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Effects of cupping therapy on chronic musculoskeletal pain and collateral problems: a systematic review and meta-analysis

Jia et al. · BMJ Open · 2025

📊Revisão Sistemática e Meta-análise👥n=656 participantesAlto impacto - BMJ Open

Nível de Evidência

MODERADA
75/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Avaliar a eficácia da terapia com ventosas na dor musculoesquelética crônica, funcionalidade e saúde mental

👥

QUEM

656 adultos com dor musculoesquelética crônica (>3 meses)

⏱️

DURAÇÃO

Efeitos imediatos pós-tratamento

📍

TIPOS

Ventosas secas, molhadas, pulsáteis e massagem com ventosas

🔬 Desenho do Estudo

656participantes
randomização

Terapia com Ventosas

n=328

Diversos tipos de ventosaterapia

Controle

n=328

Placebo, lista de espera ou repouso

⏱️ Duração: Avaliação de efeitos imediatos

📊 Resultados em Números

DME=-1,17 (IC95%: -1,93 a -0,42)

Redução da intensidade da dor

DME=-0,24 (IC95%: -0,93 a 0,46)

Melhora da incapacidade funcional

DME=0,08 (IC95%: -0,12 a 0,27)

Melhora da saúde mental

p=0,002

Valor p para dor

📊 Comparação de Resultados

Intensidade da dor (efeito significativo)

Ventosas vs Controle
-1.17

Incapacidade funcional (sem efeito)

Ventosas vs Controle
-0.24
💬 O que isso significa para você?

Esta pesquisa mostra que a terapia com ventosas pode ajudar a reduzir a dor em pessoas com dor crônica nos músculos e articulações logo após o tratamento. No entanto, não melhorou significativamente a capacidade de realizar atividades do dia a dia nem o bem-estar emocional dos pacientes.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Esta revisão sistemática e meta-análise investigou a eficácia da terapia com ventosas no tratamento da dor musculoesquelética crônica (DMC), uma condição que afeta globalmente mais de 1,5 bilhão de pessoas e representa um fardo significativo para os sistemas de saúde. Os pesquisadores analisaram dados de 10 estudos controlados randomizados envolvendo 656 participantes adultos com DMC por mais de 3 meses, examinando três desfechos principais: intensidade da dor, incapacidade funcional e saúde mental. A metodologia foi rigorosa, seguindo diretrizes PRISMA e incluindo busca em cinco bases de dados até dezembro de 2024. Os estudos analisados incluíram diferentes modalidades de ventosaterapia: ventosas secas (mais comum), ventosas molhadas, terapia pulsátil e massagem com ventosas.

Os grupos controle receberam tratamento placebo, permaneceram em lista de espera ou fizeram repouso. As condições estudadas incluíram principalmente dor lombar crônica (50% dos estudos) e dor cervical crônica (40%), com duração media de sintomas variando de 20 a 190 meses. Os resultados mostraram que a terapia com ventosas foi eficaz na redução imediata da intensidade da dor (diferença media padronizada = -1,17; IC 95%: -1,93 a -0,42; p=0,002), com evidência de qualidade moderada. Tanto ventosas secas quanto molhadas demonstraram benefícios similares.

A análise de subgrupos revelou que tratamento único foi mais eficaz que múltiplas sessões, e a terapia mostrou-se particularmente benéfica para dor cervical/ombro comparada à dor lombar. Entretanto, não foram observados benefícios significativos na melhora da incapacidade funcional (DME = -0,24; IC 95%: -0,93 a 0,46; p=0,51) ou saúde mental (DME = 0,08; IC 95%: -0,12 a 0,27; p=0,46). Os autores explicam que os mecanismos neurobiológicos da ventosaterapia podem envolver o bloqueio da condução da dor através da ativação de fibras mecanossensitivas Aβ, que transmitem sinais mais rapidamente que as fibras nociceptivas Aδ e C, conforme a teoria do portão da dor. Além disso, o aumento do fluxo sanguíneo induzido pela pressão negativa pode acelerar a remoção de citocinas inflamatórias como IL-1 e IL-6, contribuindo para alívio da dor.

A falta de melhora funcional pode estar relacionada ao fato de que as avaliações foram feitas em repouso, enquanto limitações funcionais geralmente ocorrem durante movimento e atividades. Para saúde mental, os questionários utilizados (principalmente SF-36) avaliavam estados das últimas 4 semanas, tornando inadequados para capturar efeitos imediatos pós-tratamento. As implicações clínicas sugerem que a ventosaterapia pode ser uma opção complementar segura e eficaz para alívio imediato da dor crônica, especialmente em condições cervicais/ombro, mas não deve ser considerada solução completa para aspectos funcionais e psicológicos da DMC. O estudo apresenta alta heterogeneidade entre estudos (I²=94%), exigindo cautela na interpretação dos resultados.

Pontos Fortes

  • 1Primeira meta-análise abrangente integrando dor, função e saúde mental da ventosaterapia
  • 2Metodologia rigorosa seguindo diretrizes PRISMA e registro PROSPERO
  • 3Análise de subgrupos detalhada por tipo de ventosa, local da dor e frequência
  • 4Avaliação de qualidade usando ferramentas Cochrane estabelecidas
⚠️

Limitações

  • 1Apenas efeitos imediatos analisados, sem seguimento de longo prazo
  • 2Alta heterogeneidade entre estudos (I²=94%) devido a diferenças metodológicas
  • 3Número limitado de estudos incluídos (n=10)
  • 4Instrumentos de saúde mental inadequados para capturar efeitos imediatos

📅 Contexto Histórico

2004Primeiros estudos sobre mecanismos da ventosaterapia
2011Estudos pioneiros sobre ventosas para dor cervical
2015Pesquisas sobre ventosas molhadas para dor lombar
2020Evidências sobre efeitos de sessão única de ventosas
2025Primeira meta-análise abrangente sobre DMC e ventosaterapia
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Relevância Clínica

A dor musculoesquelética crônica representa uma das queixas mais frequentes em serviços de fisiatria e reabilitação, e a busca por intervenções adjuntas com boa relação risco-benefício é permanente. Esta meta-análise oferece substrato para posicionar a ventosaterapia como uma opção de alívio analgésico imediato dentro de um plano terapêutico multimodal, especialmente em dor cervical e de ombro. O efeito sobre a intensidade da dor — com diferença media padronizada de -1,17 e p=0,002 — tem relevância prática no contexto de pacientes que chegam com dor agudizada sobre um quadro crônico e precisam de janela de conforto para aderir ao programa de exercícios e fisioterapia. A ausência de impacto significativo em incapacidade funcional e saúde mental, por outro lado, reforça que a técnica não substitui abordagens de reabilitação funcional e manejo biopsicossocial, devendo ser entendida como ferramenta analgésica dentro de um conjunto terapêutico mais amplo.

Achados Notáveis

O dado mais robusto desta análise é o efeito analgésico imediato com evidência de qualidade moderada, sustentado tanto por ventosas secas quanto molhadas — o que amplia a aplicabilidade clínica independente da modalidade disponível no serviço. A análise de subgrupos merece atenção especial: sessão única demonstrou superioridade sobre múltiplas sessões para alívio imediato da dor, e a região cervical e de ombro apresentou resposta mais favorável em comparação à lombar. Do ponto de vista neurofisiológico, os autores articulam o mecanismo de ação via ativação de fibras mecanossensitivas Aβ — que conduzem mais rapidamente que as nociceptivas Aδ e C — modulando a transmissão dolorosa pela teoria do portão. Soma-se a isso o possível papel da pressão negativa na remoção de citocinas pró-inflamatórias como IL-1 e IL-6. Esses mecanismos alinham a ventosaterapia com o mesmo racional que utilizamos para outras formas de estimulação sensorial periférica, como o agulhamento seco e a estimulação elétrica transcutânea.

Da Minha Experiência

Na minha prática em serviço de dor musculoesquelética, a ventosaterapia ocupa um nicho bastante específico: uso-a como recurso de abertura de janela analgésica antes da mobilização terapêutica, particularmente em cervicobraquialgias e síndrome do manguito com componente miofascial importante. Tenho observado resposta analgésica já na primeira sessão em pacientes com dor cervical de predomínio mecânico, o que é coerente com o achado de superioridade da sessão única nesta meta-análise. Quando associo ventosa à acupuntura sistêmica e ao trabalho de ponto-gatilho, o resultado funcional costuma ser mais consistente do que com qualquer técnica isolada. Não indico a técnica como monoterapia para dor lombar crônica complexa — nesses casos, o componente central e funcional exige muito mais do que alívio periférico imediato. O perfil que responde melhor, na minha experiência, é o paciente com dor musculoesquelética regional, baixa sensibilização central e boa reserva funcional para engajar no programa de reabilitação subsequente.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

BMJ Open · 2025

DOI: 10.1136/bmjopen-2024-087340

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.