An Evidence-Based Treatment of Myofascial Pain and Myofascial Trigger Points in the Maxillofacial Area: A Narrative Review
Alshammari et al. · Cureus · 2023
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Revisar tratamentos baseados em evidência para dor miofascial e pontos-gatilho na região maxilofacial
QUEM
Pacientes com dor miofascial orofacial, especialmente músculos masseter, temporal e pterigoideo
DURAÇÃO
Revisão de literatura de múltiplas bases de dados
PONTOS
Foco em pontos-gatilho miofasciais nos músculos da mastigação
🔬 Desenho do Estudo
Estudos farmacológicos
n=12
Analgésicos, relaxantes musculares, antidepressivos
Estudos não-farmacológicos
n=17
TENS, agulhamento seco, laser, terapia manual
📊 Resultados em Números
Estudos incluídos após triagem
Taxa de sucesso do ultrassom
Taxa de sucesso do TENS
Redução significativa da dor com amitriptilina
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Eficácia no tratamento da dor
Este estudo mostra que existem várias opções eficazes para tratar a dor miofascial na face e mandíbula. A combinação de medicamentos com terapias físicas oferece os melhores resultados para reduzir a dor e melhorar a função.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
A dor miofascial (DMF) na região maxilofacial é uma condição complexa caracterizada por dor localizada em músculos específicos, causada por pontos hipersensíveis conhecidos como pontos-gatilho. Esta revisão narrativa examinou 29 estudos para identificar as melhores práticas baseadas em evidências para o tratamento desta condição que afeta principalmente os músculos masseter, temporal e pterigoideo medial. A pesquisa revelou que a DMF tem maior incidência entre 40-50 anos e é mais comum em mulheres. Os autores conduziram uma busca abrangente em múltiplas bases de dados, incluindo Google Scholar, Scopus, Web of Science e MEDLINE, utilizando termos como 'síndrome da dor miofascial', 'dor' e 'dor orofacial'.
Após rigoroso processo de seleção, foram incluídos 12 estudos sobre intervenções farmacológicas e 17 sobre tratamentos não-farmacológicos. As intervenções farmacológicas demonstraram eficácia significativa. Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) mostraram-se altamente eficazes no manejo da dor inflamatória, trabalhando através da inibição da cicloxigenase. A tizanidina, um agonista alfa-2 de ação central, proporcionou alívio significativo em espasmos musculares dolorosos com dose de 2mg três vezes ao dia.
Antidepressivos tricíclicos, particularmente a amitriptilina, demonstraram propriedades anti-inflamatórias e anti-neuropáticas, com redução estatisticamente significativa da dor (p=0.01) em cefaleias tensionais crônicas. A toxina botulínica ofereceu abordagem multifacetada, promovendo aumento do fluxo sanguíneo muscular e liberação de endorfinas endógenas. A lidocaína, funcionando como bloqueador de canais de sódio, estabilizou membranas neuronais, com eficácia similar entre injeção e aplicação tópica em patch. Entre as intervenções não-farmacológicas, o agulhamento seco mostrou-se equiparável às injeções em pontos-gatilho para casos agudos, induzindo resposta de contração localizada que disrupta a atividade da placa motora terminal.
A terapia comportamental revelou-se valiosa considerando os fatores psicológicos que influenciam o limiar de dor. Modalidades físicas como estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) demonstraram eficácia de 53.3%, comparada a 93.3% do ultrassom terapêutico. O TENS atua aumentando opioides endógenos na circulação e melhorando circulação sanguínea. A terapia miofuncional oral (TMO) focou em exercícios específicos para restaurar função estomatognática, com reduções significativas na sensibilidade dolorosa à palpação muscular e melhora na amplitude de movimento mandibular.
As placas oclusais representaram abordagem predominante, com diversos tipos disponíveis desde placas macias até estabilizadoras rígidas, embora seus mecanismos exatos permaneçam sob investigação. A terapia com laser de baixa intensidade (LLLT) demonstrou eficácia moderada no alívio da dor em DMF temporomandibular. A qualidade metodológica dos estudos variou, com avaliação pelos critérios JBI revelando que estudos com pontuação entre 50-79% apresentaram risco moderado de viés, enquanto aqueles com 80-100% tiveram baixo risco. As limitações incluem falta de abordagem sistemática rigorosa na seleção de estudos e ausência de comparações abrangentes sobre duração de tratamento entre modalidades.
Os autores concluíram que uma abordagem combinada integrando estratégias farmacológicas e não-farmacológicas oferece manejo holístico mais eficaz para pontos-gatilho. Para casos agudos, demonstrou-se eficácia de analgésicos, relaxantes musculares, agulhamento seco e TENS. A pesquisa futura deve focar em revisões sistemáticas e metanálises robustas para estabelecer protocolos baseados em evidências mais definitivos para o manejo da DMF, especialmente considerando a variabilidade individual na resposta aos tratamentos e a necessidade de personalização terapêutica.
Pontos Fortes
- 1Revisão abrangente incluindo 29 estudos de múltiplas modalidades terapêuticas
- 2Avaliação sistemática da qualidade metodológica usando critérios JBI
- 3Cobertura ampla de tratamentos farmacológicos e não-farmacológicos
- 4Busca em múltiplas bases de dados científicas
Limitações
- 1Desenho de revisão narrativa sem metanálise quantitativa
- 2Falta de comparações diretas entre durações de tratamento
- 3Heterogeneidade metodológica entre os estudos incluídos
- 4Necessidade de mais pesquisas robustas para estabelecer protocolos definitivos
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
A dor miofascial maxilofacial representa um subgrupo de pacientes que frequentemente transita entre consultórios de fisiatra, odontólogo e neurologista sem receber manejo coordenado. Esta revisão de 29 estudos com 602 participantes organiza o arsenal terapêutico disponível de forma que facilita a tomada de decisão clínica por faixa de apresentação — aguda versus crônica, inflamatória versus neuroplástica. O perfil epidemiológico confirmado (pico entre 40-50 anos, predominância feminina) corresponde exatamente à população que chega ao serviço de dor com queixas de limitação mandibular, cefaleias tensionais e dor facial mal caracterizada. A distinção entre modalidades físicas — ultrassom com 93,3% de taxa de sucesso versus TENS com 53,3% — oferece um gradiente de escolha útil quando recursos são limitados. A confirmação de que agulhamento seco é equiparável às injeções em pontos-gatilho para casos agudos consolida a indicação desta técnica como primeira linha não-farmacológica neste segmento anatômico.
▸ Achados Notáveis
A discrepância entre ultrassom terapêutico (93,3%) e TENS (53,3%) merece atenção clínica real — não é diferença marginal, e sugere que o mecanismo de transmissão mecânica de energia ao tecido muscular profundo supera, neste território, a neuromodulação por via elétrica periférica. O dado sobre tizanidina 2 mg três vezes ao dia é clinicamente acionável: um agonista alfa-2 central com perfil tolerável em pacientes que não respondem a AINEs isolados. A amitriptilina com p=0,01 para redução de dor em cefaleias tensionais crônicas reforça a indicação já estabelecida na prática, mas contextualizada agora na DMF maxilofacial especificamente. A equivalência entre lidocaína injetável e patch tópico é achado relevante para populações com aversão a procedimentos invasivos. O reconhecimento de que toxina botulínica promove aumento de fluxo sanguíneo muscular e liberação de endorfinas endógenas acrescenta dimensão mecanística além do bloqueio neuromuscular convencional.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática, pacientes com dor miofascial de masseter e temporal raramente chegam com diagnóstico estabelecido — chegam com 'dor de cabeça que ninguém resolve'. O primeiro passo que adotamos no serviço é a palpação sistemática dos músculos mastigatórios antes de qualquer imagem. Para casos agudos, costumo ver resposta ao agulhamento seco já na segunda ou terceira sessão; para casos crônicos com componente neuroplástico evidente, o horizonte realista é de 8 a 12 sessões antes de julgar eficácia. Associo rotineiramente agulhamento seco ao ultrassom terapêutico — a convergência de mecanismos parece superar qualquer modalidade isolada, e esta revisão reforça a lógica dessa combinação. A tizanidina tem espaço real nos pacientes com espasmo muscular noturno; amitriptilina em baixas doses entra quando há componente de cefaleia crônica sobreposta. Pacientes com perfil ansioso e alta sensibilização central respondem melhor quando incluímos terapia comportamental desde o início. Não indico agulhamento seco isolado em pacientes com coagulopatia ou uso de anticoagulantes plenos sem ajuste prévio.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Cureus · 2023
DOI: 10.7759/cureus.49987
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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