Post-needling soreness after myofascial trigger point dry needling: Current status and future research

Martín-Pintado-Zugasti et al. · Journal of Bodywork & Movement Therapies · 2018

📚Revisão Narrativa🔍Análise de Literatura⚠️Eventos Adversos

Nível de Evidência

MODERADA
75/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Examinar o conhecimento atual sobre dor pós-agulhamento no tratamento de pontos-gatilho miofasciais

👥

QUEM

Pacientes com pontos-gatilho miofasciais em diversas condições dolorosas

⏱️

DURAÇÃO

Revisão da literatura até 2017

📍

PONTOS

Múltiplos músculos incluindo trapézio superior, infraespinal e quadrado lombar

🔬 Desenho do Estudo

0participantes
randomização

Revisão Literatura

n=0

Análise de estudos sobre dor pós-agulhamento

⏱️ Duração: Análise histórica

📊 Resultados em Números

50-100%

Frequência de dor pós-agulhamento

<72h

Duração típica

3.5-5.6/10

Intensidade máxima

0%

Abandono do tratamento

Destaques Percentuais

50-100%
Frequência de dor pós-agulhamento
51%
Abandono do tratamento

📊 Comparação de Resultados

Intensidade da dor pós-agulhamento

Agulhas filiformes
4
Agulhas biseladas
8.3
💬 O que isso significa para você?

Esta revisão mostra que é normal sentir alguma dor muscular após o agulhamento seco, geralmente durando menos de 72 horas. A maioria dos pacientes tolera bem esse desconforto temporário, especialmente quando o tratamento alivia a dor original.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este estudo de revisão examina a dor pós-agulhamento (post-needling soreness), uma complicação comum do tratamento de pontos-gatilho miofasciais com agulhamento seco. Os autores analisaram o estado atual do conhecimento sobre essa condição e propuseram direções para futuras pesquisas na área. Os pontos-gatilho miofasciais são nódulos hipersensíveis em bandas tensas do músculo esquelético, presentes em várias condições dolorosas como cefaleia tensional, enxaqueca, disfunções temporomandibulares, dor no ombro e epicondialgia lateral. O agulhamento seco tem sido recomendado como tratamento eficaz para alívio da dor relacionada aos pontos-gatilho.

A dor pós-agulhamento é considerada consequência do dano neuromuscular e da reação hemorrágica e inflamatória gerada pela agulha. Esta dor é descrita como pressão constante ou dor surda, facilmente distinguível da dor aguda e restritiva experimentada antes do tratamento. A análise da literatura mostrou que a dor pós-agulhamento é muito frequente após o agulhamento seco profundo, variando entre 50% a 100% dos casos, geralmente durando menos de 72 horas. A intensidade máxima média foi relatada entre 3,5 a 5,6 pontos numa escala de 0 a 10.

Fatores como número de inserções da agulha, dor percebida durante o procedimento, fatores psicossociais e gênero influenciam a percepção da dor pós-agulhamento. A localização precisa do ponto-gatilho e hemostasia adequada podem minimizar essa complicação. Os autores destacam que a relevância clínica da dor pós-agulhamento permanece incerta. Embora a maioria dos pacientes não considere essa dor especialmente angustiante em comparação com a dor miofascial original, pacientes com níveis elevados de dor pós-agulhamento, que não percebem eficácia do tratamento na primeira sessão, ou que não apresentam alta intensidade de dor miofascial antes do tratamento, podem ser mais propensos a considerar a dor pós-agulhamento angustiante e funcionalmente limitante, podendo abandonar o tratamento.

A pesquisa mostra que 51% dos pacientes que receberam injeções de lidocaína em pontos-gatilho relutaram em realizar procedimentos subsequentes devido à dor pós-injeção. Várias terapias adjuvantes foram investigadas para reduzir a dor pós-agulhamento, incluindo estimulação elétrica nervosa percutânea, exercícios de baixa carga, ultrassom, spray and stretch e compressão isquêmica, mostrando resultados promissores. Os autores enfatizam que a dor pós-agulhamento deve ser considerada ao avaliar a eficácia do agulhamento seco, pois pode mascarar a dor miofascial original e influenciar as avaliações de dor dos pacientes, especialmente em avaliações de efeitos imediatos ou de curto prazo. Recomendam que a dor pós-agulhamento seja avaliada separadamente da dor original do ponto-gatilho em estudos futuros.

As limitações incluem o pequeno número de estudos publicados e diferenças importantes no design dos estudos, impossibilitando conclusões definitivas sobre frequência, intensidade ou duração média da dor pós-agulhamento. Este trabalho fornece base importante para o desenvolvimento de protocolos clínicos mais seguros e eficazes.

Pontos Fortes

  • 1Revisão abrangente da literatura disponível
  • 2Análise crítica dos fatores associados à dor pós-agulhamento
  • 3Propostas claras para pesquisas futuras
  • 4Relevância clínica prática
⚠️

Limitações

  • 1Poucos estudos disponíveis para análise
  • 2Heterogeneidade nos métodos dos estudos revisados
  • 3Falta de dados definitivos sobre prevalência
  • 4Necessidade de mais pesquisas sobre relevância clínica

📅 Contexto Histórico

1994Hong descreve pela primeira vez a dor pós-agulhamento sistematicamente
1999Simons et al. estabelecem as bases teóricas da dor pós-agulhamento
2007Primeiros estudos com agulhas filiformes modernas
2014Brady et al. realizam grande survey sobre eventos adversos
2018Esta revisão consolida o conhecimento sobre dor pós-agulhamento
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224

Relevância Clínica

A dor pós-agulhamento é um fenômeno que todo médico que realiza agulhamento seco de pontos-gatilho precisa conhecer profundamente, não apenas para consentimento informado adequado, mas para otimizar a adesão ao tratamento. Esta revisão organiza o que se sabe sobre frequência, duração e fatores moduladores dessa resposta, traduzindo-se diretamente em planejamento clínico. Com incidência que pode atingir 100% dos casos e intensidade média entre 3,5 e 5,6 em 10, estamos falando de um efeito adverso clinicamente relevante, especialmente em pacientes com dor cervical ou lombar de baixa a moderada intensidade basal — exatamente aqueles que podem perceber a dor pós-agulhamento como desproporcional ao benefício percebido na primeira sessão. A identificação de que 51% dos pacientes que receberam injeções em pontos-gatilho relutaram em retornar ao tratamento subsequente coloca essa questão no centro do raciocínio clínico: a eficácia da técnica só se realiza se o paciente completa o ciclo terapêutico.

Achados Notáveis

Dois achados desta revisão merecem atenção especial. Primeiro, a caracterização do perfil de risco para dor pós-agulhamento clinicamente angustiante: pacientes com baixa intensidade de dor miofascial pré-tratamento, sem percepção de eficácia imediata na primeira sessão e com altos escores pós-agulhamento formam um subgrupo com maior probabilidade de abandono — esse mapa de risco tem valor prático direto na triagem. Segundo, a evidência de que terapias adjuvantes como estimulação elétrica nervosa percutânea, exercícios de baixa carga e compressão isquêmica mostram resultados promissores na redução dessa dor. Mecanisticamente, a revisão ancora a dor pós-agulhamento no dano neuromuscular local e na cascata inflamatória e hemorrágica gerada pela agulha, o que justifica racionalmente as intervenções de modulação mecânica e eletroterápica aplicadas imediatamente após o procedimento.

Da Minha Experiência

Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, a conversa sobre dor pós-agulhamento acontece antes da primeira sessão, não depois. Tenho observado que pacientes com dor crônica de alta intensidade basal toleram muito bem o desconforto pós-agulhamento — frequentemente relatam que a dor pós-agulhamento é qualitativamente diferente e menos limitante do que a dor miofascial original. O grupo que apresenta maior dificuldade são pacientes com dor de baixa intensidade ou em fase subaguda, nos quais o impacto funcional da dor pós-agulhamento pode parecer injustificado. Nesses casos, costumo usar compressão isquêmica imediata associada a orientação de movimento ativo de baixa carga no mesmo dia, o que empiricamente reduz a intensidade e duração do desconforto. A resposta clínica ao agulhamento costumo avaliar apenas a partir da segunda ou terceira sessão, justamente para não confundir a dor pós-agulhamento com ausência de eficácia — erro que, como este trabalho documenta, leva ao abandono precoce e compromete o desfecho.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Journal of Bodywork & Movement Therapies · 2018

DOI: 10.1016/j.jbmt.2018.01.003

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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