Dry Needling in Sports and Sport Recovery: A Systematic Review with an Evidence Gap Map
Kużdżał et al. · Sports Medicine · 2025
Nível de Evidência
FORTEOBJETIVO
Mapear evidências sobre agulhamento seco no esporte e recuperação atlética
QUEM
580 atletas saudáveis e lesionados de 13 modalidades esportivas
DURAÇÃO
Estudos de 2015-2024 com revisão até janeiro 2024
PONTOS
Principalmente membros inferiores (58,3%) e músculos do ombro
🔬 Desenho do Estudo
Estudos experimentais
n=17
Agulhamento seco vs controle
Relatos de caso
n=7
Agulhamento seco em lesões
📊 Resultados em Números
Estudos com desfechos de dor
Foco em membros inferiores
Controles ativos utilizados
Atletas de nível talent/desenvolvimento
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Eficácia por contexto
Este estudo mostra que o agulhamento seco é mais eficaz para reduzir dor em atletas lesionados do que para melhorar performance em atletas saudáveis. A técnica parece ser segura, mas ainda precisamos de mais pesquisas para atletas de elite.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Este abrangente estudo de revisão sistemática examinou 24 pesquisas envolvendo 580 atletas para mapear as evidências sobre agulhamento seco no contexto esportivo. A metodologia seguiu rigorosamente as diretrizes PRISMA 2020, analisando três principais bases de dados até janeiro de 2024. A população estudada incluiu predominantemente atletas de nível talent/desenvolvimento (62,5%) e altamente treinados/nacionais (20,8%), com representação equilibrada entre sexos. A análise revelou que 69% dos estudos investigaram percepção de dor como desfecho primário, enquanto 58,3% das intervenções focaram nos membros inferiores, especialmente gastrocnêmio e músculos da coxa.
O agulhamento seco demonstrou eficácia consistente na redução da dor em atletas com lesões ou disfunções musculoesqueléticas, com reduções significativas reportadas em múltiplos estudos. Por exemplo, Ceballos-Laita et al. observaram redução de 82,5% na intensidade da dor, enquanto Etminan et al. relataram diminuição de 88,4% na taxa de dor.
Contudo, os resultados foram mais variados em contextos pós-exercício com atletas saudáveis. Quanto aos efeitos no desempenho atlético, a evidência foi menos convincente. Estudos sobre força muscular, amplitude de movimento e parâmetros fisiológicos mostraram resultados inconsistentes. A técnica pareceu oferecer alguns benefícios para amplitude de movimento e equilíbrio em atletas lesionados, mas efeitos limitados na produção de força muscular.
O mapeamento de evidências identificou lacunas significativas na literatura, particularmente a falta de estudos longitudinais, sub-representação de atletas de elite e paralímpicos, e inconsistência na documentação de efeitos adversos. A segurança da técnica foi bem estabelecida, com apenas eventos adversos menores relatados em três estudos. As implicações clínicas sugerem que o agulhamento seco pode ser uma ferramenta valiosa para manejo da dor em atletas lesionados, mas sua utilidade para melhoria de performance em atletas saudáveis permanece questionável. A variabilidade metodológica entre estudos, incluindo diferenças nos protocolos de agulhamento, duração e dosagem, representa uma limitação importante para a comparabilidade dos resultados.
Pontos Fortes
- 1Metodologia rigorosa seguindo diretrizes PRISMA 2020
- 2Mapeamento abrangente de evidências com análise visual
- 3Análise de múltiplos desfechos incluindo dor, performance e segurança
- 4Identificação clara de lacunas na literatura atual
Limitações
- 1Variabilidade metodológica entre estudos incluídos
- 2Documentação inconsistente de protocolos de dosagem
- 3Falta de estudos longitudinais para efeitos de longo prazo
- 4Sub-representação de atletas de elite e paralímpicos
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224
▸ Relevância Clínica
A revisão sistemática de Kużdżał et al. traz um mapeamento robusto que consolida e delimita o espaço clínico do agulhamento seco na medicina esportiva: a técnica se posiciona com clareza como recurso para manejo de dor em atletas com lesões ou disfunções musculoesqueléticas, e não como estratégia de potencialização de desempenho em atletas saudáveis. Essa distinção é clinicamente relevante porque, na prática, recebemos atletas com demandas bem distintas — o corredor com tendinopatia de gastrocnêmio que precisa retornar ao treino versus o velocista que busca ganho de força. O foco de 58,3% dos estudos nos membros inferiores dialoga diretamente com as lesões mais prevalentes na nossa clientela esportiva. A técnica se encaixa bem num protocolo multimodal de retorno ao esporte, com perfil de segurança consolidado ao longo desta análise de 24 estudos e 580 atletas.
▸ Achados Notáveis
As magnitudes de redução de dor reportadas em estudos individuais, como 82,5% por Ceballos-Laita et al. e 88,4% por Etminan et al., são expressivas e merecem atenção, ainda que representem achados pontuais dentro de uma literatura heterogênea. O dado de que 69% dos estudos utilizaram percepção de dor como desfecho primário reflete tanto o foco terapêutico predominante quanto uma escolha metodologicamente sensata para uma população atlética aguda. O que chama a atenção é o contraste entre a consistência dos efeitos analgésicos e a ausência de resultados robustos em força, parâmetros fisiológicos e performance — sugerindo que os mecanismos de ação do agulhamento seco operam primariamente sobre sensibilização periférica e disfunção de ponto-gatilho, sem impacto direto sobre capacidade contrátil ou adaptações neuromusculares em tecido saudável.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no ambulatório de medicina esportiva, o agulhamento seco ocupa um papel bem definido: entra quando há ponto-gatilho ativo limitando a função, geralmente após a fase aguda inflamatória já estar controlada. Costumo ver resposta analgésica relevante entre a segunda e a quarta sessão, o que se alinha com os protocolos de até quatro semanas descritos nesta revisão. Para atletas com disfunção musculoesquelética dos membros inferiores — gastrocnêmio, vasto lateral, bíceps femoral — associo o agulhamento seco a exercício excêntrico supervisionado e, quando há componente de sensibilização central, a uma abordagem farmacológica adjuvante. O perfil que responde melhor na minha experiência é o atleta de rendimento com dor miofascial bem localizada e sem componente neuropático dominante. Atletas com hipersensibilidade generalizada ou fibromialgia comórbida respondem de forma menos previsível, e nesses casos costumo ser mais conservador na indicação.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Sports Medicine · 2025
DOI: 10.1007/s40279-025-02175-9
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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