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Effect of Dry Cupping Therapy on Pain and Functional Disability in Persistent Non-Specific Low Back Pain: A Randomized Controlled Clinical Trial

Salemi et al. · Journal of Acupuncture and Meridian Studies · 2021

🎯Ensaio Clínico Randomizado👥n=37 participantesEvidência de Alto Impacto

Nível de Evidência

FORTE
82/ 100
Qualidade
4/5
Amostra
3/5
Replicação
4/5
🎯

OBJETIVO

Avaliar os efeitos da ventosaterapia seca na dor e incapacidade funcional em pessoas com dor lombar persistente não específica

👥

QUEM

Adultos (18-59 anos) com dor lombar não específica por mais de 3 meses

⏱️

DURAÇÃO

5 sessões de 20 minutos, 2x por semana, com acompanhamento de 4 semanas

📍

PONTOS

GV4, BL23, BL24, BL25, BL30, BL40, BL58, HT3 e ST36

🔬 Desenho do Estudo

37participantes
randomização

Ventosaterapia

n=19

Ventosas com pressão negativa de 300 milibar nos pontos de acupuntura

Sham

n=18

Ventosas com furo pequeno impedindo manutenção da sucção

⏱️ Duração: 2,5 semanas de tratamento + 4 semanas de seguimento

📊 Resultados em Números

2,36 pontos

Redução da dor pós-tratamento

1,71 pontos

Redução da dor no seguimento

4,68 pontos

Melhora da funcionalidade pós-tratamento

p < 0,001

Significância estatística dor

📊 Comparação de Resultados

Escala Visual Analógica de Dor

Ventosaterapia
2.39
Sham
4.75

Índice de Incapacidade de Oswestry

Ventosaterapia
12.43
Sham
17.11
💬 O que isso significa para você?

Este estudo mostrou que a ventosaterapia seca é eficaz para reduzir a dor lombar crônica e melhorar a capacidade funcional. O tratamento com ventosas aplicadas em pontos específicos foi superior ao tratamento simulado, proporcionando alívio da dor que durou até um mês após o término do tratamento.

📝

Resumo do Artigo

Resumo narrativo em linguagem acessível

Este ensaio clínico randomizado investigou os efeitos da ventosaterapia seca em pessoas com dor lombar persistente não específica, uma condição que afeta significativamente a qualidade de vida e representa uma das principais causas de incapacidade funcional. O estudo foi conduzido de acordo com os padrões CONSORT e aprovado pelo comitê de ética, incluindo 37 participantes com idades entre 18-59 anos que apresentavam dor lombar há mais de três meses. A metodologia envolveu a randomização dos participantes em dois grupos: um grupo recebeu ventosaterapia real e outro recebeu tratamento simulado (sham), garantindo o mascaramento dos participantes, avaliadores e estatísticos. O protocolo de tratamento consistiu em cinco sessões de 20 minutos, realizadas duas vezes por semana, utilizando 17 ventosas acrílicas reutilizáveis.

O diferencial deste estudo foi a abordagem abrangente na seleção dos pontos de acupuntura, incluindo não apenas os pontos clássicos para dor lombar (BL23, BL24, BL25), mas também pontos relacionados aos aspectos emocionais (HT3, ST36) e outros pontos específicos para fortalecimento da região lombar (GV4, BL30, BL40, BL58). No grupo da ventosaterapia, foi aplicada pressão negativa moderada de aproximadamente 300 milibar através de bomba manual, enquanto o grupo sham recebeu ventosas com pequenos furos que impediam a manutenção da sucção. Os resultados demonstraram superioridade clara da ventosaterapia real sobre o tratamento simulado. Na avaliação da dor através da Escala Visual Analógica, o grupo da ventosaterapia apresentou redução media de 2,36 pontos no pós-tratamento e 1,71 pontos no seguimento de quatro semanas, com tamanhos de efeito considerados grandes (-0,94 e -0,83 respectivamente).

Para a incapacidade funcional, medida pelo Índice de Incapacidade de Oswestry, houve melhora significativa de 4,68 pontos no pós-tratamento, embora essa diferença não tenha se mantido no seguimento. O estudo também avaliou o número de dias com dor por semana, mostrando que o grupo da ventosaterapia apresentou redução mais precoce e sustentada em comparação ao grupo controle. Adicionalmente, foi observada melhora nos fatores psicossociais relacionados à dor lombar, avaliados através do questionário Start Back Screening Tool, tanto no pós-tratamento quanto no seguimento. Quanto à análise da diferença mínima clinicamente importante, 68,42% dos participantes do grupo ventosaterapia alcançaram melhora clinicamente significativa na dor entre o pós-tratamento e baseline, comparado a apenas 22% no grupo sham.

Para a incapacidade funcional, 36,85% do grupo ventosaterapia atingiu melhora clinicamente importante comparado a 16,66% do grupo sham. Os eventos adversos foram mínimos, limitando-se a leve alteração de pigmentação da pele que desapareceu em quatro dias, confirmando a segurança da técnica. As implicações clínicas deste estudo são significativas, pois demonstra que a ventosaterapia seca pode ser uma opção terapêutica eficaz e segura para dor lombar crônica, especialmente quando aplicada seguindo um protocolo que considera não apenas os aspectos físicos, mas também os fatores emocionais relacionados à dor. A abordagem abrangente utilizada pode explicar os resultados superiores em comparação a estudos anteriores que utilizaram protocolos mais limitados.

Pontos Fortes

  • 1Design randomizado controlado duplo-cego bem executado
  • 2Protocolo abrangente incluindo pontos para aspectos emocionais
  • 3Uso de grupo sham apropriado para controle do efeito placebo
  • 4Avaliação de múltiplos desfechos incluindo aspectos psicossociais
  • 5Seguimento de 4 semanas pós-tratamento
⚠️

Limitações

  • 1Amostra pequena limitando generalização dos resultados
  • 2População jovem predominantemente feminina
  • 3Ausência de dados do diário de dor no seguimento
  • 4Necessidade de estudos com amostras maiores e mais diversificadas

📅 Contexto Histórico

2011Primeiros estudos sobre ventosaterapia para dor lombar
2015Estabelecimento de protocolos padronizados de ventosaterapia
2018Meta-análise sobre eficácia da ventosaterapia em dor crônica
2020Estudos sobre mecanismos de ação da ventosaterapia
2021Publicação deste estudo com protocolo abrangente
Dr. Marcus Yu Bin Pai

Comentário do Especialista

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP 158074 · RQE 65523 / 65524 / 655241

Relevância Clínica

A dor lombar persistente não específica segue sendo um dos diagnósticos mais prevalentes em ambulatórios de fisiatria e dor, e qualquer ferramenta que produza alívio clinicamente relevante e seja de fácil execução merece atenção. Neste ensaio, a ventosaterapia seca — aplicada em cinco sessões de 20 minutos ao longo de pouco mais de duas semanas — gerou redução de 2,36 pontos na EVA e melhora de 4,68 pontos no Índice de Oswestry no pós-tratamento, com tamanho de efeito grande. Mais do que os números absolutos, o dado de que 68% dos pacientes do grupo ativo atingiram a diferença mínima clinicamente importante na dor, contra 22% no sham, traduz utilidade real à beira do leito. Para o fisiatra que atende pacientes com dor lombar crônica refratária a analgésicos convencionais ou que não toleram agulhamento seco, a ventosaterapia configura alternativa adjunta com perfil de segurança favorável e protocolo reprodutível.

Achados Notáveis

O ponto mais digno de nota não é simplesmente a eficácia analgésica, mas a lógica do protocolo de pontos adotado. Ao incorporar HT3 e ST36 — pontos classicamente associados a modulação do eixo autonômico e aspectos afetivos da dor — ao protocolo convencional de BL23, BL25, GV4 e BL40, os autores obtiveram melhora mensurável nos fatores psicossociais pelo Start Back Screening Tool tanto ao fim do tratamento quanto nas quatro semanas de seguimento. Isso é relevante porque a lombalgia crônica não específica carrega componente de sensibilização central e catastrofização que protocolos puramente biomecânicos frequentemente negligenciam. O efeito sobre funcionalidade, embora robusto no pós-tratamento, não se manteve com a mesma magnitude no seguimento, o que reforça a necessidade de integrar a ventosaterapia a estratégias de médio prazo — exercício, educação em dor — e não usá-la isoladamente como solução definitiva.

Da Minha Experiência

Na minha prática no ambulatório de dor musculoesquelética, costumo introduzir ventosaterapia seca como adjuvante em pacientes com lombalgia crônica não específica que já estão em programa de exercício supervisionado mas evoluem com plateau analgésico. A resposta inicial costuma aparecer entre a segunda e a terceira sessão — percepção que se alinha bem com o desenho deste protocolo de cinco sessões. Para manutenção, habitualmente programamos retornos quinzenais a mensais após a fase intensiva, especialmente nos pacientes com componente miofascial associado, onde combinamos ventosa com agulhamento seco de pontos-gatilho lombares na mesma consulta. O perfil que responde melhor, na minha observação ao longo dos anos, é o paciente com dor de caráter mecânico-postural, tensão paravertebral palpável e algum grau de hiperalgesia local — exatamente o perfil recrutado aqui. Pacientes com síndrome de amplificação central grave ou fibromialgia difusa respondem de forma menos previsível, e nesses casos prefiro priorizar o trabalho neuromodulador por agulhamento antes de introduzir a ventosa.

Doutor em Ciências pela USP. Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura.

Artigo Original Completo

Leia o Estudo Científico na Íntegra

Journal of Acupuncture and Meridian Studies · 2021

DOI: 10.51507/j.jams.2021.14.6.219

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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai

Dr. Marcus Yu Bin Pai

CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241

Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.

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Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.

Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.

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