Deep Versus Superficial Dry Needling for Neck Pain: A Systematic Review of Randomised Clinical Trials

Alhakami et al. · Medicina · 2025

📊Revisão Sistemática👥n=525 participantesEvidência Moderada

Nível de Evidência

MODERADA
70/ 100
Qualidade
3/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Comparar os efeitos da punção seca profunda versus superficial na dor e incapacidade funcional em adultos com dor cervical e pontos-gatilho miofasciais no trapézio superior

👥

QUEM

525 adultos com dor no pescoço e pontos-gatilho miofasciais ativos no músculo trapézio superior

⏱️

DURAÇÃO

Maioria dos estudos aplicou uma única sessão, com seguimento variando de imediato até 1 mês

📍

PONTOS

Pontos-gatilho miofasciais no trapézio superior; agulha profunda (25-50mm) vs superficial (5-15mm)

🔬 Desenho do Estudo

525participantes
randomização

Punção Seca Profunda

n=263

Agulhamento profundo (25-50mm) nos pontos-gatilho

Punção Seca Superficial

n=262

Agulhamento superficial (5-15mm) subcutâneo

⏱️ Duração: 1 sessão na maioria dos estudos, seguimento até 1 mês

📊 Resultados em Números

2.2-3.98 pontos

Redução da dor (EVA) - Profunda

1.8-2.36 pontos

Redução da dor (EVA) - Superficial

5.2-8.0 pontos

Melhora funcional (NDI) - Profunda

2.0-7.2 pontos

Melhora funcional (NDI) - Superficial

Não encontrada

Diferença clinicamente significativa

📊 Comparação de Resultados

Redução da Dor (EVA 0-10)

Profunda
2.6
Superficial
2.1

Melhora Funcional (NDI 0-50)

Profunda
6.5
Superficial
4.8
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que tanto a punção seca profunda quanto a superficial são eficazes para reduzir a dor no pescoço causada por pontos-gatilho musculares. Ambas as técnicas proporcionaram alívio da dor a curto prazo, sem diferenças clinicamente importantes entre elas, sugerindo que ambas são opções válidas de tratamento.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Esta revisão sistemática investigou a eficácia comparativa entre punção seca profunda e superficial para o tratamento de dor cervical associada a pontos-gatilho miofasciais (MTrPs) no músculo trapézio superior. Os pontos-gatilho miofasciais são áreas de tensão muscular localizada que podem causar dor referida e limitação funcional, afetando aproximadamente 30-85% da população em algum momento da vida. A punção seca é uma técnica fisioterapêutica que utiliza agulhas finas para tratar esses pontos, podendo ser aplicada de forma profunda (atingindo diretamente o ponto-gatilho) ou superficial (apenas na pele e tecido subcutâneo). Os pesquisadores conduziram uma busca abrangente em sete bases de dados científicas, identificando 8 estudos randomizados controlados que compararam diretamente essas duas técnicas em 525 participantes.

A qualidade metodológica dos estudos foi variada, com apenas 2 estudos apresentando baixo risco de viés, 4 com algumas preocupações metodológicas e 2 com alto risco de viés. A técnica profunda utilizou agulhas de 25-50mm de comprimento e 0,2-0,25mm de diâmetro, inseridas diretamente nos pontos-gatilho por 1,5-15 minutos, enquanto a técnica superficial empregou agulhas similares inseridas apenas 5-15mm na pele, sem atingir o músculo profundo. Os resultados demonstraram que ambas as técnicas foram eficazes na redução da dor a curto prazo. Na escala visual analógica (0-10), a punção profunda reduziu a dor em 2,2-3,98 pontos, enquanto a superficial proporcionou redução de 1,8-2,36 pontos.

Quanto à função cervical, medida pelo Índice de Incapacidade do Pescoço (NDI), a técnica profunda melhorou 5,2-8,0 pontos, enquanto a superficial melhorou 2,0-7,2 pontos. Embora alguns estudos tenham mostrado vantagens numéricas para a técnica profunda, a maioria não encontrou diferenças clinicamente significativas entre as abordagens. As limitações incluem a heterogeneidade dos protocolos de tratamento entre os estudos, variabilidade nas técnicas de aplicação, diferentes durações de seguimento e qualidade metodológica irregular. Além disso, a maioria dos estudos avaliou apenas uma sessão de tratamento, limitando a compreensão sobre efeitos de médio e longo prazo.

Os mecanismos de ação diferem entre as técnicas: a punção profunda atua diretamente no ponto-gatilho, reduzindo a atividade elétrica anormal e melhorando o fluxo sanguíneo local, enquanto a superficial estimula fibras nervosas superficiais, ativando mecanismos centrais de modulação da dor. Ambos os mecanismos parecem contribuir para o alívio sintomático observado. As implicações clínicas, no contexto internacional do estudo onde a técnica é aplicada, sugerem que esses profissionais podem escolher entre as técnicas baseando-se na preferência do paciente, tolerância ao procedimento e experiência do profissional, já que ambas demonstraram eficácia similar para o alívio a curto prazo da dor cervical associada a pontos-gatilho miofasciais.

Pontos Fortes

  • 1Busca abrangente em múltiplas bases de dados
  • 2Seguimento do protocolo PRISMA
  • 3Avaliação rigorosa do risco de viés
  • 4Análise de síntese de melhores evidências
  • 5Inclusão apenas de estudos randomizados controlados
⚠️

Limitações

  • 1Heterogeneidade significativa entre protocolos
  • 2Maioria dos estudos com risco de viés moderado a alto
  • 3Busca limitada ao idioma inglês
  • 4Seguimento de curto prazo na maioria dos estudos
  • 5Meta-análise não possível devido à variabilidade

📅 Contexto Histórico

1979Karel Lewit desenvolve a técnica de punção seca
1983Simons e Travell estabelecem definição de pontos-gatilho miofasciais
2019Primeira revisão sistemática comparando técnicas profunda vs superficial
2023Estudos adicionais publicados sobre eficácia comparativa
2025Presente revisão sistemática atualizada com 8 estudos
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224

Relevância Clínica

A dor cervical por pontos-gatilho miofasciais no trapézio superior é uma das queixas mais frequentes em ambulatórios de reabilitação e dor musculoesquelética. Esta revisão sistemática, reunindo 525 participantes em 8 ensaios randomizados, aborda diretamente uma decisão técnica cotidiana: agulhar profundo ou superficial? A resposta prática é que ambas as técnicas produzem redução clinicamente relevante da dor a curto prazo, sem diferença significativa entre elas. Para o médico que prescreve agulhamento seco, isso significa que a seleção da técnica pode ser individualizada conforme tolerância do paciente, morfologia regional e experiência do operador, sem sacrifício de eficácia. Em pacientes com alta sensibilidade mecânica local, baixo limiar de dor ou anatomia que exige maior cautela — como cervicalgias em idosos ou pós-operatório cervical recente — a abordagem superficial emerge como alternativa tão legítima quanto a profunda, sustentada por evidência de qualidade razoável.

Achados Notáveis

O achado mais digno de nota não é a superioridade de uma técnica, mas a equivalência funcional entre mecanismos de ação radicalmente distintos. A punção profunda atua descarregando a atividade elétrica espontânea do ponto-gatilho e restaurando o fluxo microvascular local; a superficial recruta aferentes cutâneos finos que disparam modulação central inibitória descendente. Ambas convergem para reduções de 1,8 a 3,98 pontos na EVA e melhora de 2,0 a 8,0 pontos no NDI, sem que a diferença entre grupos alcance significância clínica na maioria dos estudos. Isso reforça que a modulação da dor cervical miofascial é um fenômeno com múltiplas portas de entrada neurobiológicas. A amplitude das faixas de resposta — especialmente no NDI, onde a técnica superficial variou de 2,0 a 7,2 pontos — sugere que fatores individuais do paciente moderam substancialmente a magnitude do benefício, independentemente da profundidade do agulhamento.

Da Minha Experiência

Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, tenho observado que a maioria dos pacientes com cervicalgia miofascial aguda responde já nas primeiras duas ou três sessões, com redução perceptível da tensão e da dor referida occipital. Para casos crônicos, costumo planejar entre oito e doze sessões antes de avaliar manutenção ou mudança de estratégia. O que este trabalho confirma algo que já aplicávamos empiricamente: em pacientes com cervicalgia associada a sensibilização central — onde a agulha profunda provoca resposta autonômica intensa ou exacerbação pós-sessão — a transição para o agulhamento superficial mantém o efeito analgésico com melhor tolerabilidade. Combino rotineiramente o agulhamento com exercício excêntrico do trapézio e mobilização cervical, e a profundidade do agulhamento raramente é o fator limitante do resultado. O perfil que responde melhor, na minha observação, é o paciente com cervicalgia subaguda, ponto-gatilho ativo palpável e sem componente radicular predominante.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Medicina · 2025

DOI: 10.3390/medicina61101832

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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