Effectiveness of Dry Needling, Stretching, and Strengthening to Reduce Pain and Improve Function in Subjects with Chronic Lateral Hip and Thigh Pain: A Retrospective Case Series
Pavkovich et al. · The International Journal of Sports Physical Therapy · 2015
OBJETIVO
Investigar a eficácia do agulhamento seco combinado com fisioterapia convencional para dor crônica lateral de quadril e coxa
QUEM
4 pacientes com dor lateral de quadril e coxa há mais de 90 dias
DURAÇÃO
4-8 sessões ao longo de 4-8 semanas, com seguimento médio de 12,25 meses
PONTOS
Região do trocânter maior e 5 pontos ao longo da coxa lateral (banda iliotibial/vasto lateral)
🔬 Desenho do Estudo
Agulhamento seco + fisioterapia
n=4
Agulhamento seco com eletroestimulação mais exercícios de alongamento e fortalecimento
📊 Resultados em Números
Melhora média no LEFS
Redução da dor no repouso (VAS)
Redução da pior dor (VAS)
Seguimento de longo prazo
📊 Comparação de Resultados
LEFS (Funcionalidade)
Este estudo mostrou que o agulhamento seco combinado com exercícios pode ser uma opção promissora para tratar dor persistente no quadril e lateral da coxa. Todos os pacientes relataram melhora significativa na dor e capacidade de realizar atividades diárias, incluindo melhor qualidade do sono.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Este estudo retrospectivo investigou a eficácia do agulhamento seco (dry needling) combinado com fisioterapia convencional no tratamento de dor crônica lateral de quadril e coxa. A pesquisa incluiu quatro pacientes com dor persistente há mais de 90 dias que não haviam respondido adequadamente a tratamentos anteriores, incluindo injeções de corticosteroides e fisioterapia tradicional. O agulhamento seco é uma técnica onde agulhas monofilamento são inseridas em tecidos moles para reduzir a dor e facilitar o retorno à função normal. No protocolo utilizado, os pesquisadores aplicaram seis agulhas por sessão: uma na região central do trocânter maior do fêmur e cinco ao longo da coxa lateral, especificamente na banda iliotibial ou músculo vasto lateral.
As agulhas foram deixadas no local por 15 minutos e, em três dos quatro pacientes, foi aplicada eletroestimulação de baixa frequência. Um paciente não recebeu eletroestimulação devido ao uso de marca-passo cardíaco. Simultaneamente, todos os participantes realizaram exercícios convencionais de alongamento e fortalecimento. O tratamento foi administrado uma a duas vezes por semana, totalizando entre quatro e oito sessões ao longo de quatro a oito semanas.
Os resultados foram avaliados através da Escala Visual Analógica (VAS) para dor e da Escala Funcional de Extremidade Inferior (LEFS) para capacidade funcional, aplicadas antes do tratamento, imediatamente após sua conclusão e em um seguimento de longo prazo com média de 12,25 meses. Os resultados demonstraram melhorias clinicamente significativas em todos os participantes. A pontuação média do LEFS melhorou de 50,75 no início para 66,75 ao final do tratamento, representando um ganho de 16 pontos, bem acima da diferença mínima clinicamente importante de 9 pontos. No seguimento de longo prazo, a média manteve-se em 65,50 pontos.
Quanto à dor, os resultados foram categorizados em melhor, atual e pior nível de dor. A dor no melhor momento reduziu de 20mm para 0mm na escala de 100mm, a dor atual diminuiu de 25,75mm para 11,75mm, e a pior dor caiu de 85mm para 32,5mm. Todos os pacientes relataram melhora subjetiva significativa, incluindo maior tolerância à caminhada, redução do mancar intermitente, melhor qualidade do sono e maior capacidade para atividades diárias. Estas melhorias se mantiveram no seguimento de longo prazo.
As implicações clínicas sugerem que o agulhamento seco pode ser uma adição valiosa ao arsenal terapêutico para dor lateral de quadril e coxa, especialmente em casos que não respondem a tratamentos convencionais. A técnica mostrou-se segura, com apenas efeitos adversos menores reportados, como dor muscular transitória. O protocolo padronizado utilizado pode facilitar a replicação da técnica em outros contextos clínicos. No entanto, é importante reconhecer as limitações significativas deste estudo.
Como série de casos com apenas quatro participantes, não é possível estabelecer relações causais definitivas ou generalizar os achados para populações maiores. A ausência de grupo controle impede a determinação de quanta melhora se deveu especificamente ao agulhamento seco versus aos exercícios convencionais. Além disso, o design retrospectivo e a falta de randomização limitam a qualidade da evidência. A heterogeneidade na aplicação da eletroestimulação (três pacientes receberam, um não) também representa uma variável confundidora.
Apesar dessas limitações, os resultados fornecem evidência preliminar promissora que justifica estudos controlados randomizados maiores para estabelecer definitivamente a eficácia do agulhamento seco nesta condição clínica específica.
Pontos Fortes
- 1Seguimento de longo prazo (média 12,25 meses)
- 2Protocolo padronizado de agulhamento seco
- 3Uso de medidas validadas (LEFS e VAS)
- 4Todos os pacientes atingiram melhora clinicamente significativa
- 5Técnica segura sem eventos adversos graves
Limitações
- 1Amostra muito pequena (n=4)
- 2Ausência de grupo controle
- 3Design não randomizado
- 4Impossibilidade de separar efeitos do agulhamento seco vs exercícios
- 5Aplicação inconsistente da eletroestimulação
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224
▸ Relevância Clínica
Dor crônica lateral de quadril e coxa representa um dos diagnósticos mais frustrantes na prática de fisiatria e medicina esportiva. A síndrome de dor do trocânter maior, tendinopatia glútea e síndrome da banda iliotibial frequentemente sobrepõem-se clinicamente, e os pacientes chegam ao consultório após múltiplos ciclos de corticosteroide e fisioterapia convencional sem resposta adequada. O trabalho de Pavkovich e colaboradores aborda exatamente essa população refratária, fornecendo um protocolo de agulhamento seco estruturado e replicável para uso em contexto ambulatorial. O protocolo com seis agulhas — uma na região central do trocânter maior e cinco ao longo da banda iliotibial ou vasto lateral — é suficientemente detalhado para orientar uma abordagem sistemática. A melhora sustentada no LEFS, superando a diferença mínima clinicamente importante de 9 pontos, e a durabilidade dos resultados ao longo de 12,25 meses de seguimento, conferem ao achado valor clínico concreto para pacientes que esgotaram as opções conservadoras de primeira linha.
▸ Achados Notáveis
A redução da dor em repouso de 20mm para 0mm na EVA é o achado mais expressivo do ponto de vista neurofisiológico, pois a dor em repouso reflete sensibilização central e periférica mais arraigada do que a dor evocada por movimento. Conseguir zerá-la em um grupo refratário a corticosteroide aponta para um mecanismo de modulação que vai além do simples efeito mecânico local. Igualmente relevante é a redução da pior dor de 85mm para 32,5mm, que representa uma queda de mais de 60%, com manutenção no seguimento prolongado. O dado sobre qualidade do sono merece atenção clínica particular: a melhora relatada subjetivamente pelos pacientes indica impacto no ciclo de sensibilização noturna típico das tendinopatias glúteas compressivas. Por fim, o fato de que um paciente não recebeu eletroestimulação por contraindicação cardiológica e ainda assim apresentou melhora sugere que o componente mecânico do agulhamento seco per se já contribui de forma independente.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no serviço de dor musculoesquelética, a dor lateral de quadril é uma das condições onde o agulhamento seco mostrou o retorno mais consistente em relação ao esforço técnico. Costumo observar resposta perceptível entre a terceira e a quarta sessão, especialmente quando o paciente já inicia alongamento excêntrico dos glúteos em paralelo. O protocolo descrito por Pavkovich é próximo do que utilizamos — prefiro incluir pontos-gatilho no glúteo médio e mínimo quando há componente de dor referida distal, o que não estava no escopo deste estudo mas tem se mostrado vantajoso em casos com irradiação para face lateral da coxa. Em média, trabalho com oito a dez sessões para atingir manutenção estável, com reavaliação funcional pelo LEFS ou pelo PSFS a cada quatro sessões. O perfil de paciente que melhor responde é aquele com dor de longa data mas sem colapso articular evidente na imagem — exatamente o recorte desta série. Nos pacientes com marca-passo, como o caso relatado, dispenso a eletroestimulação sem hesitação e não percebo diferença de desfecho quando o agulhamento é tecnicamente preciso.
Artigo Científico Indexado
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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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