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A catastrofização da dor pode estar associada a uma capacidade reduzida de distrair a mente da dor de forma eficaz em pacientes com fibromialgia, resultando em potencial exacerbação da dor crônica, de acordo com os achados do estudo publicados na revista Pain Medicine.

Os pesquisadores cadastraram 20 mulheres com fibromialgia e 18 mulheres saudáveis ​​com idades entre 18 e 65 anos. As participantes do estudo foram expostas a estímulos dolorosos de forma isolada ou durante tarefas cognitivas distrativas enquanto eram submetidas à ressonância magnética funcional. A catastrofização foi avaliada por meio da Escala de Pensamentos Catastróficos (PCS).

O teste Stroop de Cores e Palavras congruentes e incongruentes foi usado para distrair os pacientes dos sintomas dolorosos. Para o teste congruente, foi mostrada aos pacientes uma palavra descrevendo uma cor, com a fonte da palavra representando essa mesma cor (ou seja, a palavra “vermelho” estava escrito em vermelho).

O teste incongruente de Stroop incluía uma descrição em que a palavra descrevia uma cor diferente da cor de sua fonte (ou seja, a palavra “vermelho” escrita em amarelo por exemplo).

As pacientes com fibromialgia relataram maior dor durante os estímulos dolorosos do que o grupo-controle ​(P=.019). Comparados aos estímulos de dor administrados de forma isolada, a dor durante a aplicação do teste Stroop incongruente foi associada a menor intensidade de dor (P =.01) e desconforto (P=.02).

Embora as participantes do grupo-controle ​​demonstrassem menor intensidade de dor durante essa tarefa (P=.02), elas não relataram alteração significativa no desconforto por conta da dor (P>.05). O teste congruente de Stroop não foi associada com menor intensidade de dor ou desconforto em pacientes com fibromialgia.

Além disso, em relação à dor durante os testes congruentes e incongruentes, as pacientes com fibromialgia tiveram correlações positivas de moderadas a acentuadas entre as pontuações do PCS e intensidade da dor e desconforto (alcance = 0,53-0,79; P <.05). Não houve correlações significativas entre as pontuações do PCS e os testes Stroop entre as participantes do grupo-controle.

Durante os testes de Stroop, as pacientes que experimentaram catastrofização tiveram maior atividade cerebral no córtex pré-frontal dorsolateral, que foi associado, de forma positiva, com maior intensidade de dor (r = 0,82) e desconforto (r = 0,83).

Devido ao limitado tamanho da amostra do estudo, os pesquisadores não conseguiram determinar se as pacientes com níveis baixos ou altos de catastrofização apresentavam respostas distintas. Além disso, a coorte do estudo foi restrita às mulheres, impedindo a capacidade de generalizar esses achados para a população muito maior de pessoas com fibromialgia.

A catastrofização pode atrapalhar o equilíbrio entre a facilitação e a inibição do processamento e da ação da dor, em parte, para manter a dor e os sintomas associados”, concluíram os autores do estudo.

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CRM-SP: 158074 / RQE: 65523 - 65524

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura. Área de Atuação em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP. Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP. Diretor de Marketing do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP). Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED). Presidente do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual (SBRET). Professor convidado do Curso de Pós-Graduação em Dor da Universidade de São Paulo (USP). Membro do Conselho Revisor - Medicina Física e Reabilitação da Journal of the Brazilian Medical Association (AMB).