Acupuncture in Temporomandibular Disorders Painful Symptomatology: An Evidence-Based Case Report
Dietrich et al. · European Journal of Dentistry · 2020
OBJETIVO
Tratar sintomas dolorosos de DTM com protocolo de acupuntura baseado em medicina tradicional chinesa
QUEM
Mulher de 22 anos com disfunção temporomandibular de origem muscular
DURAÇÃO
5 sessões semanais de 10 minutos cada
PONTOS
ST6, ST7, SI19, TE21, Yintang, pontos-gatilho, GV20, LI4, SI3, GB34, GB20, ST36
🔬 Desenho do Estudo
Acupuntura
n=1
5 sessões de acupuntura tradicional com pontos sistêmicos e locais
📊 Resultados em Números
Redução da dor após primeira sessão
Eliminação completa da dor
Melhora da atividade muscular
📊 Comparação de Resultados
Escala Visual Analógica (EVA)
Este estudo mostra que a acupuntura pode ser uma opção promissora para aliviar dores na região da face causadas por problemas na articulação da mandíbula (DTM). Uma jovem que sofria com dores intensas há 2 meses conseguiu alívio completo já na primeira sessão de acupuntura, mantendo os resultados após o tratamento.
Resumo do Artigo
Resumo narrativo em linguagem acessível
Este relato de caso apresenta uma abordagem terapêutica com acupuntura para o tratamento da disfunção temporomandibular (DTM) com sintomatologia dolorosa. A DTM é uma condição complexa e multifatorial que afeta as articulações temporomandibulares, músculos mastigatórios e estruturas associadas da cabeça e pescoço, sendo uma das principais causas de dor não-dental. A condição é mais prevalente em mulheres entre 20 e 40 anos, com sintomas que incluem dor miofascial, limitação de abertura bucal, ruídos articulares, cefaleia e dor cervical. O estudo foi realizado com uma paciente de 22 anos que apresentava dor severa na face há dois meses, com pontuação 10 na escala visual analógica (EVA), e que não estava mais respondendo adequadamente à medicação analgésica e anti-inflamatória.
O diagnóstico foi estabelecido através dos critérios RDC/TMD, identificando transtorno muscular com dor miofascial e limitação de abertura bucal. O protocolo de tratamento consistiu em cinco sessões semanais de acupuntura com duração de 10 minutos cada. Os pontos selecionados basearam-se na medicina tradicional chinesa e evidências científicas, incluindo pontos locais (ST6, ST7, SI19, TE21, Yintang), pontos-gatilho e pontos sistêmicos (GV20, LI4, SI3, GB34, GB20, ST36). A seleção considerou também pontos específicos para ansiedade, reconhecendo o componente emocional da DTM.
Para avaliação objetiva dos resultados, foi realizada eletromiografia (EMG) dos músculos masseter e temporal antes do tratamento, após a primeira sessão e após a quinta sessão. Os resultados foram notáveis, com eliminação completa da dor já após a primeira sessão (EVA de 10 para 0) e manutenção desse resultado ao final do tratamento. A análise eletromiográfica demonstrou redução da atividade muscular na maioria das posições avaliadas, confirmando o relaxamento muscular obtido com a acupuntura. O mecanismo de ação proposto pela medicina ocidental envolve a ativação de nervos sensoriais periféricos e vias nervosas aferentes na medula espinhal, liberando cortisol, encefalinas, endorfinas, dinorfinas e endomorfinas que bloqueiam o estímulo doloroso.
Este relato corrobora evidências prévias sobre a eficácia da acupuntura no manejo da dor em DTM, oferecendo uma alternativa terapêutica com poucos efeitos adversos e custo relativamente baixo. No entanto, os autores reconhecem que a acupuntura isoladamente não cura a DTM devido à sua etiologia multifatorial, sendo necessária uma abordagem multidisciplinar que inclua não apenas o tratamento sintomático, mas também a eliminação das causas. A paciente foi posteriormente submetida a ajuste oclusal e indicação de placa miorrelaxante para proteção contra atividades parafuncionais. As limitações incluem o fato de ser um relato de caso único, o que impede generalizações, e a ausência de grupo controle.
Estudos controlados randomizados são necessários para estabelecer definitivamente a eficácia da acupuntura na DTM.
Pontos Fortes
- 1Avaliação objetiva com eletromiografia
- 2Protocolo baseado em evidências científicas e MTC
- 3Resultados rápidos e sustentados
- 4Abordagem multidisciplinar incluindo ajuste oclusal
Limitações
- 1Relato de caso único sem grupo controle
- 2Impossibilidade de generalização dos resultados
- 3Ausência de seguimento de longo prazo
- 4Falta de randomização e cegamento
📅 Contexto Histórico
Comentário do Especialista
Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP 158074 · RQE 65223, 65224
▸ Relevância Clínica
A disfunção temporomandibular com componente miofascial dominante é uma das condições mais frustrantes no ambulatório de dor, especialmente quando o paciente já esgotou analgésicos e anti-inflamatórios sem resposta satisfatória. Esse relato documenta exatamente esse cenário: uma paciente de 22 anos com EVA 10, refratária à farmacoterapia convencional, tratada com acupuntura como estratégia de resgate antes de intervenções oclusais definitivas. O protocolo integrado — acupuntura sistêmica e local, seguida de ajuste oclusal e placa miorrelaxante — reflete a lógica multidisciplinar que qualquer serviço de dor orofacial deveria adotar. Populações jovens do sexo feminino com DTM miofascial e alto componente de ansiedade são candidatas particularmente adequadas a essa abordagem, e os autores acertam ao incluir pontos específicos para modulação autonômica e emocional dentro do mesmo protocolo.
▸ Achados Notáveis
A redução imediata da EVA de 10 para zero após a primeira sessão é o dado que mais chama atenção, não pelo número em si, mas pela confirmação objetiva através da eletromiografia. A redução da atividade dos músculos masseter e temporal nas avaliações pós-sessão valida que houve relaxamento muscular mensurável, e não apenas autorrelato de alívio. Do ponto de vista neurofisiológico, o mecanismo proposto — ativação de fibras aferentes com liberação de encefalinas, endorfinas e dinorfinas, com consequente modulação segmentar e suprassegmentar da dor — é consistente com o que sabemos sobre o efeito do agulhamento em pontos-gatilho miofasciais. A seleção combinando ST6, ST7 e SI19 como pontos locais com LI4, GB20 e ST36 como pontos sistêmicos dialoga diretamente com a neuroanatomia do trigêmeo e das cadeias cervicais superiores, o que confere racionalidade clínica ao protocolo além da tradição chinesa.
▸ Da Minha Experiência
Na minha prática com DTM miofascial, a acupuntura funciona melhor quando é usada para quebrar o ciclo dor-contratura-dor enquanto o tratamento etiológico — seja oclusal, seja comportamental — ainda está sendo estruturado. Costumo ver resposta subjetiva relevante em duas a três sessões, raramente tão dramática quanto o caso relatado, mas suficiente para o paciente aderir ao restante do plano. Em média, trabalho com oito a dez sessões até estabilização, com manutenção mensal depois. Associo rotineiramente com orientação de higiene do sono, manejo de bruxismo e, quando há componente ansioso evidente, encaminhamento concomitante à psicologia. O perfil que responde melhor é exatamente o descrito: mulher jovem, dor predominantemente muscular, sem anquilose ou alteração articular estrutural significativa. Quando há degeneração articular avançada ou componente inflamatório articular agudo, a acupuntura sozinha não resolve e muda minha estratégia de entrada.
Artigo Original Completo
Leia o Estudo Científico na Íntegra
European Journal of Dentistry · 2020
DOI: 10.1055/s-0040-1716631
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Revisão Científica

Dr. Marcus Yu Bin Pai
CRM-SP: 158074 | RQE: 65523 · 65524 · 655241
Doutor em Ciências pela USP e Especialista em Dor, Fisiatria e Acupuntura. Revisão e curadoria científica de todo o conteúdo desta biblioteca.
Saiba mais sobre o autor →Aviso Médico: Este conteúdo é exclusivamente educacional e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento profissional. Parte das informações pode ter o auxílio de Inteligência Artificial e está sujeita a imprecisões. Consulte sempre um médico.
Conteúdo revisado pela equipe médica do CEIMEC — Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa, referência em Acupuntura Médica há mais de 30 anos.
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