The Effect of Cupping Therapy on Non-specific Neck Pain: A Systematic Review and Meta-Analysis
Azizkhani et al. · Iran Red Crescent Medical Journal · 2017
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Avaliar a eficácia da ventosaterapia no tratamento conservador da dor cervical inespecífica
QUEM
441 adultos (20-57 anos) com dor cervical crônica inespecífica, maioria mulheres
DURAÇÃO
Tratamentos de 2-13 semanas, com 1 estudo de 2 anos de acompanhamento
PONTOS
Aplicação sobre músculo trapézio e região cervical, técnicas variadas de ventosa
🔬 Desenho do Estudo
Ventosaterapia
n=220
ventosa seca, úmida, pulsátil ou massagem com ventosa
Controle
n=221
lista de espera, cuidado médico padrão ou aplicação de calor
📊 Resultados em Números
Redução da dor (VAS 0-100)
Melhora da incapacidade (NDI)
Melhora da qualidade de vida (SF-36)
Heterogeneidade entre estudos
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Intensidade da dor (VAS 0-100)
Qualidade de vida física (SF-36)
Esta pesquisa mostra que a ventosaterapia pode ser uma opção segura e eficaz para reduzir a dor no pescoço. Os resultados sugerem que o tratamento com ventosas pode diminuir a dor, melhorar a capacidade de movimento e aumentar a qualidade de vida em pessoas com dor cervical crônica.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Esta revisão sistemática e meta-análise examinou a eficácia da ventosaterapia no tratamento da dor cervical inespecífica, uma condição extremamente comum que afeta até 50% da população geral. A dor no pescoço representa um importante problema de saúde pública, associado à incapacidade significativa nas atividades diárias e ao absenteísmo no trabalho. Embora as opções terapêuticas convencionais incluam fisioterapia, modificação de atividades e medicamentos anti-inflamatórios, estes tratamentos apresentam eficácias variáveis e, em alguns casos, mostram-se ineficazes. A ventosaterapia, uma antiga modalidade terapêutica documentada em várias culturas incluindo a medicina tradicional iraniana, tem ganhado crescente interesse como tratamento complementar para condições dolorosas.
O mecanismo de ação proposto envolve a criação de pressão negativa que atrai sangue para a área dolorosa, removendo a estase sanguínea e aumentando a circulação local para aliviar a tensão e dor muscular. Os pesquisadores realizaram buscas sistemáticas em oito bases de dados médicas até março de 2017, incluindo PubMed, EMBASE, Cochrane Library e bases iranianas, sem restrições temporais. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que compararam ventosaterapia (seca ou úmida) com outros tratamentos ou nenhum tratamento em adultos com dor cervical inespecífica. Os desfechos primários incluíram intensidade da dor medida pela Escala Visual Analógica (EVA), enquanto os secundários avaliaram incapacidade através do Índice de Incapacidade do Pescoço (NDI) e qualidade de vida pelo questionário SF-36.
Dez ensaios clínicos randomizados envolvendo 441 participantes foram incluídos na análise. A maioria dos pacientes eram mulheres com dor cervical crônica inespecífica, com idades entre 20-57 anos. As intervenções incluíram ventosa seca, tradicional, massagem com ventosa e ventosa pulsátil. A duração dos tratamentos variou de 2-13 semanas na maioria dos estudos, com um seguimento de 2 anos.
A meta-análise de cinco estudos com 272 participantes revelou diferenças significativas no alívio da dor favorecendo a ventosaterapia comparada ao grupo controle (EVA 100mm: diferença média -0.84, IC95% -1.22 a -0.46). A heterogeneidade entre estudos foi moderada (I²=54.7%). Para incapacidade funcional, seis estudos com 301 participantes mostraram superioridade clínica da ventosaterapia (SMD=-0.60, IC95% -0.86 a -0.35, I²=16.4%). A avaliação da qualidade de vida usando o SF-36 em cinco estudos com 261 participantes demonstrou que a ventosaterapia aumentou a qualidade de vida comparada ao controle (SMD=-0.56, IC95% -0.20 a -0.92, I²=51.4%).
Dois estudos avaliaram dor pela Escala Numérica de Classificação, ambos mostrando superioridade da ventosaterapia. Nenhum dos ensaios clínicos relatou efeitos adversos sérios. Os mecanismos propostos para a eficácia da ventosaterapia incluem aumento do fluxo sanguíneo para pele e músculos, estimulação do sistema nervoso periférico, modulação de sistemas neurohormonais e melhora da circulação subcutânea. As limitações do estudo incluem número relativamente pequeno de ensaios incluídos, foco apenas em publicações em inglês e persa, qualidade metodológica predominantemente moderada a baixa dos estudos, e incapacidade de avaliar viés de publicação devido ao número limitado de estudos.
A heterogeneidade observada pode refletir diferenças nas técnicas de ventosa, populações estudadas e protocolos de tratamento. Esta revisão fornece evidências de que a ventosaterapia pode oferecer alívio parcial da dor para pacientes com dor cervical inespecífica, com benefícios observados na redução da intensidade da dor, melhora da incapacidade funcional e aumento da qualidade de vida. No entanto, os resultados devem ser interpretados com cautela devido à heterogeneidade da evidência. Estudos futuros com amostras maiores e desenvolvimento de controles placebo para ventosaterapia são necessários para confirmar o valor terapêutico desta modalidade no tratamento da dor cervical.
Pontos Fortes
- 1Meta-análise bem conduzida seguindo diretrizes Cochrane
- 2Busca abrangente em múltiplas bases de dados
- 3Avaliação de múltiplos desfechos clinicamente relevantes
- 4Análise de heterogeneidade adequada
- 5Nenhum efeito adverso sério relatado
Limitações
- 1Número limitado de estudos incluídos (10 ensaios)
- 2Qualidade metodológica predominantemente moderada
- 3Heterogeneidade significativa entre estudos (I²=54.7%)
- 4Impossibilidade de cegamento adequado dos participantes
- 5Tamanhos de amostra relativamente pequenos
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
Dor cervical inespecífica é um dos diagnósticos mais frequentes em qualquer serviço de reabilitação e dor musculoesquelética. Parte considerável desses pacientes não responde satisfatoriamente às abordagens convencionais isoladas — anti-inflamatórios, fisioterapia, cinesioterapia —, o que justifica a busca por adjuvantes terapêuticos com perfil de segurança aceitável. Esta meta-análise, reunindo 441 participantes em dez ensaios clínicos randomizados, demonstra que a ventosaterapia produz redução mensurável na intensidade dolorosa pela EVA, melhora funcional avaliada pelo NDI e ganho em qualidade de vida pelo SF-36, sem eventos adversos graves relatados. Para o fisiatra que atende populações adultas com cervicalgia crônica — incluindo trabalhadores com sobrecarga postural e pacientes com síndrome do trapézio — esses desfechos múltiplos conferem respaldo clínico razoável para incorporar a ventosa como componente adjunto dentro de um programa multimodal estruturado.
▸ Achados Notáveis
O achado de maior peso clínico é a convergência de efeito em três domínios distintos: dor, função e qualidade de vida. A redução no NDI com SMD de -0,60 e heterogeneidade baixa entre os estudos (I²=16,4%) é o dado mais robusto do conjunto, sugerindo que o impacto funcional é mais consistente do que o efeito analgésico isolado. O efeito sobre qualidade de vida (SMD=-0,56) é clinicamente significativo, especialmente numa condição em que o componente de comprometimento das atividades diárias costuma pesar tanto quanto a dor em si. A ausência de efeitos adversos sérios em todos os dez ensaios reforça o perfil de segurança da técnica. A diversidade de modalidades avaliadas — ventosa seca, úmida, pulsátil e massagem com ventosa — sugere que a classe terapêutica como um todo, e não uma técnica específica, carrega o efeito.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, tenho incorporado a ventosaterapia prioritariamente em pacientes com cervicalgia crônica que apresentam tensão miofascial difusa no trapézio superior e elevador da escápula, especialmente quando há estase circulatória local evidente à palpação. Costumo observar resposta subjetiva de alívio já nas primeiras duas ou três sessões, o que em si já favorece a adesão ao programa de reabilitação como um todo. Associo sistematicamente a ventosa com agulhamento seco nos pontos-gatilho ativos e com treinamento de estabilização cervical — essa combinação, na minha experiência, produz resultados mais duradouros do que qualquer modalidade isolada. O perfil de paciente que responde melhor é aquele com quadro predominantemente muscular, sem radiculopatia significativa e sem comprometimento estrutural grave. Quando há cervicartrose avançada com componente neuropático importante, a ventosa passa para segundo plano. Geralmente trabalho com ciclos de seis a oito sessões antes de reavaliar o plano terapêutico.
Artigo Original Completo
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Iran Red Crescent Medical Journal · 2017
DOI: 10.5812/ircmj.55039
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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