Dry needling on latent and active myofascial trigger points versus oral diclofenac in patients with knee osteoarthritis: a randomized controlled trial

Ma et al. · BMC Musculoskeletal Disorders · 2023

🎯RCT Controlado👥n=77 completaramAlto impacto clínico

Nível de Evidência

MODERADA
78/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Comparar agulhamento seco em pontos-gatilho versus diclofenaco oral na osteoartrite de joelho

👥

QUEM

98 pacientes com osteoartrite de joelho e pontos-gatilho miofasciais

⏱️

DURAÇÃO

6 semanas de tratamento com follow-up de 6 meses

📍

PONTOS

Pontos-gatilho em músculos do quadríceps, isquiotibiais, glúteos e panturrilha

🔬 Desenho do Estudo

77participantes
randomização

Agulhamento seco

n=42

Agulhamento seco semanal em pontos-gatilho + alongamento

Diclofenaco

n=35

Diclofenaco 75mg/dia + alongamento

⏱️ Duração: 6 semanas

📊 Resultados em Números

2.7 pontos

Redução da dor (agulhamento seco)

1.7 pontos

Redução da dor (diclofenaco)

16.6 pontos

Melhora funcional WOMAC (agulhamento)

6.9 pontos

Melhora funcional WOMAC (diclofenaco)

📊 Comparação de Resultados

Escala de Dor (NPRS)

Agulhamento seco
2.7
Diclofenaco
3.7

Função WOMAC

Agulhamento seco
11.5
Diclofenaco
19.7
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que o agulhamento seco em pontos dolorosos dos músculos da coxa e perna foi mais eficaz que o medicamento anti-inflamatório diclofenaco para reduzir a dor e melhorar a função em pessoas com artrose de joelho. Os benefícios do agulhamento seco duraram mais tempo, mantendo-se superiores mesmo após 6 meses.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este estudo randomizado controlado investigou a eficácia do agulhamento seco em pontos-gatilho miofasciais comparado ao diclofenaco oral em pacientes com osteoartrite de joelho, representando uma abordagem inovadora no tratamento desta condição degenerativa comum. A osteoartrite de joelho afeta principalmente idosos e causa dor significativa, rigidez e limitação funcional que impactam profundamente a qualidade de vida. Tradicionalmente, o tratamento tem se baseado em anti-inflamatórios não-esteroidais como o diclofenaco, porém seus efeitos adversos gastrointestinais, renais e cardiovasculares limitam o uso prolongado. Os pesquisadores recrutaram 98 pacientes com idade superior a 55 anos que apresentavam osteoartrite de joelho confirmada radiograficamente (graus II-IV de Kellgren-Lawrence) e dor de intensidade mínima 4 numa escala de 0-10.

Todos os participantes tinham pelo menos um ponto-gatilho miofascial ativo ou latente nos músculos associados ao joelho. Os participantes foram randomizados em dois grupos: o grupo de agulhamento seco (49 pacientes) recebeu tratamento semanal com agulhas em pontos-gatilho dos músculos quadríceps, isquiotibiais, tensor da fáscia lata, adutores e abdutores do quadril, gastrocnêmio, sóleo e poplíteo, combinado com exercícios de alongamento domiciliares; o grupo controle (49 pacientes) recebeu diclofenaco sódico 75mg diários por via oral junto com os mesmos exercícios de alongamento. O agulhamento seco seguiu critérios rigorosos para identificação de pontos-gatilho, incluindo banda tensa palpável, ponto hipersensível e reprodução dos sintomas do paciente. O tratamento foi realizado até obter resposta de contração local muscular, indicando liberação do ponto-gatilho.

As medidas de desfecho incluíram a Escala Numérica de Dor (NPRS), o Índice WOMAC para avaliação da osteoartrite e amplitude de movimento do joelho, avaliados antes do tratamento, após 6 semanas e aos 6 meses de seguimento. Dos 98 participantes iniciais, 77 completaram o estudo (42 no grupo agulhamento seco e 35 no grupo diclofenaco). Os resultados demonstraram superioridade significativa do agulhamento seco em todas as medidas avaliadas. Na escala de dor NPRS, o grupo agulhamento seco apresentou redução de 6.1 para 2.5 pontos, enquanto o grupo diclofenaco reduziu de 5.9 para 3.7 pontos após 6 semanas.

Mais impressionante ainda, aos 6 meses de seguimento, o grupo agulhamento seco manteve a melhora com pontuação de 2.7, enquanto o grupo diclofenaco apresentou recidiva parcial para 3.7 pontos. No índice WOMAC total, o agulhamento seco proporcionou melhora de 39.4 para 15.8 pontos, comparado a uma melhora de 37.2 para 22.4 pontos no grupo diclofenaco. A amplitude de movimento do joelho também melhorou significativamente mais no grupo agulhamento seco. A análise da prevalência de pontos-gatilho revelou achados importantes: pontos-gatilho latentes foram encontrados em 50-71% dos músculos avaliados, sendo mais prevalentes no gastrocnêmio, enquanto pontos-gatilho ativos variaram de 7-54% entre os diferentes músculos.

Este é o primeiro estudo a incluir tanto pontos-gatilho ativos quanto latentes no tratamento da osteoartrite de joelho, reconhecendo que ambos contribuem para disfunção muscular e alterações biomecânicas que podem acelerar a degeneração articular. Os efeitos adversos foram mínimos: dois pacientes no grupo agulhamento seco descontinuaram por dor persistente pós-tratamento, enquanto três pacientes no grupo diclofenaco saíram por efeitos gastrointestinais. As implicações clínicas são significativas, sugerindo que o agulhamento seco pode oferecer uma alternativa eficaz e duradoura aos anti-inflamatórios tradicionais, abordando não apenas a dor mas também os desequilíbrios musculares subjacentes que perpetuam a disfunção articular. O estudo tem limitações como falta de supervisão direta dos exercícios domiciliares e ausência de grupo placebo, mas fornece evidência robusta para incorporação desta técnica no manejo multimodal da osteoartrite de joelho.

Pontos Fortes

  • 1Primeiro estudo a incluir pontos-gatilho latentes e ativos
  • 2Seguimento de longo prazo (6 meses)
  • 3Metodologia rigorosa para identificação de pontos-gatilho
  • 4Comparação com tratamento padrão estabelecido
⚠️

Limitações

  • 1Ausência de supervisão dos exercícios domiciliares
  • 2Sem grupo placebo por considerações éticas
  • 3Perda de seguimento por limitações de mobilidade dos pacientes
  • 4Não medição do limiar de dor por pressão

📅 Contexto Histórico

2008Primeiros estudos de agulhamento seco em osteoartrite de joelho
2012Identificação da alta prevalência de pontos-gatilho em candidatos à artroplastia
2017Início do recrutamento deste estudo
2020Revisão sistemática questiona eficácia do agulhamento seco na osteoartrite
2023Publicação deste estudo demonstrando eficácia com inclusão de pontos latentes
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Relevância Clínica

A osteoartrite de joelho em pacientes acima de 55 anos representa um dos maiores volumes ambulatoriais em serviços de dor e reabilitação, e a dependência crônica de AINEs nessa faixa etária traz risco cardiovascular, renal e gastrointestinal que frequentemente limita ou contraindica o uso prolongado. Este ensaio randomizado oferece dados concretos para embasar uma abordagem alternativa: o agulhamento seco semanal de músculos periarticulares — quadríceps, isquiotibiais, gastrocnêmio, poplíteo, adutores e tensor da fáscia lata — como componente do manejo multimodal. A superioridade mantida aos 6 meses no WOMAC e na escala numérica de dor indica durabilidade clínica relevante, não apenas alívio transitório. Pacientes com osteoartrite graus II a IV de Kellgren-Lawrence e pelo menos um ponto-gatilho identificado clinicamente constituem o perfil beneficiado. A combinação com alongamento domiciliar reforça que o agulhamento seco atua como facilitador da restauração funcional, não como monoterapia isolada.

Achados Notáveis

O dado mais clinicamente expressivo não é apenas a magnitude da redução de dor — 2,7 pontos no agulhamento seco contra 1,7 pontos no diclofenaco após 6 semanas — mas a trajetória diferencial aos 6 meses: enquanto o grupo medicamentoso apresentou recidiva parcial mantendo 3,7 pontos na NPRS, o grupo agulhamento sustentou 2,7 pontos, sugerindo modulação mais duradoura da sensibilização periférica e dos desequilíbrios musculares que perpetuam a disfunção articular. A melhora funcional pelo WOMAC foi igualmente expressiva: 16,6 pontos no agulhamento versus 6,9 pontos no diclofenaco. Outro achado relevante é a prevalência de pontos-gatilho latentes, encontrados em 50 a 71% dos músculos avaliados — gastrocnêmio liderando —, sinalizando que disfunção miofascial silenciosa é constitutiva da síndrome dolorosa na osteoartrite, e não epifenômeno. Tratar apenas pontos ativos subestima o substrato neuromuscular da condição.

Da Minha Experiência

Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, costumo observar resposta perceptível ao agulhamento seco em pontos-gatilho periarticulares do joelho já a partir da segunda ou terceira sessão — o paciente frequentemente relata melhora na descida de escadas e menor rigidez matinal antes de completar o ciclo. Trabalho habitualmente com ciclos de 6 a 8 sessões semanais, seguidos de espaçamento quinzenal para manutenção conforme resposta clínica. Associo sistematicamente fortalecimento supervisionado de quadríceps e glúteo médio, pois sem correção do substrato biomecânico a recidiva dos pontos-gatilho é previsível. O perfil que responde melhor, em minha experiência, é o paciente com dor desproporcional ao grau radiográfico — exatamente onde o componente miofascial é dominante. Evito o agulhamento seco em pacientes anticoagulados ou com linfedema de membro inferior. O fato de Ma et al. incluírem pontos latentes valida o que tenho observado há anos: tratar apenas os pontos sintomáticos deixa a disfunção muscular de fundo intocada, e o paciente retorna em poucas semanas com recidiva.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

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BMC Musculoskeletal Disorders · 2023

DOI: 10.1186/s12891-022-06116-9

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.