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Incidence of adverse effects during acupuncture therapy—a multicentre survey

Ernst et al. · Complementary Therapies in Medicine · 2003

📊Estudo Observacional Multicêntrico👥n=409 pacientes⚠️Segurança - Alto Impacto

Nível de Evidência

MODERADA
75/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
4/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

Avaliar a incidência de eventos adversos durante tratamentos de acupuntura na prática clínica de rotina

👥

QUEM

409 pacientes tratados por médicos e outros profissionais em Berlim, Alemanha

⏱️

DURAÇÃO

12 meses (dezembro de 1995 a dezembro de 1996)

📍

PONTOS

Rotina normal de acupuntura (10-15 agulhas por sessão)

🔬 Desenho do Estudo

409participantes
randomização

Pacientes de acupuntura

n=409

Tratamento de acupuntura padrão com 10-15 agulhas

⏱️ Duração: 12 meses de acompanhamento

📊 Resultados em Números

0%

Tratamentos com eventos adversos

0%

Pacientes que experimentaram eventos adversos

0%

Hemorragia leve

0%

Hematoma

0%

Tontura

Destaques Percentuais

11.4%
Tratamentos com eventos adversos
37.4%
Pacientes que experimentaram eventos adversos
2.9%
Hemorragia leve
2.2%
Hematoma
1.0%
Tontura

📊 Comparação de Resultados

Principais eventos adversos por tratamento

Hemorragia leve
2.9
Hematoma
2.2
Tontura
1
💬 O que isso significa para você?

Este estudo alemão acompanhou mais de 400 pacientes durante tratamentos de acupuntura para avaliar a segurança. Descobriu que a acupuntura é geralmente muito segura, com a maioria dos efeitos adversos sendo leves (como pequenos sangramentos ou hematomas). Eventos graves são extremamente raros quando a acupuntura é praticada corretamente.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este estudo multicêntrico alemão representa uma das investigações mais abrangentes sobre a segurança da acupuntura na prática clínica de rotina. Conduzido entre dezembro de 1995 e dezembro de 1996 em Berlim, o estudo acompanhou 409 pacientes (279 mulheres, 125 homens) que receberam um total de 3.535 sessões de tratamento de acupuntura. Os pesquisadores colaboraram com 13 clínicas de medicina geral e ambulatórios, além de 16 outros profissionais, para documentar sistematicamente todos os eventos adversos ocorridos durante os tratamentos. A metodologia do estudo foi rigorosa, utilizando questionários padronizados preenchidos pelos terapeutas após cada sessão.

Os profissionais questionavam os pacientes de forma estruturada durante o tratamento ('Como você se sente agora?') e antes de cada sessão subsequente ('Como você se sentiu após a última terapia de acupuntura?'). Foi fornecida uma lista de verificação que incluía hemorragia, hematoma, infecções, anormalidades neurológicas, desmaios, sintomas vestibulares, náusea, efeito prolongado de DeQi e aumento da dor, com espaço livre para documentar outros efeitos observados. Os resultados revelaram que eventos adversos foram observados em 402 tratamentos (11,4%) envolvendo 153 pacientes diferentes (37,4% do total). As mulheres tiveram em media 9,01 tratamentos, enquanto os homens 7,85.

Os principais eventos adversos foram hemorragia leve (2,9% dos tratamentos), hematoma (2,2%), tontura (1,0%) e outros sintomas sistêmicos (2,7%). Eventos menos frequentes incluíram desmaios (0,1%), náusea (0,2%), efeito prolongado de DeQi (0,5%) e aumento da dor (0,4%). Um caso notável foi o relato de afasia durando uma hora após acupuntura. Os sintomas sistêmicos mais comuns incluíram fadiga (51 tratamentos), sudorese generalizada (11), sensação de frio (3), sudorese isolada das mãos (14), aumento da peristalse (4) e sensação de calor (3).

O estudo encontrou correlações significativas entre pequenas hemorragias e hematomas com o número de agulhas utilizadas. Hemorragias foram menos frequentes em pacientes do sexo feminino, enquanto hematomas foram menos observados em pacientes jovens, que por outro lado expressaram mais dor. O uso de ácido acetilsalicílico levou a uma maior incidência de hemorragia. Notavelmente, nenhuma infecção local foi relatada, apesar da prática de vários terapeutas de usar agulhas estéreis sem desinfetar a pele antes da inserção.

Também não foram observadas reações alérgicas de contato, apesar da alta prevalência de alergia ao níquel na população geral (12,9%). O estudo não encontrou diferenças nas taxas de incidência de eventos adversos entre médicos e outros profissionais, sugerindo documentação e tratamento cuidadosos pelos profissionais participantes. As implicações clínicas são significativas para pacientes e profissionais. O estudo confirma que a acupuntura é um método terapêutico seguro quando praticado de acordo com regras de segurança estabelecidas e em regiões anatômicas apropriadas.

No entanto, os pacientes devem ser informados sobre possíveis eventos adversos menores, especialmente aqueles em uso de medicamentos anticoagulantes como ácido acetilsalicílico. A história médica antes do tratamento deve incluir questionamentos sobre distúrbios de coagulação, imunodeficiências, possíveis doenças cardíacas, gravidez, medicamentos em uso e anormalidades anatômicas existentes.

Pontos Fortes

  • 1Amostra substancial com mais de 3.500 tratamentos documentados
  • 2Metodologia sistemática com questionários padronizados
  • 3Estudo multicêntrico reduzindo vieses individuais
  • 4Documentação prospectiva de eventos adversos
  • 5Análise tanto por tratamentos quanto por pacientes
⚠️

Limitações

  • 1Possível viés de sub-relato pelos próprios terapeutas
  • 2Ausência de grupo controle para comparação
  • 3Possível viés de seleção nos centros participantes
  • 4Número insuficiente para detectar eventos adversos muito raros
  • 5Falta de informações sobre treinamento dos profissionais

📅 Contexto Histórico

1970Primeiros relatos de eventos adversos graves em acupuntura
1995Início do estudo multicêntrico em Berlim
1996Conclusão da coleta de dados com 409 pacientes
2003Publicação dos resultados sobre segurança da acupuntura
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Relevância Clínica

O perfil de segurança da acupuntura é uma das perguntas mais frequentes que recebo de colegas antes de referenciarem pacientes, e este levantamento multicêntrico oferece dados concretos para essa conversa. Com mais de 3.500 sessões documentadas prospectivamente, os achados permitem afirmar, com base empírica, que os eventos adversos observados são predominantemente locais e autolimitados — hemorragia leve em 2,9% dos tratamentos, hematoma em 2,2%, tontura em 1,0%. Para a prática diária em reabilitação musculoesquelética, isso orienta diretamente o rastreio pré-tratamento: pacientes em uso de ácido acetilsalicílico ou anticoagulantes merecem atenção redobrada ao número de agulhas e aos sítios de puntura. A ausência de infecções locais, mesmo sem antissepsia de pele em parte dos casos, reforça a segurança das agulhas descartáveis estéreis como padrão inegociável.

Achados Notáveis

A dissociação entre incidência por tratamento (11,4%) e incidência por paciente (37,4%) merece atenção: significa que uma parcela significativa dos pacientes experenciou ao menos um evento adverso ao longo do curso terapêutico, embora a maioria desses eventos tenha ocorrido em sessões isoladas e com resolução espontânea. A correlação positiva entre número de agulhas e incidência de hemorragia e hematoma é um dado acionável — reduzir o número de agulhas em pacientes com maior risco hemorrágico é uma decisão racional fundamentada nesses dados. O relato isolado de afasia transitória de uma hora merece ser lembrado não como alarmismo, mas como razão suficiente para monitoramento pós-sessão nos primeiros minutos. A ausência de reações alérgicas ao níquel, apesar de prevalência de 12,9% na população geral, sugere que o contato superficial e breve com a agulha raramente desencadeia resposta clínica relevante.

Da Minha Experiência

Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, costumo usar este tipo de dado de segurança no consentimento informado — não para assustar o paciente, mas para ser transparente e profissional. Pacientes anticoagulados recebem protocolo com número reduzido de agulhas, pontos com menor risco vascular e compressão local por 30 segundos após retirada. Tenho observado que a tontura pós-sessão, citada em 1% dos tratamentos aqui, é mais frequente em pacientes debilitados, ansiosos ou em jejum prolongado — oriento rotineiramente que se alimentem levemente antes da sessão. O dado sobre fadiga como evento sistêmico mais comum (relatada em 51 sessões) corresponde ao que vejo: uma parcela dos pacientes sente sonolência e relaxamento profundo nas primeiras sessões, o que costumo enquadrar como resposta autonômica esperada e não como evento adverso preocupante. Para pacientes virgem de acupuntura, começo com 8 a 10 agulhas para avaliar tolerância antes de ampliar o protocolo.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Complementary Therapies in Medicine · 2003

DOI: 10.1016/S0965-2299(03)00004-9

Acessar Artigo Original

Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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