Randomized, double-blind study comparing percutaneous electrolysis and dry needling for the management of temporomandibular myofascial pain

Lopez-Martos et al. · Med Oral Patol Oral Cir Bucal · 2018

🔬RCT Duplo-Cego👥n=60 participantesAlto Impacto

Nível de Evidência

FORTE
82/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Comparar eletrólise percutânea (PNE) e agulhamento seco (DDN) versus placebo para tratar dor miofascial do músculo pterigóideo lateral

👥

QUEM

60 pacientes com síndrome de dor miofascial na articulação temporomandibular há pelo menos 6 meses

⏱️

DURAÇÃO

3 sessões semanais com seguimento de 70 dias

📍

PONTOS

Músculo pterigóideo lateral - acesso transcutâneo aos ventres superior e inferior do músculo

🔬 Desenho do Estudo

60participantes
randomização

PNE

n=20

Eletrólise percutânea com corrente galvânica 2mA por 3 segundos

DDN

n=20

Agulhamento seco profundo sem substâncias

Placebo

n=20

Pressão superficial sem penetração da agulha

⏱️ Duração: 10 semanas (3 semanas de tratamento + 7 semanas de acompanhamento)

📊 Resultados em Números

6,0 para 1,5

Redução da dor em repouso (PNE)

6,0 para 2,0

Redução da dor em repouso (DDN)

34,5mm para 40mm

Melhora abertura bucal (PNE)

34mm para 37mm

Melhora abertura bucal (DDN)

1 hematoma autolimitado

Eventos adversos

📊 Comparação de Resultados

Dor em repouso (escala 0-10)

PNE
1.5
DDN
2
Placebo
5

Abertura bucal máxima (mm)

PNE
40
DDN
37
Placebo
35
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que tanto a eletrólise percutânea quanto o agulhamento seco são tratamentos eficazes para dor na articulação temporomandibular (ATM). A eletrólise percutânea, que combina agulhas com pequena corrente elétrica, apresentou melhora mais rápida da dor, enquanto ambas as técnicas foram superiores ao tratamento placebo para reduzir a dor e melhorar a abertura da boca.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

A síndrome de dor miofascial (SDM) da articulação temporomandibular é um distúrbio complexo que afeta os músculos mastigatórios, causando dor e limitação funcional. O músculo pterigóideo lateral é frequentemente envolvido, apresentando pontos-gatilho que geram dor local e referida. Este estudo randomizado, duplo-cego e controlado comparou duas técnicas minimamente invasivas para o tratamento da SDM: eletrólise percutânea (PNE) e agulhamento seco profundo (DDN), versus um procedimento placebo. Sessenta pacientes com diagnóstico de SDM no músculo pterigóideo lateral, com dor de pelo menos 6 meses e limitação da abertura bucal (<40mm), foram randomizados em três grupos de 20 participantes cada.

O grupo PNE recebeu agulhamento com aplicação de corrente galvânica de baixa intensidade (2mA por 3 segundos), o grupo DDN recebeu agulhamento profundo sem introdução de substâncias, e o grupo controle recebeu pressão superficial sem penetração da agulha. Os tratamentos foram realizados uma vez por semana durante três semanas consecutivas, com avaliações nos dias 28, 42 e 70 após o tratamento. Os resultados demonstraram que ambas as técnicas ativas foram significativamente superiores ao placebo na redução da dor em repouso e durante a mastigação, bem como na melhora da abertura bucal máxima. O grupo PNE mostrou melhora mais precoce, com redução significativa da dor já no dia 28, enquanto o grupo DDN apresentou melhora consistente ao longo de todo o período de seguimento.

A dor em repouso reduziu de 6,0 para 1,5 no grupo PNE e de 6,0 para 2,0 no grupo DDN, mantendo-se estável até o dia 70. A abertura bucal melhorou de 34,5mm para 40mm no grupo PNE e de 34mm para 37mm no grupo DDN. A funcionalidade da ATM, avaliada por questionário de 100 pontos, mostrou melhora significativa em ambos os grupos ativos comparado ao placebo. Os eventos adversos foram mínimos, reportando-se apenas um hematoma autolimitado no grupo PNE.

A tolerância ao tratamento foi excelente em todos os grupos, e a avaliação subjetiva de eficácia foi superior nos grupos PNE e DDN. As implicações clínicas são importantes, pois ambas as técnicas oferecem alternativas seguras e eficazes para o tratamento da SDM temporomandibular, com a PNE apresentando vantagem de ação mais rápida, possivelmente devido ao efeito combinado da estimulação mecânica e elétrica. O estudo possui limitações como o tamanho amostral relativamente pequeno, dificuldade de cegamento completo em procedimentos invasivos, e foco exclusivo no músculo pterigóideo lateral, quando frequentemente há envolvimento de múltiplos músculos mastigatórios.

Pontos Fortes

  • 1Desenho randomizado, duplo-cego e controlado com placebo
  • 2Seguimento adequado de 70 dias para avaliar durabilidade dos efeitos
  • 3Uso de múltiplas medidas de desfecho validadas
  • 4Técnica de agulhamento padronizada e validada
  • 5Baixo índice de eventos adversos
⚠️

Limitações

  • 1Tamanho amostral relativamente pequeno para conclusões definitivas
  • 2Dificuldade de manter cegamento completo em procedimentos invasivos
  • 3Foco apenas no músculo pterigóideo lateral, excluindo casos com múltiplos músculos afetados
  • 4Ausência de seguimento de longo prazo
  • 5Exclusão de pacientes com fibromialgia ou depressão

📅 Contexto Histórico

2010Fernandez-Carnero et al. demonstram eficácia do agulhamento seco no masseter
2012Gonzalez-Perez et al. validam técnica de agulhamento do pterigóideo lateral
2015Primeiro uso da eletrólise percutânea em tendinopatias musculoesqueléticas
2016Início do recrutamento para este estudo clínico
2018Publicação deste ensaio clínico comparando PNE e DDN na SDM temporomandibular
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Relevância Clínica

A dor miofascial temporomandibular com envolvimento do pterigóideo lateral representa um dos subtipos mais refratários dos distúrbios temporomandibulares, exatamente porque esse músculo é de difícil acesso e frequentemente subdiagnosticado. Ter um ensaio duplo-cego comparando eletrólise percutânea e agulhamento seco profundo nessa topografia específica preenche uma lacuna real na tomada de decisão. Na prática de dor musculoesquelética, esses pacientes chegam após odontólogos e outros especialistas terem esgotado placa oclusal, anti-inflamatórios e fisioterapia convencional. Os dados mostram que ambas as técnicas produzem redução clínica significativa da dor — de 6,0 para 1,5 ou 2,0 — e ganho funcional mensurável em abertura bucal, mantidos até a semana dez. Isso posiciona o agulhamento estruturado como opção concreta de segunda linha, com perfil de segurança excelente evidenciado pelo único evento adverso registrado, um hematoma autolimitado em todo o grupo PNE.

Achados Notáveis

O achado que mais chama atenção não é a eficácia em si — esperada para ambas as técnicas ativas — mas a velocidade diferencial de resposta. O grupo submetido à eletrólise percutânea demonstrou redução significativa já na avaliação do dia 28, enquanto o agulhamento seco profundo alcançou patamares comparáveis de forma mais gradual ao longo do seguimento. Esse padrão temporal sugere mecanismos distintos: a corrente galvânica de baixa intensidade possivelmente amplifica o efeito neurofisiológico da estimulação mecânica sobre o ponto-gatilho, acelerando a inibição central e a resolução do espasmo focal. O ganho em abertura bucal é igualmente expressivo — 5,5 mm no grupo PNE contra 3 mm no DDN — com relevância funcional direta para mastigação, fala e qualidade de vida. A estabilidade dos resultados até o dia 70 com apenas três sessões semanais reforça a durabilidade do efeito, que é justamente o ponto mais questionado nessa linha de tratamento.

Da Minha Experiência

Na minha prática com dor orofacial e disfunção temporomandibular, o pterigóideo lateral é o músculo que mais frequentemente surpreende negativamente quando não identificado como gerador primário do quadro. Costumo ver resposta clínica perceptível após a segunda sessão de agulhamento seco profundo nessa região, e em geral três a cinco sessões são suficientes para consolidar o ganho funcional em abertura bucal. O que me chama atenção neste artigo é que a PNE antecipa essa resposta para a primeira avaliação pós-tratamento — o que, em termos práticos, significa menor janela de frustração para o paciente e melhor adesão ao programa. No Centro de Dor, associamos sistematicamente o agulhamento à cinesioterapia mandibular e, nos casos com componente de hiperatividade massetérica, a relaxantes musculares de curta duração. O perfil que responde melhor ao agulhamento isolado, na minha experiência, é o paciente sem componente central marcado — sem fibromialgia associada, sem sensibilização central estabelecida — exatamente o perfil selecionado neste estudo.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Med Oral Patol Oral Cir Bucal · 2018

DOI: 10.4317/medoral.22488

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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