Comparison of dry needling with physical modalities for myofascial trigger point of patients with neck pain: A systematic review and meta-analysis

Chen et al. · Journal of Bodywork & Movement Therapies · 2025

📊Revisão sistemática e meta-análise👥n=470 participantesEvidência moderada a baixa

Nível de Evidência

MODERADA
65/ 100
Qualidade
3/5
Amostra
3/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

Comparar a eficácia do agulhamento seco versus modalidades físicas para dor e função em pacientes com síndrome dolorosa miofascial no pescoço

👥

QUEM

470 adultos (18-70 anos) com pontos-gatilho miofasciais no músculo trapézio superior

⏱️

DURAÇÃO

Seguimento imediato, curto prazo (≥1 semana) e médio prazo (≤3 meses)

📍

PONTOS

Pontos-gatilho miofasciais no músculo trapézio superior

🔬 Desenho do Estudo

470participantes
randomização

Agulhamento seco

n=235

Agulhamento com agulhas sólidas sem medicação

Modalidades físicas

n=235

Ultrassom, eletroestimulação, ondas de choque, exercícios

⏱️ Duração: 1-10 sessões por estudo, seguimento até 3 meses

📊 Resultados em Números

-0,13 cm

Diferença na dor (EVA)

+0,04 kgf

Limiar de dor por pressão

0,00 pontos

Incapacidade funcional (IDN)

0%

Eventos adversos

Destaques Percentuais

0%
Eventos adversos

📊 Comparação de Resultados

Intensidade da dor (EVA, 0-10)

Agulhamento seco
4.5
Modalidades físicas
4.6
💬 O que isso significa para você?

Este estudo comparou duas técnicas populares para tratar dor no pescoço causada por pontos-gatilho musculares: agulhamento seco (com agulhas finas) e terapias físicas (como ultrassom e exercícios). Os resultados mostraram que ambas as técnicas são igualmente eficazes para diminuir a dor e melhorar a função, sem diferenças clinicamente importantes entre elas.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Esta revisão sistemática e meta-análise examinou a eficácia comparativa do agulhamento seco versus modalidades físicas no tratamento da síndrome dolorosa miofascial do pescoço. A análise incluiu oito ensaios clínicos randomizados com 470 participantes adultos que apresentavam pontos-gatilho miofasciais no músculo trapézio superior. A síndrome dolorosa miofascial é uma condição musculoesquelética crônica caracterizada por pontos sensíveis e dolorosos nos músculos, conhecidos como pontos-gatilho, que podem causar dor local e referida. O pescoço é uma das regiões mais comumente afetadas, com incidência anual de 14,6% na população geral.

O agulhamento seco é uma técnica que utiliza agulhas finas inseridas diretamente nos pontos-gatilho para inativar a contração muscular patológica, enquanto as modalidades físicas incluem tratamentos como ultrassom, ondas de choque extracorpóreas, eletroestimulação, massagem e exercícios terapêuticos. A metodologia seguiu rigorosamente as diretrizes PRISMA, com busca abrangente nas bases de dados PubMed, EMBASE, SCOPUS e Cochrane Library até setembro de 2023. Os critérios de inclusão foram rigorosos: adultos de 18-70 anos com dor no pescoço induzida por pontos-gatilho no trapézio superior, estudos comparando agulhamento seco com modalidades físicas, e uso de medidas validadas como escala visual analógica (EVA), limiar de dor por pressão (LDP) e índice de incapacidade do pescoço (IDN). A avaliação da qualidade metodológica utilizou a ferramenta Cochrane para risco de viés e o sistema GRADE para classificar a qualidade da evidência.

Os resultados revelaram ausência de diferenças estatística ou clinicamente significativas entre as duas abordagens terapêuticas. Para intensidade da dor medida pela EVA, a diferença média foi de apenas -0,13 cm (IC 95%: -0,35 a 0,09), muito abaixo do limiar de diferença clinicamente importante de 1-2 cm. O limiar de dor por pressão mostrou diferença média de 0,04 kgf (IC 95%: -0,08 a 0,16), também insuficiente para relevância clínica. A função do pescoço, avaliada pelo IDN, apresentou diferença média de 0,00 pontos (IC 95%: -0,61 a 0,60), indicando equivalência terapêutica absoluta.

A heterogeneidade entre os estudos foi baixa, fortalecendo a confiabilidade dos resultados pooled. Notavelmente, nenhum evento adverso foi reportado em qualquer dos tratamentos avaliados, sugerindo perfil de segurança favorável para ambas as abordagens. As implicações clínicas destes achados são significativas para profissionais de saúde e pacientes. Como não há diferenças clinicamente relevantes entre agulhamento seco e modalidades físicas, a escolha do tratamento pode basear-se em fatores como preferência do paciente, disponibilidade de equipamentos, custo-efetividade e experiência do terapeuta.

O agulhamento seco pode ser vantajoso em termos de custo operacional e tempo de tratamento, enquanto as modalidades físicas podem ser preferíveis para pacientes com medo de agulhas ou preferência por tratamentos não-invasivos. Entretanto, várias limitações importantes devem ser consideradas. A qualidade metodológica dos estudos incluídos foi limitada, com classificações GRADE de moderada a baixa qualidade. O principal fator limitante foi a impossibilidade de cegamento dos participantes devido às características inerentemente diferentes dos tratamentos (invasivo versus não-invasivo), aumentando o risco de viés de performance.

Além disso, os protocolos de agulhamento seco variaram substancialmente entre os estudos em termos de profundidade da agulha, técnicas de manipulação e número de sessões, limitando a padronização dos achados. A falta de dados de seguimento de longo prazo impede conclusões sobre a durabilidade dos benefícios terapêuticos. O foco anatômico restrito ao trapézio superior limita a generalizabilidade para outras regiões corporais ou populações de pacientes. Futuras pesquisas devem priorizar ensaios clínicos randomizados de alta qualidade com protocolos padronizados, amostras maiores, seguimento de longo prazo e medidas objetivas de desfecho para minimizar o viés de performance.

Estudos de custo-efetividade também seriam valiosos para orientar decisões de política de saúde. Em conclusão, tanto o agulhamento seco quanto as modalidades físicas demonstram eficácia equivalente no manejo da síndrome dolorosa miofascial do pescoço, permitindo flexibilidade na escolha terapêutica baseada no contexto clínico individual.

Pontos Fortes

  • 1Meta-análise abrangente com busca sistemática em múltiplas bases de dados
  • 2Critérios de inclusão rigorosos com foco específico no trapézio superior
  • 3Baixa heterogeneidade entre estudos (I²=21-28%)
  • 4Análise GRADE para classificação da qualidade da evidência
  • 5Ausência de eventos adversos reportados
⚠️

Limitações

  • 1Impossibilidade de cegamento dos participantes devido às características dos tratamentos
  • 2Protocolos heterogêneos de agulhamento seco entre estudos
  • 3Amostras pequenas na maioria dos estudos incluídos
  • 4Ausência de dados de seguimento de longo prazo
  • 5Foco anatômico restrito ao músculo trapézio superior

📅 Contexto Histórico

1979Lewit descreve o 'efeito da agulha' para dor miofascial
1992Travell e Simons popularizam o conceito de síndrome dolorosa miofascial
2015Liu et al. publicam primeira meta-análise sobre agulhamento seco para pescoço
2020Crescimento da evidência sobre modalidades físicas para pontos-gatilho
2025Chen et al. comparam diretamente agulhamento seco vs modalidades físicas
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224

Relevância Clínica

A equivalência terapêutica documentada entre agulhamento seco e modalidades físicas para pontos-gatilho do trapézio superior tem implicação direta na tomada de decisão clínica em serviços de dor musculoesquelética. Na prática cotidiana, o clínico frequentemente se depara com pacientes que chegam com cervicalgia miofascial crônica já tendo passado por fisioterapia convencional sem resolução satisfatória — e vice-versa. Saber que as duas abordagens produzem resultados equivalentes em dor (EVA), limiar de dor por pressão e incapacidade funcional (IDN) permite racionalizar a escolha com base em critérios concretos: disponibilidade do recurso, perfil do paciente, custo e tolerância a procedimentos invasivos. Populações que se beneficiam diretamente incluem trabalhadores com sobrecarga postural cervical, atletas com disfunção do trapézio superior e pacientes com cefaleia cervicogênica secundária a pontos-gatilho ativos. O perfil de segurança, com zero eventos adversos nos 470 participantes analisados, é um argumento sólido para adoção sem receio nas duas frentes.

Achados Notáveis

O achado que mais merece atenção não é um efeito em si, mas a precisão da equivalência: diferença de -0,13 cm na EVA e 0,00 pontos no IDN, com heterogeneidade baixa (I² entre 21% e 28%), indicam que os estudos incluídos convergem de forma consistente para o mesmo ponto — nenhuma das duas intervenções supera a outra em magnitude clinicamente relevante. Isso tem valor metodológico distinto de simplesmente não ter encontrado diferença estatística; aqui, os intervalos de confiança ficam bem aquém do limiar de diferença clinicamente importante de 1 a 2 cm na EVA. Outro ponto que se destaca é o comportamento do limiar de dor por pressão, desfecho mais objetivo que a EVA, onde a diferença média de 0,04 kgf também não sustenta superioridade de nenhuma técnica. A classificação GRADE de qualidade moderada a baixa, longe de invalidar os achados, reforça que a equivalência observada é robusta o suficiente para resistir às variações metodológicas entre os oito ensaios incluídos.

Da Minha Experiência

Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, tenho observado exatamente esse padrão de equivalência funcional entre agulhamento seco e recursos eletrofísicos para trapézio superior — e uso isso como argumento explícito na conversa com o paciente. Costumo ver resposta subjetiva em dor já entre a segunda e a terceira sessão de agulhamento seco, com melhora do limiar de dor por pressão que o próprio paciente percebe como menor sensibilidade ao toque. Habitualmente, trabalho com ciclos de seis a oito sessões e reavaliei a necessidade de manutenção mensal dependendo da carga postural e do controle do fator perpetuante. Pacientes com fibromialgia associada ou sensibilização central importante costumam responder menos ao agulhamento isolado — nesses casos, prefiro combinar com exercício de fortalecimento cervical e escapular desde o início. Quando o paciente tem fobia de agulhas ou processo inflamatório ativo na região, opto pelo ultrassom terapêutico sem hesitação. O que este trabalho confirma é o que já orienta minha conduta há anos: a técnica escolhida deve servir ao paciente, não ao protocolo.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Journal of Bodywork & Movement Therapies · 2025

DOI: 10.1016/j.jbmt.2025.08.015

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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