Effects of cupping therapy on chronic musculoskeletal pain and collateral problems: a systematic review and meta-analysis
Jia et al. · BMJ Open · 2025
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Avaliar a eficácia da terapia com ventosas na dor musculoesquelética crônica, funcionalidade e saúde mental
QUEM
656 adultos com dor musculoesquelética crônica (>3 meses)
DURAÇÃO
Efeitos imediatos pós-tratamento
TIPOS
Ventosas secas, molhadas, pulsáteis e massagem com ventosas
🔬 Desenho do Estudo
Terapia com Ventosas
n=328
Diversos tipos de ventosaterapia
Controle
n=328
Placebo, lista de espera ou repouso
📊 Resultados em Números
Redução da intensidade da dor
Melhora da incapacidade funcional
Melhora da saúde mental
Valor p para dor
📊 Comparação de Resultados
Intensidade da dor (efeito significativo)
Incapacidade funcional (sem efeito)
Esta pesquisa mostra que a terapia com ventosas pode ajudar a reduzir a dor em pessoas com dor crônica nos músculos e articulações logo após o tratamento. No entanto, não melhorou significativamente a capacidade de realizar atividades do dia a dia nem o bem-estar emocional dos pacientes.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Esta revisão sistemática e meta-análise investigou a eficácia da terapia com ventosas no tratamento da dor musculoesquelética crônica (DMC), uma condição que afeta globalmente mais de 1,5 bilhão de pessoas e representa um fardo significativo para os sistemas de saúde. Os pesquisadores analisaram dados de 10 estudos controlados randomizados envolvendo 656 participantes adultos com DMC por mais de 3 meses, examinando três desfechos principais: intensidade da dor, incapacidade funcional e saúde mental. A metodologia foi rigorosa, seguindo diretrizes PRISMA e incluindo busca em cinco bases de dados até dezembro de 2024. Os estudos analisados incluíram diferentes modalidades de ventosaterapia: ventosas secas (mais comum), ventosas molhadas, terapia pulsátil e massagem com ventosas.
Os grupos controle receberam tratamento placebo, permaneceram em lista de espera ou fizeram repouso. As condições estudadas incluíram principalmente dor lombar crônica (50% dos estudos) e dor cervical crônica (40%), com duração media de sintomas variando de 20 a 190 meses. Os resultados mostraram que a terapia com ventosas foi eficaz na redução imediata da intensidade da dor (diferença media padronizada = -1,17; IC 95%: -1,93 a -0,42; p=0,002), com evidência de qualidade moderada. Tanto ventosas secas quanto molhadas demonstraram benefícios similares.
A análise de subgrupos revelou que tratamento único foi mais eficaz que múltiplas sessões, e a terapia mostrou-se particularmente benéfica para dor cervical/ombro comparada à dor lombar. Entretanto, não foram observados benefícios significativos na melhora da incapacidade funcional (DME = -0,24; IC 95%: -0,93 a 0,46; p=0,51) ou saúde mental (DME = 0,08; IC 95%: -0,12 a 0,27; p=0,46). Os autores explicam que os mecanismos neurobiológicos da ventosaterapia podem envolver o bloqueio da condução da dor através da ativação de fibras mecanossensitivas Aβ, que transmitem sinais mais rapidamente que as fibras nociceptivas Aδ e C, conforme a teoria do portão da dor. Além disso, o aumento do fluxo sanguíneo induzido pela pressão negativa pode acelerar a remoção de citocinas inflamatórias como IL-1 e IL-6, contribuindo para alívio da dor.
A falta de melhora funcional pode estar relacionada ao fato de que as avaliações foram feitas em repouso, enquanto limitações funcionais geralmente ocorrem durante movimento e atividades. Para saúde mental, os questionários utilizados (principalmente SF-36) avaliavam estados das últimas 4 semanas, tornando inadequados para capturar efeitos imediatos pós-tratamento. As implicações clínicas sugerem que a ventosaterapia pode ser uma opção complementar segura e eficaz para alívio imediato da dor crônica, especialmente em condições cervicais/ombro, mas não deve ser considerada solução completa para aspectos funcionais e psicológicos da DMC. O estudo apresenta alta heterogeneidade entre estudos (I²=94%), exigindo cautela na interpretação dos resultados.
Pontos Fortes
- 1Primeira meta-análise abrangente integrando dor, função e saúde mental da ventosaterapia
- 2Metodologia rigorosa seguindo diretrizes PRISMA e registro PROSPERO
- 3Análise de subgrupos detalhada por tipo de ventosa, local da dor e frequência
- 4Avaliação de qualidade usando ferramentas Cochrane estabelecidas
Limitações
- 1Apenas efeitos imediatos analisados, sem seguimento de longo prazo
- 2Alta heterogeneidade entre estudos (I²=94%) devido a diferenças metodológicas
- 3Número limitado de estudos incluídos (n=10)
- 4Instrumentos de saúde mental inadequados para capturar efeitos imediatos
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
A dor musculoesquelética crônica representa uma das queixas mais frequentes em serviços de fisiatria e reabilitação, e a busca por intervenções adjuntas com boa relação risco-benefício é permanente. Esta meta-análise oferece substrato para posicionar a ventosaterapia como uma opção de alívio analgésico imediato dentro de um plano terapêutico multimodal, especialmente em dor cervical e de ombro. O efeito sobre a intensidade da dor — com diferença media padronizada de -1,17 e p=0,002 — tem relevância prática no contexto de pacientes que chegam com dor agudizada sobre um quadro crônico e precisam de janela de conforto para aderir ao programa de exercícios e fisioterapia. A ausência de impacto significativo em incapacidade funcional e saúde mental, por outro lado, reforça que a técnica não substitui abordagens de reabilitação funcional e manejo biopsicossocial, devendo ser entendida como ferramenta analgésica dentro de um conjunto terapêutico mais amplo.
▸ Achados Notáveis
O dado mais robusto desta análise é o efeito analgésico imediato com evidência de qualidade moderada, sustentado tanto por ventosas secas quanto molhadas — o que amplia a aplicabilidade clínica independente da modalidade disponível no serviço. A análise de subgrupos merece atenção especial: sessão única demonstrou superioridade sobre múltiplas sessões para alívio imediato da dor, e a região cervical e de ombro apresentou resposta mais favorável em comparação à lombar. Do ponto de vista neurofisiológico, os autores articulam o mecanismo de ação via ativação de fibras mecanossensitivas Aβ — que conduzem mais rapidamente que as nociceptivas Aδ e C — modulando a transmissão dolorosa pela teoria do portão. Soma-se a isso o possível papel da pressão negativa na remoção de citocinas pró-inflamatórias como IL-1 e IL-6. Esses mecanismos alinham a ventosaterapia com o mesmo racional que utilizamos para outras formas de estimulação sensorial periférica, como o agulhamento seco e a estimulação elétrica transcutânea.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática em serviço de dor musculoesquelética, a ventosaterapia ocupa um nicho bastante específico: uso-a como recurso de abertura de janela analgésica antes da mobilização terapêutica, particularmente em cervicobraquialgias e síndrome do manguito com componente miofascial importante. Tenho observado resposta analgésica já na primeira sessão em pacientes com dor cervical de predomínio mecânico, o que é coerente com o achado de superioridade da sessão única nesta meta-análise. Quando associo ventosa à acupuntura sistêmica e ao trabalho de ponto-gatilho, o resultado funcional costuma ser mais consistente do que com qualquer técnica isolada. Não indico a técnica como monoterapia para dor lombar crônica complexa — nesses casos, o componente central e funcional exige muito mais do que alívio periférico imediato. O perfil que responde melhor, na minha experiência, é o paciente com dor musculoesquelética regional, baixa sensibilização central e boa reserva funcional para engajar no programa de reabilitação subsequente.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
BMJ Open · 2025
DOI: 10.1136/bmjopen-2024-087340
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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