Effects of ear acupuncture combined with cupping therapy on severity and threshold of chronic back pain and physical disability: A randomized clinical trial
Moura et al. · Journal of Traditional and Complementary Medicine · 2022
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Comparar os efeitos da auriculoterapia isolada versus combinada com ventosaterapia no tratamento de dor crônica nas costas
QUEM
182 adultos de 18-70 anos com dor crônica nas costas há pelo menos 3 meses
DURAÇÃO
5 sessões semanais por 6 semanas, com seguimento de 7 dias
PONTOS
Shenmen, Rim, Nervo Simpático, Subcórtex, Bexiga, Fígado e pontos vertebrais específicos
🔬 Desenho do Estudo
Auriculoterapia
n=94
Agulhas semi-permanentes nos pontos auriculares por 1 semana
Auriculoterapia + Ventosa
n=88
Auriculoterapia + ventosaterapia por 10 minutos nos pontos dorsais
📊 Resultados em Números
Redução da intensidade da dor (grupo combinado)
Redução da intensidade da dor (auriculoterapia)
Melhora da incapacidade física (grupo combinado)
Melhora da incapacidade física (auriculoterapia)
Diferença entre grupos na intensidade da dor
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Redução da intensidade da dor (final do tratamento)
Melhora da incapacidade física (final do tratamento)
Este estudo mostrou que a combinação de auriculoterapia (agulhas na orelha) com ventosaterapia (ventosas nas costas) é mais eficaz para tratar dor crônica nas costas do que usar apenas a auriculoterapia. Ambos os tratamentos melhoraram a dor e a capacidade de realizar atividades diárias, mas a terapia combinada teve resultados superiores.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Este estudo brasileiro avaliou 182 pessoas com dor crônica nas costas, comparando os efeitos da auriculoterapia isolada versus combinada com ventosaterapia. A dor crônica nas costas é um problema de saúde pública que afeta milhões de pessoas, causando incapacidade física, emocional e impacto na qualidade de vida. O estudo foi conduzido como um ensaio clínico randomizado controlado aberto, seguindo as diretrizes CONSORT, em uma cidade brasileira entre 2017 e 2018. Os participantes tinham entre 18 e 70 anos e apresentavam dor moderada a severa (maior que 4 em escala de 0-10) há pelo menos três meses.
Foram excluídos pacientes com condições cognitivas comprometidas, uso de medicamentos adjuvantes contínuos, terapias energéticas recentes ou condições que contraindicassem os tratamentos. O protocolo de auriculoterapia utilizou agulhas semi-permanentes em pontos específicos da orelha, incluindo Shenmen, Rim, Nervo Simpático, Subcórtex, Bexiga, Fígado e pontos vertebrais conforme a localização da dor. As agulhas permaneceram fixadas por uma semana com fita microporosa. A ventosaterapia foi aplicada bilateralmente em pontos específicos das costas por 10 minutos, incluindo pontos sistêmicos para todos e pontos regionais conforme a localização da dor cervical, torácica ou lombar.
Ambos os grupos receberam cinco sessões semanais durante seis semanas. Os resultados foram medidos através do Inventário Breve de Dor para intensidade da dor, algômetro digital para limiar de dor por pressão, e Questionário de Incapacidade de Roland-Morris para limitações físicas. As avaliações ocorreram antes do tratamento, após a última sessão e sete dias depois. Os resultados mostraram que ambos os tratamentos foram eficazes, mas a terapia combinada apresentou resultados superiores.
No grupo da auriculoterapia isolada, houve redução de 38% na intensidade da dor ao final do tratamento e 27% no seguimento, enquanto o grupo combinado apresentou redução de 52% e 35%, respectivamente. Quanto à incapacidade física, o grupo de auriculoterapia mostrou melhora de 45% ao final e 32% no seguimento, comparado a 60% e 54% no grupo combinado. Segundo critérios do IMMPACT, o grupo de auriculoterapia apresentou melhora moderadamente importante, enquanto o grupo combinado atingiu melhora substancialmente melhor. O limiar de dor por pressão aumentou significativamente em ambos os grupos, mas sem diferença estatística entre eles.
O alívio da dor foi 6% maior no grupo combinado. As limitações incluem o uso de protocolos padronizados, contrário aos preceitos da Medicina Tradicional Chinesa que preconiza individualização, embora isso permita reprodutibilidade. A perda de participantes foi baixa (8,1%) e dentro do esperado. Este é o primeiro estudo a avaliar especificamente a combinação dessas terapias para dor crônica nas costas.
Os achados sugerem que a ventosaterapia potencializa os efeitos da auriculoterapia, oferecendo uma abordagem terapêutica promissora, de baixo custo e baixo risco para o manejo da dor crônica nas costas.
Pontos Fortes
- 1Primeiro estudo a combinar auriculoterapia e ventosaterapia para dor crônica
- 2Amostra robusta e metodologia rigorosa seguindo diretrizes CONSORT
- 3Múltiplas medidas de desfecho validadas
- 4Baixa taxa de perda de seguimento
- 5Protocolos bem definidos permitindo reprodutibilidade
Limitações
- 1Protocolos padronizados contrários aos princípios da MTC personalizada
- 2Estudo aberto sem mascaramento dos participantes
- 3Seguimento de curto prazo (apenas 7 dias)
- 4População limitada a uma única região brasileira
- 5Ausência de grupo controle placebo
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Prof. Dr. Hong Jin Pai
Doutor em Ciências pela USP
▸ Relevância Clínica
A dor lombar crônica permanece um dos desafios mais frequentes no ambulatório de dor, e qualquer evidência que amplie o arsenal terapêutico não farmacológico merece atenção clínica séria. Este ensaio randomizado brasileiro demonstra que a combinação de auriculoterapia com ventosaterapia produz reduções clinicamente expressivas tanto na intensidade da dor quanto na incapacidade funcional — 52% e 60%, respectivamente — superando de forma estatisticamente significativa a auriculoterapia isolada. O perfil de paciente diretamente contemplado é aquele com dor moderada a severa há mais de três meses, sem resposta satisfatória à farmacoterapia convencional ou com contraindicações ao uso contínuo de analgésicos. A abordagem combinada se encaixa bem em protocolos multimodais, ao lado de reabilitação física e educação em dor, sem sobrecarregar o paciente com procedimentos invasivos. A reprodutibilidade do protocolo, garantida pela padronização dos pontos auriculares e dorsais, facilita a implementação em serviços de atenção primária e ambulatórios especializados com recursos limitados.
▸ Achados Notáveis
O dado mais expressivo deste estudo é o salto qualitativo entre os grupos segundo os critérios do IMMPACT: enquanto a auriculoterapia isolada alcança melhora 'moderadamente importante', a terapia combinada atinge o patamar de melhora 'substancialmente melhor' — uma distinção clínica, não apenas estatística. Chama a atenção que a melhora na incapacidade funcional pelo Roland-Morris no grupo combinado chegou a 54% ainda no seguimento de sete dias após o término do tratamento, sugerindo persistência do efeito além das sessões ativas. Outro achado digno de nota é que o limiar de dor por pressão aumentou significativamente em ambos os grupos, porém sem diferença entre eles — o que indica que os mecanismos de modulação nociceptiva periférica são compartilhados, mas os ganhos funcionais e de percepção subjetiva da dor dependem do efeito sinérgico da combinação. Essa dissociação entre limiar algométrico e experiência dolorosa subjetiva abre uma janela interessante para discutir os mecanismos centrais da ventosaterapia.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no Centro de Dor do HC-FMUSP, a associação de auriculoterapia com técnicas corporais adjuntas — ventosaterapia, moxabustão, eletroacupuntura — é rotina para pacientes com dor lombar crônica que chegam já esgotados das opções farmacológicas. Tenho observado que os primeiros sinais de resposta à auriculoterapia aparecem tipicamente entre a segunda e a terceira sessão, mas é com a adição da ventosaterapia que os pacientes relatam melhora funcional mais precoce e consistente — o que este estudo corrobora de forma objetiva. Costumo manter o paciente em tratamento ativo por seis a oito semanas e depois espaçar para sessões quinzenais de manutenção por mais dois a três meses, especialmente nos casos com componente miofascial importante. O perfil que melhor responde, na minha experiência, é o paciente com dor mecânica predominante, sem irradiação radicular significativa e com boa adesão ao autocuidado. Combino habitualmente com alongamento supervisionado e orientação postural, o que potencializa e prolonga os ganhos obtidos nas sessões.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
Journal of Traditional and Complementary Medicine · 2022
DOI: 10.1016/j.jtcme.2021.07.008
Acessar Artigo OriginalRevisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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