Deep dry needling of trigger points located in the lateral pterygoid muscle: Efficacy and safety of treatment for management of myofascial pain and temporomandibular dysfunction
Gonzalez-Perez et al. · Med Oral Patol Oral Cir Bucal · 2015
Nível de Evidência
FORTEOBJETIVO
Avaliar se o agulhamento seco profundo em pontos-gatilho do músculo pterigóideo lateral reduz dor e melhora a função da ATM comparado ao tratamento medicamentoso
QUEM
48 pacientes de 18-65 anos com dor miofascial crônica (>6 meses) no músculo pterigóideo lateral
DURAÇÃO
Tratamento de 3 semanas com seguimento até 70 dias
PONTOS
Pontos-gatilho no músculo pterigóideo lateral usando agulhas estéreis de 40mm
🔬 Desenho do Estudo
Agulhamento Seco
n=24
3 sessões de agulhamento profundo semanal
Controle Medicamentoso
n=24
Metocarbamol/paracetamol por 3 semanas
📊 Resultados em Números
Redução da dor em repouso (agulhamento)
Redução da dor em repouso (medicamento)
Melhora na abertura bucal
Efeitos adversos no agulhamento
Efeitos adversos no medicamento
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Redução da dor (VAS 0-10)
Melhora funcional da ATM
Este estudo mostrou que o agulhamento seco é mais eficaz que medicamentos para tratar dor muscular na mandíbula. O tratamento não registrou efeitos adversos no grupo de agulhamento e proporcionou melhora duradoura na dor e movimento da boca.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
A síndrome de dor miofascial é um distúrbio complexo do sistema musculoesquelético que pode afetar a região orofacial, particularmente a articulação temporomandibular (ATM) e os músculos mastigatórios. O músculo pterigóideo lateral é frequentemente afetado por pontos-gatilho, que são áreas hipersensíveis no músculo que causam dor local e referida. Este estudo randomizado controlado investigou a eficácia e segurança do agulhamento seco profundo (ASP) comparado ao tratamento medicamentoso convencional para o manejo da dor miofascial e disfunção temporomandibular. O estudo foi conduzido no Hospital Universitário Virgen del Rocío em Sevilha, Espanha, entre maio e outubro de 2013, incluindo 48 pacientes com idades entre 18 e 65 anos que apresentavam dor miofascial crônica (duração superior a 6 meses) localizada no músculo pterigóideo lateral.
Os participantes foram randomizados em dois grupos: o grupo teste recebeu agulhamento seco profundo (n=24) e o grupo controle recebeu tratamento medicamentoso com metocarbamol/paracetamol (n=24). O diagnóstico foi confirmado através de critérios clínicos específicos de Simons e exames de imagem incluindo radiografia panorâmica e ressonância magnética para descartar outras condições. O protocolo de tratamento consistiu em três aplicações semanais de agulhamento seco no grupo teste, utilizando agulhas estéreis de aço inoxidável (40mm de comprimento, 0,25mm de calibre) inseridas nos pontos-gatilho do músculo pterigóideo lateral. O objetivo era provocar uma resposta de contração local, considerada essencial para o efeito terapêutico.
O grupo controle recebeu dois comprimidos de metocarbamol (380mg) e paracetamol (300mg) a cada seis horas durante três semanas. As avaliações foram realizadas no início do estudo (dia 0), após 28 dias e após 70 dias do início do tratamento. Os parâmetros principais incluíram dor em repouso e durante a mastigação usando escala visual analógica (EVA), amplitude de movimentos mandibulares (abertura, lateralidade e protrusão) medidos com régua Therabite, e funcionalidade da ATM avaliada por questionário de 100 pontos. Os resultados demonstraram superioridade significativa do agulhamento seco em múltiplos desfechos.
Ambos os grupos apresentaram redução estatisticamente significativa da dor, mas o grupo de agulhamento seco mostrou melhores níveis de redução da dor tanto em repouso quanto durante a mastigação. Do dia 0 ao dia 70, a dor em repouso diminuiu 68% no grupo de agulhamento seco versus 63% no grupo controle. A dor associada à mastigação reduziu 69% e 72% respectivamente. Diferenças estatisticamente significativas favoreceram o agulhamento seco nos dias 28 e 70 para ambos os tipos de dor (p<0,05).
Quanto aos movimentos mandibulares, o grupo de agulhamento seco apresentou melhorias significativas na abertura máxima, movimentos laterais e protrusão do dia 0 ao dia 70, com aumentos respectivos de 2%, 38%, 29% e 40%. O grupo controle mostrou melhorias limitadas apenas na abertura bucal e movimento lateral esquerdo no dia 70. A funcionalidade da ATM melhorou 56% no grupo de agulhamento seco comparado a 35% no grupo controle. A avaliação da eficácia pelos pacientes e investigadores foi superior no grupo de agulhamento seco, com 42% dos pacientes considerando o resultado ótimo versus 13% no grupo controle.
Importante aspecto de segurança foi evidenciado: nenhum paciente do grupo de agulhamento seco apresentou efeitos adversos, enquanto 41% do grupo controle relatou efeitos colaterais relacionados à medicação, principalmente sonolência. Oito pacientes do grupo controle abandonaram o estudo prematuramente devido a dificuldades pessoais em manter os compromissos agendados. As implicações clínicas são significativas, sugerindo que o agulhamento seco de pontos-gatilho no músculo pterigóideo lateral oferece uma alternativa terapêutica eficaz e segura para o manejo da dor miofascial temporomandibular. O tratamento demonstrou benefícios sustentados até 8 semanas após o término, com melhoria proporcional à intensidade inicial da dor.
O mecanismo de ação, embora não completamente compreendido, parece relacionar-se com a resposta de contração local obtida durante o agulhamento, considerada essencial para o efeito terapêutico desejado.
Pontos Fortes
- 1Desenho randomizado controlado com grupos bem definidos
- 2Ausência total de eventos adversos no grupo de agulhamento seco
- 3Seguimento de 10 semanas permitindo avaliação de durabilidade dos efeitos
- 4Critérios diagnósticos rigorosos com confirmação por imagem
- 5Múltiplos desfechos clínicos avaliados sistematicamente
Limitações
- 1Tamanho amostral relativamente pequeno (n=48)
- 2Alto índice de abandono no grupo controle (33% dos pacientes)
- 3Seguimento limitado a apenas 10 semanas
- 4Estudo não foi duplo-cego devido à natureza das intervenções
- 5Realizado em centro único limitando generalização dos resultados
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224
▸ Relevância Clínica
A disfunção temporomandibular com componente miofascial no pterigóideo lateral é uma condição subdiagnosticada em serviços de dor, frequentemente encaminhada tardiamente após tentativas frustradas com analgésicos orais. Este ensaio randomizado posiciona o agulhamento seco profundo como alternativa de primeira linha em pacientes com dor miofascial crônica confirmada — especialmente naqueles com contraindicação ou intolerância a relaxantes musculares. O perfil de segurança é diretamente relevante para a tomada de decisão: ausência de eventos adversos no grupo de agulhamento versus 41% de efeitos colaterais no grupo medicamentoso pesa concretamente na consulta de pacientes que dirigem, operam maquinário ou têm restrições hepáticas ao paracetamol. A melhora sustentada até dez semanas após o término do tratamento sugere efeito modificador do ciclo dor-espasmo-dor, e não apenas analgesia sintomática, o que tem impacto direto no planejamento do número de sessões e da periodicidade de retorno.
▸ Achados Notáveis
O achado mais digno de nota não é a redução da dor em repouso — similar entre os grupos ao final — mas sim a superioridade do agulhamento nos desfechos funcionais: melhora de 38% na lateralidade direita, 29% na lateralidade esquerda e 40% na protrusão, contra ganhos mínimos ou ausentes no grupo medicamentoso. Isso aponta para um efeito biomecânico específico sobre o ponto-gatilho, compatível com a hipótese de disfunção da placa motora e encurtamento sarcomérico focal. A melhora de 56% na funcionalidade da ATM frente a 35% no grupo controle traduz o que se vê na prática: pacientes que recuperam capacidade mastigatória funcional, não apenas redução de sintomas. O fato de 42% dos pacientes do grupo agulhamento avaliarem o resultado como ótimo, contra 13% no grupo medicamentoso, captura uma dimensão de satisfação global frequentemente negligenciada em desfechos primários de ensaios clínicos.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática em reabilitação musculoesquelética, o pterigóideo lateral é um músculo que exige respeito técnico: a abordagem intraoral ou transfacial demanda treinamento supervisionado específico, e costumo reservá-la para casos com confirmação por imagem e falha de abordagens conservadoras iniciais. Tenho observado resposta clínica perceptível já após a segunda sessão — redução da dor mecânica durante a mastigação e melhora na amplitude de abertura — com plateau funcional geralmente entre a quarta e sexta sessão. Associo rotineiramente ao agulhamento um programa de mobilização mandibular ativa supervisionada por fisioterapia e orientações posturais cervicais, pois a disfunção da ATM raramente existe sem componente cervical concomitante. O perfil de paciente que responde melhor, em minha experiência, é aquele com dor predominantemente miofascial, sem artropatia degenerativa avançada e com boa adesão ao autocuidado. Casos com bruxismo severo não controlado costumam recidivar mais rapidamente, o que reforça a necessidade de manejo multimodal integrado.
Artigo Original Completo
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Med Oral Patol Oral Cir Bucal · 2015
DOI: 10.4317/medoral.20384
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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