
DURAÇÃO
3 sessões semanais com seguimento de 70 dias
PONTOS
Músculo pterigóideo lateral - acesso transcutâneo aos ventres superior e inferior do músculo
🔬 Desenho do Estudo
PNE
n=20
Eletrólise percutânea com corrente galvânica 2mA por 3 segundos
DDN
n=20
Agulhamento seco profundo sem substâncias
Placebo
n=20
Pressão superficial sem penetração da agulha
📊 Resultados em Números
Redução da dor em repouso (PNE)
Redução da dor em repouso (DDN)
Melhora abertura bucal (PNE)
Melhora abertura bucal (DDN)
Eventos adversos
📊 Comparação de Resultados
Dor em repouso (escala 0-10)
Abertura bucal máxima (mm)
Este estudo mostrou que tanto a eletrólise percutânea quanto o agulhamento seco são tratamentos eficazes para dor na articulação temporomandibular (ATM). A eletrólise percutânea, que combina agulhas com pequena corrente elétrica, apresentou melhora mais rápida da dor, enquanto ambas as técnicas foram superiores ao tratamento placebo para reduzir a dor e melhorar a abertura da boca.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
A síndrome de dor miofascial (SDM) da articulação temporomandibular é um distúrbio complexo que afeta os músculos mastigatórios, causando dor e limitação funcional. O músculo pterigóideo lateral é frequentemente envolvido, apresentando pontos-gatilho que geram dor local e referida. Este estudo randomizado, duplo-cego e controlado comparou duas técnicas minimamente invasivas para o tratamento da SDM: eletrólise percutânea (PNE) e agulhamento seco profundo (DDN), versus um procedimento placebo. Sessenta pacientes com diagnóstico de SDM no músculo pterigóideo lateral, com dor de pelo menos 6 meses e limitação da abertura bucal (<40mm), foram randomizados em três grupos de 20 participantes cada.
O grupo PNE recebeu agulhamento com aplicação de corrente galvânica de baixa intensidade (2mA por 3 segundos), o grupo DDN recebeu agulhamento profundo sem introdução de substâncias, e o grupo controle recebeu pressão superficial sem penetração da agulha. Os tratamentos foram realizados uma vez por semana durante três semanas consecutivas, com avaliações nos dias 28, 42 e 70 após o tratamento. Os resultados demonstraram que ambas as técnicas ativas foram significativamente superiores ao placebo na redução da dor em repouso e durante a mastigação, bem como na melhora da abertura bucal máxima. O grupo PNE mostrou melhora mais precoce, com redução significativa da dor já no dia 28, enquanto o grupo DDN apresentou melhora consistente ao longo de todo o período de seguimento.
A dor em repouso reduziu de 6,0 para 1,5 no grupo PNE e de 6,0 para 2,0 no grupo DDN, mantendo-se estável até o dia 70. A abertura bucal melhorou de 34,5mm para 40mm no grupo PNE e de 34mm para 37mm no grupo DDN. A funcionalidade da ATM, avaliada por questionário de 100 pontos, mostrou melhora significativa em ambos os grupos ativos comparado ao placebo. Os eventos adversos foram mínimos, reportando-se apenas um hematoma autolimitado no grupo PNE.
A tolerância ao tratamento foi excelente em todos os grupos, e a avaliação subjetiva de eficácia foi superior nos grupos PNE e DDN. As implicações clínicas são importantes, pois ambas as técnicas oferecem alternativas seguras e eficazes para o tratamento da SDM temporomandibular, com a PNE apresentando vantagem de ação mais rápida, possivelmente devido ao efeito combinado da estimulação mecânica e elétrica. O estudo possui limitações como o tamanho amostral relativamente pequeno, dificuldade de cegamento completo em procedimentos invasivos, e foco exclusivo no músculo pterigóideo lateral, quando frequentemente há envolvimento de múltiplos músculos mastigatórios.
Pontos Fortes
- 1Desenho randomizado, duplo-cego e controlado com placebo
- 2Seguimento adequado de 70 dias para avaliar durabilidade dos efeitos
- 3Uso de múltiplas medidas de desfecho validadas
- 4Técnica de agulhamento padronizada e validada
- 5Baixo índice de eventos adversos
Limitações
- 1Tamanho amostral relativamente pequeno para conclusões definitivas
- 2Dificuldade de manter cegamento completo em procedimentos invasivos
- 3Foco apenas no músculo pterigóideo lateral, excluindo casos com múltiplos músculos afetados
- 4Ausência de seguimento de longo prazo
- 5Exclusão de pacientes com fibromialgia ou depressão
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
A dor miofascial temporomandibular com envolvimento do pterigóideo lateral representa um dos subtipos mais refratários dos distúrbios temporomandibulares, exatamente porque esse músculo é de difícil acesso e frequentemente subdiagnosticado. Ter um ensaio duplo-cego comparando eletrólise percutânea e agulhamento seco profundo nessa topografia específica preenche uma lacuna real na tomada de decisão. Na prática de dor musculoesquelética, esses pacientes chegam após odontólogos e outros especialistas terem esgotado placa oclusal, anti-inflamatórios e fisioterapia convencional. Os dados mostram que ambas as técnicas produzem redução clínica significativa da dor — de 6,0 para 1,5 ou 2,0 — e ganho funcional mensurável em abertura bucal, mantidos até a semana dez. Isso posiciona o agulhamento estruturado como opção concreta de segunda linha, com perfil de segurança excelente evidenciado pelo único evento adverso registrado, um hematoma autolimitado em todo o grupo PNE.
▸ Achados Notáveis
O achado que mais chama atenção não é a eficácia em si — esperada para ambas as técnicas ativas — mas a velocidade diferencial de resposta. O grupo submetido à eletrólise percutânea demonstrou redução significativa já na avaliação do dia 28, enquanto o agulhamento seco profundo alcançou patamares comparáveis de forma mais gradual ao longo do seguimento. Esse padrão temporal sugere mecanismos distintos: a corrente galvânica de baixa intensidade possivelmente amplifica o efeito neurofisiológico da estimulação mecânica sobre o ponto-gatilho, acelerando a inibição central e a resolução do espasmo focal. O ganho em abertura bucal é igualmente expressivo — 5,5 mm no grupo PNE contra 3 mm no DDN — com relevância funcional direta para mastigação, fala e qualidade de vida. A estabilidade dos resultados até o dia 70 com apenas três sessões semanais reforça a durabilidade do efeito, que é justamente o ponto mais questionado nessa linha de tratamento.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática com dor orofacial e disfunção temporomandibular, o pterigóideo lateral é o músculo que mais frequentemente surpreende negativamente quando não identificado como gerador primário do quadro. Costumo ver resposta clínica perceptível após a segunda sessão de agulhamento seco profundo nessa região, e em geral três a cinco sessões são suficientes para consolidar o ganho funcional em abertura bucal. O que me chama atenção neste artigo é que a PNE antecipa essa resposta para a primeira avaliação pós-tratamento — o que, em termos práticos, significa menor janela de frustração para o paciente e melhor adesão ao programa. No Centro de Dor, associamos sistematicamente o agulhamento à cinesioterapia mandibular e, nos casos com componente de hiperatividade massetérica, a relaxantes musculares de curta duração. O perfil que responde melhor ao agulhamento isolado, na minha experiência, é o paciente sem componente central marcado — sem fibromialgia associada, sem sensibilização central estabelecida — exatamente o perfil selecionado neste estudo.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Med Oral Patol Oral Cir Bucal · 2018
DOI: 10.4317/medoral.22488
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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