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Dr. Marcus Yu Bin Pai·Médico Acupunturista·CRM-SP 158074·RQE 65523 / 65524 / 655241

Aviso: Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individual. Sempre consulte um médico acupunturista qualificado.

acupuntura.com · 2025–2026Última revisão editorial: 2026-05-04
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PesquisaAnálise Completa
6 de abril de 2026
6 min de leitura

JAMA 2024: Acupuntura vs Sham na Enxaqueca sem Aura — Redução Modesta e Conectoma Prediz Resposta

Ensaio clínico randomizado no JAMA Network Open demonstra que padrões de conectividade cerebral basal predizem com precisão quem responderá à acupuntura na enxaqueca sem aura

Fonte: JAMA Network Open(em inglês)DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2025.55454
JAMA 2024: Acupuntura vs Sham na Enxaqueca sem Aura — Redução Modesta e Conectoma Prediz Resposta

A enxaqueca sem aura afeta centenas de milhões de pessoas em todo o mundo e permanece subdiagnosticada e subtratada na maioria dos sistemas de saúde. Um ensaio clínico randomizado publicado no JAMA Network Open mostra superioridade modesta da acupuntura real sobre a acupuntura sham na redução de dias de enxaqueca (efeito em torno de 1 dia por mês), e avança em um território metodológico inédito: a identificação de padrões de conectividade cerebral basal — mensuráveis antes do início do tratamento — capazes de predizer com significância estatística quais pacientes obterão resposta terapêutica. Essa convergência entre eficácia clínica e neuroimagem preditiva representa um avanço relevante para a acupuntura médica baseada em evidências.

NÚMEROS DO ENSAIO CLÍNICO

120
PACIENTES RANDOMIZADOS
60 acupuntura real vs. 60 acupuntura sham
79%
MULHERES
Média de 36,8 anos de idade
12
SESSÕES EM 4 SEMANAS
30 minutos cada, Hospital de MTC de Pequim
96,7%
SATISFAÇÃO NO GRUPO REAL
vs. 73,3% no grupo sham (p=0,01)

Desenho do estudo

O ensaio, conduzido entre 2021 e 2023 no Hospital de Medicina Tradicional Chinesa de Pequim, recrutou 120 participantes com diagnóstico estabelecido de enxaqueca sem aura. Após quatro semanas de período basal, os pacientes foram randomizados para receber acupuntura real em acupontos estabelecidos para enxaqueca ou acupuntura sham — com agulhas inseridas em locais clinicamente inativos — ao longo de doze sessões distribuídas em quatro semanas. Uma subamostra realizou ressonância magnética funcional (RNf) antes do início do tratamento, permitindo a aplicação de modelagem preditiva baseada no conectoma individual.

Resultados clínicos

A acupuntura real produziu redução significativamente maior nos dias mensais de enxaqueca em comparação ao sham (diferença mediana: -1,0 dia; p=0,02). Além dos dias de dor, o grupo real demonstrou superioridade em dias mensais de cefaleia, dias de uso de médicação de resgate, escores de intensidade da dor e medidas de incapacidade funcional. O índice de satisfação dos pacientes foi consideravelmente superior no grupo que recebeu acupuntura real (96,7% vs. 73,3%; p=0,01). O perfil de segurança foi favorável em ambos os grupos, com apenas eventos adversos leves e autolimitados (4,2% no total), sem registros de eventos graves.

DESFECHOS PRIMÁRIOS E SECUNDÁRIOS

  • Redução de dias mensais de enxaqueca: acupuntura real superior ao sham (p=0,02)
  • Redução de dias mensais de cefaleia: favorável à acupuntura real
  • Menor uso de médicação de resgate no grupo real
  • Melhora em escores de dor e incapacidade funcional
  • Satisfação do paciente: 96,7% (real) vs. 73,3% (sham)

O conectoma como biomarcador preditivo

O aspecto mais inovador do estudo foi a aplicação de modelagem preditiva baseada em conectoma (connectome-based predictive modeling) para identificar, antes do início do tratamento, padrões de conectividade cerebral funcional associados à resposta terapêutica. Os dados de RNf em repouso revelaram dois padrões preditivos distintos: baixa conectividade entre a rede de modo padrão (default mode network) e estruturas subcorticais predisse alívio significativo da dor (r=0,23; p=0,04), enquanto alta conectividade entre regiões subcorticais, cerebelares e motoras predisse redução de incapacidade (r=0,29; p=0,02).

Esses achados sugerem que a enxaqueca não é uma condição homogênea do ponto de vista da organização cerebral, e que determinados perfis de conectividade funcional podem identificar subgrupos de pacientes com maior probabilidade de resposta à acupuntura. A possibilidade de estratificar pacientes por neuroimagem antes do início do tratamento representa um passo em direção à medicina de precisão aplicada à acupuntura médica.

O QUE É CONECTOMA PREDITIVO?

A modelagem preditiva baseada em conectoma (connectome-based predictive modeling) é uma técnica de aprendizado de máquina que utiliza padrões individuais de conectividade cerebral funcional — mapeados por ressonância magnética funcional em repouso — para predizer desfechos clínicos futuros. No contexto da enxaqueca, o conectoma individual capturado antes do tratamento funcionou como um "mapa neural" que antecipou a resposta terapêutica com precisão estatisticamente significativa.

INSIGHT

Este estudo endereça uma das questões mais relevantes da medicina de precisão aplicada à acupuntura: por que alguns pacientes respondem de forma marcante e outros apresentam resposta mínima ao mesmo protocolo de tratamento? A identificação de padrões de conectividade cerebral como preditores de resposta — antes mesmo do início das sessões — abre a perspectiva de seleção de pacientes baseada em neuroimagem. Na prática clínica atual, essa estratificação ainda não é acessível, mas o achado orienta a pesquisa translacional e reforça que a eficácia da acupuntura médica não é uniforme: ela interage com a biologia individual do paciente de formas mensuráveis. Para pacientes com enxaqueca sem aura refratária aos tratamentos convencionais, a avaliação por médico acupunturista representa uma opção com base crescente de evidências.
— Dr. Marcus Yu Bin Pai · CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Implicações para a prática médica

A públicação deste ensaio no JAMA Network Open confere visibilidade a um nível de rigor metodológico que frequentemente está ausente na literatura de acupuntura. O uso de RNf para mapear preditores de resposta, aliado ao desenho controlado e ao tamanho amostral adequado para um estudo exploratório, posiciona esse trabalho como referência para ensaios confirmatórios de maior escala. Os resultados são particularmente relevantes para neurologistas e médicos especialistas em dor que atendem pacientes com enxaqueca crônica ou episódica de difícil controle farmacológico.

PONTOS-CHAVE PARA O MÉDICO

  • Acupuntura real foi superior ao sham em múltiplos desfechos de enxaqueca sem aura num ECR publicado no JAMA Network Open
  • Padrões de conectividade da rede de modo padrão predizem alívio da dor antes do início do tratamento
  • Alta conectividade subcortical-cerebelar-motora prediz redução de incapacidade funcional
  • Perfil de segurança favorável: apenas eventos adversos leves em 4,2% dos pacientes, nenhum grave
  • Ensaios confirmatórios com amostras maiores são necessários para validar o modelo preditivo em populações diversas
PERGUNTAS FREQUENTES · 02

Perguntas Frequentes

Os resultados deste ensaio indicam que a acupuntura real produz redução significativa dos dias de enxaqueca em comparação ao sham, com relevância clínica. No entanto, a acupuntura médica é melhor compreendida como estratégia complementar ao tratamento farmacológico, não como substituta. O médico — neurologista ou especialista em dor — deve avaliar individualmente o perfil de cada paciente para indicar a combinação terapêutica mais adequada.

A acupuntura sham consiste na inserção de agulhas em locais clinicamente inativos, sem relação com os acupontos estabelecidos para a condição tratada. É utilizada como controle ativo em ensaios clínicos para controlar o efeito placebo da inserção de agulhas e da interação com o profissional. A superioridade da acupuntura real sobre o sham neste estudo indica que o efeito terapêutico observado vai além da resposta placebo.

Fonte Original

JAMA Network Open(em inglês)

Estudo Científico

DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2025.55454Ver no PubMed
Conteúdo elaborado por
CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa

Fundado em 1989 por médicos formados pela USP e especializados na China, o CEIMEC é referência nacional no ensino e prática da acupuntura médica. Com mais de 3.000 médicos formados em 35 anos, colabora com o HC-FMUSP e é reconhecido pelo Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA/AMB).

Publicado em 2026-04-06

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