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Auricular acupuncture for substance use: a randomized controlled trial of effects on anxiety, sleep, drug use and use of addiction treatment services

Ahlberg et al. · Substance Abuse Treatment, Prevention, and Policy · 2016

🔬RCT - Estudo Controlado👥n=280 participantesResultado Negativo

Nível de Evidência

MODERADA
65/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
4/5
Replicação
3/5
🎯

OBJETIVO

Avaliar efeitos da auriculoterapia em ansiedade, sono, uso de drogas e utilização de serviços em adultos com abuso de substâncias

👥

QUEM

280 adultos com abuso de substâncias e comorbidade psiquiátrica

⏱️

DURAÇÃO

5 semanas de tratamento com seguimento de 3 meses

📍

PONTOS

Protocolo NADA: Simpático, Shen Men, Rim, Fígado e Pulmão

🔬 Desenho do Estudo

280participantes
randomização

NADA

n=80

Auriculoterapia protocolo NADA (15 sessões)

Protocolo Local

n=80

Auriculoterapia protocolo local (10 sessões)

Controle

n=120

Relaxamento com música

⏱️ Duração: 5 semanas de tratamento

📊 Resultados em Números

Sim

Melhora na ansiedade (BAI) - todos os grupos

Sim

Melhora no sono (ISI) - todos os grupos

p=0.229

Diferença entre grupos na ansiedade

p=0.065

Diferença entre grupos no sono

0%

Taxa de abandono

Destaques Percentuais

57%
Taxa de abandono

📊 Comparação de Resultados

Beck Anxiety Inventory (BAI) - redução T1 para T3

NADA
7.2
Protocolo Local
6.3
Controle
11.7

Insomnia Severity Index (ISI) - redução T1 para T3

NADA
2.5
Protocolo Local
5.2
Controle
6
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que tanto a auriculoterapia quanto o relaxamento simples ajudaram a reduzir ansiedade e melhorar o sono em pessoas com problemas de dependência química. No entanto, não houve diferença significativa entre os tratamentos, sugerindo que o apoio terapêutico em si pode ser mais importante que a técnica específica.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este estudo randomizado controlado investigou a eficácia da auriculoterapia no tratamento de sintomas de ansiedade, problemas de sono, uso de drogas e utilização de serviços de saúde em adultos com abuso de substâncias e comorbidade psiquiátrica. A pesquisa foi conduzida em uma clínica de dependência química em Örebro, Suécia, entre outubro de 2010 e junho de 2014. Os 280 participantes foram randomizados em três grupos: auriculoterapia seguindo o protocolo NADA (15 sessões), auriculoterapia seguindo um protocolo local adaptado (10 sessões), e um grupo controle que recebeu relaxamento com música. O protocolo NADA utilizou cinco pontos auriculares específicos (Simpático, Shen Men, Rim, Fígado e Pulmão), considerados ideais para pacientes com problemas de dependência.

Os desfechos primários foram ansiedade (medida pelo Beck Anxiety Inventory - BAI) e insônia (medida pelo Insomnia Severity Index - ISI), avaliados no início, após 5 semanas e após 3 meses. Os resultados mostraram que todos os três grupos apresentaram melhoras significativas nos sintomas de ansiedade e problemas de sono ao longo do tempo. No grupo NADA, a pontuação do BAI diminuiu 7,2 pontos, no protocolo local diminuiu 6,3 pontos, e no grupo controle diminuiu 11,7 pontos entre o início e os 3 meses de seguimento. Para o ISI, as reduções foram de 2,5, 5,2 e 6,0 pontos respectivamente.

Crucialmente, não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos em nenhum dos desfechos primários ou secundários. Os tamanhos de efeito foram pequenos (η²=0,03 para BAI e η²=0,05 para ISI). Quanto ao uso de substâncias, apenas cerca de 9-12% dos participantes relataram recaída no uso de álcool ou outras drogas nos seguimentos, sem diferenças significativas entre os grupos. O estudo enfrentou uma limitação importante: alta taxa de abandono (57% dos participantes abandonaram antes do seguimento de 3 meses).

Os participantes que permaneceram no estudo eram mais velhos, mais frequentemente internados e completaram mais sessões de tratamento. As implicações clínicas sugerem que a auriculoterapia, conforme administrada neste estudo, não demonstrou ser mais eficaz que o relaxamento simples para problemas de ansiedade, sono ou uso de substâncias. Os autores interpretam que os efeitos observados em todos os grupos podem ser atribuídos a fatores terapêuticos inespecíficos, como o apoio proporcionado pelo contato regular com profissionais de saúde, ou efeitos de regressão à média. Este achado é consistente com revisões sistemáticas anteriores que falharam em encontrar evidências robustas para a acupuntura no tratamento do abuso de substâncias.

O estudo possui pontos fortes importantes, incluindo o uso de uma amostra relativamente não selecionada de pacientes internados e ambulatoriais, conferindo alta validade externa, e um desenho que incluiu um grupo controle adequado para controlar fatores terapêuticos inespecíficos.

Pontos Fortes

  • 1Amostra ampla e diversificada com alta validade externa
  • 2Desenho randomizado controlado bem estruturado
  • 3Uso de instrumentos padronizados e validados
  • 4Controle adequado para fatores inespecíficos
⚠️

Limitações

  • 1Alta taxa de abandono (57%)
  • 2Tamanho amostral menor que o calculado
  • 3Ausência de grupo placebo com agulhas falsas
  • 4Não correção para múltiplas comparações

📅 Contexto Histórico

1979Smith desenvolve protocolo NADA para desintoxicação
2000Avants et al. encontram efeitos na dependência de cocaína
2009Revisões sistemáticas mostram evidências limitadas
2013Meta-análise sugere efeitos apenas em estudos chineses
2016Este estudo não encontra superioridade da auriculoterapia
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

O manejo de ansiedade e insônia em pacientes com dependência química representa um dos desafios mais árduos da prática clínica, especialmente quando comorbidades psiquiátricas estão presentes e o arsenal farmacológico é limitado pelo risco de interações ou de reforço do padrão adictivo. Nesse cenário, qualquer intervenção não farmacológica que produza benefício — mesmo que inespecífico — tem lugar legítimo no plano terapêutico. O que este ensaio demonstra de forma robusta é que tanto a auriculoterapia pelo protocolo NADA quanto o relaxamento com música produziram melhoras clinicamente relevantes em ansiedade e sono ao longo de cinco semanas e três meses. Para o médico que atende essa população, o achado central não é a equivalência entre os grupos, mas sim a resposta favorável do conjunto, o que sustenta a incorporação de intervenções adjuvantes estruturadas — auriculoterapia incluída — em programas de reabilitação para dependentes químicos com comorbidade ansiosa e insônia.

Achados Notáveis

O dado que merece atenção redobrada é a magnitude da redução no grupo controle: queda de 11,7 pontos no BAI e 6,0 pontos no ISI ao longo de três meses, superando numericamente ambos os grupos de auriculoterapia. Isso não enfraquece a auriculoterapia como recurso terapêutico, mas sinaliza que o contato estruturado e o suporte continuado com profissional de saúde exercem efeito terapêutico real e substancial nessa população vulnerável. Os tamanhos de efeito pequenos (η² de 0,03 e 0,05) refletem a homogeneidade das respostas entre os três grupos, não ausência de melhora. Adicionalmente, a taxa de recaída no uso de substâncias ficou entre 9 e 12% em todos os grupos nos seguimentos — valor notavelmente baixo para essa população — sugerindo que qualquer forma de engajamento terapêutico regular contribui para a contenção do uso. O protocolo NADA com cinco pontos auriculares consolidados demonstrou perfil de segurança e tolerabilidade compatíveis com uso rotineiro em serviços de dependência.

Da Minha Experiência

Na minha prática com pacientes em reabilitação de dependência química, a auriculoterapia pelo protocolo NADA tem sido recurso constante para manejo de fissura, agitação e insônia, especialmente nas primeiras semanas de abstinência. Costumo observar resposta inicial — redução perceptível da ansiedade e melhora do sono — já nas primeiras três a cinco sessões, o que coincide com o que este ensaio sugere indiretamente pela trajetória temporal dos grupos. Em geral, trabalho com ciclos de dez a quinze sessões na fase aguda, seguidos de manutenção quinzenal conforme evolução. A combinação com técnicas de relaxamento, terapia cognitivo-comportamental e, quando necessário, farmacoterapia é a que produziu melhores resultados ao longo da minha trajetória nessa área. O perfil que responde melhor, na minha observação, é o paciente com ansiedade proeminente e insônia de manutenção, que ainda mantém vínculo com o serviço — exatamente o subgrupo que completou mais sessões neste estudo. Pacientes muito desorganizados ou em crise aguda de abstinência grave precisam de estabilização prévia antes de se beneficiar plenamente da auriculoterapia.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Substance Abuse Treatment, Prevention, and Policy · 2016

DOI: 10.1186/s13011-016-0068-z

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.