Effect of acupuncture on tinnitus severity index in the elderly with non-pulsating tinnitus
Ismail et al. · Physiotherapy Quarterly · 2022
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Investigar o efeito da acupuntura na qualidade de vida de idosos com zumbido não pulsátil subjetivo idiopático
QUEM
40 idosos acima de 65 anos com zumbido há mais de 3 meses consecutivos
DURAÇÃO
4 semanas de tratamento (12 sessões)
PONTOS
14 pontos incluindo SJ 3, SJ 5, SJ 17-22, GB 2, GB 8, GB 20, LI 4, KI 3 e ST 36
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura + Medicação
n=20
Acupuntura manual 30 min, 3x/semana + medicação prescrita
Controle
n=20
Apenas medicação prescrita
📊 Resultados em Números
Redução na escala visual analógica de intensidade
Melhora no índice de severidade do zumbido
Significância estatística (EVA)
Significância estatística (ISZ)
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Escala Visual Analógica de Intensidade do Zumbido
Índice de Severidade do Zumbido
Este estudo mostrou que a acupuntura pode ser uma opção valiosa para idosos que sofrem com zumbido no ouvido há mais de 3 meses. Os resultados indicam que combinar acupuntura com medicação tradicional reduz significativamente tanto a intensidade quanto o impacto do zumbido na qualidade de vida. É uma terapia complementar segura que vale a pena considerar.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Este estudo controlado randomizado investigou a eficácia da acupuntura manual como tratamento complementar para zumbido não pulsátil subjetivo idiopático em idosos. O zumbido idiopático representa um desafio clínico significativo, especialmente na população geriátrica, onde afeta cerca de 33% dos indivíduos e causa impactos negativos substanciais na qualidade de vida, incluindo frustração, ansiedade, depressão, dificuldades de concentração, insônia e interferência nas interações sociais.
O estudo incluiu 40 pacientes de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 65 anos, que apresentavam zumbido não pulsátil há mais de três meses consecutivos. Os participantes foram recrutados no ambulatório de otorrinolaringologia do Hospital Al-Iman Charitable em Benha City e randomizados em dois grupos de 20 pacientes cada. Os critérios de exclusão foram rigorosos, eliminando pacientes com zumbido pulsátil objetivo, doença de Ménière, tumores auriculares, otite media, lesões cocleares, perda auditiva, uso de medicamentos ototóxicos, diabetes, hipertensão, doença mental ou tratamento alternativo prévio nos últimos três meses.
O protocolo de acupuntura foi baseado em estudos anteriores e princípios da medicina tradicional chinesa. O grupo de intervenção recebeu acupuntura manual por 30 minutos, três vezes por semana durante quatro semanas, utilizando 14 pontos específicos: SJ 3, SJ 5, SJ 17, SJ 18, SJ 19, SJ 20, SJ 21, SJ 22, GB 2, GB 8, GB 20, LI 4, KI 3 e ST 36. A seleção destes pontos seguiu a teoria dos meridianos, incluindo pontos periauriculares, distais e proximais para maximizar a resposta terapêutica. As agulhas de aço inoxidável estéril foram inseridas perpendicularmente com profundidade de 5-10 mm, exceto no ponto GB 20.
O protocolo incluiu manipulação manual com rotações rápidas no sentido anti-horário a cada cinco minutos para obter o de qi, sensação considerada essencial para a eficácia da acupuntura.
Os resultados foram mensurados através de duas escalas validadas: a Escala Visual Analógica de Intensidade do Zumbido (EVA-Z) e o Índice de Severidade do Zumbido (ISZ). O ISZ contém 12 questões que avaliam o impacto subjetivo do zumbido na qualidade de vida, com pontuação variando de 12 a 60 pontos. As avaliações foram realizadas antes e após o período de tratamento de quatro semanas.
Os resultados demonstraram eficácia significativa da acupuntura. No grupo de intervenção, a EVA-Z reduziu de 8,27 ± 1,45 para 3,20 ± 1,36 (p < 0,001), representando uma melhora de 61,3%. O ISZ diminuiu de 44,30 ± 3,40 para 27,95 ± 4,18 (p < 0,001), indicando melhora de 36,9%. Em contraste, o grupo controle não apresentou alterações estatisticamente significativas em nenhuma das medidas.
A análise comparativa entre grupos mostrou diferença altamente significativa favorecendo o grupo acupuntura (p = 0,0001).
Os mecanismos propostos para explicar estes resultados incluem a modulação do sistema nervoso autônomo, estimulação somatossensorial, efeitos no núcleo olivococlear, modulação serotoninérgica no sistema límbico, redução da tensão muscular pericraniana, liberação de opioides endógenos e melhora da circulação local. Segundo a medicina tradicional chinesa, o zumbido relaciona-se ao desequilíbrio yin-yang dos meridianos do rim e vesícula biliar na região auricular.
As implicações clínicas são relevantes, considerando que os tratamentos farmacológicos convencionais para zumbido idiopático apresentam eficácia limitada. A acupuntura emerge como terapia complementar segura e eficaz, especialmente valiosa na população geriátrica. O estudo confirma resultados de pesquisas anteriores que demonstraram benefícios da acupuntura no tratamento do zumbido crônico.
As limitações incluem o tamanho amostral pequeno e ausência de seguimento a longo prazo para avaliar a durabilidade dos benefícios. Estudos futuros com amostras maiores, diferentes faixas etárias e períodos de acompanhamento mais extensos são necessários para consolidar estas evidências e estabelecer protocolos otimizados de tratamento.
Pontos Fortes
- 1Desenho controlado randomizado com metodologia adequada
- 2Critérios de inclusão e exclusão bem definidos
- 3Uso de escalas validadas para avaliação dos resultados
- 4Protocolo de acupuntura baseado em evidências anteriores
- 5Resultados estatisticamente significativos com tamanhos de efeito clinicamente relevantes
Limitações
- 1Tamanho amostral pequeno (n=40) limita a generalização dos resultados
- 2Ausência de seguimento a longo prazo para avaliar durabilidade dos benefícios
- 3Falta de grupo sham-acupuntura para controlar efeitos placebo
- 4Estudo unicêntrico limita a representatividade da população
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
O zumbido não pulsátil crônico em idosos representa um dos desafios mais frustrantes da prática otorrinolaringológica e geriátrica: a farmacoterapia convencional é notoriamente limitada, e a prevalência do sintoma nessa faixa etária chega a um terço da população. Este trabalho, ao demonstrar reduções de 61,3% na intensidade pelo EVA e de 36,9% no Índice de Severidade do Zumbido com protocolo adjuvante de acupuntura manual em apenas quatro semanas, oferece um referencial clínico concreto. O perfil da população estudada — pacientes acima de 65 anos com zumbido há mais de três meses, sem comorbidades desestabilizadoras como diabetes ou hipertensão não controlada — corresponde exatamente ao contingente que chega aos ambulatórios de otorrinolaringologia e dor sem opções terapêuticas satisfatórias. A ausência de efeitos adversos graves reforça a adequação da acupuntura como componente integrativo nesse arsenal.
▸ Achados Notáveis
O protocolo de 14 pontos merece atenção pela coerência entre a lógica meridional clássica e os mecanismos neurofisiológicos contemporâneos: a seleção enfatizou o meridiano Sanjiao — especialmente os pontos periauriculares SJ 17 a SJ 22 — combinada com GB 2, GB 20, LI 4, KI 3 e ST 36, cobrindo modulação autonômica, somatossensorial e límbica de forma sistemática. A manipulação anti-horária a cada cinco minutos para provocar o de qi não é mero ritualismo; há correlação com ativação do sistema opioide endógeno e do núcleo olivococlear que a literatura mecanística sustenta. O dado mais expressivo é que o grupo controle — apenas medicação — não atingiu significância estatística em nenhum desfecho, enquanto o grupo acupuntura + medicação alcançou p < 0,001 em ambas as escalas. Essa separação de curvas em apenas quatro semanas sugere que o componente acupuntura foi o diferencial terapêutico ativo.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática com zumbido crônico em idosos, tenho observado que a resposta começa a se tornar perceptível entre a terceira e a quinta sessão — geralmente o paciente refere que o zumbido 'fica mais distante' ou que dorme melhor antes de relatar redução franca da intensidade. Costumo trabalhar com protocolos de 10 a 12 sessões na fase aguda, seguidos de manutenção mensal para casos que respondem bem. Associo frequentemente a acupuntura à terapia sonora e, quando há componente ansioso significativo, à abordagem de terapia cognitivo-comportamental conduzida em paralelo. O ponto KI 3 e a dupla SJ 17 + GB 2 compõem o núcleo do protocolo que utilizo rotineiramente; a adição de ST 36 em pacientes com queda de vitalidade é um hábito que carrego há décadas. Não indico o procedimento quando o zumbido é pulsátil ou quando há hipótese vascular não investigada. O perfil que responde melhor, na minha experiência, é o idoso com zumbido de caráter estável, sem componente de Ménière, e com algum grau de tensão cervical associada — exatamente a população recrutada neste trabalho.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Physiotherapy Quarterly · 2022
DOI: https://doi.org/10.5114/pq.2021.108662
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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