The effect of acupuncture on postmenopausal symptoms and reproductive hormones: a sham controlled clinical trial

Sunay et al. · Acupuncture in Medicine · 2011

🔬RCT Controlado com Sham👥n=53 participantesEvidência Moderada

Nível de Evidência

MODERADA
72/ 100
Qualidade
3/5
Amostra
2/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Investigar se a acupuntura tem efeito nos sintomas da menopausa e se está relacionado a mudanças nos níveis hormonais reprodutivos

👥

QUEM

53 mulheres na pós-menopausa (50 menopausa natural, 6 cirúrgica)

⏱️

DURAÇÃO

10 sessões de acupuntura, 2 vezes por semana, durante 5 semanas

📍

PONTOS

ST36, LI4, KI3, LR3 (bilaterais), EX-HN3 e CV3, agulhas mantidas por 20 minutos

🔬 Desenho do Estudo

53participantes
randomização

Acupuntura real

n=27

Acupuntura tradicional chinesa com inserção de agulhas e obtenção de de qi

Acupuntura sham

n=26

Agulhas cegas sem penetração na pele nos mesmos pontos

⏱️ Duração: 5 semanas com avaliações após primeira e última sessão

📊 Resultados em Números

9.6 vs 20.5

Redução no escore total MRS (acupuntura vs sham)

p=0.001

Diferença significativa no escore total MRS

p=0.001

Redução na severidade de fogachos

p=0.045

Aumento nos níveis de estradiol

p=0.046

Redução nos níveis de LH

📊 Comparação de Resultados

Escore Total MRS (pós-tratamento)

Acupuntura
9.6
Sham
20.5

Sintomas Somáticos (pós-tratamento)

Acupuntura
3.2
Sham
8.8
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que a acupuntura verdadeira foi mais eficaz que a acupuntura simulada para reduzir sintomas da menopausa, especialmente fogachos, sintomas físicos e psicológicos. O tratamento também causou pequenas mudanças favoráveis nos hormônios reprodutivos, sugerindo que a acupuntura pode ser uma alternativa válida à terapia hormonal.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este estudo randomizado controlado investigou a eficácia da acupuntura no tratamento dos sintomas da menopausa e seu impacto nos hormônios reprodutivos. A pesquisa foi conduzida no Hospital de Treinamento e Pesquisa de Ancara, na Turquia, entre outubro e dezembro de 2009, envolvendo 53 mulheres na pós-menopausa que foram alternadamente designadas para receber acupuntura real ou acupuntura sham (simulada). O contexto do estudo surge da necessidade de alternativas à terapia de reposição hormonal (TRH), cujos riscos foram destacados pelos estudos Women's Health Initiative e Million Women Study, que identificaram associações com doenças cardiovasculares e câncer. A metodologia empregou a Escala de Avaliação da Menopausa (MRS) como desfecho primário, avaliando sintomas somáticos, psicológicos e urogenitais.

Os níveis séricos de estradiol, hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH) foram mensurados como desfechos secundários. O grupo de acupuntura recebeu tratamento com medicina tradicional chinesa por um acupunturista licenciado com 6 anos de experiência, utilizando agulhas estéreis descartáveis nos pontos ST36, LI4, KI3, LR3 (bilateralmente), EX-HN3 e CV3, com obtenção do de qi e permanência por 20 minutos sem estimulação elétrica. O grupo sham utilizou agulhas desenvolvidas por Streitberger e Kleinhenz, que não penetram na pele. Os resultados demonstraram superioridade significativa da acupuntura real.

Após o tratamento, os escores totais da MRS e as subescalas somática e psicológica foram significativamente menores no grupo acupuntura comparado ao sham (todos p=0.001). A severidade dos fogachos, sintoma mais proeminente da menopausa, foi significativamente reduzida (p=0.001). Em relação aos hormônios, o grupo acupuntura apresentou níveis de LH significativamente menores (p=0.046) e níveis de estradiol significativamente maiores (p=0.045) que o grupo sham após o tratamento, embora não tenha havido diferença nos níveis de FSH. As implicações clínicas sugerem que a acupuntura pode ser considerada uma terapia alternativa eficaz para sintomas da menopausa, particularmente para mulheres com contraindicações à TRH.

O mecanismo de ação proposto envolve a ativação do hipotálamo e hipófise através da estimulação por acupuntura, resultando em alterações na secreção de neurotransmissores e neurohormônios. Os autores sugerem que o aumento da atividade de β-endorfina central pode estabilizar a termorregulação e diminuir os fogachos. No entanto, as mudanças hormonais observadas foram consideradas pequenas demais para explicar completamente as melhorias sintomáticas, sugerindo que outros fatores podem estar envolvidos. O estudo apresenta limitações importantes, incluindo o tamanho amostral pequeno (poder estatístico de 0.71), ausência de seguimento pós-tratamento para avaliar a durabilidade dos efeitos, e diferenças basais entre os grupos em algumas variáveis.

Além disso, a duração do tratamento pode não ter sido suficiente para refletir o efeito completo da acupuntura. Apesar dessas limitações, os resultados são consistentes com estudos anteriores que demonstraram eficácia da acupuntura para sintomas vasomotores da menopausa, contribuindo para o corpo de evidências que suporta esta modalidade terapêutica como alternativa não-hormonal válida.

Pontos Fortes

  • 1Uso de acupuntura sham validada (agulhas Streitberger-Kleinhenz)
  • 2Avaliação de sintomas com escala validada (MRS)
  • 3Medição objetiva de hormônios reprodutivos
  • 4Protocolo de acupuntura padronizado seguindo diretrizes WHO
  • 5Análise de efeitos cumulativos com avaliações em múltiplos momentos
⚠️

Limitações

  • 1Tamanho amostral pequeno (n=53) com poder estatístico limitado
  • 2Ausência de seguimento pós-tratamento para avaliar durabilidade
  • 3Diferenças basais entre grupos em algumas variáveis
  • 4Duração curta do tratamento (5 semanas)
  • 5Mudanças hormonais pequenas sem correlação clara com melhora sintomática

📅 Contexto Histórico

1976Primeira sugestão de que acupuntura pode afetar funções endócrinas em mulheres
2003Estudos Women's Health Initiative revelam riscos da terapia hormonal
2007Estudos prévios mostram resultados mistos para acupuntura na menopausa
2009Realização deste estudo em Ancara, Turquia
2011Publicação demonstrando eficácia da acupuntura vs sham para sintomas da menopausa
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

O trabalho de Sunay et al. responde a uma demanda concreta que surge em consultório com crescente frequência: a mulher pós-menopáusica com fogachos incapacitantes que não pode — ou não quer — usar terapia de reposição hormonal. Após os dados dos estudos Women's Health Initiative e Million Women Study, a janela clínica para TRH estreitou-se consideravelmente, e as opções não-hormonais com respaldo em evidências permaneceram escassas. Aqui, a acupuntura tradicional chinesa, aplicada em protocolo padronizado segundo diretrizes da OMS por cinco semanas, produziu escores totais na MRS significativamente inferiores aos do grupo sham — 9,6 versus 20,5, com p=0,001. Esse delta tem tradução clínica direta: corresponde a melhora substancial nos domínios somático e psicológico, precisamente os que mais comprometem qualidade de vida e produtividade. O método é especialmente pertinente para mulheres com histórico de neoplasia hormônio-dependente, tromboembolismo ou doença cardiovascular estabelecida, populações nas quais a TRH é contraindicada e a demanda por alternativas eficazes é mais premente.

Achados Notáveis

O dado que merece atenção redobrada não é apenas a magnitude da resposta sintomática, mas a modulação hormonal objetiva que a acompanhou. O grupo de acupuntura real exibiu níveis de estradiol significativamente maiores (p=0,045) e de LH significativamente menores (p=0,046) do que o sham ao final do tratamento, sem diferença paralela nos níveis de FSH. Esse padrão dissociado — LH responsivo, FSH não — sugere que o efeito da acupuntura sobre o eixo hipotálamo-hipofisário não é simplesmente inespecífico. A hipótese mecanística mais sustentada, envolvendo elevação da atividade de β-endorfinas centrais com consequente estabilização do set-point termorregulatório no hipotálamo, ganha suporte nessa dissociação hormonal. Ainda assim, os próprios autores reconhecem que as variações hormonais observadas são modestas demais para explicar sozinhas a melhora clínica, o que abre espaço para componentes neurovegetativos e psiconeuroimunológicos que a acupuntura tipicamente mobiliza e que permanecem um campo fértil de investigação.

Da Minha Experiência

Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, tenho acompanhado mulheres climatéricas encaminhadas pela ginecologia há mais de duas décadas, e o perfil que responde melhor à acupuntura é exatamente o descrito neste estudo: fogachos frequentes, componente ansioso proeminente, contraindicação ou recusa à TRH. Costumo observar redução perceptível na frequência e intensidade dos fogachos entre a terceira e a quinta sessão, compatível com o que Sunay et al. capturam após cinco semanas. Para consolidação do resultado, trabalho habitualmente com ciclos de oito a doze sessões, seguidos de manutenção quinzenal ou mensal conforme a resposta. Associo regularmente técnicas de relaxamento e, quando há componente musculoesquelético concomitante — artralgia climatérica é queixa frequente —, integro com fisioterapia. Os pontos utilizados neste estudo — ST36, LI4, KI3, LR3, EX-HN3 e CV3 — compõem um protocolo próximo ao que utilizamos, embora eu frequentemente adicione pontos de acordo com o padrão diagnóstico individual da paciente, especialmente quando há deficiência de Yin renal, padrão classicamente associado ao climatério na medicina chinesa.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Acupuncture in Medicine · 2011

DOI: 10.1136/aim.2010.003285

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.