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An Evidence-Based Treatment of Myofascial Pain and Myofascial Trigger Points in the Maxillofacial Area: A Narrative Review

Alshammari et al. · Cureus · 2023

📚Revisão Narrativa📊29 estudos analisadosEvidência Moderada

Nível de Evidência

MODERADA
72/ 100
Qualidade
3/5
Amostra
4/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Revisar tratamentos baseados em evidência para dor miofascial e pontos-gatilho na região maxilofacial

👥

QUEM

Pacientes com dor miofascial orofacial, especialmente músculos masseter, temporal e pterigoideo

⏱️

DURAÇÃO

Revisão de literatura de múltiplas bases de dados

📍

PONTOS

Foco em pontos-gatilho miofasciais nos músculos da mastigação

🔬 Desenho do Estudo

602participantes
randomização

Estudos farmacológicos

n=12

Analgésicos, relaxantes musculares, antidepressivos

Estudos não-farmacológicos

n=17

TENS, agulhamento seco, laser, terapia manual

⏱️ Duração: Revisão abrangente da literatura

📊 Resultados em Números

0

Estudos incluídos após triagem

0%

Taxa de sucesso do ultrassom

0%

Taxa de sucesso do TENS

p=0.01

Redução significativa da dor com amitriptilina

Destaques Percentuais

93.3%
Taxa de sucesso do ultrassom
53.3%
Taxa de sucesso do TENS

📊 Comparação de Resultados

Eficácia no tratamento da dor

Ultrassom
93
TENS
53
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostra que existem várias opções eficazes para tratar a dor miofascial na face e mandíbula. A combinação de medicamentos com terapias físicas oferece os melhores resultados para reduzir a dor e melhorar a função.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

A dor miofascial (DMF) na região maxilofacial é uma condição complexa caracterizada por dor localizada em músculos específicos, causada por pontos hipersensíveis conhecidos como pontos-gatilho. Esta revisão narrativa examinou 29 estudos para identificar as melhores práticas baseadas em evidências para o tratamento desta condição que afeta principalmente os músculos masseter, temporal e pterigoideo medial. A pesquisa revelou que a DMF tem maior incidência entre 40-50 anos e é mais comum em mulheres. Os autores conduziram uma busca abrangente em múltiplas bases de dados, incluindo Google Scholar, Scopus, Web of Science e MEDLINE, utilizando termos como 'síndrome da dor miofascial', 'dor' e 'dor orofacial'.

Após rigoroso processo de seleção, foram incluídos 12 estudos sobre intervenções farmacológicas e 17 sobre tratamentos não-farmacológicos. As intervenções farmacológicas demonstraram eficácia significativa. Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) mostraram-se altamente eficazes no manejo da dor inflamatória, trabalhando através da inibição da cicloxigenase. A tizanidina, um agonista alfa-2 de ação central, proporcionou alívio significativo em espasmos musculares dolorosos com dose de 2mg três vezes ao dia.

Antidepressivos tricíclicos, particularmente a amitriptilina, demonstraram propriedades anti-inflamatórias e anti-neuropáticas, com redução estatisticamente significativa da dor (p=0.01) em cefaleias tensionais crônicas. A toxina botulínica ofereceu abordagem multifacetada, promovendo aumento do fluxo sanguíneo muscular e liberação de endorfinas endógenas. A lidocaína, funcionando como bloqueador de canais de sódio, estabilizou membranas neuronais, com eficácia similar entre injeção e aplicação tópica em patch. Entre as intervenções não-farmacológicas, o agulhamento seco mostrou-se equiparável às injeções em pontos-gatilho para casos agudos, induzindo resposta de contração localizada que disrupta a atividade da placa motora terminal.

A terapia comportamental revelou-se valiosa considerando os fatores psicológicos que influenciam o limiar de dor. Modalidades físicas como estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) demonstraram eficácia de 53.3%, comparada a 93.3% do ultrassom terapêutico. O TENS atua aumentando opioides endógenos na circulação e melhorando circulação sanguínea. A terapia miofuncional oral (TMO) focou em exercícios específicos para restaurar função estomatognática, com reduções significativas na sensibilidade dolorosa à palpação muscular e melhora na amplitude de movimento mandibular.

As placas oclusais representaram abordagem predominante, com diversos tipos disponíveis desde placas macias até estabilizadoras rígidas, embora seus mecanismos exatos permaneçam sob investigação. A terapia com laser de baixa intensidade (LLLT) demonstrou eficácia moderada no alívio da dor em DMF temporomandibular. A qualidade metodológica dos estudos variou, com avaliação pelos critérios JBI revelando que estudos com pontuação entre 50-79% apresentaram risco moderado de viés, enquanto aqueles com 80-100% tiveram baixo risco. As limitações incluem falta de abordagem sistemática rigorosa na seleção de estudos e ausência de comparações abrangentes sobre duração de tratamento entre modalidades.

Os autores concluíram que uma abordagem combinada integrando estratégias farmacológicas e não-farmacológicas oferece manejo holístico mais eficaz para pontos-gatilho. Para casos agudos, demonstrou-se eficácia de analgésicos, relaxantes musculares, agulhamento seco e TENS. A pesquisa futura deve focar em revisões sistemáticas e metanálises robustas para estabelecer protocolos baseados em evidências mais definitivos para o manejo da DMF, especialmente considerando a variabilidade individual na resposta aos tratamentos e a necessidade de personalização terapêutica.

Pontos Fortes

  • 1Revisão abrangente incluindo 29 estudos de múltiplas modalidades terapêuticas
  • 2Avaliação sistemática da qualidade metodológica usando critérios JBI
  • 3Cobertura ampla de tratamentos farmacológicos e não-farmacológicos
  • 4Busca em múltiplas bases de dados científicas
⚠️

Limitações

  • 1Desenho de revisão narrativa sem metanálise quantitativa
  • 2Falta de comparações diretas entre durações de tratamento
  • 3Heterogeneidade metodológica entre os estudos incluídos
  • 4Necessidade de mais pesquisas robustas para estabelecer protocolos definitivos

📅 Contexto Histórico

2000Primeiros estudos sobre amitriptilina para dor temporomandibular
2002Demonstração da eficácia da tizanidina em dor miofascial
2013Revisão sistemática sobre agulhamento seco
2018Metanálise sobre laser de baixa intensidade
2023Publicação desta revisão narrativa abrangente
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Relevância Clínica

A dor miofascial maxilofacial representa um subgrupo de pacientes que frequentemente transita entre consultórios de fisiatra, odontólogo e neurologista sem receber manejo coordenado. Esta revisão de 29 estudos com 602 participantes organiza o arsenal terapêutico disponível de forma que facilita a tomada de decisão clínica por faixa de apresentação — aguda versus crônica, inflamatória versus neuroplástica. O perfil epidemiológico confirmado (pico entre 40-50 anos, predominância feminina) corresponde exatamente à população que chega ao serviço de dor com queixas de limitação mandibular, cefaleias tensionais e dor facial mal caracterizada. A distinção entre modalidades físicas — ultrassom com 93,3% de taxa de sucesso versus TENS com 53,3% — oferece um gradiente de escolha útil quando recursos são limitados. A confirmação de que agulhamento seco é equiparável às injeções em pontos-gatilho para casos agudos consolida a indicação desta técnica como primeira linha não-farmacológica neste segmento anatômico.

Achados Notáveis

A discrepância entre ultrassom terapêutico (93,3%) e TENS (53,3%) merece atenção clínica real — não é diferença marginal, e sugere que o mecanismo de transmissão mecânica de energia ao tecido muscular profundo supera, neste território, a neuromodulação por via elétrica periférica. O dado sobre tizanidina 2 mg três vezes ao dia é clinicamente acionável: um agonista alfa-2 central com perfil tolerável em pacientes que não respondem a AINEs isolados. A amitriptilina com p=0,01 para redução de dor em cefaleias tensionais crônicas reforça a indicação já estabelecida na prática, mas contextualizada agora na DMF maxilofacial especificamente. A equivalência entre lidocaína injetável e patch tópico é achado relevante para populações com aversão a procedimentos invasivos. O reconhecimento de que toxina botulínica promove aumento de fluxo sanguíneo muscular e liberação de endorfinas endógenas acrescenta dimensão mecanística além do bloqueio neuromuscular convencional.

Da Minha Experiência

Na minha prática, pacientes com dor miofascial de masseter e temporal raramente chegam com diagnóstico estabelecido — chegam com 'dor de cabeça que ninguém resolve'. O primeiro passo que adotamos no serviço é a palpação sistemática dos músculos mastigatórios antes de qualquer imagem. Para casos agudos, costumo ver resposta ao agulhamento seco já na segunda ou terceira sessão; para casos crônicos com componente neuroplástico evidente, o horizonte realista é de 8 a 12 sessões antes de julgar eficácia. Associo rotineiramente agulhamento seco ao ultrassom terapêutico — a convergência de mecanismos parece superar qualquer modalidade isolada, e esta revisão reforça a lógica dessa combinação. A tizanidina tem espaço real nos pacientes com espasmo muscular noturno; amitriptilina em baixas doses entra quando há componente de cefaleia crônica sobreposta. Pacientes com perfil ansioso e alta sensibilização central respondem melhor quando incluímos terapia comportamental desde o início. Não indico agulhamento seco isolado em pacientes com coagulopatia ou uso de anticoagulantes plenos sem ajuste prévio.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

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Cureus · 2023

DOI: 10.7759/cureus.49987

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.