Therapeutic effects of acupuncture plus fire needle versus acupuncture alone in lateral epicondylitis: A randomized case control pilot study
Wu et al. · Medicine · 2019
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Comparar os efeitos da acupuntura combinada com agulha de fogo versus acupuntura isolada no tratamento da epicondilite lateral (cotovelo de tenista)
QUEM
38 pacientes com epicondilite lateral há pelo menos 2 meses
DURAÇÃO
6 semanas de tratamento com seguimento de 3 meses
PONTOS
LI10 (Shousanli), LI11 (Quchi), LI12 (Zhouliao), LU5 (Chize) e pontos Ah Shi
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura + Agulha de Fogo
n=21
Acupuntura tradicional mais terapia com agulha de fogo aquecida
Acupuntura Isolada
n=17
Apenas acupuntura tradicional nos mesmos pontos
📊 Resultados em Números
Redução da dor em repouso (grupo combinado)
Melhora da força de preensão (ambos os grupos)
Redução na escala PRFEQ de dor
Melhora na qualidade de vida (SF-36)
📊 Comparação de Resultados
Escala Visual de Dor (0-10)
Força de Preensão (kg)
Este estudo mostra que tanto a acupuntura tradicional quanto a combinação com agulha de fogo são eficazes para tratar o cotovelo de tenista. A técnica combinada pode oferecer alívio mais rápido da dor, enquanto ambas as abordagens melhoram significativamente os sintomas após 3 meses de tratamento.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Este estudo piloto randomizado e controlado investigou se a combinação de acupuntura com terapia de agulha de fogo oferece benefícios superiores à acupuntura tradicional isolada no tratamento da epicondilite lateral, conhecida como cotovelo de tenista. A epicondilite lateral é uma condição degenerativa comum que afeta os tendões extensores do punho, causando dor e limitação funcional significativas. O estudo foi conduzido entre janeiro de 2010 e janeiro de 2011 em um hospital universitário em Taiwan, seguindo rigorosos critérios de inclusão que exigiam sintomas persistentes por pelo menos dois meses. A terapia com agulha de fogo é uma técnica tradicional chinesa que combina acupuntura com moxabustão, onde uma agulha de tungstênio é aquecida até ficar incandescente e então inserida rapidamente nos pontos dolorosos específicos.
Esta abordagem visa estimular simultaneamente os pontos de acupuntura e aplicar calor terapêutico diretamente no tecido afetado. Os pesquisadores selecionaram pontos de acupuntura bem estabelecidos para o tratamento da epicondilite, incluindo LI10, LI11, LI12, LU5 e pontos Ah Shi localizados na área mais dolorosa do epicôndilo lateral. O protocolo de tratamento consistiu em 12 sessões administradas duas vezes por semana durante seis semanas, com avaliações realizadas antes do tratamento, imediatamente após sua conclusão e três meses depois. Os resultados demonstraram que ambos os grupos experimentaram melhorias significativas, mas com padrões temporais diferentes.
O grupo que recebeu acupuntura combinada com agulha de fogo mostrou melhorias mais rápidas na redução da dor, com benefícios evidentes já ao final do tratamento. As pontuações na escala visual analógica de dor diminuíram de 3.38 para 1.43 pontos em repouso, e a força de preensão melhorou significativamente. Além disso, houve melhorias substanciais na funcionalidade medida pelo questionário PRFEQ e na qualidade de vida avaliada pelo SF-36. O grupo de acupuntura isolada, embora não tenha mostrado melhorias imediatas tão pronunciadas, demonstrou benefícios significativos no seguimento de três meses, com reduções dramáticas na dor e melhorias funcionais comparáveis ao grupo combinado.
Curiosamente, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos no seguimento de três meses, sugerindo que ambas as abordagens alcançam eficácia similar a longo prazo. Do ponto de vista da medicina tradicional chinesa, a terapia com agulha de fogo é teoricamente apropriada para a epicondilite lateral, pois visa aquecer e liberar o yang qi do corpo, repelindo o vento, frio e umidade dos meridianos - padrões comumente associados a esta condição. O calor da agulha dissipa-se rapidamente, proporcionando estimulação focal sem irritação excessiva. As implicações clínicas deste estudo são importantes para profissionais que tratam pacientes com epicondilite lateral crônica.
Os resultados sugerem que a acupuntura, seja isolada ou combinada com agulha de fogo, representa uma opção terapêutica eficaz, especialmente para pacientes que não responderam adequadamente a tratamentos convencionais ou que buscam alternativas aos medicamentos anti-inflamatórios e injeções de corticosteroides. A abordagem combinada pode ser particularmente benéfica para pacientes que necessitam de alívio mais rápido dos sintomas, enquanto a acupuntura tradicional oferece benefícios sustentados com uma técnica menos invasiva.
Pontos Fortes
- 1Design randomizado controlado com avaliador cego
- 2Uso de questionários validados para avaliação funcional
- 3Seguimento de médio prazo (3 meses)
- 4Protocolo bem definido com pontos de acupuntura estabelecidos
Limitações
- 1Amostra pequena (estudo piloto)
- 2Apenas pacientes com sintomas ≥2 meses
- 3Impossibilidade de cegar pacientes e acupunturistas
- 4Seguimento limitado a 3 meses
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
A epicondilite lateral é uma das condições musculoesqueléticas que mais atendo em consultório de fisiatria e dor — estima-se prevalência de 1 a 3% na população geral, com pico em trabalhadores manuais e praticantes de esportes de raquete. O aspecto clínico mais relevante deste trabalho é a documentação de que a acupuntura, com ou sem agulha de fogo, produz ganhos funcionais mensuráveis em força de preensão e escores PRFEQ em pacientes que já carregam sintomas há pelo menos dois meses, perfil que corresponde exatamente à demanda que chega ao ambulatório após falha do tratamento conservador inicial. Para o médico que gerencia a epicondilite lateral cronificada — onde corticosteroides já foram utilizados e a fisioterapia convencional estagnou o progresso — este estudo fornece respaldo para introduzir acupuntura como intervenção adjunta com expectativa de melhora funcional objetiva em seis semanas, sem aumentar o risco de efeitos adversos sistêmicos.
▸ Achados Notáveis
O achado mais digno de atenção é a assimetria temporal entre os dois grupos: a combinação de acupuntura com agulha de fogo produziu redução da dor mais precoce — evidenciada já ao término do protocolo de seis semanas, com queda da EVA em repouso de 3,38 para 1,43 pontos e redução expressiva no PRFEQ de 26,1 para 12,29 pontos — enquanto o grupo de acupuntura isolada alcançou benefícios comparáveis apenas no seguimento de três meses. Essa convergência tardia dos grupos sugere que a agulha de fogo acelera a resposta sem necessariamente ampliar o teto de eficácia. Do ponto de vista neurofisiológico, o calor focal aplicado pela agulha incandescente pode recrutar mecanismos de hiperemia local e modulação de nociceptores térmicos que a acupuntura convencional atinge de forma mais gradual. A melhora simultânea em força de preensão e qualidade de vida pelo SF-36 indica que o impacto funcional vai além da analgesia isolada.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, a epicondilite lateral que chega após dois ou mais meses de evolução raramente responde bem a uma única modalidade terapêutica. Costumo associar acupuntura com agulhamento seco dos pontos-gatilho do extensor radial curto do carpo e, quando disponível, introduzo a agulha de fogo nos casos em que o paciente relata rigidez matinal e sensação de frio local — padrão que responde melhor ao estímulo térmico. Em geral, observo melhora subjetiva da dor em repouso entre a terceira e a quinta sessão, o que se alinha ao padrão de resposta precoce descrito no grupo combinado deste trabalho. Para força de preensão, a recuperação costuma ser mais lenta, perceptível funcionalmente entre a oitava e a décima segunda sessão. Após alta do protocolo intensivo, mantenho sessões quinzenais por dois a três meses como consolidação. O perfil de paciente que mais se beneficia é aquele com dor de caráter predominantemente mecânico, sem síndrome do túnel radial concomitante — nestes, prefiro resolução cirúrgica antes de investir em acupuntura.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Medicine · 2019
DOI: 10.1097/MD.0000000000015937
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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