Acupuncture as an independent or adjuvant therapy to standard management for menopausal insomnia: A systematic review and meta-analysis

Zhang et al. · PLOS ONE · 2025

📊Revisão Sistemática e Meta-análise👥n=2.063 participantesEvidência Moderada a Baixa

Nível de Evidência

MODERADA
65/ 100
Qualidade
3/5
Amostra
4/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

Avaliar se a acupuntura é mais efetiva que acupuntura falsa, cuidados padrão ou lista de espera para insônia na menopausa

👥

QUEM

2.063 mulheres com 40-60 anos em transição menopausal com insônia

⏱️

DURAÇÃO

Tratamentos de 21 a 90 dias, maioria com 4 semanas

📍

PONTOS

GV20, HT7, SP6, BL23, KI3, EX-HN22, LR3, PC6, CV4, GV24 foram os mais utilizados

🔬 Desenho do Estudo

2063participantes
randomização

Acupuntura vs Falsa

n=428

6 estudos comparando acupuntura real com simulada

Acupuntura vs Medicação

n=1203

16 estudos comparando com sedativos/hormônios

Acupuntura + Medicação vs Medicação

n=367

5 estudos como terapia adjuvante

Acupuntura vs Lista de Espera

n=65

1 estudo comparando com controle inativo

⏱️ Duração: maioria com 4 semanas de tratamento

📊 Resultados em Números

-2,68 pontos

Melhora no PSQI vs acupuntura falsa

+57,17 minutos

Aumento do tempo total de sono

+11,0%

Melhora na eficiência do sono

-38,80 minutos

Redução de despertares noturnos

37% menos

Menos eventos adversos que medicação

Destaques Percentuais

+11,0%
Melhora na eficiência do sono
37% menos
Menos eventos adversos que medicação

📊 Comparação de Resultados

Escore PSQI (0-21, menor = melhor)

Acupuntura
8.5
Acupuntura Falsa
11.2
Medicação Padrão
10.9
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostra que a acupuntura pode ajudar mulheres na menopausa que sofrem de insônia a dormir melhor. Os benefícios incluem adormecer mais facilmente, dormir por mais tempo e ter menos interrupções durante a noite, com poucos efeitos colaterais comparado aos medicamentos tradicionais.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Esta revisão sistemática e meta-análise analisou 28 estudos clínicos randomizados envolvendo 2.063 mulheres chinesas de 40-60 anos com insônia relacionada à menopausa, investigando se a acupuntura é efetiva como tratamento independente ou adjuvante. A insônia na menopausa afeta 38-50% das mulheres durante esta transição, sendo frequentemente mais severa e duradoura que em mulheres pré-menopausais, causando disfunção diurna e associada a maior prevalência de ansiedade, depressão e doenças cardiovasculares. Embora a terapia hormonal da menopausa (THM) e benzodiazepínicos sejam tratamentos estabelecidos, carregam riscos significativos incluindo câncer de mama, eventos cardiovasculares, dependência e aumento do risco de quedas. A metodologia incluiu busca em sete bases de dados até abril de 2024, avaliando estudos que compararam acupuntura tradicional (manual ou eletroacupuntura) com acupuntura simulada, cuidados padrão, ou controles inativos.

A qualidade metodológica foi avaliada usando ferramentas Cochrane, e meta-análises foram conduzidas usando software RevMan. Os resultados mais robustos vieram de seis estudos controlados com acupuntura simulada, demonstrando que a acupuntura reduziu significativamente os escores do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI) em 2,68 pontos, aumentou o tempo total de sono em 57,17 minutos, melhorou a eficiência do sono em 11% e reduziu os despertares após início do sono em 38,80 minutos. Estes benefícios se mantiveram em follow-up de 4 semanas, sugerindo efeitos duradouros. Dezesseis estudos comparando acupuntura com medicação padrão mostraram redução significativa nos escores PSQI, Índice de Kupperman, e escalas de depressão e ansiedade de Hamilton.

Interessantemente, análise de subgrupo revelou que tratamentos superiores a 8 semanas não conferiram benefícios adicionais, possivelmente devido à 'fadiga' dos pontos de acupuntura com estimulação contínua. Cinco estudos avaliaram acupuntura como terapia adjuvante, demonstrando redução favorável nos escores PSQI comparado ao cuidado padrão isolado. Os pontos de acupuntura mais frequentemente utilizados foram GV20, HT7, SP6, BL23, KI3, EX-HN22, LR3, PC6, CV4 e GV24, refletindo princípios da medicina tradicional chinesa para tratar deficiências renais e desarmonia coração-rim. A frequência de tratamento variou de 1-7 sessões por semana, sendo 3 sessões semanais o mais comum.

Eventos adversos foram significativamente menores com acupuntura comparado à medicação ocidental, consistindo principalmente de dor leve e sangramento no local da punção, que se resolviam rapidamente. A avaliação GRADE classificou a evidência como muito baixa a moderada devido ao risco de viés metodológico e heterogeneidade substancial entre estudos. Limitações importantes incluem o número limitado de artigos, todos conduzidos na China, potencial viés cultural, dificuldades de cegamento, heterogeneidade nos métodos de acupuntura simulada, e falta de estudos com seguimento de longo prazo. A individualização do tratamento conforme princípios da medicina tradicional chinesa contribuiu para variabilidade nos resultados.

As implicações clínicas sugerem que mulheres com insônia menopausal que experimentam efeitos limitados da medicação ocidental podem se beneficiar da acupuntura isolada ou combinada, potencialmente prevenindo dependência medicamentosa. Um período mínimo de 4 semanas de tratamento parece necessário para efeitos terapêuticos, servindo como ponto de referência para avaliação da eficácia clínica.

Pontos Fortes

  • 1Primeira revisão abrangente focando especificamente em acupuntura para insônia menopausal
  • 2Incluiu estudos controlados com acupuntura simulada de alta qualidade
  • 3Avaliou parâmetros objetivos do sono através de polissonografia e actigrafia
  • 4Análise de subgrupos revelou que tratamentos >8 semanas não oferecem benefícios adicionais
  • 5Demonstrou perfil de segurança superior da acupuntura comparado à medicação
⚠️

Limitações

  • 1Todos os estudos conduzidos na China, limitando generalização global
  • 2Heterogeneidade substancial entre estudos devido à individualização do tratamento
  • 3Qualidade metodológica variável com muitos estudos tendo alto risco de viés
  • 4Falta de estudos com seguimento de longo prazo (6 meses a 1 ano)
  • 5Dificuldades inerentes ao cegamento em estudos de acupuntura

📅 Contexto Histórico

2014Primeiros estudos incluídos investigando acupuntura para insônia menopausal
2017Estudos de alta qualidade com acupuntura simulada começam a ser publicados
2020Desenvolvimento de protocolos mais rigorosos para pesquisa em acupuntura
2024Busca sistemática da literatura realizada em abril
2025Publicação desta meta-análise abrangente em fevereiro
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

A insônia na menopausa representa um dos queixas mais frequentes e subestimadas no consultório de mulheres entre 40 e 60 anos, afetando entre 38% e 50% dessa população e com impacto funcional que vai muito além do sono em si — ansiedade, depressão e risco cardiovascular compõem o cenário clínico habitual. Esta meta-análise, reunindo 2.063 participantes e 28 ensaios clínicos randomizados, consolida a acupuntura como opção terapêutica estruturada nesse contexto, seja em monoterapia ou como adjuvante à medicação. O dado mais aplicável à prática é a superioridade de segurança da acupuntura frente a sedativos e hormônios — 37% menos eventos adversos —, especialmente relevante para pacientes com contraindicações à terapia hormonal da menopausa ou em risco de dependência a benzodiazepínicos. O período mínimo efetivo de quatro semanas oferece um referencial clínico objetivo para avaliação de resposta.

Achados Notáveis

A comparação com acupuntura simulada — metodologicamente o subgrupo mais rigoroso — revelou ganhos clinicamente expressivos: redução de 2,68 pontos no PSQI, acréscimo de 57,17 minutos ao tempo total de sono, melhora de 11% na eficiência do sono e redução de 38,80 minutos nos despertares noturnos. Esses efeitos, confirmados por polissonografia e actigrafia em parte dos estudos, superam o limiar de significância clínica geralmente aceito para distúrbios do sono. Surpreende positivamente a análise de subgrupo que identificou ausência de benefício adicional com tratamentos superiores a oito semanas — dado que orienta diretamente o planejamento terapêutico e questiona a tendência de prolongar indefinidamente os ciclos. Os pontos predominantes (GV20, HT7, SP6, BL23, KI3) refletem o padrão clássico de deficiência renal com desarmonia coração-rim, coerente com a fisiopatologia menopáusica segundo a medicina clássica chinesa.

Da Minha Experiência

Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, temos atendido mulheres climatéricas com insônia refratária há muitos anos, frequentemente encaminhadas da ginecologia após intolerância ou contraindicação à terapia hormonal. O perfil de resposta que observo é bastante consistente com o descrito nesta revisão: as primeiras melhoras subjetivas — adormecer com maior facilidade e redução dos despertares — costumam aparecer entre a terceira e a quinta sessão, com 8 a 10 sessões como bloco inicial até estabilização do padrão de sono. A partir daí, sessões quinzenais ou mensais de manutenção geralmente preservam o ganho obtido. Costumo associar acupuntura a orientações de higiene do sono e, quando há componente de ansiedade proeminente, ao uso criterioso de fitoterápicos ou doses baixas de antidepressivos. O achado de que oito semanas é suficiente valida nossa conduta de não prolongar protocolos além do necessário. Pacientes com padrão de deficiência de Rim-Yin respondem de forma particularmente consistente, enquanto quadros com predomínio de estase de Qi hepático exigem ajuste de pontuação.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

PLOS ONE · 2025

DOI: 10.1371/journal.pone.0318562

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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