Effects of joint mobilization combined with acupuncture on pain, physical function, and depression in stroke patients with chronic neuropathic pain: A randomized controlled trial
Lee et al. · PLoS ONE · 2023
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Investigar se a combinação de mobilização articular com acupuntura é mais eficaz que mobilização isolada para dor, função física e depressão em pacientes pós-AVC
QUEM
69 pacientes com AVC há mais de 6 meses e dor crônica em ombros e joelhos
DURAÇÃO
12 semanas de tratamento com seguimento
PONTOS
LI14, TE13, TE14, TE15, GB34, SP9, ST36, ST40 (ombro e joelho)
🔬 Desenho do Estudo
Mobilização + Acupuntura
n=23
Mobilização articular 2x/semana + acupuntura 1x/semana
Mobilização apenas
n=23
Mobilização articular 2x/semana por 30 minutos
Controle
n=23
Sem mobilização ou acupuntura
📊 Resultados em Números
Redução dor no ombro (SPADI)
Redução dor no joelho (KWOMAC)
Melhora função manual (MFT)
Redução depressão (CES-D)
📊 Comparação de Resultados
Índice de Dor no Ombro (SPADI)
Função Manual (MFT)
Este estudo mostrou que pacientes que tiveram AVC e sofrem com dor crônica no ombro e joelho se beneficiaram mais quando receberam acupuntura junto com mobilização das articulações, comparado a quem recebeu apenas mobilização. O tratamento combinado reduziu mais a dor, melhorou a capacidade de realizar atividades do dia a dia e diminuiu os sintomas de depressão.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Efeitos da Mobilização Articular Combinada com Acupuntura na Dor, Função Física e Depressão de Pacientes com Dor Neuropática Crônica Pós-AVC: Ensaio Clínico Randomizado Controlado
A dor neuropática crônica é uma das complicações mais desafiadoras que acomete pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC). Esta condição afeta mais de 80 milhões de sobreviventes de AVC em todo o mundo, sendo que mais da metade desses pacientes enfrenta dificuldades significativas para realizar atividades do dia a dia devido às limitações neurológicas. A dor no ombro, presente em mais de 50% dos casos, e a dor no joelho são os sintomas mais frequentes, interferindo diretamente no processo de reabilitação e reduzindo a capacidade funcional dos braços e pernas. Além das limitações físicas, esses pacientes frequentemente desenvolvem depressão, o que compromete ainda mais sua qualidade de vida e recuperação.
Diante desse cenário, torna-se fundamental encontrar abordagens terapêuticas eficazes que possam simultaneamente controlar a dor, melhorar a função física e reduzir os sintomas depressivos.
Este estudo teve como objetivo investigar se a combinação de mobilização articular com acupuntura seria mais eficaz do que a mobilização articular isolada no tratamento de pacientes pós-AVC com dor neuropática crônica. Os pesquisadores conduziram um ensaio clínico randomizado controlado envolvendo 69 pacientes adultos com diagnóstico de AVC há pelo menos seis meses, todos apresentando dor no ombro e joelho por mais de seis meses. Os participantes foram divididos aleatoriamente em três grupos de 23 pessoas cada: um grupo recebeu mobilização articular combinada com acupuntura, outro recebeu apenas mobilização articular, e o terceiro serviu como controle, não recebendo nenhuma das intervenções. Durante 12 semanas, os grupos de tratamento receberam sessões de mobilização articular de 30 minutos, duas vezes por semana, enquanto o grupo que também recebia acupuntura tinha sessões adicionais de 30 minutos de acupuntura e moxabustão uma vez por semana.
A mobilização articular foi aplicada nas articulações do ombro e joelho, utilizando técnicas específicas de movimento e distração das articulações. O tratamento de acupuntura utilizou pontos específicos ao redor do ombro e joelho, combinado com moxabustão, uma técnica que utiliza calor terapêutico.
Os resultados demonstraram benefícios significativos da terapia combinada. Os pacientes que receberam mobilização articular junto com acupuntura apresentaram melhorias superiores na dor, função física e depressão quando comparados aos outros grupos. Especificamente, houve redução significativa nos índices de dor e incapacidade do ombro, bem como nos escores de dor no joelho. A amplitude de movimento das articulações, especialmente a flexão do joelho, melhorou consideravelmente no grupo de terapia combinada.
Quanto à função física, os pacientes mostraram melhoras na velocidade da caminhada, equilíbrio durante a marcha, função manual e capacidade para realizar atividades diárias básicas e instrumentais. Os escores de depressão também diminuíram significativamente apenas no grupo que recebeu o tratamento combinado. Embora o grupo que recebeu apenas mobilização articular tenha apresentado algumas melhorias em comparação ao grupo controle, os benefícios foram substancialmente menores do que aqueles observados com a terapia combinada.
Estes achados têm implicações clínicas importantes tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde. Para os pacientes, os resultados sugerem que a combinação de mobilização articular com acupuntura pode oferecer uma abordagem mais abrangente e eficaz para o manejo da dor neuropática crônica pós-AVC. A melhoria simultânea da dor, função física e humor pode resultar em maior independência nas atividades diárias e melhor qualidade de vida. Para os profissionais de saúde, especialmente fisioterapeutas e acupunturistas, o estudo fornece evidências científicas que apoiam a integração dessas duas modalidades terapêuticas.
A mobilização articular atua mecanicamente melhorando o movimento das articulações e estimulando receptores que podem inibir a dor, enquanto a acupuntura trabalha estimulando o sistema nervoso central para aumentar o limiar de dor e promover a recuperação neurológica. A moxabustão complementa o tratamento através do estímulo térmico, que pode ter efeitos relaxantes e analgésicos adicionais.
O estudo apresenta algumas limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. A amostra foi composta principalmente por idosos rurais, o que pode limitar a generalização dos achados para populações urbanas ou grupos etários diferentes. Além disso, as avaliações foram realizadas apenas antes e depois do período de intervenção de 12 semanas, sendo que avaliações mais frequentes poderiam ter fornecido informações mais detalhadas sobre o progresso do tratamento. O tamanho relativamente pequeno da amostra também representa uma limitação, embora tenha sido calculado estatisticamente para detectar diferenças significativas entre os grupos.
Outro ponto a considerar é que o estudo foi registrado retroativamente em bases de dados de ensaios clínicos, embora tenha sido conduzido de acordo com padrões éticos rigorosos. Apesar dessas limitações, o estudo oferece evidências valiosas sobre a eficácia da terapia combinada e estabelece uma base sólida para futuras pesquisas que possam incluir amostras maiores, populações mais diversas e avaliações mais frequentes dos desfechos clínicos.
Pontos Fortes
- 1Estudo controlado randomizado bem estruturado
- 2Múltiplas medidas de desfecho incluindo dor, função e depressão
- 3Protocolos padronizados para mobilização e acupuntura
- 4Avaliação de atividades da vida diária relevantes para pacientes
- 5Ausência de eventos adversos ou desistências
Limitações
- 1Amostra pequena (n=69) limita generalização dos resultados
- 2População específica (idosos rurais coreanos)
- 3Falta de cegamento dos terapeutas e pacientes
- 4Avaliação limitada a pré e pós-tratamento
- 5Intervenção no joelho pode ter sido insuficiente para afetar marcha
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224
▸ Relevância Clínica
A dor neuropática crônica pós-AVC representa um dos cenários mais refratários que recebo no ambulatório de reabilitação. Pacientes com seis meses ou mais de evolução, carregando dor no ombro hemiplégico e no joelho espástico, além de depressão reativa, costumam acumular prescrições de anticonvulsivantes e antidepressivos sem resolução funcional satisfatória. Este ensaio, conduzido por 12 semanas com três braços bem definidos, demonstra que a adição de acupuntura com moxabustão à mobilização articular gerou ganhos superiores em dor, amplitude de movimento, função manual, marcha e humor — desfechos que importam diretamente para a independência funcional. O perfil da população estudada, com dor instalada há mais de seis meses e comprometimento funcional estabelecido, corresponde ao que chega rotineiramente ao serviço terciário, tornando os achados diretamente transferíveis para programas de reabilitação pós-AVC que integrem medicina física e acupuntura médica.
▸ Achados Notáveis
A redução do KWOMAC de 73,4 para 51,9 pontos no grupo combinado chama atenção pelo magnitude: uma queda de aproximadamente 30% em dor e incapacidade do joelho num contexto neuropático, onde analgesia costuma ser parcial. Igualmente digna de nota é a redução do CES-D de 26,8 para 20,3 pontos exclusivamente no grupo que recebeu acupuntura — os outros dois grupos não apresentaram variação significativa no humor, o que sugere que o efeito antidepressivo não decorre apenas do movimento articular, mas de mecanismos centrais mobilizados pela acupuntura, possivelmente via modulação serotoninérgica e do eixo HPA. A melhora simultânea de velocidade de marcha, equilíbrio e função manual configura um padrão de resposta sistêmica que vai além do efeito local analgésico, apontando para neuroplasticidade facilitada pela combinação das duas técnicas. Nenhum evento adverso foi registrado, dado relevante para uma população de alto risco cardiovascular.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática com pacientes pós-AVC crônicos, costumo observar os primeiros sinais de resposta analgésica entre a terceira e a quinta sessão de acupuntura, especialmente quando o ombro hemiplégico é o alvo principal. O protocolo que utilizo habitualmente combina pontos locais periesqueletais com pontos distais de modulação central — uma lógica semelhante ao descrito no estudo. Para esse perfil de paciente, trabalho com ciclos de oito a doze sessões antes de reavaliar a indicação de manutenção mensal. A moxabustão, que o artigo emprega como complemento, tenho associado sobretudo nos casos com componente frio-úmido clinicamente perceptível — pacientes com espasticidade acentuada e ombro com amplitude muito limitada respondem bem ao estímulo térmico antes da mobilização. O dado sobre depressão me confirma algo que observo há anos: pacientes que engajam no protocolo de acupuntura regularmente apresentam melhora de humor que precede inclusive a melhora funcional objetiva, o que reforça a adesão ao programa de reabilitação como um todo.
Artigo Original Completo
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PLoS ONE · 2023
DOI: 10.1371/journal.pone.0281968
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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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