Cost-Effectiveness of Pharmacopuncture Versus Conventional Acupuncture for Insomnia: An RCT-Based Economic Evaluation with a Markov Model

Cho et al. · Neurology and Therapy · 2026

🎲ECA Pragmático👥n=126💰Análise Farmacoeconômica

Nível de Evidência

FORTE
85/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Avaliar a custo-efetividade da farmacoacupuntura comparada à acupuntura convencional para insônia

👥

QUEM

126 pacientes com insônia moderada a grave (ISI ≥15), idade 19-80 anos

⏱️

DURAÇÃO

4 semanas de tratamento + 4 semanas de seguimento

📍

PONTOS

Pontos personalizados com extratos de Placenta Hominis, Hwangryunhaedok-tang ou outras fórmulas

🔬 Desenho do Estudo

126participantes
randomização

Farmacoacupuntura

n=83

Acupuntura com injeção de extratos herbais em pontos específicos

Acupuntura Convencional

n=43

Acupuntura tradicional ou eletroacupuntura

⏱️ Duração: 4 semanas de tratamento com 10 sessões

📊 Resultados em Números

0%

Remissão 4 semanas - Farmacoacupuntura

0%

Remissão 4 semanas - Acupuntura Convencional

KRW 368.000 (USD 270)

Custo incremental por remissão (8 semanas)

KRW 16.940.000 (USD 12.600)

ICER por QALY (6 meses)

Destaques Percentuais

64%
Remissão 4 semanas - Farmacoacupuntura
58%
Remissão 4 semanas - Acupuntura Convencional

📊 Comparação de Resultados

Redução do ISI (4 semanas)

Farmacoacupuntura
10.46
Acupuntura Convencional
8.19
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que a farmacoacupuntura (acupuntura combinada com medicamentos herbais) é mais efetiva que a acupuntura tradicional para tratar insônia, mas custa mais. Por cerca de R$ 1.400 a mais por paciente curado em 2 meses, pode ser considerada um bom investimento em saúde.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este estudo inovador avaliou pela primeira vez a custo-efetividade da farmacoacupuntura para insônia, comparando-a com acupuntura convencional através de um ensaio clínico pragmático na Coreia do Sul. A farmacoacupuntura combina acupuntura tradicional com injeção de extratos herbais nos pontos, oferecendo efeitos sinérgicos teóricos entre estimulação física e ação farmacológica. O estudo incluiu 126 pacientes com insônia moderada a grave, randomizados em proporção 2:1 para farmacoacupuntura ou acupuntura convencional (acupuntura tradicional ou eletroacupuntura). O tratamento consistiu em 10 sessões ao longo de 4 semanas, seguido de 4 semanas de acompanhamento.

A metodologia empregou dois modelos de Markov para avaliar custo-efetividade de curto (8 semanas) e longo prazo (24 semanas). Os resultados demonstraram superioridade clínica da farmacoacupuntura. Ambos os grupos apresentaram melhorias clinicamente significativas nos escores do Índice de Gravidade da Insônia (ISI), com reduções médias superiores ao limiar de 6 pontos considerado mudança clinicamente importante. A farmacoacupuntura mostrou reduções significativamente maiores no ISI após 4 semanas (10,46 vs 8,19 pontos, p=0,005) e manteve essa vantagem em 8 semanas (10,63 vs 8,30 pontos, p=0,007).

As taxas de remissão (ISI <8) foram consistentemente maiores no grupo farmacoacupuntura: 64% vs 58% em 4 semanas e 61% vs 44% em 8 semanas. Particularmente notável foi a eficácia em insônia grave, onde farmacoacupuntura alcançou 50% de remissão comparada a 0% com acupuntura convencional. A análise econômica revelou que farmacoacupuntura incorre custo adicional de aproximadamente KRW 368.000 (USD 270) por paciente que atinge remissão em 8 semanas. Na análise de longo prazo, a razão incremental de custo-efetividade foi KRW 16.940.000 (USD 12.600) por ano de vida ajustado por qualidade (QALY), valor abaixo do limiar de custo-efetividade coreano de KRW 27.660.000.

Análises de sensibilidade mostraram que a custo-efetividade é sensível ao preço da farmacoacupuntura. Com redução de 25% no preço, a intervenção torna-se ainda mais atrativa economicamente, mas aumentos de 25-50% excedem limiares aceitáveis. A extensão da duração do tratamento melhora a custo-efetividade, sugerindo benefícios de protocolos mais longos. As implicações clínicas são significativas.

A farmacoacupuntura demonstrou efeitos mais sustentados que acupuntura convencional durante período sem intervenção, com diferenças nas taxas de remissão mais pronunciadas no seguimento que imediatamente pós-tratamento. Isso sugere melhor manutenção dos efeitos terapêuticos. A taxa de remissão de 61% aos 6 meses é comparável ou superior à terapia cognitivo-comportamental para insônia (55-62%), enquanto acupuntura convencional (44%) equipara-se à farmacoterapia hipnótica (48%). O estudo possui forças metodológicas importantes, incluindo design pragmático que reflete prática clínica real, coleta abrangente de dados de custos, e modelo de Markov com múltiplos estados de gravidade baseado em classificações validadas do ISI.

O uso do instrumento HINT-8 ao invés do EQ-5D-5L reduziu efeitos teto e pode ter capturado melhor mudanças na qualidade de vida relacionada à saúde. Limitações incluem amostra relativamente pequena, dependência de dados de ensaio único para parâmetros do modelo, e contexto específico do sistema de saúde coreano que pode limitar generalizabilidade. A estratificação por gravidade resultou em subgrupos pequenos, particularmente no grupo controle para insônia grave. Além disso, contribuições específicas de diferentes extratos herbais não foram esclarecidas, limitando compreensão dos mecanismos.

Este estudo fornece evidência robusta de que farmacoacupuntura representa opção custo-efetiva para manejo de insônia comparada a outras modalidades de acupuntura, especialmente considerando limiar de KRW 400.000 por respondedor adicional em 2 meses. Os achados apoiam consideração para inclusão da farmacoacupuntura na cobertura do Seguro Nacional de Saúde coreano, potencialmente melhorando acesso e reduzindo barreiras financeiras para pacientes.

Pontos Fortes

  • 1Design pragmático que reflete prática clínica real
  • 2Análise econômica rigorosa com modelos de Markov
  • 3Coleta abrangente de dados de custos
  • 4Uso de múltiplos estados de gravidade baseados em ISI validado
⚠️

Limitações

  • 1Amostra relativamente pequena com subgrupos limitados
  • 2Dependência de dados de ensaio único para parâmetros do modelo
  • 3Generalizabilidade limitada ao contexto coreano
  • 4Contribuições específicas de extratos herbais não esclarecidas

📅 Contexto Histórico

2017Meta-análise demonstra superioridade da farmacoacupuntura
2021Diretrizes coreanas recomendam acupuntura para insônia
2022Protocolo do ensaio clínico publicado
2026Primeira avaliação farmacoeconômica da farmacoacupuntura para insônia
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

A avaliação econômica aqui apresentada abre um diálogo necessário entre efetividade clínica e sustentabilidade do sistema de saúde — dimensão que frequentemente falta nos ensaios de acupuntura. Para o médico que trabalha com distúrbios do sono, os dados são diretos: farmacoacupuntura com 10 sessões em quatro semanas gerou remissão em 64% dos pacientes com insônia moderada a grave, superando os 58% da acupuntura convencional, com um custo incremental de aproximadamente USD 270 por remissão adicional em oito semanas. O ICER de USD 12.600 por QALY mantém-se abaixo do limiar coreano de custo-efetividade, o que posiciona a intervenção favoravelmente em análises de incorporação tecnológica. Mesmo fora do contexto coreano, esses números orientam o raciocínio clínico: quando o paciente não responde adequadamente à acupuntura convencional — sobretudo nos casos de insônia grave —, a farmacoacupuntura representa uma escalada terapêutica sustentada por dados de custo-efetividade, não apenas por preferência do prescritor.

Achados Notáveis

O achado que mais merece atenção é o comportamento divergente dos grupos durante o período sem intervenção: enquanto ambos melhoravam durante as quatro semanas de tratamento, a vantagem da farmacoacupuntura tornava-se mais pronunciada nas quatro semanas seguintes, com remissão de 61% contra 44% na acupuntura convencional. Isso sugere um efeito de consolidação — possivelmente mediado pela ação farmacodinâmica prolongada dos extratos herbais injetados — que não é captado ao término imediato do protocolo. Mais expressivo ainda é o desempenho na insônia grave: 50% de remissão com farmacoacupuntura contra 0% com acupuntura convencional, diferença que, mesmo considerando o tamanho reduzido do subgrupo controle, aponta para uma lacuna de eficácia clinicamente relevante nesse perfil de paciente. A comparação com terapia cognitivo-comportamental para insônia — padrão-ouro não farmacológico, com remissão entre 55-62% — também merece registro: farmacoacupuntura alcança desempenho equivalente com protocolo de curta duração.

Da Minha Experiência

Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, a farmacoacupuntura com extratos herbais — análoga à aquapuntura que realizamos com diferentes substâncias injetáveis — costuma mostrar resposta perceptível já nas primeiras três a quatro sessões, frequentemente antes da acupuntura convencional no mesmo paciente. O perfil que responde melhor, na minha observação, é o do insone com componente ansioso marcado e resistência a hipnóticos, onde a combinação de estímulo mecânico do ponto com ação farmacológica local parece sustentar o efeito além da sessão. Costumo associar ao protocolo orientações de higiene do sono estruturadas e, quando há indicação, encaminhamento para TCC-I, pois as abordagens não competem — somam. Protocolos de manutenção quinzenal após as sessões iniciais, algo que praticamos rotineiramente, parecem sustentar os ganhos de remissão que o artigo demonstrou persistirem em oito semanas. A ressalva que faço aos colegas: em pacientes com insônia secundária a dor crônica ou apneia não tratada, a resposta é menos previsível e a investigação etiológica precede qualquer decisão de escalada para farmacoacupuntura.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Neurology and Therapy · 2026

DOI: 10.1007/s40120-026-00936-w

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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