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Acupuncture Treatment for Persistent Hiccups in Patients with Cancer

Ge et al. · The Journal of Alternative and Complementary Medicine · 2010

📊Série de casos retrospectiva👥n=16 participantes📈Evidência promissora

Nível de Evidência

MODERADA
65/ 100
Qualidade
3/5
Amostra
2/5
Replicação
2/5
🎯

OBJETIVO

Investigar os efeitos da acupuntura no tratamento de soluços persistentes em pacientes com câncer

👥

QUEM

16 homens adultos de 27-71 anos com câncer e soluços persistentes

⏱️

DURAÇÃO

1-3 sessões durante 1-7 dias

📍

PONTOS

BL17, GV14, CV12, PC6, ST36, BL20, BL21, LR14

🔬 Desenho do Estudo

16participantes
randomização

Grupo acupuntura

n=16

1-3 sessões de acupuntura tradicional com agulhas de 32-gauge

⏱️ Duração: 1-7 dias de tratamento

📊 Resultados em Números

81,3%

Remissão completa dos soluços

p<0,0001

Significância estatística

62,8%

Redução do desconforto

62,7%

Redução da angústia

Destaques Percentuais

81,3%
Remissão completa dos soluços
62,8%
Redução do desconforto
62,7%
Redução da angústia

📊 Comparação de Resultados

Severidade dos soluços (escala 0-10)

Antes do tratamento
5.2
Após o tratamento
1
💬 O que isso significa para você?

Este estudo demonstrou que a acupuntura pode ser muito eficaz para tratar soluços que não passam em pacientes com câncer. A maioria dos pacientes (81%) teve seus soluços completamente resolvidos, além de sentirem menos desconforto e cansaço.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este estudo retrospectivo avaliou a eficácia da acupuntura no tratamento de soluços persistentes em 16 pacientes masculinos com câncer, com idades entre 27 e 71 anos, atendidos no Clinical Research Center dos National Institutes of Health entre 2002 e 2008. Os soluços persistentes são definidos como durando mais de 48 horas e podem causar impacto significativo na qualidade de vida, interferindo no sono, alimentação, fala e causando dor, ansiedade e depressão. Em pacientes oncológicos, estes sintomas podem estar relacionados à quimioterapia, anestésicos ou outros tratamentos. O protocolo de acupuntura baseou-se na Medicina Tradicional Chinesa, utilizando oito pontos específicos: BL17 (Geshu), GV14 (Dazhui), CV12 (Zhongwan), PC6 (Neiguan), ST36 (Zusanli), BL20 (Pishu), BL21 (Weishu) e LR14 (Qimen).

As sessões duravam 30 minutos, com agulhas de 32-gauge e manipulação manual moderada até obter de qi (sensação de agulhamento). Os pacientes receberam de 1 a 3 tratamentos em um período de até 7 dias. Para avaliação, foi desenvolvido o Instrumento de Avaliação de Soluços (HAI), uma escala de 0-10 onde 0 significa 'sem soluços' e 10 'pior soluço possível'. Soluços de 1-3 foram considerados leves, 4-6 moderados e 7-10 severos.

O HAI foi aplicado antes e após cada tratamento, com seguimento de 1-3 dias. Os resultados foram notáveis: 13 dos 16 pacientes (81,3%) experimentaram remissão completa dos soluços, com diferença estatisticamente significativa (p<0,0001). Dos pacientes que tiveram remissão completa, 8 alcançaram este resultado após apenas uma sessão, 2 precisaram de duas sessões e 3 necessitaram de três sessões. Os 3 pacientes restantes tiveram redução na severidade mas não puderam completar o estudo devido a condições médicas.

Além da resolução dos soluços, observou-se melhora significativa em desconforto (redução de 62,8%, p<0,0001), angústia (redução de 62,7%, p<0,0001) e fadiga (redução de 12,6%, p=0,0078). Sintomas relacionados aos soluços, como dificuldades para engolir, dormir, respirar e falar, também melhoraram. É interessante notar que 10 dos 16 pacientes não sabiam se o tratamento seria eficaz, mas todos concordaram no pós-tratamento que a acupuntura foi útil e recomendariam para outros. Nenhum evento adverso foi relatado, confirmando a segurança do tratamento.

O mecanismo de ação da acupuntura para soluços ainda não é totalmente compreendido, mas pode envolver a modulação do arco reflexo do soluço através de mudanças na perfusão sanguínea, ativação do sistema nervoso autônomo, regulação de mediadores inflamatórios ou alteração da excitabilidade axonal. Estudos anteriores sugeriram que pontos como ST36 e PC6 podem ativar neurônios no núcleo do trato solitário, área importante no controle autonômico. As limitações do estudo incluem o desenho retrospectivo, ausência de grupo controle, amostra pequena e predominância de pacientes masculinos. Apesar dessas limitações, este é o primeiro estudo a usar um instrumento padronizado para medir soluços e demonstrar sistematicamente a eficácia da acupuntura nesta condição em pacientes oncológicos.

Pontos Fortes

  • 1Primeiro estudo a usar instrumento padronizado para soluços
  • 2Resultados estatisticamente significativos
  • 3Avaliação de segurança rigorosa
  • 4Protocolo bem definido baseado na MTC
⚠️

Limitações

  • 1Desenho retrospectivo sem grupo controle
  • 2Amostra pequena (n=16)
  • 3Apenas pacientes masculinos
  • 4Falta de seguimento de longo prazo

📅 Contexto Histórico

1997Consenso NIH reconhece acupuntura para náusea
2002Início do período de coleta de dados
2008Fim da coleta de dados
2010Publicação deste estudo sobre soluços
Prof. Dr. Hong Jin Pai

Comentário do Especialista

Prof. Dr. Hong Jin Pai

Doutor em Ciências pela USP

Relevância Clínica

O soluço persistente — definido como episódios com duração superior a 48 horas — representa um sintoma frequentemente subestimado na oncologia, com impacto direto sobre o sono, a alimentação, a comunicação e o estado emocional do paciente. Em doentes submetidos a quimioterapia ou procedimentos anestésicos, a prevalência desse distúrbio é maior do que a literatura costumava reconhecer, e as opções farmacológicas disponíveis — clorpromazina, metoclopramida, baclofeno — carregam perfis de efeitos adversos relevantes nessa população já fragilizada. Os dados de Ge et al. posicionam a acupuntura como alternativa clinicamente viável para esse cenário específico: 81,3% de remissão completa em até três sessões, com melhora concomitante de desconforto, angústia e fadiga. O protocolo descrito — oito pontos sistematizados segundo a Medicina Tradicional Chinesa, incluindo BL17, PC6, ST36 e CV12 — oferece uma referência estruturada para médicos que atendem pacientes oncológicos ambulatoriais ou internados e buscam intervenções adjuvantes de baixo risco.

Achados Notáveis

O achado mais expressivo não é apenas a taxa de remissão, mas a velocidade com que ela ocorre: dos 13 pacientes que atingiram resolução completa, oito responderam já após a primeira sessão — dado que desafia a percepção de que acupuntura exige ciclos prolongados para produzir efeito clínico mensurável. A melhora concomitante de desconforto e angústia em proporções similares (62,8% e 62,7%, respectivamente) sugere que o benefício ultrapassa o controle do arco reflexo do soluço e alcança dimensões neurovegetativas e emocionais. O uso pioneiro do Instrumento de Avaliação de Soluços (HAI) como desfecho primário padronizado confere ao trabalho uma contribuição metodológica independente dos resultados clínicos. Do ponto de vista mecanístico, a hipótese de que ST36 e PC6 modulam neurônios no núcleo do trato solitário conecta este protocolo à neuroanatomia do controle autonômico, abrindo caminho para investigações mais aprofundadas sobre a base fisiológica da intervenção.

Da Minha Experiência

No Centro de Dor do HC-FMUSP, temos atendido pacientes oncológicos com soluços persistentes encaminhados principalmente pela oncologia clínica após falha ou intolerância às medidas farmacológicas convencionais. Minha experiência ao longo das últimas décadas converge com o que Ge et al. descrevem: a resposta costuma ser rápida, frequentemente perceptível já ao final da primeira sessão, e raramente são necessárias mais de três sessões para se atingir remissão ou redução substancial. O perfil de paciente que responde melhor, em minha observação, é aquele cujo soluço tem componente funcional predominante — ou seja, sem lesão estrutural do nervo frênico ou compressão diafragmática por massa tumoral. Associo o protocolo de acupuntura a orientações de relaxamento diafragmático e, quando o paciente está em condições, a ajustes posturais e respiratórios simples. Não indico o procedimento em pacientes com plaquetopenia grave ou em uso de anticoagulação plena sem discussão prévia com a equipe assistente. A ausência de eventos adversos relatada no artigo é compatível com nossa experiência institucional, reforçando a segurança da técnica nessa população vulnerável.

Médico especialista em Acupuntura. Professor Colaborador do Instituto de Ortopedia do HC-FMUSP. Coordenador do Grupo de Acupuntura do Centro de Dor do HC-FMUSP.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

The Journal of Alternative and Complementary Medicine · 2010

DOI: 10.1089/acm.2009.0456

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Páginas de patologia e artigos clínicos que citam está evidência como base das suas recomendações.

Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

Saiba mais sobre o autor →
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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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