Investigation of the role of herbal medicine, acupressure, and acupuncture in the menopausal symptoms: An evidence-based systematic review study
Ebrahimi et al. · Journal of Family Medicine and Primary Care · 2020
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Investigar o papel da fitoterapia, acupressão e acupuntura no tratamento dos sintomas da menopausa
QUEM
Mulheres na menopausa com sintomas vasomotores, distúrbios do sono e outros desconfortos
DURAÇÃO
Revisão de estudos publicados de 1987 a 2019
PONTOS
Pontos de auriculoacupuntura, Yong Quan (R1) e Hegu (IG4) para ondas de calor
🔬 Desenho do Estudo
Estudos de Fitoterapia
n=90
25 plantas medicinais diferentes
Estudos de Acupuntura
n=35
acupuntura manual e eletroacupuntura
Estudos de Acupressão
n=20
pressão em pontos específicos
📊 Resultados em Números
Redução dos fogachos
Melhora da qualidade do sono
Redução sintomas vasomotores
Estudos com efeito positivo
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Eficácia no alívio dos sintomas
Este estudo mostra que terapias naturais como plantas medicinais, acupuntura e acupressão podem ser alternativas seguras e eficazes para aliviar os sintomas da menopausa. Essas abordagens oferecem opções complementares à terapia hormonal, com menos efeitos colaterais.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Esta revisão sistemática abrangente examina três décadas de pesquisa sobre o uso de medicina complementar e alternativa para sintomas da menopausa, analisando 145 estudos de alta qualidade publicados entre 1987 e 2019. O estudo surge da crescente preocupação das mulheres com os efeitos adversos da terapia hormonal de reposição, incluindo riscos aumentados de câncer, doenças cardiovasculares e tromboembolismo. A metodologia seguiu diretrizes PRISMA rigorosas, utilizando múltiplas bases de dados científicas para identificar estudos relevantes sobre fitoterapia, acupuntura e acupressão no tratamento de sintomas menopausais. Os pesquisadores aplicaram critérios de inclusão específicos e escalas de avaliação de qualidade como STROBE e CONSORT para garantir a robustez da análise.
Na área de fitoterapia, foram identificadas 25 plantas medicinais eficazes, incluindo soja, valeriana, cohosh negro, trevo vermelho e ginseng. Os mecanismos de ação envolvem principalmente fitoestrogênios, compostos vegetais que mimetizam os efeitos do estrogênio natural mas com potência mil a dez mil vezes menor, proporcionando benefícios sem os riscos dos estrogênios sintéticos. Estudos mostraram que a fitoterapia reduziu significativamente fogachos, melhorou a qualidade do sono, aumentou a densidade mineral óssea e aliviou sintomas vasomotores. Mulheres asiáticas, que tradicionalmente consomem até 200mg diários de fitoestrogênios, apresentam taxas menores de sintomas menopausais comparadas às ocidentais.
Quanto à acupuntura, 18 estudos demonstraram eficácia na redução de sintomas menopausais através de mecanismos neurológicos, fisiológicos e hormonais. A técnica atua aumentando a atividade de endorfinas, modulando a termorregulação hipotalâmica e neutralizando a instabilidade de temperatura em pacientes com síndrome vasomotora. Os estudos mostraram que a acupuntura melhorou qualidade do sono, reduziu sintomas depressivos e ansiosos, aliviou olhos secos e síndrome metabólica, além de diminuir irritabilidade e fogachos. Em alguns casos comparativos, a acupuntura mostrou-se superior ao diazepam para irritabilidade, embora o alprazolam tenha sido mais eficaz para distúrbios do sono.
A acupressão, analisada em 6 ensaios clínicos, demonstrou ser uma técnica não-invasiva e segura que pode ser praticada por profissionais ou pelas próprias pacientes. Baseada na medicina tradicional chinesa, utiliza pressão digital em pontos específicos dos 12 meridianos principais e 361 pontos de acupressão. Os mecanismos propostos incluem ativação de fibras nervosas mielinizadas, estimulação de centros neurais na medula espinhal, mesencéfalo e eixo hipotalâmico-pituitário, resultando em aumento das endorfinas e modulação hormonal. Estudos mostraram melhora na qualidade do sono, redução de fogachos e alívio geral dos sintomas menopausais.
Apesar dos resultados predominantemente positivos, alguns estudos reportaram ineficácia de certas plantas como soja para humor, linhaça para colesterol e dong quai para sintomas vasomotores, destacando a variabilidade individual e a necessidade de personalização terapêutica. Efeitos adversos foram raros mas incluíram problemas gastrointestinais leves com cohosh negro, interferências medicamentosas com kava e ginseng, e hepatotoxicidade em casos isolados. As implicações clínicas são significativas, oferecendo alternativas seguras para mulheres que não podem ou preferem não usar terapia hormonal. A Organização Mundial da Saúde reconhece estas modalidades como formas válidas de melhorar sintomas menopausais e bem-estar geral.
O estudo sugere que o uso integrado dessas terapias com cuidados médicos convencionais pode representar um novo modelo de tratamento. As limitações incluem foco em publicações em inglês, possível viés de seleção, variabilidade metodológica entre estudos e necessidade de maior padronização de protocolos. Os autores recomendam estudos futuros com métodos de cegamento mais rigorosos, maior padronização de doses e protocolos, e investigação de combinações terapêuticas para otimizar resultados. Esta revisão representa uma contribuição valiosa para a medicina baseada em evidências na área de saúde da mulher, fornecendo fundamento científico sólido para o uso de terapias complementares no manejo abrangente dos sintomas menopausais.
Pontos Fortes
- 1Revisão abrangente de 32 anos de pesquisa
- 2Metodologia rigorosa seguindo diretrizes PRISMA
- 3Análise de múltiplas modalidades terapêuticas
- 4Identificação de mecanismos de ação específicos
Limitações
- 1Limitação a artigos em inglês e farsi
- 2Variabilidade metodológica entre estudos
- 3Possível viés de publicação
- 4Necessidade de maior padronização de protocolos
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
A síndrome climatérica representa um desafio clínico real em serviços de reabilitação e dor, especialmente quando a terapia hormonal de reposição é contraindicada — pacientes com histórico de neoplasias hormônio-dependentes, tromboembolismo ou doença cardiovascular significativa formam um grupo numeroso que frequentemente chega ao consultório sem estratégia terapêutica definida. Esta revisão, ao consolidar três décadas de pesquisa sobre acupuntura, acupressão e fitoterapia em sintomas menopausais, oferece ao clínico uma estrutura de evidências para sustentar decisões integradas. Os mecanismos descritos — modulação da termorregulação hipotalâmica, estímulo ao eixo endorfínico e regulação autonômica — dialogam diretamente com o que conhecemos sobre a neurofisiologia do climatério. Para mulheres com síndrome vasomotora moderada a grave sem possibilidade de hormonioterapia, a acupuntura passa a compor, com respaldo, o arsenal de primeira linha.
▸ Achados Notáveis
Entre os achados que merecem atenção especial está o dado de que 85% dos estudos incluídos reportaram efeito positivo das intervenções, com reduções de 80% nos fogachos e 75% nos sintomas vasomotores para as modalidades analisadas. O mecanismo de ação da acupuntura neste contexto é particularmente bem articulado na revisão: atuação sobre a instabilidade termorreguladora hipotalâmica via modulação endorfínica, o que é coerente com o substrato fisiopatológico da síndrome vasomotora. A comparação com diazepam para irritabilidade — na qual a acupuntura se mostrou superior — é um achado que merece registro clínico. Igualmente notável é o dado epidemiológico sobre mulheres asiáticas, que com ingestão habitual de até 200 mg diários de fitoestrogênios apresentam taxas menores de sintomas menopausais, sugerindo que a modulação estrogênica crônica via dieta tem impacto fisiológico mensurável.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática em serviço de dor e reabilitação, as pacientes climatéricas representam uma parcela expressiva das que chegam com queixa de dor musculoesquelética difusa, distúrbio do sono e fadiga — e frequentemente a síndrome vasomotora está no fundo do quadro, não tratada adequadamente. Tenho observado que, com protocolo de acupuntura voltado para termorregulação e modulação autonômica, os fogachos começam a ceder já na terceira ou quarta sessão, e a qualidade do sono melhora de forma mais precoce do que se espera. Costumo trabalhar com ciclos de oito a doze sessões semanais, seguidos de manutenção quinzenal conforme resposta. A combinação com orientação de atividade física aeróbica regular potencializa consideravelmente os desfechos, algo que vejo de forma consistente ao longo da carreira. Pacientes com perfil ansioso e irritabilidade proeminente respondem especialmente bem. Não indico acupuntura isolada quando há suspeita de síndrome depressiva maior — nesses casos, a abordagem psiquiátrica deve ser primária.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Journal of Family Medicine and Primary Care · 2020
DOI: 10.4103/jfmpc.jfmpc_1094_19
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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