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Effectiveness of cupping therapy for musculoskeletal pain: an umbrella review

ElMeligie et al. · Human Movement · 2024

🔍Revisão Guarda-Chuva👥n=27.960 participantes📊Baixo Impacto
🎯

OBJETIVO

Sintetizar evidências sobre a eficácia da ventosaterapia para dor musculoesquelética em atletas e população geral

👥

QUEM

27.960 participantes com dor musculoesquelética em 301 estudos

⏱️

DURAÇÃO

Análise de estudos publicados até maio de 2023

📍

PONTOS

Aplicação geral de ventosas, não especifica acupontos

🔬 Desenho do Estudo

27960participantes
randomização

Ventosaterapia

n=13980

Ventosas secas ou molhadas

Controles

n=13980

Cuidados usuais, medicamentos ou nenhum tratamento

⏱️ Duração: Revisão de estudos variados de 2010-2024

📊 Resultados em Números

-1.59 pontos

Redução da dor vs. nenhum tratamento

0%

Qualidade metodológica baixa

0%

Evidência insuficiente para atletas

Baixa incidência

Eventos adversos leves a moderados

Destaques Percentuais

86%
Qualidade metodológica baixa
100%
Evidência insuficiente para atletas

📊 Comparação de Resultados

Eficácia para redução da dor

Ventosa vs. placebo
2
Ventosa vs. acupuntura
5
Ventosa vs. nenhum tratamento
7
💬 O que isso significa para você?

Esta grande revisão analisou 21 estudos sobre ventosaterapia para dores musculoesqueléticas. Os resultados mostram que a ventosa pode ser mais eficaz que não fazer nenhum tratamento, mas as evidências são de baixa qualidade e não há recomendação clara para seu uso.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este estudo representa uma revisão guarda-chuva abrangente que analisou 21 revisões sistemáticas sobre ventosaterapia para dor musculoesquelética, incluindo 301 estudos primários e 27.960 participantes. A ventosaterapia, uma técnica tradicional que utiliza copos para criar pressão negativa na pele, tem sido usada há mais de quatro mil anos para diversas condições médicas. O objetivo desta pesquisa foi sintetizar as evidências disponíveis sobre a eficácia da ventosaterapia em atletas e na população geral com dores musculoesqueléticas. Os pesquisadores conduziram uma busca sistemática em oito bases de dados importantes até maio de 2023, incluindo PubMed, Web of Science, Scopus e Cochrane Central.

A qualidade metodológica das revisões foi avaliada usando a ferramenta AMSTAR2, que examina 16 domínios críticos para determinar a confiabilidade dos resultados. Os achados revelaram padrões preocupantes na qualidade da evidência disponível. A maioria das revisões sistemáticas (86%) apresentou qualidade metodológica baixa ou criticamente baixa, com falhas significativas em aspectos cruciais como a não apresentação de listas de estudos excluídos, consideração inadequada do risco de viés e métodos inapropriados para meta-análise. Quando comparada com intervenções passivas como termoterapia, cuidados usuais, medicamentos convencionais ou nenhum tratamento, a ventosaterapia demonstrou alguma superioridade.

No entanto, quando comparada com acupuntura, os efeitos foram similares, sugerindo que ambas as técnicas podem compartilhar mecanismos de ação semelhantes. Para condições específicas como dor lombar inespecífica, dor cervical e osteoartrite de joelho, alguns estudos indicaram benefícios modestos, mas a heterogeneidade significativa entre os estudos e o alto risco de viés limitaram a confiabilidade dessas conclusões. Um achado particularmente relevante foi a insuficiência de evidências para recomendar a ventosaterapia em atletas. Apesar do crescente interesse da comunidade esportiva nesta modalidade, apenas dois estudos focaram especificamente nesta população, e os resultados não foram conclusivos para recomendar seu uso para redução da dor percebida, incapacidade ou esforço pós-treino.

Os eventos adversos relatados foram geralmente leves a moderados, incluindo hematomas, dor no local da aplicação, aumento temporário da dor, formigamento e tontura. Embora nenhum evento adverso grave tenha sido relatado, a frequência real destes efeitos pode estar subestimada devido à qualidade limitada dos estudos incluídos. A análise GRADE revelou que a certeza da evidência variou de muito baixa a moderada na maioria dos outcomes avaliados, com fatores como risco de viés, inconsistência entre estudos e imprecisão dos resultados contribuindo para essa baixa confiança. As limitações identificadas incluem a falta de protocolos padronizados para aplicação da ventosaterapia, variabilidade significativa nas populações estudadas e ausência de grupos controle apropriados em muitos estudos.

Os autores enfatizam que, considerando os padrões atuais de medicina baseada em evidências, esta revisão demonstrou que a maioria das revisões sistemáticas sobre ventosaterapia para dor musculoesquelética apresenta baixa qualidade metodológica. Consequentemente, a evidência atual é insuficiente para fazer recomendações definitivas sobre a eficácia da ventosaterapia, especialmente quando consideramos que utilizar terapias não comprovadas que, na melhor das hipóteses, oferecem efeito placebo, levanta questões éticas importantes. Os pesquisadores recomendam que estudos futuros sejam rigorosamente planejados e adequadamente dimensionados para fornecer respostas mais definitivas sobre a eficácia e segurança da ventosaterapia para dor musculoesquelética tanto em atletas quanto na população geral.

Pontos Fortes

  • 1Grande número de participantes analisados (27.960)
  • 2Metodologia rigorosa de revisão guarda-chuva
  • 3Avaliação sistemática da qualidade metodológica
  • 4Análise abrangente de múltiplas condições musculoesqueléticas
⚠️

Limitações

  • 1Baixa qualidade metodológica da maioria dos estudos incluídos
  • 2Alta heterogeneidade entre os estudos
  • 3Evidência insuficiente para populações específicas como atletas
  • 4Falta de padronização nos protocolos de ventosaterapia

📅 Contexto Histórico

2010Primeiras revisões sistemáticas sobre ventosaterapia
2016Aumento significativo de publicações (17 de 21 revisões após 2016)
2020Desenvolvimento de critérios mais rigorosos de avaliação
2023Publicação desta revisão guarda-chuva abrangente
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

A ventosaterapia ocupa um espaço crescente no arsenal integrativo de serviços de dor, e esta revisão guarda-chuva — reunindo 21 revisões sistemáticas, 301 estudos primários e quase 28 mil participantes — oferece o panorama mais abrangente disponível até o momento. Para o clínico que lida com dor lombar inespecífica, dor cervical e osteoartrite de joelho, os dados confirmam que a técnica supera a ausência de tratamento, com redução media de 1,59 ponto na escala de dor frente a nenhuma intervenção. Comparada à acupuntura, os efeitos foram similares, o que não surpreende dado o provável compartilhamento de mecanismos neuroimunes e de modulação do tecido conjuntivo. O perfil de segurança — eventos adversos leves como hematomas e desconforto transitório, sem relatos graves — favorece sua consideração como adjuvante em pacientes com contraindicação ou intolerância a anti-inflamatórios. A indicação mais prudente permanece no contexto multimodal, jamais como monoterapia.

Achados Notáveis

O dado que merece atenção especial é a equivalência de efeitos entre ventosaterapia e acupuntura para condições musculoesqueléticas. Essa paridade sugere mecanismos compartilhados — pressão negativa, estímulo mecânico do tecido subcutâneo, ativação de fibras A-delta e C, liberação local de mediadores como o óxido nítrico — que vão além do simples efeito placebo atribuído frequentemente a ambas as técnicas. Outro achado que se destaca é a ausência categórica de evidência para uso em atletas: apenas dois estudos cobriram essa população, sem conclusões aplicáveis. Num contexto em que a ventosa ganhou enorme visibilidade após os Jogos Olímpicos de 2016, ter uma revisão guarda-chuva sinalizando esse vácuo probatório é clinicamente valioso. O percentual de 86% de revisões com qualidade baixa ou criticamente baixa pela AMSTAR2 não invalida os achados positivos, mas calibra adequadamente o grau de confiança que se deve depositar nas estimativas de efeito.

Da Minha Experiência

Na minha prática no Centro de Dor, incorporo a ventosaterapia predominantemente como adjuvante à acupuntura sistêmica em quadros de dor miofascial lombar e cervical, especialmente quando há tensão fascial difusa que responde menos aos pontos de acupuntura isolados. Costumo observar melhora perceptível entre a segunda e a terceira sessão, em especial na percepção subjetiva de rigidez e na amplitude de movimento. Para um ciclo inicial, trabalho com seis a oito sessões semanais, avaliando resposta ao final de cada bloco antes de recomendar manutenção mensal. O perfil de paciente que responde melhor, em minha experiência, é o adulto sedentário com dor lombar crônica de componente miofascial predominante, sem radiculopatia franca. Não costumo indicar ventosa isolada em pacientes com coagulopatias, uso de anticoagulantes orais ou pele muito friável — os hematomas extensos tornam-se um problema clínico e de adesão. A equivalência com acupuntura documentada nesta revisão reflete o que temos observado informalmente ao longo dos anos: associar as duas técnicas na mesma sessão gera sinergismo prático, e os pacientes relatam benefício aditivo que justifica o tempo adicional de procedimento.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Human Movement · 2024

DOI: https://doi.org/10.5114/hm/194774

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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