Is acupuncture effective in the treatment of pain in endometriosis?
Lund & Lundeberg · Journal of Pain Research · 2016
OBJETIVO
Revisar a eficácia da acupuntura no tratamento da dor pélvica visceral relacionada à endometriose
QUEM
99 mulheres de 13-40 anos com endometriose confirmada por laparoscopia
DURAÇÃO
9-16 sessões ao longo de várias semanas
PONTOS
7-12 agulhas por sessão em região lombar/pélvica, abdome inferior, mãos e pés
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura verdadeira
n=83
Acupuntura tradicional baseada em TCM ou técnica japonesa
Controles
n=16
Pontos não específicos ou agulhas não penetrantes
📊 Resultados em Números
Redução da intensidade da dor
Melhora na qualidade de vida
Redução no uso de analgésicos
Eventos adversos sérios
📊 Comparação de Resultados
Intensidade da dor (antes/depois do tratamento)
Esta revisão sugere que a acupuntura pode ser uma opção segura e eficaz para mulheres com dor pélvica causada por endometriose. Embora as evidências sejam limitadas, todos os estudos analisados mostraram redução na intensidade da dor após o tratamento com acupuntura.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
A Acupuntura é Eficaz no Tratamento da Dor na Endometriose?
A endometriose é uma condição ginecológica inflamatória e dependente de estrogênio que afeta 5-15% das mulheres em idade reprodutiva, frequentemente causando dor pélvica visceral persistente e infertilidade. Esta revisão sistemática analisou três estudos clínicos que investigaram a eficácia da acupuntura no tratamento da dor relacionada à endometriose, incluindo um total de 99 mulheres com idade entre 13 e 40 anos e diagnóstico confirmado por laparoscopia. Os tratamentos de acupuntura variaram entre as técnicas da medicina tradicional chinesa e acupuntura japonesa, com protocolos individualizados baseados nos sintomas específicos de cada paciente. Todos os estudos utilizaram entre 7 e 12 agulhas por sessão, inseridas principalmente na região lombar/pélvica, abdome inferior, mãos e pés, com tempo de retenção de 15-25 minutos.
Os tratamentos duraram de 9 a 16 sessões, administradas uma a duas vezes por semana. Os resultados foram consistentes entre os três estudos, independentemente do desenho da pesquisa ou técnica específica de acupuntura utilizada. Todos os estudos relataram diminuição significativa na intensidade da dor avaliada pelos pacientes após o tratamento. Dois estudos também demonstraram melhoras na qualidade de vida relacionada à saúde, incluindo bem-estar psicológico e eficiência social.
Adicionalmente, observou-se redução no uso de medicamentos analgésicos e no número de dias de ausência no trabalho ou escola. Importante ressaltar que nenhum dos estudos reportou eventos adversos sérios relacionados ao tratamento com acupuntura. Do ponto de vista fisiológico e da medicina ocidental, a acupuntura pode ser compreendida como um tipo de estimulação sensorial que induz mudanças no funcionamento do sistema nervoso central, o que pode explicar parcialmente a diminuição da percepção da dor em resposta ao tratamento. Os mecanismos propostos incluem a ativação de sistemas descendentes endógenos de inibição da dor, desativação de áreas cerebrais que transmitem sensações desagradáveis relacionadas à dor, e interação entre impulsos nociceptivos e reflexos somato-viscerais.
As limitações desta revisão incluem o pequeno número de estudos disponíveis e o tamanho limitado das amostras, o que torna os padrões de mudança mais variáveis. Além disso, a criação de controles placebo verdadeiramente inertes para acupuntura representa um desafio metodológico significativo, já que qualquer tipo de estimulação tátil pode ativar fibras nervosas aferentes. Os autores sugerem que estudos futuros deveriam focar na avaliação da efetividade entre diferentes estratégias de tratamento, ao invés de apenas eficácia, e incluir análises de respostas individuais dos pacientes. Esta abordagem seria particularmente relevante considerando que a dor é uma experiência subjetiva e pode variar significativamente entre indivíduos.
Para pacientes com endometriose que não obtiveram alívio adequado com tratamentos convencionais ou que experimentaram efeitos colaterais significativos, a acupuntura emerge como uma opção terapêutica complementar promissora e segura.
Pontos Fortes
- 1Análise sistemática de múltiplos tipos de estudo
- 2Foco nas respostas individuais dos pacientes
- 3Perfil de segurança excelente sem eventos adversos sérios
Limitações
- 1Número limitado de estudos disponíveis
- 2Tamanhos de amostra pequenos
- 3Dificuldade em criar controles placebo adequados
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
A endometriose impõe um dos maiores desafios terapêuticos em dor pélvica crônica feminina — condição que afeta entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva e que, com frequência, chega ao consultório de dor após anos de tratamento hormonal e cirúrgico sem alívio satisfatório. Esta revisão sistemática posiciona a acupuntura como adjuvante legítimo nesse contexto, não como alternativa ao tratamento convencional, mas como recurso capaz de atuar em dimensões que os análogos do GnRH e a laparoscopia não cobrem integralmente: a modulação central da dor visceral crônica e os aspectos de qualidade de vida. O perfil de segurança observado — zero eventos adversos sérios em 99 pacientes — é clinicamente relevante ao se deliberar sobre acrescentar uma nova modalidade terapêutica a mulheres que frequentemente já convivem com efeitos colaterais significativos do tratamento hormonal de longo prazo.
▸ Achados Notáveis
O achado mais digno de atenção é a consistência dos resultados entre os três estudos incluídos, independentemente da técnica empregada — seja acupuntura baseada em medicina tradicional chinesa ou técnica japonesa, com protocolos individualizados. Essa convergência sugere que o denominador comum terapêutico reside menos no ponto específico escolhido e mais na estimulação sensorial capaz de recrutar sistemas descendentes endógenos de inibição da dor e de desativar áreas cerebrais vinculadas à dimensão afetiva da nocicepção. Dois estudos demonstraram melhora em bem-estar psicológico e eficiência social — desfechos que os analgésicos convencionais raramente modificam de forma substantiva. A redução no uso de medicamentos analgésicos e no absenteísmo escolar e profissional, registrada em um dos estudos, aponta para um impacto funcional que vai além da escala de dor e que precisa ser valorizado na tomada de decisão clínica.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, pacientes com endometriose chegam tipicamente após múltiplas abordagens frustradas, com fenótipo de sensibilização central estabelecido — e é exatamente nesse perfil que tenho observado as respostas mais expressivas à acupuntura. Costumo ver os primeiros sinais de melhora na dor pélvica entre a terceira e a quinta sessão, com estabilização do ganho terapêutico entre a décima e a décima segunda sessão, o que se alinha bem com a faixa de 9 a 16 sessões documentada nesta revisão. Associo rotineiramente acupuntura com fisioterapia pélvica especializada e, quando há componente inflamatório visceral predominante, com auriculopuntura segmentar — combinação que, na minha percepção, encurta o tempo até a resposta. Jovens entre 13 e 25 anos, com dor dismenorreica grave e sem resposta completa aos anti-inflamatórios, representam o grupo em que mais indico precocemente a acupuntura. Evito iniciar o tratamento em fases de exacerbação hormonal aguda sem suporte clínico paralelo adequado.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Journal of Pain Research · 2016
DOI: 10.2147/JPR.S55580
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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