The Use of Wet Cupping for Persistent Nonspecific Low Back Pain: Randomized Controlled Clinical Trial
AlBedah et al. · The Journal of Alternative and Complementary Medicine · 2015
Nível de Evidência
MODERADAOBJETIVO
Avaliar a eficácia da terapia de ventosas úmidas como tratamento único para dor lombar inespecífica persistente
QUEM
80 adultos com dor lombar há pelo menos 3 meses, sem causa específica identificável
DURAÇÃO
2 semanas de tratamento (6 sessões) + 2 semanas de acompanhamento
PONTOS
Pontos BL23, BL24 e BL25 do meridiano da bexiga, dois pontos por sessão
🔬 Desenho do Estudo
Ventosas úmidas
n=40
6 sessões de ventosas úmidas em 2 semanas nos pontos BL23-25
Controle
n=40
Nenhum tratamento ativo, apenas medicação de resgate
📊 Resultados em Números
Redução na escala de dor (NRS) - grupo ventosas
Escala de dor (NRS) - grupo controle
Melhora na incapacidade (ODQ) - grupo ventosas
Significância estatística
Destaques Percentuais
📊 Comparação de Resultados
Dor (Escala NRS 0-100)
Incapacidade funcional (ODQ %)
Este estudo mostra que a terapia de ventosas úmidas pode ser uma opção eficaz para reduzir significativamente a dor lombar crônica e melhorar a capacidade de realizar atividades diárias. Os resultados foram mantidos por pelo menos 2 semanas após o fim do tratamento, sem efeitos adversos relatados.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Este ensaio clínico randomizado controlado conduzido na Arábia Saudita investigou a eficácia da terapia de ventosas úmidas (hijama) no tratamento da dor lombar inespecífica persistente, uma condição que afeta milhões de pessoas mundialmente e representa uma das principais causas de incapacidade e absenteísmo no trabalho. A dor lombar inespecífica persistente é definida como dor que persiste por pelo menos 12 semanas sem causa específica identificável, representando aproximadamente 80% de todos os casos de dor lombar. O estudo foi motivado pela necessidade de encontrar alternativas terapêuticas eficazes para esta condição frequentemente resistente aos tratamentos convencionais. A pesquisa foi realizada em três hospitais secundários em diferentes cidades da Arábia Saudita entre abril e setembro de 2014.
Os pesquisadores recrutaram 80 participantes adultos (18-60 anos) com dor lombar inespecífica há pelo menos 3 meses, excluindo aqueles com condições médicas que contraindicassem a ventosaterapia, uso de anticoagulantes ou outras doenças crônicas. Os participantes foram randomizados igualmente em dois grupos: intervenção (ventosas úmidas) e controle (sem tratamento). O protocolo de tratamento consistiu em seis sessões de ventosas úmidas distribuídas ao longo de duas semanas, com três sessões por semana. Em cada sessão, dois pontos de acupuntura eram selecionados entre os pontos BL23, BL24 e BL25 do meridiano da bexiga.
A técnica utilizada seguiu um protocolo modificado, diferindo da prática tradicional do Oriente Médio ao usar punção seguida de aplicação das ventosas, em vez da sequência tradicional ventosa-punção-ventosa. Ambos os grupos tinham permissão para usar até três comprimidos de paracetamol de 500mg por dia como medicação de resgate, sendo proibidos outros medicamentos, terapias alternativas e fisioterapia durante as quatro semanas do estudo. A avaliação dos resultados foi realizada usando três instrumentos validados: a Escala Numérica de Classificação da Dor (NRS), o Questionário de Intensidade da Dor Presente de McGill (PPI) e o Questionário de Incapacidade de Oswestry (ODQ). As medições foram feitas no início do estudo, após duas semanas (fim da intervenção) e após quatro semanas (duas semanas pós-tratamento).
O desfecho primário foi a diferença na pontuação da NRS entre os grupos no final do período de tratamento de duas semanas. Os resultados demonstraram diferenças estatisticamente significativas favorecendo o grupo das ventosas úmidas em todas as três medidas de resultado. A pontuação media da NRS no grupo ventosas foi de 29,2 pontos comparada a 57,9 pontos no grupo controle (p<0,0001). Na escala ODQ, o grupo ventosas apresentou pontuação de 19,6% versus 35,4% no grupo controle.
Impressionantemente, 77,5% dos pacientes no grupo ventosas demonstraram melhoria clinicamente significativa (redução ≥15 pontos na NRS) após duas semanas, comparado a apenas um paciente no grupo controle. Além disso, os benefícios foram mantidos durante o período de acompanhamento de duas semanas após o fim do tratamento, com algumas medidas mostrando melhoria adicional. O uso de paracetamol foi menor no grupo ventosas, embora essa diferença não tenha alcançado significância estatística. Nenhum evento adverso foi relatado durante todo o estudo.
As implicações clínicas destes achados são substanciais, sugerindo que a ventosaterapia úmida pode representar uma opção terapêutica segura e eficaz para pacientes com dor lombar crônica. O estudo também teve impacto no sistema de saúde saudita, estabelecendo pela primeira vez clínicas de ventosaterapia em hospitais governamentais secundários e criando um modelo de medicina integrativa envolvendo profissionais multidisciplinares. Os pesquisadores conduziram pesquisas de satisfação dos pacientes e workshops com companhias de seguro médico para discutir a extensão da cobertura para terapias complementares integradas.
Pontos Fortes
- 1Design randomizado controlado com boa randomização e ocultação de alocação
- 2Múltiplos centros e avaliadores, reduzindo viés de seleção
- 3Taxa de abandono muito baixa (6,25%), melhor que o esperado
- 4Uso de instrumentos de avaliação validados e traduzidos para o árabe
- 5Seguimento pós-tratamento demonstrando durabilidade dos efeitos
Limitações
- 1Ausência de grupo placebo/sham, não controlando o efeito placebo
- 2Estudo aberto sem cegamento dos participantes e avaliadores
- 3Protocolo de ventosas modificado, diferindo da prática tradicional
- 4Seguimento relativamente curto (apenas 4 semanas totais)
- 5População específica (Arábia Saudita) pode limitar generalização
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241
▸ Relevância Clínica
Dor lombar inespecífica persistente é o pão com manteiga de qualquer serviço de reabilitação: pacientes com mais de três meses de dor, sem diagnóstico estrutural definitivo, que já esgotaram as primeiras linhas farmacológicas e chegam ao consultório buscando alternativas. Para esse perfil, qualquer recurso que demonstre redução clinicamente mensurável na NRS e na incapacidade funcional pelo Oswestry merece atenção. Neste ensaio, a ventosaterapia úmida foi aplicada em pontos da região lombar baixa — BL23 a BL25 — em seis sessões distribuídas em duas semanas, com efeito sustentado por pelo menos duas semanas adicionais sem tratamento ativo. A taxa de resposta clínica significativa de 77,5% no grupo intervenção sinaliza que a técnica pode ter papel no arsenal adjunto para lombalgia crônica, especialmente em pacientes que não toleram anti-inflamatórios, apresentam contraindicações a procedimentos intervencionistas maiores ou que já estão em plataforma de exercício terapêutico sem resposta analgésica suficiente.
▸ Achados Notáveis
O dado mais impactante do estudo é a magnitude da diferença entre grupos na NRS — 29,2 pontos no grupo ventosas versus 57,9 no controle — uma diferença que ultrapassa em larga margem o limiar de mínima diferença clinicamente importante para dor lombar crônica. Igualmente relevante é o achado de que 77,5% dos pacientes tratados atingiram melhora clinicamente significativa (redução ≥ 15 pontos na NRS), frente a apenas um paciente no grupo controle. No Oswestry, a incapacidade caiu para 19,6% no grupo ventosas contra 35,4% no controle, sugerindo que o efeito não se restringe à percepção álgica, mas se traduz em ganho funcional. O fato de os benefícios persistirem e, em algumas medidas, até se ampliarem nas duas semanas pós-tratamento é relevante: indica que o mecanismo de ação — provavelmente mediado por modulação inflamatória local e estimulação de mecanorreceptores cutâneos — não é simplesmente transitório e dependente da presença da ventosa.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, venho incorporando ventosaterapia como recurso adjunto em lombalgia crônica inespecífica há alguns anos, geralmente associada a agulhamento seco dos pontos-gatilho paravertebrais e exercício progressivo. O perfil de paciente que mais se beneficia, na minha observação, é aquele com dor de predomínio mecânico, componente de rigidez matinal significativo e tensão muscular paravertebral evidente ao exame físico — justamente o fenótipo recrutado neste estudo. Costumo observar resposta analgésica inicial já após duas ou três sessões, com platô funcional mais consistente por volta da sexta sessão, o que coincide com o protocolo testado aqui. Habitualmente estruturo ciclos de seis a oito sessões com reavaliação formal, seguidos de espaçamento gradual para manutenção mensal. Evito a técnica em pacientes anticoagulados, com discrasias hemorrágicas ou lesões cutâneas ativas na região. A combinação com programa domiciliar de fortalecimento do core tem sido, rotineiramente, o que consolida e prolonga o ganho obtido com a ventosaterapia.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
The Journal of Alternative and Complementary Medicine · 2015
DOI: 10.1089/acm.2015.0065
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Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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