The effects of dry needling on muscle blood flow of the infraspinatus muscle in individuals with shoulder pain - a randomized clinical trial
Brown et al. · Journal of Manual & Manipulative Therapy · 2025
Nível de Evidência
FORTEOBJETIVO
Examinar os efeitos do agulhamento seco no fluxo sanguíneo do músculo infraespinhal em pessoas com dor no ombro usando ultrassom Doppler colorido
QUEM
40 pessoas entre 18-65 anos com dor não-traumática no ombro e pontos-gatilho miofasciais no infraespinhal
DURAÇÃO
Sessão única com avaliação imediatamente antes e após o tratamento
PONTOS
Pontos-gatilho miofasciais no músculo infraespinhal, 2-4 pontos por participante
🔬 Desenho do Estudo
Agulhamento Seco Real
n=20
Agulhamento real nos pontos-gatilho do infraespinhal por 10 segundos
Agulhamento Seco Placebo
n=20
Agulha placebo de Streitberger sem penetração na pele
📊 Resultados em Números
Redução da velocidade sistólica máxima
Melhora da rotação interna do ombro
Melhora da rotação externa do ombro
Mudança no limiar de dor à pressão
📊 Comparação de Resultados
Velocidade Sistólica Máxima (cm/s)
Este estudo mostrou que o agulhamento seco verdadeiro melhora o fluxo sanguíneo no músculo do ombro e aumenta a amplitude de movimento. Isso significa que o tratamento pode ajudar a relaxar o músculo e reduzir a tensão, oferecendo alívio para pessoas com dor no ombro.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Este estudo randomizado controlado investigou os efeitos do agulhamento seco no fluxo sanguíneo do músculo infraespinhal em pessoas com dor no ombro. A pesquisa é importante porque pontos-gatilho miofasciais são comuns na região do ombro e podem contribuir para sintomas crônicos, sendo que problemas no fluxo sanguíneo são propostos como um mecanismo subjacente desses pontos dolorosos. O estudo envolveu 40 participantes entre 18 e 65 anos que apresentavam dor não-traumática no ombro e pelo menos um ponto-gatilho no músculo infraespinhal. Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um recebeu agulhamento seco real e outro recebeu tratamento placebo com agulha falsa.
A metodologia foi rigorosa, utilizando ultrassom Doppler colorido para medir parâmetros de fluxo sanguíneo, goniômetro para amplitude de movimento e algômetro computadorizado para limiar de dor à pressão. As medições foram realizadas imediatamente antes e após uma única sessão de tratamento. Os resultados principais mostraram que o agulhamento seco real reduziu significativamente a velocidade sistólica máxima do fluxo sanguíneo, indicando menor resistência ao fluxo e melhor perfusão muscular. Isso sugere que o tratamento promove relaxamento muscular e vasodilatação.
Além disso, os participantes que receberam agulhamento real apresentaram melhorias significativas na amplitude de movimento do ombro, com aumento de 6,8° na rotação interna e 4,5° na rotação externa, valores que excedem a mudança mínima detectável. Contrariamente às expectativas, não houve diferenças significativas no limiar de dor à pressão entre os grupos. Isso pode ser explicado pelo fato de que os participantes apresentavam níveis baixos de dor inicial e incapacidade leve, além da possível influência de dor pós-agulhamento que pode mascarar mudanças imediatas na sensibilidade. O mecanismo proposto para os benefícios observados inclui a redução da compressão capilar através da disrupção da contratura muscular associada aos pontos-gatilho, além de mudanças bioquímicas que levam à vasodilatação.
O agulhamento pode reduzir a atividade elétrica anormal nos pontos-gatilho, promovendo relaxamento muscular e melhorando o ambiente vascular local. As implicações clínicas são promissoras, fornecendo evidências adicionais para o uso do agulhamento seco no manejo da dor no ombro. As melhorias imediatas no fluxo sanguíneo e amplitude de movimento sugerem que o tratamento pode ser eficaz para relaxar músculos tensos e melhorar a função do ombro. No entanto, o estudo teve limitações importantes, incluindo a não diferenciação entre pontos-gatilho ativos e latentes, o que pode explicar alguns resultados não significativos.
Além disso, apenas efeitos imediatos foram avaliados, sendo necessários estudos futuros para investigar efeitos de médio e longo prazo.
Pontos Fortes
- 1Design randomizado controlado com placebo usando agulha de Streitberger validada
- 2Uso de ultrassom Doppler colorido para medição objetiva do fluxo sanguíneo
- 3Metodologia rigorosa com avaliadores cegos para as intervenções
- 4Critérios de inclusão bem definidos e população homogênea
- 5Medições padronizadas com boa confiabilidade teste-reteste
Limitações
- 1Não diferenciação entre pontos-gatilho ativos e latentes
- 2Avaliação apenas de efeitos imediatos, sem seguimento
- 3Tamanho amostral relativamente pequeno (n=40)
- 4Possível influência de dor pós-agulhamento nas medições de limiar de dor
- 5Não controle de uso de medicamentos e horário de coleta de dados
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224
▸ Relevância Clínica
A disfunção do infraespinhal por pontos-gatilho miofasciais é um achado rotineiro em pacientes com síndrome do impacto, capsulite adesiva em resolução e instabilidade glenoumeral funcional. O que este ensaio acrescenta ao raciocínio clínico é uma evidência hemodinâmica objetiva — mensurada por Doppler colorido — de que uma única sessão de agulhamento seco produz redução significativa da velocidade sistólica máxima, indicando menor resistência vascular intramuscular e melhor perfusão tecidual. Do ponto de vista fisiatria, isso traduz o modelo da crise energética dos pontos-gatilho em dados fisiológicos aferíveis, não apenas em relatos subjetivos. Os ganhos imediatos de 6,8° em rotação interna e 4,5° em rotação externa superam a mudança mínima detectável e têm relevância direta para decisões sobre progressão do protocolo de reabilitação. Populações como atletas com dor no ombro de uso excessivo e trabalhadores com sobrecarga postural crônica são candidatos naturais a se beneficiar desta abordagem.
▸ Achados Notáveis
O achado mais intrigante é a dissociação entre os desfechos: o agulhamento real modificou objetivamente a hemodinâmica muscular e a mobilidade articular, mas não alterou o limiar de dor à pressão de forma significativa. Isso desafia a premissa de que a analgesia mecânica imediata é o principal efeito de uma sessão única, sugerindo que a via vascular-metabólica — e não a neuromodulação sensitiva — predomina no efeito agudo. A redução da velocidade sistólica máxima é interpretada como vasodilatação relativa secundária à disrupção da contratura miofibrilar, consistente com o modelo de Simons sobre disfunção da placa motora. Que esses efeitos vasculares precedam a mudança analgésica tem implicações para sequenciamento terapêutico: o agulhamento pode preparar o tecido para intervenções subsequentes — mobilização, fortalecimento excêntrico — de forma mais eficiente do que modificar diretamente a sensibilidade central neste estágio.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no Centro de Dor e Reabilitação, o infraespinhal é, junto com o trapézio descendente, o músculo que agulho com maior frequência em pacientes com ombro doloroso crônico. Costumo observar resposta funcional já nas primeiras duas a três sessões — o paciente relata que consegue alcançar o cinto de segurança ou pentear o cabelo com menos dificuldade, mesmo antes de referir alívio importante de dor. Esse padrão corresponde exatamente à dissociação descrita no estudo. Trabalho habitualmente com ciclos de seis a oito sessões para estabilização, associando o agulhamento a exercícios de fortalecimento dos rotadores externos na mesma semana — a mobilidade recuperada logo após a sessão cria uma janela terapêutica que a fisioterapia deve aproveitar imediatamente. Evito indicar o procedimento isolado em pacientes com hipersensibilização central marcada, pois a dor pós-agulhamento pode piorar a experiência sem ganho proporcional. O perfil que responde melhor, em minha experiência, é exatamente o descrito no estudo: dor moderada, incapacidade funcional leve a moderada e ponto-gatilho latente ou ativo bem delimitado.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Journal of Manual & Manipulative Therapy · 2025
DOI: 10.1080/10669817.2025.2464542
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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