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Publicado originalmente em HealthCMI

A acupuntura é efetiva para aliviar a dor musculoesquelética, cefaleias, dor no ombro e a dor relacionada à artrite.

Pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center (Nova York, NY) concluem que os efeitos analgésicos da acupuntura são superiores aos observados no grupo tratado com simulação, e que o alívio da dor persiste ao longo do tempo. a equipe concluiu que a acupuntura é uma modalidade de tratamento efetiva para a dor crônica, e que o encaminhamento ao acupunturista é uma opção terapêutica razoável. 

Em uma metanálise envolvendo 20.827 pacientes em 39 estudos clínicos, pesquisadores determinaram que os efeitos analgésicos da acupuntura para pacientes com dor musculoesquelética, cefaleias, dor no ombro e artrite persistem com o passar do tempo—com uma diminuição de apenas 15% na eficácia do tratamento após 1 ano.

Os ensaios controlados com simulação indicam outro fator adicional importante. Os pesquisadores notaram que os efeitos da acupuntura não podem ser explicados pelos efeitos do placebo. 

Um achado contrastante é o de que os efeitos analgésicos da acupuntura são dose-dependentes. Números aumentados de tratamentos de acupuntura produzem resultados superiores nos pacientes, com significativa diminuição da dor.

Os dados indicam também que a acupuntura manual e a eletroacupuntura são igualmente efetivas.

Delineamento do controle

A análise do controle de simulação destaca os desafios no delineamento do estudo. Os efeitos analgésicos da acupuntura foram discretamente melhores em estudos que usaram agulhas não perfurantes nos controles de simulação. Isto indica que o uso da acupuntura simulada com agulhas perfurantes é ativo, produzindo benefícios terapêuticos relativamente menores. Isto é consistente com o uso dos acupontos de Ashi, indicando que usar agulhas perfurantes nas proximidades dos acupontos reais é inapropriado para o grupo controle de simulação. 

Delineamentos de estudo duplo-cego e cego impõem desafios em pesquisa. Um método usado na pesquisa sobre acupuntura consiste na aplicação de dispositivos de Park simulados. Este aparato aplica tanto agulhas de acupuntura filiformes reais como agulhas de simulação.

O dispositivos trava com segurança qualquer tipo de agulha sobre o acuponto escolhido. Entretanto, por usar um tubo de inserção, os dispositivos de Park simulados não podem medir os efeitos do agulhamento manual livre tradicional. 

A agulha de Park simulada é usada em delineamentos cegos. Esta agulha nunca perfura a pele, sua ponta é cega. Quando pressionada, a agulha é retraída de volta para dentro do cabo , dando a impressão de ter perfurado a pele. Na verdade, a agulha é deslizada superiormente para dentro do tubo. 

Pesquisadores do Charing Cross Hospital (RU) testaram os efeitos da agulha de Park simulada em um pequeno estudo-piloto, concluindo que “a agulha de Park simulada é um controle cego efetivo”. Devido à dimensão do estudo, os pesquisadores indicam que um estudo maior é um seguimento apropriado para confirmar a adequação desta agulha.

Tamanhos amostrais amplos aumentam a confiança e a precisão nas determinações de resultado. Consequentemente, a pesquisa conduzida pelo Memorial Sloan Kettering Cancer Center é importante. Um tamanho de amostra de 20.827 pacientes em 39 estudos é significativo. Os resultados foram publicados no The Journal of Pain, que é o periódico oficial da American Pain Society.

Aceitação

Os últimos anos viram um interesse crescente pelos efeitos analgésicos da acupuntura. Com base na pesquisa moderna, o American College of Physicians agora recomenda formalmente a acupuntura para o tratamento da dor na coluna dorsal. Publicadas no Annals of Internal Medicine, as diretrizes clínicas foram desenvolvidas pelo American College of Physicians para apresentar as recomendações. 

Citando evidências de qualidade em pesquisa moderna, o American College of Physicians observa que o tratamento não farmacológico com acupuntura para tratar lombalgia crônica é recomendado. A nota oficial atribuída pelo American College of Physicians é a de “recomendação forte”. A recomendação foi aprovada pelo ACP Board of Regents e envolve evidência baseada em recomendações de médicos do Penn Health System (Filadelfia, Pensilvânia, EUA), Minneapolis Veterans Affairs Medical Center (Minnesota, EUA) e Yale School of Medicine (New Haven, Connecticut, EUA).

Como a acupuntura age

A evidência clínica em estudos com seres humanos é sustentada por dados objetivos gerados por pesquisa em laboratório. Pesquisadores da University of California comprovaram que a eletroacupuntura no acuponto ST36 (Zusanli) promove produção de encefalina que diminui as respostas pró-inflamatórias excitatórias do sistema nervoso simpático. A eletroacupuntura regula a expressão do gene de pré-pró-encefalina, uma substância precursora que codifica a pró-encefalina, a qual então estimula a produção de encefalina. A pesquisa conduzida na University of California descobriu a habilidade da acupuntura de regular a expressão do gene de pré-pró-encefalina responsável ao menos parcialmente pela habilidade da acupuntura de aliviar a hipertensão. 

Uma investigação conduzida por pesquisadores da University of South Florida (Tampa) e da Fujian University of Traditional Chinese Medicine (Fuzhou) comprova como a acupuntura para a dor parar. Os pesquisadores observam que a “acupuntura exerce um notável efeito analgésico na LME [lesão medular espinal], inibindo também a produção de células da micróglia por meio da atenuação da ativação de p38MAPK e ERK.” A micróglia consiste em células do sistema nervoso secretoras de mediadores pró-inflamatórios e neurotóxicos. A acupuntura alivia a dor atenuando esta resposta.

Intervenção sem fármaco

Uma explicação para os efeitos analgésicos da acupuntura serem importantes é a crise opioide. Pesquisadores da Stanford University concluem que a acupuntura diminui e retarda a necessidade de opioides após a cirurgia de substituição total do joelho. Mais de 4,7 milhões de pessoas nos Estados Unidos já passou por uma cirurgia de substituição do joelho.

O tratamento pós-cirúrgico convencional costuma incluir prescrição de opiáceos. Os fármacos frequentemente proporcionam alívio da dor aos pacientes, mas são inefetivos em alguns casos. Além disso, há uma crescente preocupação com a possibilidade de vício decorrente do uso prolongado de opiáceos prescritos, exacerbando ainda mais os níveis epidêmicos de abuso de opiáceos.

Como resultado, encontrar intervenções livres de fármaco que efetivamente aliviem a dor e diminuam o uso de opiáceos se tornou imperativo em saúde pública. 

Na metanálise conduzida na Stanford University (California, EUA), pesquisadores analisaram os resultados de 2.391 pacientes em mais de 39 estudos clínicos randomizados, comparando a eficácia de 5 das intervenções livre de fármaco mais comumente usadas para diminuir a dor e o uso de opiáceos após a cirurgia de substituição de joelho: acupuntura, eletroterapia, crioterapia, exercícios pré-operatórios e movimento passivo contínuo.

Entre estas, somente a acupuntura e a eletroterapia foram associadas ao consumo diminuído e adiado de opioides.
 

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CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).